Constelação de Pirulito

Desde os meus doze anos, tento entender o desenho que as estrelas formam no céu. No meu antigo bairro da Cohab, bastava passar na praça de noite para ver um céu muito estrelado, possível tanto de identificar as constelações ou imaginar, como se fosse um jogo de ligar os pontos. Nessa praça, antes de urbanizarem, […]
O avô artesão

Antes de mim, vieram dezenas de netos. Depois de mim, outras tantas dezenas. Passadas mais de duas décadas de sua partida, a família grande do seu Doca Ribeiro continua crescendo. Em Jijoca e fora dela porque temos parentes em vários Estados. O que eu achava mais curioso era que meu avô paterno não falava meu […]
As melancias da Páscoa

Esses dias me pus a pensar nos sabores principais das festas celebradas pela minha família que, em geral, não correspondem aos da maioria das casas. Por exemplo, para muitos, o sabor mais marcante da Semana Santa é o chocolate. Se você for cearense, quem sabe acrescente o pão de côco e o peixe. Mas, para […]
A felicidade está no caminho

Minhas viagens de ônibus para a terra do meu bem querer talvez tenham se iniciado aos oito ou nove anos. Meu irmão mais novo sempre enjoava. Alguma vez, vomitava do balanço do transporte e eu também não ficava totalmente bem. Como sempre moramos em Caucaia, a “rodoviária” era aquela velha rua perigosa do Antônio Bezerra […]
Em honra a Santa Luzia

Festa do padroeiro é a confraternização suprema de toda cidade pequena. Até em cidade grande, a depender do bairro, tem movimentação maior e tudo parece ganhar cores mais vivas. Tudo se atiça: as vendas, os amores, as brigas… Só estive na festa de Santa Luzia, a padroeira de Jijoca de Jeri, em dezembro de 1993. […]
A Mãe D’água e a Princesa Encantada de Jeri são parentes?

Eu imaginava a Mãe d’Água como uma velha senhora, de longos cabelos grisalhos, vestida de azul e flutuando na parte funda da lagoa da Jijoca. Ela estaria sentadinha, como se estivesse em uma pedra, sem ter a pedra. Às vezes, imaginava ela sentada na forquilha, de onde muita gente pulava e dava uns mergulhos. Eu […]
Sobre bicadas, galinhas e travessuras

Minha avó Maria nunca gostou muito de viajar. Como uma mulher acostumada às coisas práticas, ela não era de muitas conversas, nem de ficar relembrando o passado, festas das épocas de jovem ou coisa assim. Convivemos por quase uma década, sempre na época das férias de julho e na Semana Santa. Dos cinco aos 15 […]
Um carro, poeira e muita pressa de chegar

Ir visitar meus avós ganhou outros sons, cores e cheiros quando eu passei a ir no carro do meu pai. Logo no ano seguinte ao que cheguei ao Ceará, meu pai comprou um carro. Era um Corcel II bege. Lembro que teve uma batida logo na primeira viagem. Uma Kombi entrou na porta do meu […]
Televizinho nos tempos da Maria do Bairro

Com a energia elétrica, não foram apenas os eletrodomésticos que começaram a chegar nas cozinhas. Aos poucos, as antenas parabólicas também surgiram nos telhados e, com elas, as televisões nas salas. Na maioria das cidades brasileiras, esse movimento ocorreu no início dos anos 1970. No “meu interior” e talvez em boa parte dos rincões cearenses, […]
Quando a energia chegou

Em meados dos anos 1990, começaram a ligar a energia no Córrego do Urubu. Nas férias, notamos que os lampiões a gás de cozinha foram guardados no quarto. As lamparinas também. Apesar de ter energia, não havia muita estabilidade e, muitas vezes, se ficava no escuro. Por esse tempo, o meu pai e os seus […]


