PERFIL SEMANAL

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Direito como vocação e ponte para a luta

por um mundo melhor

Por Kelly Garcia

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Nosso entrevistado da semana é Roberto Victor Ribeiro. Professor, advogado, presidente do Colégio de Presidentes das Academias Jurídicas do Brasil, presidente de honra da Academia Brasileira de Direito e presidente da Academia Cearense de Direito, se divide entre a advocacia, a escrita e o magistério e tem se destacado nas três atividades, recebendo dezenas de honrarias por sua atuação dinâmica. Confira uma conversa sobre objetivos, a paixão pelo Direito e a criatividade em suas abordagens. 

1. Nos conte como você descobriu sua paixão pelo Direito.

Ambicionava na escola ser médico. No 1º ano do Ensino Médio, acabei olhando com mais carinho pelo Direito. Nesse entremeio, pensei em fazer Jornalismo, pois sempre gostei de ler e escrever. Entretanto, por dedicação de minha mãe, que sempre quis fazer Direito e enveredou por outros caminhos, acabei adquirindo livros jurídicos e foi uma paixão arrebatadora. Minha família comenta que sempre, desde pequeno, fui questionador e idealista com as questões humanas e, portanto, o Direito era a trilha que eu precisava para concretizar meus sonhos.

 

2. Você, apesar de jovem, já tem dez livros publicados. Como a escrita se uniu ao Direito na sua trajetória profissional? Você tem alguma rotina para se dedicar à escrita?

Aprendi, já no início das bancadas universitária, que "as palavras voam e os escritos ficam". Sempre gostei de escrever e percebi que havia muito espaço para inovar no Direito. Escrevi sobre o Julgamento de Jesus Cristo, por exemplo. Fiz reeleituras de clássicos nacionais e internacionais sob a ótica do Direito, fazendo assim uma ligação do Direito com a Literatura. 

Sempre gosto de escrever no período da noite, onde encontro silêncio e inspiração para grafar as ideias que circudam meu córtex cerebral. 

 

3. Além do Direito e da escrita, outra grande paixão é a docência. Como você percebeu que iria seguir nessa área também?

O sonho do meu pai era ser professor universitário. Quando terminei minha pós-graduação, aos 25 anos, fiz seleção para professor de Direito em uma universidade de Fortaleza. Passei e fui contratado. Cheguei com a CTPS e disse ao meu pai: seu sonho era o meu também, hoje somos professores. E de lá para cá são 13 anos de sala de aula. Minha vocação nata. Antes de me tornar pai, a palavra mais bonita que eu gostava de ser chamado era Professor. Hoje é a segunda palavra, a primeira é papai. 

 

4. Sabemos que você é bastante atuante nas academias literárias e jurídicas e participa do conselho editorial de várias publicações da área. Como faz para conciliar tantas atividades?

É uma ginástica de agenda. Mas sou muito comprometido com as causas e as bandeiras que levanto. Tento fazer um malabarismo para cumprir todas as agendas profissionais e Institucionais. Tenho também alguns colegas que me socorrem, como minha querida amiga e Vice-Presidente Dra. Vanja Fontenele, Procuradora de Justiça e meu Chefe de Gabinete, Dr. Gabriel Brandão. 

Esforço-me para honrar todos os compromissos, mas sempre, independente de qualquer situação, priorizo a família. Não abro mão de ter bons e demorados momentos com minha esposa, filhos e meus pais e irmãos. 

5.E a Academia Cearense de Direito? Como tem encarado a chegada de tantos novos associados?

É sempre bom observar que pontificamos uma entidade que goza de respeito, admiração e credibilidade. A chegada de novos acadêmicos seja na condição de efetivos, honorários, associados jovens ou coordenadores é sempre um oxigênio e uma motivação para continuarmos hasteando o lema Cultura Jurídica com Responsabilidade Social.

 

6. O que mudou na sua forma de ver o mundo depois que seus filhos nasceram?

O mundo passou a ter cores. E passei a enxergar a rotina com mais responsabilidade, sobriedade, equilíbrio e, principalmente, com luta por uma educação mais justa, humana e fraterna. Meus filhos Maria e Victor nasceram juntos com um novo Roberto Victor. Parte do homem que sou, devo aos meus filhos. As razões maiores da minha existência e das minhas labutas diárias. 

 

7. Quais os projetos que você pretende realizar ainda este ano?

Pretendo multiplicar as ações sociais da ACED e duplicar os esforços para amortecermos os desatinos sociais cada vez mais. Ainda esse semestre doaremos 10 toneladas de alimentos a entidades filantrópicas. 

 

8. Quais os seus hobbies? 

Cinema, bons restaurantes, praia e a leitura. 

 

9. Você gosta de viajar? Qual lugar mais te encantou?

Gosto muito de conhecer novas culturas e lugares. O lugar que mais me cativou foi Punta Del Leste, no Uruguai. 

 

10. No Direito e no magistério, quem são os seus modelos de vida?

Tenho dois ídolos no Direito. Tive a felicidade de conhecer ambos e um deles ainda me deu a honra de prefaciar meu terceiro livro. São eles: Min. Carlos Ayres Brito e o jurisconsulto Ives Gandra da Silva Martins. No magistério, tenho como bússola minha bisavó Adélia Brasil Feijó, a primeira mulher a completar 50 anos ininterruptos de magistério, recebendo condecoração das mãos do Ministro da Educação Jarbas Passarinho. E outra referência é o meu amigo Raimundo Bezerra Falcão, professor aposentado da UFC.

 

11. Você tem alguma religião? Qual a importância disso em sua vida?

Sou espiritualista, mas professo o Catolicismo Romano. Sou devoto apegado a Maria, Nossa Senhora. A espiritualidade é uma força que eu uso no dia-a-dia.

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Por um maternar

mais leve
Por Kelly Garcia

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Nossa entrevistada da semana é a psicóloga Natália Ferri. Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, atua com base nessa abordagem, além de ter formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade. Também possui atuação na área da Psicologia Jurídica, uma de suas paixões, no que diz respeito à drogadição e criminalidade, sempre visando a ressocialização e desenvolvimento de cada pessoa. Como psicóloga, atua na ajuda a desenvolver uma paternidade e maternidade com mais leveza, cuidando do início da vida desde a pré-concepção, o que pode mudar todo o percurso de uma história, contribuindo assim para o autoconhecimento e desenvolvimento humano.

Como você decidiu pela Psicologia? Onde você fez a sua graduação e as especializações?

Desde a adolescência, eu gostava bastante de observar e ler sobre comportamento e tinha o desejo de compreender o comportamento humano. Não foi a primeira graduação cursada, mas foi aonde me encontrei de fato. Embora tenha descoberto após a graduação que o ser humano é infinito. Não cabe em caixinhas, nem nos livros. Considero a Psicologia uma ciência que não finda em estudos e que sempre precisamos estar nos atualizando para melhor contribuir com as pessoas. 
Conclui minha graduação na Universidade de Fortaleza (Unifor) e segui especialização e pós-graduação na Unichristus e Materonline. 

 

Desde a faculdade, já pensava em se especializar  na saúde mental das mamães? Ou foi algo mais recente?

Não. Na graduação, não é abordada essa parte da Psicologia (perinatal e parental). Nesse período da faculdade, meus estudos eram voltados para assuntos mais gerais como ansiedade, depressão, etc e para a psicologia jurídica, onde tive a oportunidade de estagiar em atendimento com pessoas que estavam em cumprimento de medidas cautelares. Meu interesse pela área perinatal e parental se deu pelos estudos iniciados durante a minha primeira gestação. A vivência da minha própria maternidade me fez olhar para esta porta. O que foi riquíssimo para mim e na mesma época, me surgiu o primeiro caso envolvendo a área perinatal. A partir daí, me voltei com bastante foco em leituras e cursos.

 

Infelizmente, tem se tornado cada vez mais numerosos os casos de depressão materna, seja no pós parto ou mesmo durante a gravidez. Por que isso acontece?

Existe uma falta de conhecimento dos aspectos psicológicos vivenciados na gestação e no pós-parto. Então, esse desconhecimento leva muitas vezes a uma negligência por parte da mulher mesmo ou de quem está ao seu redor. Existe uma história de que "gravidez não é doença". Logo é muito comum ver o tanto que é desconsiderado os sentimentos que essa mulher tem. Ela não pode estar triste e falar sobre isso. Ela é cobrada a estar feliz e sorridente. Afinal de contas, ela está levando "um sonho" na barriga. Mas veja só, essa mulher passa por ambivalências de emoções comuns durante a gestação. E não há nada de ruim ela não estar sorridente o tempo inteiro. Mas isso não lhe é permitido falar. Então essa mulher adoece. E ela vai compartilhar com quem? Precisamos normalizar os sentimentos da mulher na gestação e puerpério. E saber reconhecer o que é próprio do tempo, até por mudanças hormonais, mas que são coisas que vão passar. Acolher é sempre preventivo.

 

A quais sinais as mães e a família devem estar atentas para começar o tratamento dos problemas psicológicos? Ainda há muita desinformação sobre o assunto?

Sim, há muito desconhecimento dos benefícios de um acompanhamento psicológico. Ainda é comum acreditar, como que um mito, de que a Psicologia é somente para tratar transtornos. E acaba que parte das pessoas procura um profissional quando estão no limite ou já se tem passado dele. A Psicologia tem o papel não somente de lidar com transtornos, mas de trabalhar e fortalecer habilidades que já se tem. Então o ideal é procurar um psicólogo inclusive quando se está tudo bem. 
Para o público específico de mulheres/mães, seria inclusive desde tentantes, à espera do seu positivo. Ou à espera do seu filho que chegará por meio da adoção. Desde aí, mesmo que esteja tudo bem, já podemos encontrar momentos de um pico maior de ansiedade (comum na vida), por exemplo, que pode ser direcionado de uma forma saudável e contribuir para o bem estar emocional dessa mulher. E trabalhamos assim com a prevenção de questões maiores.

 

Como as mamães podem cuidar melhor da saúde mental? Como a família pode ajudar com isso?

Somos um ser que precisa ser visto por inteiro. Então, para um bem estar emocional das mães, eu indicaria cuidar da sua alimentação, ter um momento para atividades físicas (a que mais agradar), ter um momento seu (para fazer o que se quiser: ler um livro, ir a um salão, ver um filme, relaxar) sem as demandas dos filhos ali ao lado. Um momento só seu mesmo. Fazer uma listinha de coisas que te dão bem estar e colocá-las na rotina semanal. Mesmo que seja um dia na semana. 
A família, enquanto rede de apoio, pode perceber o tanto que os afazeres já demandam dessa mulher e estar junto, seja com escuta, seja num auxílio para dividir as demandas de seus filhos (se forem ainda dependentes de cuidados) e da casa. E tomando conhecimento que mães também podem adoecer. E precisam de um olhar atento quanto a isso. 

Havia uma subnotificaçao nos casos de problemas psicológicos maternos ou realmente esse tipo de transtorno aumentou?

A Psicologia tem ganhado espaço e assuntos relacionados aos cuidados emocionais tem tido mais destaque nos últimos anos. Isso não quer dizer que gerações passadas não vivenciassem questões como depressão materna, por exemplo. Apenas que era tido como besteira, preguiça ou algo que já, já passa. Existia sim muita negligência por falta de conhecimento mesmo da importância de cuidados. Em contrapartida, eventos históricos podem marcar um crescimento de certos transtornos. O que ocorreu nos últimos anos, devido à pandemia. Não podemos esquecer que gestantes e puérperas fazem parte do grupo de risco. E que tivemos um número elevado de perdas gestacionais e neonatais devido complicações de Covid-19 com a pessoa da mulher. Foi um período avassalador digamos assim, não somente pelas mortes, mas pelo número de mulheres em ansiedade, em pânico, em luto, em adoecimento psicológico. Então podemos dizer que temos os dois lados aí, ao longo dos anos. 

 

Como lidar com o luto em caso de uma perda gestacional?

Perder um filho é uma das maiores dores que uma pessoa pode sentir, se não for a maior! Para a mãe que sofreu a perda, respeitar o seu tempo de elaboração desse luto pode ser um começo desse caminho. Se permitir falar de seus sentimentos, emoções e de seu bebê. Os rituais de luto são muito importantes para ajudar nessa elaboração da partida, mas sabemos que algumas mães não terão essa oportunidade a depender do tempo que durou essa gestação. Então, criar um ritual seu de despedida. Uma carta de despedida para esse bebê? O que quiser criar e fizer sentido, esse será o seu ritual. E contar com apoio de sua família e sentindo necessidade, de um profissional da psicologia especializado. 
Para as pessoas em geral: escutar essa mãe. Não importa quantas vezes ela queira falar do seu filho, escutar todas as vezes. Evitar frases como "Foi Vontade de Deus", "logo você terá outro", "você ainda é muito jovem, terá tempo", "foi melhor assim",  "pode ter sido um livramento". Isso em nada vai ajudar! Estamos falando aqui do filho dessa mulher, independente do tempo de gravidez, esse filho existiu e sempre estará viva a sua memória dentro dessa mulher. Basta estar ao lado dela, permitir que ela saiba que se está alí para acolhê-la e escutá-la. Nenhum filho substitui outro. Então, é importante esquecer a história de que ela poderá ter outro. Esse outro não será o mesmo filho que partiu. 

 

A religião ajuda a lidar com a sobrecarga emocional  e física da maternidade?

A religião faz parte de todas as culturas e por isso é parte da vivência do ser humano. O que tenho percebido na prática clínica e em algumas leituras de estudos voltadas para essa vivência da religião e a psicologia, é que sim. Sendo mais uma escolha que agrade à pessoa, pode trazer benefícios. Independente de qual a religião. Assim como qualquer atividade que a mãe inclua que lhe dá prazer. Não podemos dizer que somente uma coisa ou outra basta para lidar com sobrecargas. São coisas distintas. Lembremos que somos seres complexos e inteiros. E o cuidado deve estar de todos os lados para um bom equilíbrio emocional. 

 

No tempo das nossas avós, as mães tinham uma rede de apoio maior durante a gestação e o puerpério. Essa "solidão" das mães no início da jornada pode atrapalhar? Como lidar com isso?

Pode ser uma grande interferência não contar com uma rede de apoio. Já dizia um provérbio: "Precisa-se de uma aldeia inteira para educar uma criança". E é real. Muitas vezes o olhar está voltado somente para o bebê. E onde fica a mãe? Quem olha para ela? Compreendo que nem todas as mulheres contam com uma rede de apoio adequada. Algumas mães vivem a maternidade solo. Outras podem estar longe da família. Mas é preciso desde a gestação se pensar em quem pode estar alí do seu lado para lhe socorrer ao menos uns minutos durante o dia. A mãe? A sogra? A cunhada? Uma amiga? A babá? E dentre as opções que tiver, trabalhar essa rede de apoio desde a gestação. Para que o puerpério flua de uma forma mais leve e menos exaustivo. 

 

Algumas mães passam pelo chamado baby blues após o parto. Como diferenciar esse sentimento de tristeza de uma depressão?

O baby blues é vivenciado pela grande maioria das mulheres. E existe uma diferença no tempo de duração. Esse período mais melancólico do baby blues tem um início e um fim. Ele pode ser marcado de tristeza e de muito choro. Geralmente, pode aparecer ali depois do terceiro ou quarto dia pós-parto e ele vai durar até 2 semanas. E passa. Mas parece uma grande montanha russa nos sentimentos. Na depressão pós parto, seus sintomas tem uma duração maior. E ela pode iniciar até 1 ano após o nascimento do bebê. A depressão pós parto necessita de um acompanhamento com profissionais da Psicologia e Psiquiatria, pois se trata se um transtorno. E não pode ser negligenciado, para o bem estar da mãe e do bebê. Um detalhe é que nem sempre a mulher com depressão rejeita seu bebê. Então, atenção para não aguardar porque não apresenta esse sintoma. A mulher pode estar em depressão e mesmo assim ter o vínculo com seu bebê e manter os cuidados com ele. Porém ela o realiza com dificuldade, pela baixa energia causada pela depressão.

 

No seu consultório, você atende outro tipo de público, além do materno?

Sim. Atendo desde adolescentes a adultos. Incluindo homens e mulheres.

 

Existe alguma espécie de luto materno quando os filhos saem de casa para viverem suas vidas como adultos? Como lidar com isso?

Sempre que falamos em perda, utilizamos esse termo "luto". Então, sim. Existe um tipo de luto quando o filho resolve seguir seu caminho e sair de casa. O que deveria ser o esperado nas famílias. Mas quem se prepara para isso, não é verdade? Pouquíssimas pessoas. E a chave do segredo está aqui. Compreender que se cria um filho para o mundo e não para si. E que esse filho tem o direito de fazer escolhas na vida. É possível que nas próximas gerações, seja cada vez mais comum, os filhos quererem ou terem a oportunidade de cursar uma universidade fora, por exemplo. O que já acontece hoje através do ingresso pelo Enem. Então, ter isso claro dentro de si. Os filhos não estarão para sempre numa bolha. Se eles quiserem permanecer, ok. Se quiserem partir, ok também. Analisar como está se vivendo a própria maternidade nesse sentido. Será que a minha maternidade é para gerar correntes à minha volta? Ou permitir a vivência de sonhos? Você conhece os sonhos do seu filho? Converse com ele sobre isso. Conheça seus ideais e seu coração. Isso pode te ajudar a lidar com essa questão. Conhecendo o que se passa dentro do seu filho.

Nos indique um livro, um filme e uma série.

 

Teria várias indicações, mas vou elencar aqui alguns.

Um livro: 60 Dias de Neblina, de Rafaela Carvalho. Um filme: O que esperar quando se está esperando. Uma série: Turma do Peito (para gestantes e puérperas) e Gilmore Girls (que trata de da maternidade de uma adolescente e de uma mulher adulta. Maternidades distintas e que trazem boas reflexões sobre o maternar.) Ambas as séries disponíveis na Netflix.

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Em busca dos segredos do

passado serrano cearense
Por Kelly Garcia

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Nosso entrevistado da semana é o professor, historiador e escritor Levi Jucá. Licenciado e Mestre em História (UFC / UECE), reside em Pacoti, na Serra de Baturité, onde dedica-se à pesquisa sobre o passado da região e às questões culturais e ambientais do presente. É autor dos livros "Pacoti: História & Memória" (2014), "Um Século de Magia" (2017), que trata das origens do baturiteense Luiz Severiano Ribeiro, o "Rei do Cinema" no Brasil, "Filhos de Guaramiranga" (2019) e do folheto "A História de Pacoti em Cordel" (2020). Confira nossa conversa sobre os bastidores da pesquisa histórica e biográfica e também sobre o passado e presente ligados ao café no Maciço de Baturité.

1. Como aconteceu seu despertamento para o estudo da História? Você sempre teve vontade de saber mais sobre o Maciço de Baturité?

Ainda na infância já ensaiava o ofício de historiador, movido pela extrema curiosidade, fiel companheira, como leitor assíduo e pesquisador de tudo que via pela frente. No Ensino Médio, ao prestar vestibular, veio o despertar pela decisão da escolha do curso, contando com o apoio e inspiração da minha inesquecível professora de história,que nos fazia viajar no tempo e no espaço, sem sair da sala de aula, por meio de discussões e narrativas maravilhosas. Sou natural de Fortaleza, mas o "meu interior" sempre foi Pacoti, torrão natal de minha mãe e avoengos. Como garoto urbano e frequentador das praias, atravessar o sertão e vir à Serra de Baturité aos 7 anos de idade foi um deslumbramento! O clima, o verde, a aventura... Não deu outra: o destino das férias passou a ser este. Era o meu Picapau Amarelo.

 

2. E como seu caminho profissional cruzou com a escrita da biografia? No caso, do grande empresário Luiz Severiano Ribeiro e do cartunista Mendez?

O amor ao território do Maciço me fez sair da capital e viver definitivamente em Pacoti, logo após o término da graduação em História, pela Universidade Federal do Ceará, quando também ingressei como professor na Rede Pública Estadual de Ensino. Em sala de aula, passei a conectar os temas de História Geral e Nacional às questões locais e, para isso, não se pode dissociar ensino e pesquisa. Desde 2007, ainda graduando, já havia iniciado minhas pesquisas sobre o passado da região de Baturité, escarafunchando os acervos de importantes instituições como Biblioteca Pública do Ceará ou o Arquivo Público, onde trabalhei e aprendi a ler manuscritos antigos. Em Pacoti, ajudei a fundar um arquivo municipal e escrevi o meu primeiro livro, que também foi o primeiro sobre a história da cidade, publicado em 2014, ano em que passei a instigar meu alunos para a iniciação científica através do projeto "Jovem Explorador", que culminou na criação do Ecomuseu de Pacoti. Nesse sentido, o interesse pela biografia veio nessa mesma perspectiva da História Social, posto que esta não se faz, como por muito tempo se acreditou, por um suceder de leis e outros atos oficiais, esquecendo as trajetórias de indivíduos. Daí meu interesse em construir histórias contadas através de vidas, especialmente as dos nascidos por aqui. Tanto Luiz Severiano Ribeiro, o "Rei do Cinema no Brasil", como Mário Mendez, um dos grandes mestres da caricatura do país, nasceram na cidade de Baturité e, mesmo consagrados, jamais esqueceram suas origens. Hoje percebo a importância de apresentar às novas gerações esses "ilustres desconhecidos" (por vezes!) dos próprios conterrâneos.  

     

3. Ao seu ver, o que é mais desafiador ao escrever biografias?

Além da construção da narrativa, que julgo mais desafiadora que a própria pesquisa, creio que seja a necessidade de nos transportarmos à realidade do biografado, no tempo e no espaço. E isso requer muito estudo e dedicação. No entanto, é muito gratificante descobrir cada peça e poder seguir montando esse grande quebra-cabeças, repleto de conexões, como é a vida! 

 

4. Quais foram suas principais dificuldades para pesquisar sobre a história do café no Estado do Ceará?

Confesso que, para mim, saber que o Ceará produzia café foi uma grande surpresa que só tive acesso ao conhecer pessoas da região da serra de Baturité. A gente não vê isso na História do Ceará, nas escolas, geralmente.

Isso mesmo. Por isso o meu esforço em oportunizar aos alunos essa discussão sobre estudos regionais, sobretudo em se tratando de Nordeste, que historicamente sempre passou a largo das narrativas de uma história dita "do Brasil", porém centrada no sudeste. A sua surpresa é a mesma que percebo na maioria das pessoas daqui e principalmente lá fora, quando me perguntam: "E existe café no Ceará?!", exatamente porque logo associam o café a São Paulo, Rio, Minas, Paraná... A grande dificuldade dessa pesquisa foi a de garimpar fontes e evidências suficientes para demonstrar a importância desse ciclo econômico ontem e hoje, considerando que não há quase nenhuma literatura sobre o tema, a qual também precisei revisar e corrigir. Além disso, viajei por diversas serras cearenses, que são áreas onde o café prosperou, e acessei preciosidades oriundas dos acervos particulares de antigas famílias produtoras.

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5. O que está lendo no momento? Já tem algum novo trabalho em vista?

Sempre! Atualmente curso doutorado em Educação, pela UFC, e pesquiso a Serra de Baturité pelo viés da história ambiental e das ciências a partir do olhar dos naturalistas, cientistas e expedições que a visitaram entre os séculos XIX e XX. Também preparo, em parceria com a prefeitura, um livro didático sobre a história de Pacoti para os anos iniciais do ensino fundamental.

 

6. Quais os seus hobbies?

Leitura, colecionismo (livros, selos, moedas, fotografias), palavras-cruzadas e meliponicultura (criação de abelhas nativas sem ferrão).

 

7. Que conselho daria para alguém que está se aventurando na pesquisa histórica pela primeira vez? Você acha que o Ceará ainda tem muitos meandros a serem desbravados, nesse sentido?

No Brasil, além da pesquisa, por vezes precisamos antes salvar e organizar acervos para viabilizá-la. É algo heróico, mas sabemos que não deveria ser assim. No entanto, para quem se aventura na pesquisa pela primeira vez, é sempre bom ter essa convicção e consciência de que história se faz com arquivos, fontes, evidências. Então, além da pesquisa pessoal / profissional empreendida, precisamos lembrar da nossa função social, a exemplo de buscar apoiar, participar e divulgar ações de preservação do patrimônio, no âmbito público ou privado. Não tenho dúvida de que o Ceará abre possibilidades inesgotáveis para a pesquisa histórica entre o passado e o presente, sem falar da singularidade do olhar e abordagem que cada pesquisador lança sobre temas comuns. Com a interiorização das universidades, por exemplo, é possível celebrar essa diversidade através da produção acadêmica bastante pautada em assuntos regionais.

 

8. Como tem sido a recepção aos seus livros? Você continua se surpreendendo com os leitores?

Tem sido positiva e gratificante, uma vez que o público que quero alcançar é, especialmente, a própria comunidade em que estou inserido, oportunizando a ela o acesso às suas raízes culturais. Por outro lado, há uma excelente recepção do público externo também, afinal do micro vamos ao macro. Temas como cinema, charge e café são universais.

 

9. Nos indique uma série, um filme e um livro.

Série: "Merlí"
Filme: "Narradores de Javé"
Livro: "As Raízes do Futuro" - Hugues de Varine

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Versatilidade na arquitetura,

nas artes e na vida 
Por Kelly Garcia

Nosso entrevistado da semana é o experiente arquiteto Carlos Otávio, que também é artista plástico de formação, com participação em algumas exposições de destaque, como no Masp, quando ganhou o prêmio Pirelli Pintura Jovem. Formado em 1987, pela Universidade Federal do Ceará, teve como influências importantes a arquiteta Velbanize Luna, a decoradora Ana Melo e o engenheiro Cesar Fiúza, o que proporcionou uma formação bem rica.  Bastante atuante no segmento de interiores, também tem o lado comercial muito marcante. Além dos recentes projetos dos restaurantes da rede Coco Bambu Frutos do Mar e do novo restaurante da rede, Vasto, também é autor dos projetos do Oui!,  Murano  e La Bella Italia, entre outros, já que a gastronomia é uma das suas paixões. Residindo entre Portugal e o Brasil, Fortaleza sedia o seu escritório de arquitetura, com cerca de 12 pessoas, responsáveis por projetos e trabalhos pelo Brasil todo. Confiram!

1-Você é extremamente conhecido em Fortaleza por seus projetos para residências e também comerciais, como a grande rede de restaurantes Coco Bambu Frutos do Mar. Como você escolheu esse caminho profissional? Há quanto tempo atua na arquitetura em Fortaleza? 

Não foi bem uma escolha, eu já nasci com essa vocação. Eu senti bem cedo esse gosto pelas artes plásticas, pelo desenho, pela pintura, de trabalhos manuais. Fiz marcenaria infantil, por exemplo. Eu era muito curioso com construção de casas desde muito novo. Quando eu procurei um curso pra fazer na universidade, decidi por artes plásticas. Mas, na época, não tinha em Fortaleza. Eu teria que sair do Estado, porém meus pais não tinham recursos pra me bancar fora, então o que eu vi mais parecido  com a arte foi a arquitetura, que também se encaixava. Então foi meio que natural. Eu me encaixei e fui gostando muito do curso. Eu me formei em 1987,  são 33 anos dedicados à arquitetura. Já no segundo semestre, eu fui fazer um trabalho da faculdade no escritório da arquiteta Velbaneza Luna e ela me perguntou se eu queria estagiar. A partir daí, não parei mais, embora, em paralelo, eu estivesse levando as artes plásticas também.

 

2-Como você aprimora seus conhecimentos na sua área de atuação? 

Na minha área de atuação, existem dois caminhos: o primeiro, o do conhecimento, através da leitura, da participação de congressos e cursos. Também visitar acervos e feiras é muito importante, porque você se atualiza constantemente. Um segundo aspecto, que eu acho primordial, é a vivência de obra e conhecer como os projetos que você desenha serão executados, aprimorando o seu próprio conhecimento através da experiência dos próprios profissionais, porque o sentido de equipe é muito grande na arquitetura. Eu trabalho com o engenheiro, o marceneiro, o eletricista, o cara que faz a ferragem das estruturas... É uma cadeia gigante e todas essas pessoas têm as suas experiências para passar. Eu acho que visualizar as obras, ver o seu próprio trabalho sendo executado é primordial para que você avance no conhecimento técnico.

 

3-Você chegou a pensar em trabalhar em outra profissão? Qual? 

Logo que eu me formei, fui trabalhar em uma agência de publicidade. Quando me formei, fiquei desempregado e busquei outras coisas. Como eu gostava de desenho, fiz um curso de desenho publicitário  e fui professor nesse curso, porque os dois melhores alunos se tornavam professores. Fiquei só um semestre, na realidade, e, depois, um amigo me chamou pra trabalhar em uma agência, a Close Publicidade, e foi uma experiência muito legal, porque eu fazia as ilustrações de loteamentos e lançamentos imobiliários. A partir dali, eu fiz contatos e consegui pegar alguns projetos. E já pensei em trabalhar em outra área sim, eu trabalharia com cenografia de teatro, com as artes plásticas, que nunca me deixaram. Enfim, acho que eu tenho essa versatilidade.

 

4-Como você avalia o mercado nessa retomada da economia? Você acredita  que as pessoas passaram a ter outro olhar para suas casas depois do período de confinamento? Como isso está refletindo nos projetos de arquitetura e design de interiores? 

Há algum tempo, a gente já estava em uma situação muito ruim na nossa economia. E a percepção que eu tinha era de que estava havendo uma retomada sutil, pequena, ainda embrionária. E veio a pandemia, parou tudo. Mas, me surpreendeu a retomada nesse aspecto, com um volume muito maior de trabalho, não só no meu escritório. Converso com os meus colegas e todas as pessoas sentem isso.

É muito positivo, porque a cadeia que eu trabalho, a de construção, tem um poder de conduzir muitas pessoas ao trabalho.

Desde o extrativismo, até a finalização do tecido e do objeto de decoração. É uma cadeia gigantesca e ter esse movimento intenso representa muito pra economia do País. Nós estamos tendo uma solicitação bastante forte na arquitetura. Eu acho que as pessoas ficarem quatro, cinco meses confinadas em suas casas gerou uma mudança de comportamento, uma visão diferenciada do espaço de morar, assim como gerou uma atitude diferente frente ao trabalho.

Algumas pessoas já incorporaram nas suas vidas o home office porque perceberam que tem uma parte do trabalho que pode ser desenvolvida na sua casa, no seu conforto, desde que tenha o espaço devido para esse trabalho, sem interferência, com um local certo. Outra mudança é que as pessoas que não tinham contato com a natureza e essa área exterior sentiram muita falta de ter isso em uma casa.

Por isso, hoje, a gente tem uma busca muito grande por projetos de casas, com jardim e área externa. Quem morava em lugares com casas, residências, ficou bem mais feliz. Os que tiveram que ficar em seus espaços pequenos acabaram mais angustiados e tiveram que rever conceitos, com reformas. Tem muita mudança aí, principalmente na atitude das pessoas.

 

5-Você  tem passado períodos fora do Brasil. Como o mercado no exterior é diferente do nosso? O que podemos aprender com eles? 

Na realidade, eu tinha um sonho de morar fora já há algum tempo. Esse sonho foi se transformando num planejamento e hoje já tenho meu visto permanente em Portugal. Tenho um apartamento  e isso foi se concretizando aos poucos. Obviamente, tenho um foco muito grande em Fortaleza. Meu segundo ponto de trabalho, que é em São Paulo, já temos dez anos de atuação e  isso tem uma certa constância também. Eu não gosto de focar num lugar só. Não é esse o meu projeto de vida:  ter uma vida mais tranquila, obviamente trabalhar com alguma coisa, mas não tenho intenção de  montar escritório, sair correndo atrás de projeto . Naturalmente, ela vai acontecer.

A arquitetura parte de relações e eu me relaciono muito bem. Nesse período de transição, quando eu estava montando a minha casa lá, fiquei confinado quatro meses, não posso dizer muito do meu desenvolvimento profissional nesse momento lá, mas posso dizer que o mercado é diferente mesmo, a dinâmica é diferente. O Brasil é um País novo, tem muita coisa a ser construída, muita gente contrata arquiteto.

Nesse aspecto, a nossa economia, no setor da arquitetura e da construção é muito mais vibrante. Lá, você não tem muita demanda por arquitetura de interiores, por exemplo. É um mercado muito disputado, existe pouca construção comparada a um país gigante como o Brasil. A Europa é um continente meio que estabelecido. Portugal tem passado realmente  por uma transformação nos últimos dez anos, mas ainda vamos ver  o que vai acontecer. Eu tive planos de uma vida inteira no Brasil e no exterior eu quero que as coisas aconteçam de uma forma mais tranquila. Tem lições a aprender sim. E não é nem sobre o fato de eu estar morando agora em Portugal.

Eu acho que é eles tem outra responsabilidade com relação ao tempo das pessoas. Europeu sabe respeitar os valores que a gente estabelece, o profissional. Uma coisa  que eu acho muito interessante do mercado no exterior é que você compra um imóvel e já recebe com cozinha, com todos os armários de banheiro e de quarto. A gente, no Brasil, ainda projeta. O caminho é esse: de facilitar a vida das pessoas.

6. Você continua se dividindo entre Brasil e Portugal? Como tem sido essa experiência?

Em junho, vou estar de volta ao Brasil por dois meses, tocando a finalização de alguns trabalhos. Continuo por aqui em Lisboa, acompanhando os trabalhos que acontecem em Fortaleza. No momento, estamos fazendo a reforma de uma pousada em Monte Verde, no interior de Minas, quase na fronteira com São Paulo. Além disso, estamos com um projeto em um condomínio em São Paulo, na Vila Mariana e reformas em dois apartamentos em São Paulo. Já em Lisboa, estamos com vários projetos, focados principalmente em estrangeiros. Tem sido uma rotina bastante intensa e morando por aqui, tenho oportunidade de estar também fazendo viagens que amo, como a que fiz recentemente para Paris. Essa experiência  Portugal me fez sair da minha zona de conforto, porque, obviamente, com minha experiência de vida e de arquitetura, eu dominava muito bem o mercado de Fortaleza. Uma das diferenças é trabalhar usando o inglês como língua praticamente principal e trabalhar com o público local também tem suas particularidades. Por isso, eu precisava conhecer bem o mercado, em Lisboa e como funcionava todo o processo, os principais parceiros, lojas de fornecedores, assim se tornou mais fácil.

 

7. O Vasto é um tipo de restaurante bem diferente do que o cearense está acostumado? Nos conte um pouco sobre ele.

O Vasto é uma sequência de vários restaurantes que nós fizemos para o Coco Bambu ao longo de cinco anos que trabalhamos juntos. Nós temos várias unidades do Coco Bambu, temos a experiência do Vasto que nasceu há três anos, através de uma viagem que o Marcelo Moreira, nosso parceiro no escritório, fez para Nova York, com uma pesquisa muito aprimorada, um novo cardápio, uma nova forma de receber as pessoas para uma experiência. O Vasto não é só um restaurante, mas uma experiência, mais despojada, mais de acordo com o jeito americano de receber, onde o balcão tem uma forte presença e o cardápio é focado principalmente nos bons cortes de carne especiais.

 

8-Quais os seus hobbys? 

Eu sou casado com um chef de cozinha, então um dos meus hobbys preferidos é mesmo o da gastronomia, além da arte, que é uma incorporação de uma vida inteira e eu também adoro visitar museus. Quando estou em São Paulo, faço uma lista de todas as exposições interessantes que estão acontecendo. Gosto de teatro, gosto de música  e a gastronomia  faz parte das referências do bel prazer que vão transformando a vida para melhor. Para ser uma melhor pessoa, um bom profissional.

 

9-Qual o lugar mais lindo que já conheceu? Qual o lugar para onde sempre volta para aproveitar as férias? 

Eu conheci lugares tão bonitos! Ao longo dos últimos vinte anos, tenho feito tantas viagens maravilhosas. Eu gosto de viagens por região. Andaluzia é uma viagem linda. A viagem à Croácia é espetacular. Eu passei, nos meus 50 anos, um mês na Itália viajando pela Toscana. Talvez, uma das coisas mais deslumbrantes foi uma semana que eu passei na Costa Amalfitana. Lá, todo dia, o café da manhã era servido na varanda do meu quarto e eu olhava pra aquela vista e era de arrepiar, era muito lindo.

O Brasil também tem coisas espetaculares, tem uma natureza vibrante, linda. Nossas praias do Nordeste são maravilhosas, mas tenho experiências lindas na França também que eu vou com muita freqüência. É complicado dizer qual é o mais bonito, acho que cada um tem sua beleza especial. Se eu fosse dizer o lugar que eu vou com freqüência nas férias, sem dúvida é a França. É o país que eu vou conhecendo por regiões.

Gosto muito da cultura francesa, gosto de história, gosto da arte, gosto da arquitetura, gosto da gastronomia, gosto da língua, gosto até do mau humor dos franceses... 

 

10-O que você mais valoriza na vida? 

O que mais eu valorizo na vida? Eu vou dizer uma coisa que é muito importante: o trabalho. O trabalho me gerou coisas espetaculares na vida. Foi através do trabalho que eu pude crescer, conhecer esses lugares lindos.  Boa parte dos amigos que eu tenho hoje, conheci através do trabalho. As pessoas que me cercam hoje ou eu conheci na faculdade, ou porque trabalhei junto ou porque foram clientes. Eu acho que o trabalho tem um valor impressionante e transformador na vida das pessoas e em segundo lugar, eu acho que é a amizade. Eu acho que você ter alguém, até o seu próprio amor da vida, ser seu amigo eu acho que é extremamente importante. Ter amigos é fundamental nessa complementação que é estar bem, no mundo.

 

11-Tem algum santo de devoção? Qual sua relação com a religiosidade? 

Santo de devoção, eu não tenho, mas tenho santo de admiração, que é São Francisco de Assis. Estive em Assis e até me arrepio aqui contando, porque é muito bonito, muito emocionante saber que um ser humano como aquele, que realmente era um santo e realmente exercia os princípios da igreja de uma forma bacana, acreditava em um ser humano melhor. Despojou-se de tudo que tinha para olhar para o outro! É muito emocionante a história de São Francisco de Assis e visitar a cripta onde ele está enterrado. Eu acredito em Deus, sou religioso, acredito que você não deve fazer para o outro o que você não quer pra si e respeito todas as religiões, desde que elas sejam para o bem e que tenha como princípio ter um coração bom frente ao outro.

 

12-Nos conte um sonho não realizado. 

Eu posso dizer que eu cumpri quase todos os meus sonhos da vida. Eu não tenho sonhos ambiciosos, tenho sonhos de conquista. Não sonhos de valores financeiros, mas de conquistas. Conquistei todas as possibilidades que eu tenho, sou uma pessoa, graças a Deus, muito abençoada  e talvez o meu objetivo seja fazer alguns projetos interessantes, especiais, muito bem selecionados na Europa. Conseguir avançar na carreira. Uma carreira a nível nacional já é maravilhoso, que eu pude ter, tenho esse privilégio e poder alcançar esse trabalho também, no exterior é uma possibilidade muito bacana e vou tentar conseguir isso.

Tenho mais um: gostaria de voltar à minha carreira artística, fazer umas exposições fora, no exterior, devagarzinho, sem a ansiedade de ter que fazer dar certo, mas pelo prazer mesmo.

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Uma romancista que ama

a história de Fortaleza
Por Kelly Garcia

Nascida em uma família cearense em 1989, Ary Amorim, ainda criança, construiu uma relação estreita com o livro, a leitura e a escrita e transformou-os mais tarde em objetos de estudo na graduação em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e no mestrado em História pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Suas pesquisas, sempre ambientadas na capital cearense, fortaleceram os laços com a sua terra e fizeram nascer o desejo de unir a sua paixão por romances com o seu campo afetivo: Fortaleza. Em 2021, lançou seu primeiro livro: A Viúva Cabral, através de financiamento coletivo. Confira em nossa entrevista os bastidores da construção de um livro e os caminhos da história e da literatura nesse processo.

1. Como você se interessou pela escrita? Já escrevia na adolescência?

Eu sempre gostei de escrever. Eu costumo dizer que, de certa forma, quando eu era adolescente a minha relação com a escrita era até mais forte do que com a leitura. Eu era a meninas dos diários e das cartas. Sempre tinha um caderninho com poesias e frases soltas. A escrita sempre foi uma terapia para mim. Escrever as minhas próprias histórias, narrativas mais longas, é algo mais recente.

 

2. Além de escritora, você também é bibliotecária e mestre em História. De que forma esses saberes contribuíram para sua formação como escritora?

A Biblioteconomia me manteve perto do universo do livro. Todos os projetos com os quais eu era envolvida na faculdade tinha o livro e a leitura como centro. O escritor, que é primeiro um leitor, precisa estar conectado com o universo literário. A História me proporcionou um estudo mais aprofundado da História do Livro, da Leitura e do Leitor, dos caminhos pelos quais o livro passou e passa, da cultura e dos processos históricos que sustentam as práticas leitoras até hoje. A Biblioteconomia também contribuiu nessa questão, mas foi no mestrado em História que eu aprofundei os meus estudos. 

 

3. Você escreveu seu livro de estreia através de financiamento coletivo, com a ajuda do curso 321 Escreva, da professora Vanessa Passos. Como foi o processo de escrita e publicação? Você teve medo de não conseguir concluir sua história? Como fez para se organizar e colocar as ideias no papel?

Eu sempre escrevi e nutria um desejo de escrever um romance, mas eu não sabia como fazer. Eu já tinha uma história, alguns rascunhos, mas descobri que era necessário mais do que isso para conseguir contá-la. Então quando eu iniciei o curso eu e a Vanessa nos sentamos para fazer o planejamento de escrita e de publicação. Só então as coisas começaram a andar. Eu tinha uma meta de escrita de três a quatro capítulos por semana. Com pouco tempo, trabalhando fora mais de 40 horas semanais, com uma bebê de dois anos, eu decidi que escreveria capítulos curtos para conseguir dar conta. Eu escrevia antes de começar a trabalhar, na hora do almoço e as vezes em casa. E em outros momentos, quando eu não conseguia escrever, eu fazia pesquisas para compor a história. Isso me ajudava a me manter conectada com a escrita do livro. Eu não tive medo de não concluir a história, meu medo era que ela ficasse ruim. Em três meses eu consegui a minha primeira versão. Eu lembro que chorei quando terminei o último capítulo, estava emocionada de ter levado os meus personagens até ali. É uma grande conquista. Então iniciamos os processos de leitura crítica e outros detalhes da publicação. 

 

4. O seu primeiro livro foi uma publicação independente. De qual etapa você gostou mais?

Na minha opinião, o processo de publicação independente como um todo é bem estressante, mas eu acho que a etapa que eu mais gostei foi ver tanta gente acreditando no meu sonho. Acho que isso é sempre surpreendente.

 

5. No seu livro de estreia, A viúva Cabral,  a cidade de Assunção, onde se passa a história, é inspirada na Fortaleza da Belle Epoque. Como você é mestre em História, chegou a se inspirar em alguns bastidores reais para compor o romance, aqueles que a gente tem acesso ao se aprofundar na pesquisa histórica?

Sim. Muitas cenas do meu livro foram frutos das minhas pesquisas no mestrado. A minha dissertação foi sobre os sebistas, livreiros de livros usados, da cidade de Fortaleza. Nas minhas entrevistas eu trabalhava bastante o contexto histórico da atuação deles e entre uma conversa e outra eles sempre narravam acontecimentos para além da venda dos livros. Por exemplo, certa vez, um deles me contou que alguns molecotes ficavam na Praça do Ferreira esperando as liceístas passarem para o vento levantar a saia delas. Eu cito algo muito semelhante a isso no livro. Embora o período histórico a que ele se referia fosse outro, eu usei na minha narrativa. Em A viúva Cabral, o personagem primário é um livreiro, eu me inspirei nas práticas dos livreiros com quem eu conversava tardes e mais tardes, por horas. Os nomes das ruas, dos equipamentos e movimentos culturais, alguns sujeitos históricos, como os padeiros Antônio Sales e Adolfo Caminha, que menciono no livro são verdadeiros, tudo emerge da História de Fortaleza.

 

6. Quais são suas principais influências na escrita?

Jane Austen e as irmãs Brontë.

 

7. Você se surpreendeu com a recepção dos leitores ao livro? Como tem sido essa troca com o leitor?

Surpreendi-me. No fundo, a gente tem medo de não alcançar os leitores. Tem sido uma experiência surreal porque depois que o livro vai para o mundo a gente perde um pouco o controle dele e é interessante ouvir o que o outro tem a dizer sobre o que você escreveu.

 

8. Você está escrevendo outro livro? Nos conte mais sobre isso.

Sim. Dessa vez, eu trago a temática do Destino e estou me aventurando no conhecimento da comunidade cigana, etnia do meu personagem primário. 

 

9. Além dos romances, você tem escrito sobre a maternidade nas redes sociais e, recentemente, iniciou o podcast Pitangas de Mãe, com as escritoras Cibele Laurentino e Juliana Marques. Como tem sido esse novo projeto? Como encara a maternidade?

O Pitangas de Mãe, na verdade, é um projeto antigo que reacendeu em mim agora em formato de podcast. Quando a minha filha nasceu eu criei um blog com esse nome e passei a escrever sobre a minha nova experiência e o meu maternar. Por falta de tempo eu acabei deixando o projeto de lado. A Cibele e a Juliana aceitaram o desafio e nos unimos para escrever e conversar sobre o tema. A maternidade para mim é uma experiência agridoce, me atravessa de uma maneira muito inquietante porque me pergunto como algo pode ser tão incrível e tão difícil ao mesmo tempo.

 

10. Nos indique um filme, um livro e uma série.

Um filme: Ele está de volta 
Um livro: O leitor – de Bernhard Schlink
Uma série: Downton Abbey

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Ousadia para inovar na moda e

nos caminhos profissionais
Por Kelly Garcia

Nascida no sertão central, na cidade cearense de Quixadá, filha de um farmacêutico e uma professora, Naura Cox sempre teve uma paixão especial pelas artes. Ela começou com a música, bem jovem ainda, no piano. Depois se arriscou no acordeon, incentivada pelo pai, que também tocava violão. Aos 15 anos, mudou para Fortaleza, onde concluiu o curso científico e seguiu para a faculdade de Administração de Empresas, na UECE. Ao findar o curso,  foi contratada pela UFC e dirigiu o departamento de Material do Hospital das Clínicas da Universidade. Ainda cursou a pós-graduação em Administração Hospitalar e, a seguir, foi para Alemanha e estagiou no hospital da Universidade. Ao voltar em 1980, descobriu a paixão pela moda e largou o emprego federal para montar uma pequena confecção em casa, quando começa um novo capítulo da sua história, também marcado pelo sucesso, com várias exposições internacionais, prêmios e seguindo depois pelo caminho dos vestidos de noivas por várias décadas. Só finalizou esse ciclo, há cinco anos, quando se casou com o inglês Philip Cox e passou a morar na Inglaterra. Confira essa trajetória de sucesso, que se confunde com a história da moda recente cearense, no nosso perfil semanal.

1. Sua trajetória como estilista foi um passo de ousadia. Afinal, você já era concursada federal e resolveu apostar nessa área. Conte como se deu esse processo de mudança de profissão.

Eu sempre adorei criar meus próprios modelos e, naquela época, era comum termos costureira uma vez por semana e eu aproveitava para fazer os meus vestidos. Muitas pessoas me perguntavam porque eu não fazia pra vender. Desafio aceito, comecei em um pequeno quarto da minha casa, mas continuando o meu trabalho na Universidade Federal do Ceará. As encomendas foram aumentando e, em poucos meses, eu estava instalada em um espaço maior e registrei o ofício. Meu primeiro desafio foi expor na feira IGEDO em Düsseldorf, na Alemanha. Neste momento, vi que não daria mais para conciliar o trabalho na UFC e a minha pequena confecção. Larguei tudo para me dedicar a moda!

 

2. Antes de começar a trabalhar, você aprendeu a tocar alguns instrumentos e até um outro idioma. Como foi isso? Você sempre gostou do novo?

O amor pelos instrumentos musicais herdei do meu pai, que era excelente no violão e também compositor (ele era farmacêutico). Como eu preferia o teclado, comecei a estudar piano com uma freira alemã, que morreu um ano depois. Por não ter mais quem me ensinasse, ganhei do meu pai um acordeon. Bem jovem, já tocava em apresentações do colégio.
Depois de passar 40 anos sem tocar, estou recomeçando e muito feliz por resgatar esta paixão.
Quanto ao amor pelo estudo de línguas estrangeiras, comecei por alemão que fiz na Cultura Germânica da UFC e, logo depois, tive oportunidade de morar em Münster, na Alemanha. Depois do alemão, comecei na Aliança Francesa o meu curso de francês, pois precisava muito quando ia para Paris, a seguir estudei italiano (inacabado), Mandarim (somente comecei) e finalmente, depois de casada com um inglês, apesar de já falar inglês, resolvi melhorar, fazendo um curso de inglês britânico por três anos.

 

3. Ao iniciar sua trajetória como estilista, quais foram as principais dificuldades? Como era fazer pesquisa fora do país em um tempo sem internet?

Imagina em 1980 as dificuldades que passei para entrar na linha industrial. Não entendia nada de costura e modelagem, ficava na mão de incompetentes, pois não tinha como pagar boas modelistas! Então, resolvemos juntar um grupo de pessoas que, como eu, tinham um bom design para ajuda mútua e inclusive, participar da Fenit, em São Paulo, cujo custo era assustador para nós. Como éramos oito, com tudo dividido, ficou fácil. Do grupo original, faziam parte Frau Moden, Melindre, Gláucia Mota, Cabeto, Sambinela, Rejane Holanda, Marly Batista, Yamor da Ethel e Nina Flor. Colocamos o nome de "Grupo Ousadia",  pois éramos realmente ousados por querer mostrar ao sul que o Ceará não somente fazia roupas, mas também fazia Moda. O nosso sucesso na primeira exposição na Fenit foi tanto, que fomos entrevistados pela Cristina Franco, a poderosa da área de Moda da TV Globo! As pesquisas internacionais de moda começaram quando a Glaucia Mota tornou-se Presidente do Sindicato de Confecções Femininas da FIEC e eu assumi a vice Presidência. Vimos que as confecções do Ceará precisavam parar de copiar as do Sul. Com o apoio do Dr. Luís Esteves, presidente da FIEC na época, eu e a Glaucia fomos pesquisar em Paris, Londres e Milão e passávamos através de palestra para as confecções ligadas ao Sindicato. A partir daí, íamos todos os anos para as melhores feiras europeias.

 

4. Como decidiu ser estilista de noivas? Como era o trabalho?

Sempre tive paixão pela alta costura e o mercado de noivas me fascinava! Em 1990, quando o presidente Collor assumiu, ele abriu as portas para o mercado externo e uma boa parte das confecções passaram maus momentos, pois não tinham como competir com os preços baixos dos países asiáticos. Foi a hora de sair da linha industrial e tentar a alta costura. Pensava que seria fácil, pois tinha um nome já conhecido na moda, mas não foi. Tive praticamente que recomeçar, investir em pessoas mais especializadas, trabalhar um melhor acabamento. Enfim, anos de aprimoramento. Através do Sindicato, conheci a diretora do Studio Berçot de Paris e passei dois meses no Instituto, acompanhando as aulas de modelagem.
Consegui sucesso e credibilidade no mercado de noivas do Ceará e do Nordeste. Mas, não parei por aí e mesmo sendo formada em Administração de Empresas, resolvi fazer o Curso de Designer de Moda no Marista, me formando também em Estilismo. Quando minha filha Fernanda Franco terminou seu curso de Moda, ela já trabalhava comigo então a mandei fazer um dos mais renomados cursos de moulagem (modelagem para a alta costura) do mundo, a "Esmod de Paris".

5. Depois que você se casou e foi morar na Inglaterra, chegou a trabalhar como estilista? Quais eram as principais diferenças e semelhanças em termos de público, logística e fornecedores? Do que sentiu mais falta quando estava fora?

Quando casei com o Philip, encerrei um ciclo maravilhoso da minha vida profissional. É muito difícil você recomeçar em outro País, já com mais de 60 anos e sem ter noção do mercado, costureiras...
Além do mais, achei que podia me dedicar a estudar história da Moda e Indumentária, assessorar pessoas que quisessem comprar vestidos de noivas ou festa, mostrar um lado diferente de Londres, enfim fazer o que nunca tive tempo por trabalhar demais. Mesmo assim, fui contactada por Flavinha Benevides, que morava em Londres e queria que eu criasse o seu vestido de noiva. Foi uma parceria perfeita: uma linda brasileira casando em um castelo no sul da França! Depois, criei um vestido de noiva para minha querida amiga Maria Ester Evans Moyle, que casou em sua casa de praia no Pacheco. Criação do modelo pelo FaceTime e minha costureira confeccionou e acompanhei do processo pelo FaceTime.
Posso dizer que encerrei minha vida profissional com chave de ouro.

 

6. Quais os momentos mais marcantes da profissão?

Quando recebi o prêmio de melhor estilista de Fortaleza, junto com o talentoso Lino Villaventura.

 

7. O mercado de roupas para noivas era muito concorrido em Fortaleza? Quais mudanças você notou nos últimos anos?

Ao me ausentar de Fortaleza há 5 anos, fica difícil de avaliar o mercado de noivas em Fortaleza. Mas, acho que o que está imperando no Brasil é a preferência da noiva querer escolher uma linha "Ready to Wear", o pronto para vestir. Muitas vão a Londres procurando um lindo vestido que já esteja pronto. Muitas não gostam de arriscar.

 

8. Sabemos que você ama viajar e está sempre em busca de criativos e culturais roteiros. Nos fale mais sobre como você pretende abordar isso em sua nova coluna no nosso portal.

O povo brasileiro adora desbravar nova cultura,  viver novas experiências e conhecer lugares diferentes. 
Aqui neste espaço traremos assuntos como dicas para você viajar com charme e economia sem deixar de lado a cultura local e as melhores sugestões de tendência de moda nacional e internacional.

A moda e os acontecimentos de arte em Londres, Paris e Milão serão temas constantes na nossa coluna. Falaremos também sobre as marcas cearenses que estão fazendo sucesso no Brasíl.

 

9. Quais são as suas expectativas para essa nova estação da moda? Estamos percebendo a alegria presente nos tons.

Depois de um tempo tão cinza  como dessa pandemia , colorir os looks são quase uma exigência para a moda primavera-verão 2022. As tendências tiveram uma influência dos anos 70/80.

 

10. Quais os seus hobbys?

Estudar línguas, viajar, adoro cinema, ler...

 

11. Para onde gosta mais de viajar? Qual o lugar mais lindo que já visitou?

Amo a Europa e agora que moro lá aproveito todas as oportunidades para viajar!
Já conheci tantos lugares lindos que fica difícil de dizer qual o mais bonito, mas acho a Costa Amalfitana, na Itália, a mais bela!

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Criatividade e ancestralidade

nas artes plásticas
Por Kelly Garcia

Nossa entrevistada da semana é a artista plástica, curadora, arquiteta e professora Andrea Dall'Olio. Apaixonada pelas artes plásticas desde a infância, sempre tem o desejo espalhar arte! Tem, em sua produção, o resultado de uma pesquisa sobre a busca de camadas e texturas, através de elementos que não são utilizados comumente como materiais artísticos, sobretudo de origem têxtil, experimentando novos suportes.

Esse caminho a levou ao aprofundamento dessa linhagem artística, passando a substituir as tintas pelas linhas num bordado livre e, em seguida, compondo seu próprio suporte, o que atingiu na tapeçaria. Nessa transformação, chegou à tecelagem manual como numa conexão com a sua ancestralidade árabe e a atualizando dentro da origem cearense, onde a manualidade com as linhas é muito arraigada. Confira um pouco sobre suas inspirações e do seu processo criativo no nosso perfil.

1. Como os seus caminhos se cruzaram com os das artes? Você já notava essa aptidão na infância e adolescência? 

Eu sempre soube que estaria no lugar do criativo. A arte faz parte de toda a minha história, desde a formação. Na verdade, eu sempre vivi e respirei arte, ela é parte da minha essência.  E, em algum momento, ela teve oportunidade de começar em mim. Tenho uma forte lembrança das páginas repletas de desenhos dos meus cadernos e livros de escola. Sempre desenhei e os meus melhores brinquedos eram os blocos de madeira do brincando de engenheiro e as canetinhas  hidrográficas. A arte está dentro do meu contexto desde a infância, quando eu comecei a frequentar escolinhas de arte, depois a participar de cursos de arte e aos 18 anos, quando me tornei artesã, titulação concedida pela CEART. Desde então, a arte vem em paralelo, quase abafada pelo cotidiano, mas sempre permeando minha atenção pessoal em viagens ou leituras. Em rabiscos ou aquisição de materiais artísticos para coletânea pessoal. Um interesse pessoal que nunca deixou de existir. 

 

2. E a Arquitetura, veio antes ou depois da Arte? Ou foi ao mesmo tempo? 

O meu primeiro contato com o fazer artístico foi aos 5 anos de idade, na Escolinha Paraíso Infantil, onde tive Educação Artística. Aos 13 anos, fiz cursos de pintura e desenho em quadrinhos e, nesse momento, comecei a sonhar em ser artista.   
Como não tinha o curso de graduação em Belas Artes no Ceará, escolhi a arquitetura pela aproximação com a formação artística e me apaixonei pela área e hoje ela é a base para que eu possa colocar em prática todos os meus sonhos e a realização do sonho do outro. Seja nas artes visuais ou na arquitetura, o ensejo do processo criativo e a possibilidade de provocar encantamento com este resultado, em forma de obra de arte ou projeto de arquitetura, é o que me move! 


3. Como é o seu fazer artístico? Quais os materiais que você prefere? 

Durante o fazer artístico, busco a forma, o volume e sua desconstrução, revelando uma mensagem silenciosa e incauta através do abstracionismo, que desvela uma linguagem insinuante e refinada sobre as relações interpessoais, com a natureza, os objetos e a própria arte. Quando finalizo uma obra, vejo minha palavra escoando pelas linhas num mural móvel de grito afetivo. 

 

 4. Você gosta de experimentar novas técnicas? Como é isso?
Tenho, em minha produção, o resultado de uma pesquisa sobre a busca de camadas e texturas, através de elementos que não são utilizados comumente como materiais artísticos, sobretudo de origem têxtil, experimentando novos suportes. Esse caminho me levou ao aprofundamento dessa linhagem artística, passando a substituir as tintas pelas linhas num bordado livre e, em seguida, compondo meu próprio suporte, o que atingi na tapeçaria. Nessa transformação, chego à tecelagem manual como numa conexão com a minha ancestralidade árabe e me atualizando dentro da origem cearense, onde a manualidade com as linhas é muito arraigada. 

 

5. E a tecelagem manual, como apareceu no seu fazer artístico? 

Busquei pelas linhas para tornar mais lento o meu processo construtivo e na busca de alcançar novas linguagens para expressar a minha arte. Iniciei com um curso de bordado para crianças, queria aprender da forma mais pura que eu poderia. O encontro com as linhas, as agulhas e os tecidos foi arrebatador, não consegui mais me separar deles. Em 2017, fiz as minhas primeiras obras de bordado, quando iniciei com as séries Sudários e Vínculos. E desde então, continuo no têxtil, com o bordado livre sobre tecido e telas. Em meados de 2019, tive outra guinada na minha produção ao aprender a tecer manualmente com o querido mestre Alexandre Heberte, num curso de 12h de tecelagem manual em tear de pente liço. A tecelagem foi paixão à primeira batida do pente e não poderia mais me separar do tear. Resultado: o meu primeiro tear foi adquirido no próprio curso. Em setembro de 2019, expus no Museu da Indústria uma mostra com as minhas primeiras obras tecidas. 

6. Quais os seus projetos profissionais para esse ano? Tem alguma nova exposição à vista? 

Os meus projetos profissionais estão dentro do campo da arte, seja como artista ou como curadora. Estou, atualmente, em cartaz com a exposição Individual Entre Nós, que conta com o texto curatorial de Elsa Paranaguá Elvas, na Galeria Mariana Furlani  e a Exposição Éramos 5... mais um do Coletivo In-Grafika juntamente com os artistas Gerson Ipirajá, Sandra Montenegro, Silvano Tomaz, Zakira Nobre e Zé Tarcísio com texto crítico de Roberto Galvão na Farben Design Haus. Sou a curadora da exposição individual do artista Demeilson Ferreira, com previsão de abertura no dia 18 de abril.  No dia 30 de abril foi a abertura da Exposição Revelação do Coletivo 4x4, no qual sou uma das artistas juntamente com Jacinta Cavalcante, J. Siebra e Demeilson Ferreira, com curadoria de Veridiana Brasileiro e produção de Edlania Castro na B. Galeria da Fast Frame. No final de junho, será a abertura de uma exposição individual minha com curadoria de Nathalie Nicolas e participação dos artistas Túlio Paracampos, Jacinta Cavalcante, Ingrid Barreira, Lia Sanders, Veridiana Brasileiro e J. Siebra na Casa José de Alencar. Está previsto para o dia 6 de agosto a exposição de lançamento do livro catálogo dos Novos Olhares Para Monalisa da coleção da Veridiana Brasileiro, onde será apresentado um recorte da produção artística cearense e eu assino a curadoria. Em setembro teremos uma exposição individual do artista plástico e médico cirurgião plástico Isaac Furtado na B. Galeria da Fast Frame. Sou curadora da exposição comemorativa dos 50 anos de arte da artista plástica Sandra Montenegro que será realizada em dezembro no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, MAUC/CE. 

 

7. Quais os seus hobbies? 

Eu amo cozinhar e pedalar 

 

8. Nos indique uma série, um filme e um livro. 

Série - Vitória: A Vida de uma Rainha 

Filme - Ladrão de Sonhos, de Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro 

Livro - O  Diário de Frida Kahlo: Um autorretrato íntimo

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Um visionário das

leis e dos eventos
Por Kelly Garcia

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Advogado Jardson Cruz, ao assumir a presidência do Náutico, levou sua experiência e organização como empresário do Direito para um dos clubes mais tradicionais de Fortaleza, o que transformou a entidade em um polo dinâmico de eventos importantes, como o tradicional Carnaval da Saudade, que este ano contará com várias novidades. Conheça um pouco mais sobre ele em nossa entrevista exclusiva:

1. Como decidiu pelo Direito? Chegou a exercer outras profissões?

Sempre pensei em exercer a carreira de advogado. Apesar de possuir três graduações (Direito, Engenharia Civil e Administração de Empresas) foi na advocacia onde estou há 24 anos que me realizei profissionalmente, não obstante as outras duas formações serem de grande importância, por exemplo, a engenharia civil é relevante para o cargo que ocupo agora como Conselheiro Diretor da Arce.

 

2. O que você mais gosta na carreira de advogado? Quais são os principais desafios?

Na carreira de advogado o que sempre gostei foi de poder buscar a justiça defendendo, muitas vezes, novas teses e demonstrando junto ao julgador que o nosso cliente é possuidor de um bom direito.

 

3. Qual foi o momento de mais emoção na sua trajetória profissional? Quais os seus sonhos ainda a realizar profissionalmente?

Quando do início da minha carreira, em 1996, consegui através de uma medida judicial que o filho da Sra. Lourdes (diarista do nosso escritório) ocupasse uma das vagas do concurso público federal a qual se submeteu, sendo hoje oficial da Aeronáutica. O brilho de alegria nos olhos daquela mãe realmente foi o meu melhor honorário. Penso nesse momento em continuar realizando um trabalho profícuo como Conselheiro Diretor da Arce sempre buscando o equilíbrio entre os três atores da regulação: Poder concedente, concessionária e o usuário. Como futuro, pretendo realizar um mestrado na área de regulação. 


4. Você tem algum hobby? Qual?

Tenho como principais hobbies: viagens, leituras e praias.


5. Qual lugar mais o impressionou? Quais as suas praias preferidas? 

No Brasil, os cânions do Rio São Francisco pela grandiosidade da natureza e no exterior, o Santuário de Fátima (Portugal) pela energia transbordante da fé. Minhas praias preferidas são a do Forte (Bahia) e Jericoacoara (Ceará)

6. Como se sentiu quando assumiu a presidência de um dos clubes mais tradicionais do Estado, o Náutico? Quais foram os seus principais desafios? Foi associado na juventude? Chegou a praticar algum esporte por lá?

Quando assumi a Presidência do Clube Náutico, senti o peso da enorme responsabilidade em dirigir um Clube tradicionalíssimo com imensos problemas, desde a ausência de recursos até a ausência de um setor de RH. O principal desafio, ainda estou na primeira gestão, foi de tentar equilibrar financeiramente o Clube, implantando uma gestão totalmente profissional. Hoje não devemos a nenhum fornecedor e a nenhum empregado, mantendo rigorosamente em dia todas as obrigações sociais pertinentes aos funcionários. Sou sócio do clube desde 1985 e pratiquei um pouco natação.

 

7. Estamos bem próximos à realização de mais uma edição do Carnaval da Saudade, desta vez fora de época, por causa da pandemia. O que o folião poderá encontrar de novidade? Quais são as suas expectativas?

Depois de uma interrupção por causa da pandemia, o Carnaval da Saudade vem com uma edição especial, será a LIV Edição. O Carnaval da Saudade é a mais longeva festa de Carnaval de clube. Neste ano prestaremos uma homenagem a Moraes Moreira e o tema será "Eu sou o carnaval" que é uma música de sucesso do cantor. A orquestra que comandará a festa será o Brasa Seis e teremos também uma surpresa ao longo da apresentação. As mesas já estão sendo vendidas e a festa será no dia 11 de junho e fará parte das comemorações do aniversário do Clube Náutico (93 anos) que aniversariá dia 09 de junho.

 

8. Sobre as leituras, qual livro você está lendo no momento? E qual foi o último que terminou?

No momento estou lendo a trilogia Nos Tempos dos Coronéis do jornalista Ciro Saraiva e o último livro que li foi Para Pensar do amigo Élcio Batista.

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Talento para encantar

em eventos inesquecíveis
Por Kelly Garcia

O cantor Philipe Dantas percebeu a vocação para a música ainda na infância, quando fazia participações nos shows de sua mãe, Andrelina Dantas, cantora de serestas em Fortaleza.  Ele cresceu, se profissionalizou, concluiu licenciatura em canto na Universidade Estadual do Ceará e hoje encanta com sua voz marcante nos muitos eventos que participa, como as missas e casamentos. Conheça melhor o cantor que tem se revelado uma das vozes mais requisitadas nos eventos de Fortaleza.

1. Quando e como percebeu que tinha talento como cantor? Esperava se tornar cantor profissional? Na sua família, tem outras pessoas envolvidas com música?

Foi com 4 anos de idade. Minha mãe, Andrelina Dantas, trabalha hoje na Assembleia Legislativa e tinha na música seu segundo trabalho, mas hoje é um hobby. Ela cantava em serestas e tertúlias e eu sempre assistia. Então, foi minha influência.

 

2. Chegou a pensar em seguir outra área? Tem outra formação além da música? 

Sou licenciado na Uece em canto. Mas antes trabalhava como corretor de seguros de automóveis.

 

3. Como faz para manter a voz em dias? Tem alguma receita especial?

Faço exercícios vocais. E também o aquecimento vocal antes das apresentações. Isso tem funcionado.

 

4. Falando em influências musicais, quais são as suas nacionais e internacionais?

No Brasil, Djavan e a forma de interpretar de Roberto Carlos e Ivete Sangalo. Acho muito bacana a voz dela e a interpretação das canções. Mas, a minha maior influência mesmo é do Andréa Bocelli.

 

6. Quando você não está trabalhando, o que costuma ouvir?

Gosto muito de escutar o romântico internacional, mas ultimamente tenho ouvido música pop também. Brasileiros, amo Roupa Nova. E dos clássicos, claro, Andréa Bocelli, Josh Groban e Michael Bublé.

7. Como faz para alimentar a espiritualidade? É atuante em algum grupo religioso?

Procuro sempre praticar o bem. Sou católico e canto na Igreja Católica, que foi onde comecei a cantar há mais de 18 anos.

 

8. Quais as delícias e desafios da sua profissão? Já passou por alguma situação inusitada?

Delicia é cantar com a alma, sentir cada verso e estrofe. Desafio são os não que recebemos, mas que com o tempo tive a oportunidade de converter para o sim. No começo da carreira, cantei em cima de um trio elétrico e o motorista dirigia tão rápido que tive que cantar e me proteger dos fios elétricos da cidade, ao mesmo tempo.

 

9.Qual o principal aprendizado que esse período de distanciamento social e pausa nos eventos te trouxe?

Acredito que esse período de pausa tenha servido para ressignificar nossas atitudes, resignificar nossa vida e, principalmente, refletir mais. O mundo precisa de paz e nós também, cada vez mais. As coisas ficam difíceis, a gente tem que ir se reinventando e esse período de pausa foi pra gente se reinventar e melhorar como profissional.

 

10.Qual a sua maior emoção na sua carreira musical?

Foi dividir o palco com o padre Fábio de Melo e também cantar com o Toquinho, abrir o seu show. E ainda cantar e ser elogiado pelo padre Reginaldo Manzotti. 

 

11.E sobre a agenda de shows?

A agenda de shows tá realmente recheada, estamos com projetos grandes, inclusive o show no Teatro Riomar, no dia 15/06 com orquestra grande regida por um maestro maravilhoso e estou com uma expectativa muito grande.

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Para fazer uma

transição consciente
Por Kelly Garcia

Naíce Dematte era delegada de polícia da Policia Civil do Distrito Federal. Mas, ao se aposentar, fez transição de carreira ao deixar o Direito e investir foco e energia em estudos no campo do Desenvolvimento Humano. Para isso, fez formação em Master Coaching Integral Sistêmico, Análise de Perfil Comportamental e especialização em Coaching de Carreira pela Febracis. Ainda aprofundou conhecimentos em Inteligência Emocional e Programação Neurolinguística. Atualmente, atua como palestrante, treinadora e Master Coach de Carreira, com orientação profissional e vocacional para adultos e adolescentes do ensino médio. Além disso, é professora/tutora de disciplinas nas pós-graduações EAD em Coaching Jurídico e Coaching Educacional, da Faculdade Unyleya. Em 2021, lançou seu primeiro livro, intitulado “Transição Consciente: como aplicar sua energia produtiva e seus talentos pessoais para recriar a caminhada profissional”. Em janeiro de 2022, passou a integrar a bancada do programa de rádio Almanaque da Sucesso News, Brasília 100,5 FM, onde aborda temas relacionados a produtividade, carreira e profissões. Confira na nossa entrevista um pouco mais sobre sua trajetória e o que é necessário para mudar de profissão de forma a ser bem sucedido.

1. Como surgiu o start para mudar de caminho profissional? Mesmo na época em que era delegada, já planejava a transição de carreira?

Quando eu atuava como delegada, era especialista em direito penal, claro, mas também em direito administrativo disciplinar. A via normal dos delegados quando aposentam é advogar. Eu tinha a intenção inicial de seguir o mesmo caminho. Mas, quando veio a aposentadoria eu fui percebendo que o Direito não era mais para mim. As minhas dores iniciais na aposentadoria eu coloquei no prólogo do meu livro Transição Consciente. 

 

2. Como decidiu fazer a formação em Coaching e Master Coaching? O que mais gosta na área? E na orientação de adolescentes? 

Eu sempre fui uma consumidora de obras do Desenvolvimento Pessoal. Adoro aprender formas de viver melhor. Conheci as lições do pai da Inteligência Emocional, Daniel Goleman, em 1996, quando estava grávida do meu primeiro filho, com o livro Inteligência Emocional e a Arte de Educar Nossos Filhos, por John Gottman. Nunca mais parei de ler livros de Desenvolvimento Pessoal. Decidi fazer a formação em Coaching e Master Coaching Integral Sistêmico pela Febracis, para exercer o ofício de desenvolver pessoas, pois são dois pilares importantes para mim – disseminar conhecimento e me relacionar com pessoas. Claro que percebi minhas preferências e talentos no autoconhecimento, que é uma das bases do coaching.  A orientação profissional e vocacional para adolescentes é uma especialização dentro do coaching, denominada Coaching de Carreira. A decisão de fazer esta outra formação veio pela minha paixão por adolescentes (tenho 3) e pela percepção de que os alunos de ensino médio não conhecem o mercado de trabalho, a rotina das profissões e, nem mesmo, seus talentos. Eu os ajudo a encontrar o curso superior que abrace seus interesses e potencialidades.  

 

3. Quais os prejuízos de uma escolha equivocada de um curso superior? Você acha muito precoce a idade da escolha? 

Vários são os prejuízos, emocionais e financeiros, da escolha de um curso que está em desacordo com o perfil comportamental e os interesses do adolescente: a vergonha de abandonar o curso; a vergonha de falar para os pais que escolheu errado; os anos perdidos aprendendo disciplinas que não vão contribuir com a vida profissional; o desânimo de não saber para onde ir e nem porque ir; a perda do valor investido em matrícula e mensalidades, em materiais da faculdade que será abandonada.  Eu acho precoce a escolha aos 17 anos. Mas é preciso jogar o jogo do ensino brasileiro como ele se apresenta. Eu realmente vejo muitos casos bem-sucedidos e de escolhas acertadas, assim como vejo jovens mudando de curso 1 ou 2 vezes até iniciar um curso superior que lhe faça sentindo. 

 

4.Que elementos devem ser levados em conta para fazer uma transição consciente de profissão? É necessário fazer um plano de metas? 

O primeiro passo para fazer uma transição consciente é despertar para a mudança. Muitas pessoas passam a vida profissional inteira reclamando do chefe, do trabalho, do salário, dos colegas, da empresa, sem ter a coragem para mudar. A transição consciente só acontece com a decisão de mudar. O segundo passo é o autoconhecimento, o que gosta, o que não gosta, o que é necessário em uma rotina que faz sentido. As pessoas que desejam transitar de carreira muitas vezes foram levadas pelas circunstâncias à profissão atual, ou por um convite de um amigo, ou por indicação de outro, foram ficando acomodados, mesmo que insatisfeitos. No entanto, ao decidir mudar o rumo profissional é preciso olhar para si para descobrir talentos, aptidões, interesses e propósito no ofício. No meu livro, eu apresento os 5 passos do Método Recriar Consciente, que desenvolvi a partir dos meus aprendizados de Desenvolvimento Pessoal, da minha própria trajetória e das histórias de muitas outras pessoas inspiradoras.   O planejamento é fundamental tanto para entrar em uma carreira, quanto para fazer uma transição. 

 

5. Como surgiu a ideia de escrever um livro sobre o assunto? Como você organizou a obra?

Eu sou leitora desde a adolescência. Acredito que todo leitor tenha o desejo, mesmo que não revelado, de se tornar um escritor.   Eu só não tinha o tema. No final de 2020, veio a inspiração e o tema para o livro. Em janeiro, comecei a escrever o sumário. O prólogo, com a narrativa do dia da publicação da minha aposentadoria, veio na ponta dos meus dedos de supetão. Fui, ao longo de cinco meses, escrevendo e reescrevendo um capítulo por vez. O livro foi construído em 9 capítulos, onde inseri temas como neurociência, programação neurolinguística, psicologia positiva, dados e pesquisas científicas, entrevistas e relatos. 

 

6. Você também tem um clube do livro em que são estudados temas voltados ao Desenvolvimento Pessoal.  Como surgiu a ideia e como é feita a curadoria das obras? 

Como estudiosa de obras do Desenvolvimento Pessoal há muito tempo, treinadora e palestrante, percebi que muitas pessoas têm o desejo de ler, além dos romances, mas não sabem por onde começar. Assim, com o desejo de compartilhar leituras de maneira organizada, em 2019, convidei uma amiga, também master coach, para criar o Clube do Livro Desperte sua Mente.  Vivi May e eu já conhecemos muitas obras e autores de destaque, temos uma biblioteca imensa. Assim, escolhemos as obras que serão lidas durante o ano, um livro por mês, fazemos pesquisas de best seller e lemos em conjunto só sucessos do desenvolvimento pessoal. Eu crio um cronograma de leitura com um bloco de páginas para cada dia. Além de criar o hábito da leitura, o leitor chega ao final do mês com mais um livro lido. 

7. Já tem algum novo projeto em vista? 

Estou com um poderoso projeto em andamento. Um movimento de engajamento de empreendedoras, intitulado Destrave das Empreendedoras, em Brasília-DF. Teremos um evento de imersão com palestras, prospecção de negócios e networking de qualidade. 

 

8. Você faz atendimento remoto também? Como pode ser feito esse agendamento? 

Os agendamentos são sempre realizados comigo, via whatsapp ou email: naicedematte@gmail.com. Eu faço atendimentos presenciais na sede Brasília da Febracis e online. Mesmo na pandemia não parei, suspendi os atendimentos presenciais e investi no online. Deu muito certo. 

 

9. Quais os seus hobbies?

 Sou uma mulher de trabalho e lazer. Tenho três hobbies principais: 1. Faço tapetes artesanais desde os 25 anos – casa caiada, cruz duplo e arraiolo são meus preferidos. Cada canto da minha casa tem um lindo tapete feito à mão.  2. Leituras e mais leituras – estou sempre com 3 livros em andamento, um romance e outros de desenvolvimento pessoal. 3. Sair para tomar café com as amigas. 

 

10. Como alimenta a espiritualidade? 

Eu sou adepta do ritual da gratidão. Todos os dias já acordo elencando motivos de gratidão, daquilo que tenho e até mesmo do que virá.  Estou sempre em oração, conectada com Deus e o Divino. 

 

11. O que está lendo no momento? 

Estou nas últimas páginas de “Torto Arado”, do genial Itamar Vieira Júnior e já com o “A Guerra não tem Rosto de Mulher”, da russa Svetlana Aleksiévitch no criado mudo me olhando. 

 

12. Nos cite uma lição da pandemia.

Não deixe que os pensamentos destrutivos e pessimistas façam ninho na sua mente. Respire, troque o negativo pelo positivo, tenha fé na vida, faça o seu melhor mesmo no caos, porque a verdade maior é que tudo passa. 

 

13. Nos indique uma série, um filme e um livro.

Uma série: A Vida e a História de Madam C.J. Walker, porque eu adoro histórias reais de mulheres reais.
Um filme: Yesterday, porque sou fã de carteirinha dos beatles. 

Um livro: A cidade do sol, de Khaled Hosseini, porque esta obra sobre o destino, as dores e os sentimentos de duas irmãs afegãs eu nunca esqueci.

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Um líder nato na política e nas

instituições pelas quais caminha
Por Kelly Garcia

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Lúcio Gonçalo de Alcântara, atual presidente da Academia Cearense de Letras, é o entrevistado deste domingo. Como político, transitou muito bem em todos os cargos que ocupou, tanto no Poder Executivo, como prefeito, governador e vice-governador, como no Legislativo, como deputado federal e senador da República. Filho de Waldemar Alcântara e de Maria Dolores Alcântara, exerceu seu primeiro cargo político aos 27 anos, como Secretário de Saúde do Estado do Ceará. Além de suas ações como político, o ex-governador do Ceará tem uma vasta produção intelectual, já tendo publicado mais de 40 obras. No seu currículo, que registra mais de 20 condecorações por parte de entidades nacionais e internacionais.

Escritor, médico e ex-governador do Ceará, Lúcio Alcântara ingressou na Academia Cearense de Letras em de 1978, ocupando a vaga deixada por Otacílio de Azevedo, cadeira 26, cujo patrono é Manuel Soares da Silva Bezerra. Confira uma conversa sobre política, literatura e planos de gestão para esse ano de 2022.

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1. Sua história na política vem de longe, talvez já na infância  e adolescência, observando os passos do pai, Waldemar de Alcântara, que foi governador. Acertei o palpite?

Certamente. Meu pai nunca exerceu uma ação direta para que ingressasse na política. Tudo se deu naturalmente. A partir de quando ficava por trás das janelas, espiando as reuniões do PSD no pátio interno de nossa casa. Depois, criança, ainda fazia discursos em comícios e reuniões partidárias em Fortaleza, São Gonçalo e acompanhava meu pai em viagens políticas ao interior. Lembro, particularmente, de um comício em Quixadá pró-Juscelino quando recebi do Dorian Sampaio as primeiras lições de oratória. Quando fui convidado para ser secretário de saúde por César Cals estava de partida para a Inglaterra, Liverpool, para fazer uma pós-graduação em Medicina. A partir daí, comecei uma longa trajetória na vida pública.

 

2. Você atuou nos poderes Executivo, como prefeito e governador e vice-governador e no Legislativo, como deputado federal e senador da República. Como avalia sua trajetória política? Concorreria a algum cargo público novamente? Como vislumbra o cenário político que se anuncia para outubro?

Não concorro mais a nenhum cargo. Considero minha militância político-partidária encerrada. Ajudo a alguns amigos e aos que me procuram busca de alguma orientação que a experiência me capacite a oferecer. Meu compromisso é com o amigo Roberto Pessoa e o Capitão Wagner, que entrou na política pelas minhas mãos e que é um dos pouquíssimos exemplos de renovação na política do Ceará.

 

3. Depois de ter se afastado da carreira pública, você se dedicou bastante à Literatura, com a produção de livros seus e também coleções da Fundação Waldemar de Alcântara. Durante o tempo de político, você também produzia literatura? Ou foi um tempo de outras produções?

Uma coisa que sempre me chamou atenção foi como certas pessoas conseguiram ser políticos ativos, de muito prestígio, como Afonso Arinos, e serem grandes escritores. Isso porque a política é uma atividade muito absorvente, que exige de quem a exerce atuação em tempo integral. Pelo menos, assim a imagino e assim a pratiquei. Como deputado e, sobretudo no Senado, coloquei a Cultura como um dos eixos de minha atuação parlamentar. Também no Executivo, quando prefeito e governador. Escrevi coisas esparsas, discursos, homenagens, artigos de jornal. Reunidos, compuseram três de meus primeiros livros. Colaborei com artistas, escritores e historiadores. Tive o privilégio ser o primeiro presidente do Conselho Editorial do Senado, função que exerci durante todo meu mandato, de grande importância para a divulgação da história e cultura brasileira. A Fundação Waldemar Alcântara é minha grande paixão, a qual, não obstante, as enormes dificuldades de financiamento, tem prestado relevante serviço à inteligência e cultura cearenses.

 

4. Como surgiu o seu projeto mais recente, que culminou no livro sobre o poeta José Albano, lançado em 2021?

José Albano foi sempre uma de minhas preferências literárias,pelo valor e originalidade sua obra, a vida tormentosa e minha relação desde criança com a família Albano em São Gerardo. Sempre pensara em publicar a tradução em versos de seu poemas ingleses, que o poeta só traduzira em prosa. Aconteceu de encontrar no Senado, o senador Bello Parga, grande conhecedor e tradutor da poesia inglesa. Consegui convencê-lo a fazer a tradução dos quatro poemas, os quais integram a obra que você se referiu.

 

5. Você assumiu a presidência da Academia Cearense de Letras com o Ceará abalado pelas muitas mortes, no momento mais critico da pandemia, o que fez boa parte da programação da entidade acontecer de forma online. Como foi esse período de reclusão? A Academia saiu fortalecida com esse momento necessário de distanciamento? Como foi essa adaptação?

Após dois mandatos na presidência do Instituto do Ceará, Histórico, Geográfico e Antropológico não pensava em exercer qualquer outro cargo, na vida pública ou civil, quando fui convocado por meus pares para assumir a presidência da Academia Cearense de Letras, então, a braços com grandes dificuldades. Não houve como esquivar-me do apelo. As dificuldades impostas pela pandemia estão sendo vencidas com o apoio de todos e a realização de eventos virtuais, que contornam as restrições sanitárias. A ACL sai da crise fortalecida e rejuvenescida, após toda turbulência enfrentada. A ajuda de alguns mecenas, do Governo do Estado e a participação dos acadêmicos deu novo ímpeto à academia.

6. Quais são os seus projetos para as ações da Academia neste ano de 2022? E para a Fundação?

Levar a academia ao interior, abri-la mais à sociedade, publicar algumas obras, inclusive inéditas, conhecer melhor a cadeia do livro no Ceará, formar pessoal envolvido com a produção do livro e comemorar efemérides importantes, desde o bicentenário da Independência.

 

7. Você sempre foi um incentivador dos novos talentos na literatura e na pesquisa acadêmica. Como vê esse florescimento de novos autores, com as possibilidades da auto publicação na Amazon e em sites de financiamento coletivo?

Entusiasma-me ver a proliferação de novos talentos e novas editoras, que se sucedem numa impressionante sucessão de livros de grande qualidade editorial e de conteúdo. Criativos e tenazes, os autores cearenses contornam as dificuldades de publicação, valendo-se dos novos instrumentos surgidos no mundo do livro. Em parceria com o SEBRAE, em breve publicaremos um livro sobre a cadeia do livro entre nós, contendo diagnóstico e propostas para seu fortalecimento.

 

8. Tanto o senhor como a sua esposa, dona Beatriz, são escritores e membros da Academia e outras instituições literárias. Como fazem para incentivar um ao outro na escrita e na inspiração?

Mantemos um diálogo permanente sobre Literatura e Cultura de um modo geral. Brinco ao dizer que somos casados à antiga, com completa comunhão de bens e separação de livros. Ocupamos dependências diferentes para nossas bibliotecas e locais de trabalho, respeitamos nossas divergências intelectuais e preferências artísticas e literárias. Fomos o primeiro casal acadêmico no Ceará e tornamos a arte, a literatura e a pesquisa o centro de nossas vidas.

 

9. Qual o livro que está lendo no momento?

Leio atualmente dois livros : “Os Catorze Camelos”- A história da primeira expedição científica brasileira", de Delmo Moreira e “Diário”- memórias da vida literária, de Edmond Jules de Goncourt

 

10. Como faz para se manter saudável? É adepto da prática de algum esporte? 

Caminho diariamente por 40 minutos na Avenida Beira Mar. Fiz ciclismo durante muitos anos até sofrer grave acidente, o que levou a família a me proibir a prática deste esporte.

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Inspiração que nasce

das miudezas do cotidiano
Por Kelly Garcia

Nascido em Quixeramobim, o nosso entrevistado desse domingo, o escritor Bruno Paulino, é graduado em Letras/Português pela Universidade Estadual do Ceará. Autor dos livros de crônicas Lá nas Marinheiras (2012) e A Menina da Chuva (2016), é também professor  de Língua Portuguesa da  Rede Pública de Ensino. O autor é uma das referências quando se fala em Literatura do Sertão Central do Ceará. O livro A Menina da Chuva, em segunda edição, foi adotado em vários colégios da Rede Particular de Ensino no Sertão Central. Organizou as antologias Cordéis de Histórias, do projeto Edições em coautoria da ACE – Associação Cearense de Escritores e Cinco Inscrições  da Mortalidade, da Luazul Edições. Pertence a Academia Quixadaense de Letras, entre outras agremiações literárias. Também é autor do livro de contos  Pequenos Assombros e tem textos presentes em várias antologias, como a recente Eu Conto com Nossa Senhora. Em 2019, foi um dos escritores convidados pela Universidade de Évora, de Portugal como participante  do 1° Encontro Internacional de Estudos  Literários – novos olhares  entre o Ceará e o Alentejo. Confira uma conversa leve sobre inspiração, crônicas e escrita.

1. Você tinha o desejo de escrever desde quando? Escrevia já na infância? 

Na infância, eu fui um grande leitor. Tenho um irmão mais velho que teve paralisia infantil. Como ele não podia brincar na rua normalmente com as outras crianças, meu pai, num tempo de muita dificuldade de acesso aos bens culturais aqui em Quixeramobim, conseguia pra ele jornais e gibis. Então, quando eu nasci, na minha casa, já circulavam livros, jornais, enciclopédias – eu amava enciclopédias – e revistas em quadrinhos. Na adolescência, como é comum, rabiscava versos dolentes, sofríveis de tão ruins, acho que o ser leitor em mim veio antes do escritor. Orgulho-me de ser um bom leitor – tenho essa perdoável vaidade –, e, acho, sem falsa modéstia, que ainda estou me descobrindo como escritor. Esse é o tipo de descoberta que deve durar a vida toda. Costumo brincar, ainda hoje, quando me chamam de escritor, que sinto uma imensa dor nas costas, não acostumado com o título. 

 

2. O que o motivou a colocar suas histórias no mundo? Chegou a passar muito tempo com escritos na gaveta?

É tudo culpa do professor Rodrigo Marques, do curso de Letras da FECLESC. Ele me estimulou no período em que fui seu aluno a escrever crônicas para os jornaizinhos alternativos e zines que circulavam na faculdade. Os meus colegas começaram a elogiar o que eu publicava e daí não parei mais de escrever e publicar, iludido com esses comentários. Eu levei um tempo para descobrir que a lixeira, a gaveta e a tecla “delete” do notebook são os melhores amigos que um escritor pode ter.

 

3. Seu primeiro livro de crônicas, Lá nas Marinheiras, de 2012, teve a repercussão que você esperava? Teve alguma dificuldade para divulgar? Como fez para superar a timidez do início?

Eu não esperava repercussão alguma, mas, com a ousadia utópica dos jovens, enviei para alguns escritores mais maduros que eu admirava e que saudaram o livro, tais como a querida Angela Gutiérrez e o Nilto Maciel. Eu era um menino escrevendo crônicas e publicando um livro, isso deve ter pesado na avaliação deles. O Jorge Amado disse, certa vez, que um livro escrito por jovens pode ter todos os defeitos, mas tem, com certeza, uma grande virtude: a ousadia da juventude. Eu acho que não superei a timidez do inicio e continuo, como naquela época, péssimo em divulgar as coisas que escrevo. 

 

4. Além de crônicas, você também escreve contos e poesia. Em qual gênero se sente mais confortável para criar?

Eu sou um cronista por natureza, escrevo muito de supetão, como alguns instrumentistas tocam música de ouvido, assim como disse o Rubem Braga. O bom cronista não é aquele que, por exemplo, escreve sobre um elefante parando um trânsito numa manhã de segunda-feira. Isso, todo mundo vai ver. Com certeza, será manchete de jornais e da TV. O bom cronista é aquele que vai fabular ao encontrar uma moedinha na rua, no meio do tumulto causado pelo tal elefante; e, como um Proust, devanear o tempo e fisgar o leitor. O cronista é um poeta das miudezas do cotidiano. Um cara bom de conversar "miolo de pote". 

 

5. Quais são os autores que mais te inspiram?     

O Manuel Bandeira. Eu ainda vou construir um altar para o Manuel Bandeira na minha biblioteca. 

 

6. Quixeramobim é sua terra natal. Tem algo na cidade que te deixe motivado a escrever? Alguma paisagem? Prédio histórico? Personagem?

Eu sou um escritor telúrico. Quixeramobim é minha Itabira, minha Macondo e minha Pasárgada. Tudo em Quixeramobim me inspira, até o medonho provincianismo e o tédio da cidade. 

 

7. Por que o fascínio pelos Sertões de Euclides da Cunha? 

Eu costumo contar que li Os Sertões e nunca mais tive juízo, tinha quinze anos. O fascínio veio pelo fato do livro ser uma referência quando se trata de Antônio Conselheiro e do tema Canudos – hoje uma anacrônica visão de Euclides sobre o personagem e o acontecimento histórico. Mas me apaixonei completamente pelo estilo do narrador, sua grandiloquência, a capacidade argumentativa, o consórcio entre ciência e arte, o engenho com as palavras, o ritmo vibrante, a paixão do narrador, o escrutínio do historiador.  Os Sertões é na significação integral da palavra: um clássico. Ou seja, nunca termina de dizer o que tem para dizer. Daqui a 100 anos, o livro ainda terá algo novo a nos dizer.

8. O que está lendo no momento? Para qual livro sempre retorna?

Eu sempre retorno para Os Sertões. No momento, estou lendo a biografia da Clarice Lispector, escrita pelo Benjamin Moser. Um livraço. Clarice Lispector é uma escritora apaixonante, eu gosto sempre de saber mais dos mistérios de Clarice Lispector. 

 

10. Que recado daria para o escritor iniciante Bruno Paulino, de 2012?

Leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais... 

 

11. Quais os seus hobbies, quando não está escrevendo ou lecionando?

Tomar cerveja com meus amigos no bar. Eu sou machadiano nesse sentido, não confio num homem sem vícios. 

 

12. Como alimenta a espiritualidade? Tem algum santo de devoção? 

Eu sou apaixonado por Santa Teresinha do Menino Jesus, já li sua autobiografia História de Uma Alma, pelo menos umas 30 vezes. Brinco dizendo que ela é minha melhor amiga. E, pelos meus cálculos imprecisos, eu tenho mais ou menos umas 10 promessas em aberto com São Francisco de Assis. Creio que só pode ter linha direta com Deus um sujeito que conversa com os passarinhos. 


13. Tem algum projeto literário já em andamento? Pode contar pra gente? Está preparando algo específico para a Bienal?

Eu estou lançando nos próximos dias o livro de poesias Salmos para Orquestrar Silêncios, o último de uma trilogia que intitulei de Celebração do Divino Mistério, numa proposta estética de dialogar a poesia com a religiosidade, na busca pelo absoluto no cotidiano.

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O pioneirismo e o dinamismo de uma

vida dedicada à escrita e à docência
Por Kelly Garcia

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Professora, escritora, pesquisadora e integrante de várias entidades culturais, Angela Gutiérrez foi a primeira mulher a presidir a Academia Cearense de Letras. Também foi agraciada com o título de Professora Emérita, a mais importante comenda institucional da Universidade Federal do Ceará (UFC). Como docente e gestora, foi Diretora-fundadora do Instituto de Cultura e Arte (ICA), sendo responsável, com apoio do então reitor René Barreira e do Diretor do Museu de Arte da UFC, Prof. Pedro Eymar, pela reabertura das salas de exposição de Raimundo Cela e de Antônio Bandeira, que estiveram fechadas por mais de 20 anos, e pela criação do espaço dedicado a Descartes Gadelha no MAUC, além do empenho na restauração e revitalização da Casa de José de Alencar e dos demais equipamentos e atividades culturais da UFC. 

A professora é doutora e pós-doutora em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. Como professora, foi Coordenadora-fundadora do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará. Integra  o Instituto do Ceará (Histórico, Grográfico e Antropológico), a Associação Brasileira de Bibliófilos e a Sociedade Amigas do Livro-SAL. Entre os prêmios e comendas que vem recebendo, estão a Medalha da Abolição, mais alta comenda do Estado do Ceará e o Troféu Sereia de Ouro, concedido pelo Sistema Verdes Mares, entre outros importantes reconhecimentos. 

 

Como escritora, Angela publicou diversas obras, entre as quais “Vargas Llosa e o romance possível da América Latina”; “O mundo de Flora”, romance que recebeu o Prêmio Estado do Ceará de Literatura e foi indicado para o vestibular da UFC em 2007 e 2008; “Os sinos de Encarnação”, que recebeu o Prêmio Osmundo Pontes, “Luzes de Paris e Fogo de Canudos”, entre outros. Confira uma conversa com Angela Gutiérrez sobre sua escrita e inspiração e as histórias de Fortaleza e de sua família.

1.Como a escrita se tornou um caminho para você? Você sempre gostou de contar histórias? 

Eu tinha dez anos e estudava no Colégio da Imaculada Conceição, quando recebi um questionário distribuído com as alunas. À pergunta “O que você quer ser no futuro?”, não sofri dúvida, escrevi com a franqueza e audácia da infância, tempo mágico em que querer é poder: “Quero ser escritora de livros maravilhosos!”.  Encontra-se, pois, na menina Angela, chamada de Jan, Janzinha, leitora insaciável de livros escolhidos por seu pai e guia na biblioteca da vida, Luciano Cavalcante Mota e apaixonada ouvinte das histórias de fadas, da família, de personagens da cidade de Fortaleza, contadas graciosamente pela mãe, Angela Laís Pompeu Rossas Mota, e pelo avô médico, Dr. César Rossas, que acrescentava histórias de médicos no Rio, onde se formou. À minha moda, recontava para amigas as histórias de fada, reis e rainhas, que ouvira ou lera, inventando o que havia esquecido e aumentando-as quando notava o interesse do pequeno auditório! 
 
2.Eu li em suas entrevistas mais antigas que o seu primeiro livro, O Mundo de Flora, foi escrito de um fôlego só. Como você criou coragem para colocar ele no mundo? Foi uma surpresa o grande sucesso dele com os leitores mais jovens? 

Quando alguém hoje me pergunta se O mundo de Flora foi escrito de um fôlego, devo esclarecer o que já contei em outras ocasiões. Na primeira noite em que tive a ideia, mais que isso, o impulso inescapável de escrever uma narrativa ficcional, que resultou em meu primeiro romance, escrevi o começo, trechos do meio e até o possível fim. Criei e dei nome às personagens centrais, construí espaços, trama e a narrativa já me veio em estrutura constituída por pequenos segmentos, uns em primeira pessoa, na voz ou na escrita de Flora, outros na terceira pessoa, em uma voz narrativa que via Florzinha de fora e por dentro.

 

Alguns segmentos eram formados por histórias contadas pelo avô e pela mãe de Flora e por textos variados, como certidão de nascimento, telegramas, trechos de poemas, canções, cantigas de roda e de folguedos populares, orações, cartas, diário, diálogos ‘puros’ e outros diferentes modos de linguagem, inclusive enigmas desenhados. Tudo escrito à mão em um caderno. Em noites seguintes, inventei mais episódios. Posteriormente, o trabalho maior foi de “carpintaria” (no sentido que lhe dá  Autran Dourado, em Poética do Romance, Matéria de Carpintaria), ou seja, introduzir episódios, mudar outros de lugar, verificar o seguimento das ações, enfim, construir a obra e aí entrou o papel da estudiosa de literatura. Não foi imediatamente que divulguei os manuscritos. Tinha dúvidas se o texto valia a pena. Leitora de Machado, Borges, Guimarães Rosa, Flaubert, Cervantes, Dante, Leopardi, Dostoiévski e tantos mais, meus parâmetros eram inatingíveis para mim mesma como escritora. Foi quando meu sobrinho Augusto flagrou-me lendo os originais de O mundo de Flora e não me deu paz até que eu submetesse cópias do texto aos grandes escritores e mestres da literatura no Ceará, professores da Universidade Federal do Ceará, Moreira Campos, Artur Eduardo Benevides, Sânzio de Azevedo, Horácio Dídimo, o que fiz, entregando os manuscritos datilografados a todos eles em um mesmo dia. A receptividade foi tão encorajadora que me deu ânimo de deixar o livro nascer. 

 

Dessa surpresa, surgiram boas notícias, como o Prêmio de Literatura Estado do Ceará, a publicação do livro pela respeitada Coleção Alagadiço Novo, da UFC, coordenada pelo sempre reitor Martins Filho, a simpática aceitação de leitores especificamente ligados ou não à literatura, e, anos depois, a escolha, pela Comissão de Vestibular da UFC, para o romance constar da lista de obras indicadas para o vestibular da Universidade, e aqui ressalto a grande alegria de ver e ouvir os alunos de pré-vestibular lendo e comentando O mundo de Flora, em edição da Coleção Literatura no Vestibular, com entusiasmo, um livro que, em 1990, quando foi publicada sua primeira edição, chamara atenção por fugir dos padrões narrativos de romances brasileiros da época. Creio que muitos professores de diferentes colégios, ao trabalharem com o livro de forma lúdica e criativa, contribuíram para atrair os alunos para meu romance (cito Élder Vidal e Nadya Gurgel, hoje cursando Pós-Graduação em Letras na UFC, com tese e dissertação que estudam, respectivamente, a autora e o livro).

 

De tal forma que chegou a ser o preferido entre os livros dos vestibulares de 2007 e 2008, quando havia outros livros extraordinariamente bons, que considero melhores que o meu, nas listas desses dois anos. Uma experiência extraordinária para mim foi ser recebida em muitos colégios, com carinho, entusiasmo, aplausos, como também, no mesmo período, o sucesso da versão teatral do romance, adaptada e encenada pelo diretor Jadeílson Feitosa, no Teatro Nadir Pápi Saboia, do Colégio Christus, com entrada gratuita para vestibulandos de qualquer colégio. A temporada da peça O mundo de Flora lotou o teatro em todas as sessões apresentadas. Outra boa surpresa!  

 

3.Em qual gênero literário você se sente mais criativa?  

Quando estudava no Ensino Médio, gostei muito do projeto de um professor de Literatura que nos propôs a escrita de um texto por semana, em qualquer gênero literário, para a composição de uma obra de dez pequenos capítulos. Escolhi trabalhar com crônicas de memórias, com o título: “Da vida, dez retalhos”. Assim, a primeira vez que escrevi com mínima intenção literária foi em prosa narrativa, o que constituiu um embrião de minha ficção. Minha primeira publicação, a convite do colega Pedro Lyra, foi na revista Caboré, que circulava entre os alunos de Letras da UFC. Como severa crítica de meus próprios escritos, fiquei tão encabulada, quando a revista saiu, que nunca fui buscar os exemplares a que tinha direito.

 

Participei com um miniconto e um poema, ambos aparecem n’O mundo de Flora, como de autoria da protagonista Flora, quando estudante, que os critica duramente, mais tarde. Embora leitora e apreciadora de poesia, tendo um livro, Canção da Menina, de poemas, acredito que me tenho firmado mais na ficção, seja em romance (O mundo de Flora, Luzes de Paris e o fogo de Canudos), conto (Os sinos de Encarnação), conto dramático (O silêncio da penteadeira), historietas (Avis rara). Creio que, mesmo quando não pretendo escrever ficção, ao iniciar, por exemplo, uma conferência, um discurso, um artigo, um ensaio, acabo construindo-os com técnica narrativa ficcional, como aconteceu com minha tese de doutorado, Vargas Llosa e o romance possível da América Latina, defendida na UFMG e publicada pela Editora da UFC em parceria com a Sette Letras, do Rio. 

 

4.Além de escritora, você também é professora, pesquisadora, mãe, esposa, avó, filha... Como faz para conciliar tudo? Se considera uma pessoa organizada?
Na verdade, sempre tentei conciliar todas minhas atividades, mas nem sempre consegui que tudo acontecesse como numa valsa vienense bem ensaiada. Muitas vezes, comprometo-me com muitas responsabilidades ao mesmo tempo porque tenho dificuldade em furtar-me a solicitações de colaboração, mesmo que isso redunde em acúmulo de trabalho. Na verdade, dediquei-me muito mais à Universidade, seja no ensino, na gestão, na extensão, ou na pesquisa, do que à carreira literária. Talvez devesse ter dedicado igual tempo às duas vertentes de meu amor à literatura. Alguns escritores, como Vargas Llosa, consideram que o ofício de escrever é excludente. Nós, mulheres, costumamos ser malabaristas, tentando equilibrar inúmeras funções ao mesmo tempo. Assim, sentimo-nos em dívida, às vezes, com a família, às vezes com o trabalho, às vezes conosco mesmas. Sempre fui consciente dos Direitos da Mulher e de suas dificuldades em nossa sociedade e, sempre coloquei o tema para discussão e reflexão de diferentes modos. Novas gerações femininas fazem isso coletivamente, em busca do reconhecimento dos direitos para todas as mulheres, de todas as cores e condições sociais. Estou com minhas irmãs mulheres que aspiram por justiça social, vida digna, respeito, oportunidades iguais entre gêneros e classes sociais. É estranho, muito mais, é escandaloso que, no terceiro milênio, tudo isso ainda não seja plenamente uma realidade!  
 
5.Tem alguma novidade para os leitores, como alguma reedição ou livro novo?

Embora o tempo de pandemia, com recolhimento em quarentena de dois anos, tenha sido profícuo para muitos escritores e escritoras, infelizmente, com problemas de saúde na família e mudança de moradia, de casa para apartamento, não pude quase dedicar-me à escrita. Antes da pandemia, já tinha projetos a realizar, como publicação de textos já escritos (coletâneas de crônicas, de estudos e conferências sobre Antônio Conselheiro, de conferências sobre José de Alencar e sua Casa, de falas na Academia); assim como projetos a terminar,  minha parte na obra Viagem ao mundo de Flora, que vem sendo organizada pelas amigas escritoras, Professoras Doutoras Cleudene Aragão, Eleuda de Carvalho, Maria Inês Cardoso, Vania Vasconcelos e Vera Moraes, além de  pesquisas e textos ficcionais iniciados. Enfim, são tantos planos que, mesmo se eu tivesse hoje vinte anos de idade, não teria tempo para realizar todos. 
 
6.Quais as principais lições que aprendeu como presidente da Academia Cearense de Letras? 

Tenho grande amor pela Academia e iniciei minha gestão como presidente com entusiasmo, objetivos e projetos delineados e não desanimei até completar o último dia na presidência. No entanto, muitas dificuldades apareceram nel mezzo del camin, como a pedra de Drummond, no caso, a pandemia de Covid-19, que se alastrou pelo mundo, enlutando, de forma dramática, nosso País e a mim mesma, com o falecimento de meu irmão César Rossas Mota. Diante de tragédia sanitária de tal dimensão, que há mais de um século o mundo não sofria, evidentemente todos os setores de atividades em Fortaleza foram atingidos.  Na área de Cultura do Ceará, dentro de sérios critérios de defesa sanitária, as instituições foram fechadas e atividades presencias proibidas.

 

Diante da situação, todo esforço de apoio público e privado, como aporte de doações e verbas para projetos, concentrou-se prioritariamente no atendimento a saúde e necessidades básicas da população. Porém, na ACL, com a colaboração de colegas e funcionários, especialmente da Diretora Administrativa Adjunta, Cáudia Queiroz, e da Bibliotecária Madalena Figueiredo, tomamos providências para criação de grupos no WhatsApp e de vários modos de comunicação on-line, com inscrição em redes sociais, e a preparação cuidadosa de novo site, com o prestimoso auxílio da Acadêmica Grecianny Cordeiro  e inaugurado na gestão do Acadêmico Lúcio Alcântara Assim, toda a programação cultural e literária foi reorganizada para realizar-se virtualmente, com apoio das Diretoras Beatriz Alcântara e Lourdinha Leite Barbosa, enquanto dávamos andamento, entre outros,  a projetos de publicação de duas volumosas coletâneas de  Falas Acadêmicas e da Revista da Academia Cearense de Letras, a projeto de proteção contra incêndio para nossa sede, o Palácio da Luz, que é patrimônio tombado em nível Estadual, a consertos imprescindíveis na estação elétrica e na coberta do prédio, o que foi realizado após a autorização governamental de obras de construção e reforma. A lição aprendida? A necessidade de criatividade e de ânimo forte para superar as dificuldades que a realidade apresenta, o que, aliás, mesmo em situação de “normalidade”, a maior parte das instituições culturais do país já vem aprendendo, há muito tempo. 
 


7. O que a Angela de hoje diria para a Angela estreante na literatura? 

Angela, assuma-se, desde já, como escritora por profissão! Ou seja: trabalhe em sua própria literatura todo dia, seja escrevendo ou pesquisando; não tenha pudor de procurar agentes literários e editoras de divulgação e distribuição nacional; inscreva-se em concursos literários; participe de feiras e bienais literárias fora de seu ninho em Fortaleza, enfim, não deixe que outras vertentes importantíssimas de sua vida sejam desculpa para não se lançar profissionalmente como escritora! 
 
8. Nos seus livros, as imagens reais de cenários importantes para a sua família são muito presentes, como o casarão e os políticos do O Mundo de Flora. Esses lugares, objetos e lembranças sempre te estimularam a escrever? 

Embora tenha vivido apenas nos primeiros anos da infância, até os quatro ou cinco anos, na casa de meus bisavós, tenho guardadas na memória as lembranças de tudo que vi e ouvi nessa casa, imagens impregnadas, quase gravadas a fogo, na minha imaginação até hoje e que estão não só em meu primeiro romance como dispersos em outros livros. O mesmo acontece com outros cenários de minha infância. Creio que minha memória de criança, seja visual, de cenários, pessoas e objetos, seja auditiva, de falas, músicas, barulhos, seja de leituras da época, tem sido fonte para grande parte de minha escrita, claro que, muito modificada pela imaginação, por leituras e vivências posteriores. 

9.Além da história cearense no fim do século XIX, início do século XX, são temas recorrentes na sua obra literária a Guerra de Canudos. Como surgiu o interesse neste objeto de pesquisa? E sobre Mario Vargas Llosa? 

Desde que fui pela primeira vez ao Peru, pouco tempo depois de casada, para conhecer a família e a terra de berço de meu marido, encantei-me pelo país e, como sou fascinada por livrarias e bibliotecas, encontrei vários livros de Vargas Llosa, que só conhecia de nome e de quem passei a ler toda a obra. Já lia, entre os ficcionistas hispano-americanos, Borges, Alejo Carpentier, Ciro Alegría, Arguedas e ampliei o leque de leituras de escritores do continente, pois em espanhol, já era aficionada de Don Quijote de la Mancha, como milhões de leitores no mundo. Paralelamente desde a adolescência, conhecia Os Sertões de Euclides da Cunha, livro que meu pai admirava profundamente e com ele tirava dúvidas sobre algumas passagens da obra. Quando me candidatei ao doutorado em Letras na Universidade Federal de Minas Gerais, meu projeto de tese versava sobre Vargas Llosa e incluía seu romance sobre Canudos e suas relações com a obra maior de Euclides.

 

Antes de terminar a tese, participei de Simpósio sobre Canudos, com o tema: “Vargas Llosa:, outro olhar sobre Canudos” e a partir de então dediquei-me ao tema da literatura sobre Canudos e participei de muito simpósios, seminários, na UFC e em outras universidades, no Brasil e no exterior. Aproximei-me, especialmente, de alguns estudiosos de Canudos no Ceará e do grupo de pesquisadores da Bahia, estes, orientados pelos conhecimentos do extraordinário Prof. José Calasans, da UFBA. Conheci o local das lutas terríveis da Campanha de Canudos, em companhia de meu marido Oswaldo Gutiérrez, de forma muito privilegiada, guiados que fomos pelo Prof. Renato Ferraz, um dos maiores conhecedores da História de Canudos, passara dois dois meses visitando o sertão do Conselheiro com o escritor peruano, quando Vargas Llosa escrevia La guerra del fin del mundo.  Pisar no chão onde se deu a tragédia de Canudos me deslumbrou mais ainda com o tema, especialmente com a figura do beato cearense que fundou Belo Monte.

 

Assim, meu pós-doutorado na UFMG, intitulou-se “Antônio Conselheiro: as múltiplas faces do beato de Belo Monte”. Recebi, com muita honra, o Troféu Antônio Conselheiro, da Câmara Municipal de Quixeramobim, cidade onde nasceu e viveu Antônio Vicente Mendes Maciel, que seria posteriormente conhecido como Antônio Conselheiro. Quando escrevia meu segundo romance, que retomava uma personagem d’ O mundo de Flora, e pensava intitulá-lo Branca, gentil coração, meu lado de pesquisadora de Canudos imiscuiu-se em minha ficção, o romance tomou diferentes rumos e o título mudou para Luzes de Paris e o fogo de Canudos. 
 
10. Qual seu escritor favorito? Qual o livro que mais te marcou? E qual livro que está lendo no momento? 

Meu escritor favorito, entre tantos fascinantes escritores de nossa literatura e da literatura universal é, como responderiam muitos outros brasileiros e brasileiras, Machado de Assis. A leitura de sua obra durante minha adolescência foi um alumbramento quase ofuscante. Não só pela linguagem do autor que, sutilmente, põe em dúvida o que diz, exigindo participação intelectual e emotiva de quem o lê, como pelo estranho universo humano que expõe, em que o bem e o mal se entrelaçam.  Poderia citar como o livro que mais me marcou, continuando o que dizia sobre Machado, o romance Dom Casmurro, mas gostaria de citar a importância de outro livro que muito me marcou, com imensa ressonância literária;: Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Aqui não me refiro a muitos escritores estrangeiros que me marcaram, como Dante Alighieri, Shakespeare, Bocaccio, Flaubert, Victor Hugo... uma plêiade de grandes escritores.
 
11. Como você avalia o mercado literário cearense? E a nova onda de cursos de escrita criativa? 
Infelizmente, se já tínhamos no Ceará, como em quase todo o País, poucas livrarias, com as necessárias restrições de isolamento social devidas à pandemia, muitas outras fecharam as portas, e seria ótimo se pudessem retornar, quem sabe, no próximo ano. As grandes editoras do país vinham sofrendo com problemas financeiros, aguçados com a crise econômica dos últimos anos e os problemas financeiros de umas e das outras se multiplicaram. Mas, observo também que pequenas editoras e, mesmo, gráficas surgiram e vêm publicando, dentro de suas possibilidades e, principalmente, dando a conhecer novos autores e autoras.  
 
12. Quais são seus hobbies? 

Para dizer a verdade, não tenho propriamente hobbies. Qualquer tempo livre (ou não!), gosto de ficar com meu marido e nossa família: filhos, noras, filha, genro, netos e netas. Adoro conversar e isso tornou-se mais difícil durante a pandemia. Conversar por WhatsApp com a família, com amigas e amigos, é bom, mas não é igual à conversa presencial. Meu pai, que era cinéfilo, costumava dizer que ver cinema pela televisão não permitia a mesma sensação de assistir ao cinema na tela grande, no escuro, sem barulho que desvie a atenção. O mesmo acontece com a conversa, mesmo com imagem: É algo bom, mas não substitui a conversa real. Faz-me lembrar a fabulosa obra de Ray Bradbury, geralmente incluída no gênero de ficção científica, em que uma mulher solitária conversa com as paredes, digamos, televisivas, como vemos hoje nos telejornais. 

13. Você gosta de viajar? Qual o lugar mais lindo que já visitou? 

A viagem, quando acompanhada por pessoas que amamos, torna-se uma experiência duplamente rica porque se acrescenta ao ver, descobrir, conhecer, reconhecer paisagens, ruas, rios, castelos, comidas, montanhas, livros, obras de arte... o ato de dividir tudo isso com quem amamos e guardar na caixinha de joias das lembranças.  Desde criancinha, sonhava em conhecer o Rio de Janeiro e Paris, de que tanto a gente grande falava e, depois das leituras de mosqueteiros e tantos outros heróis da literatura francesa do século XIX e de escritores românticos franceses e brasileiros, esse sonho criou raízes e conhecer as duas cidades, a primeira na adolescência e a segunda, já casada, com meu marido foi um sonho realizado. Gosto de muitas cidades que já visitei, mas Rio e Paris têm a magia de continuar encantando-me. O que gosto mesmo é de reconhecê-las. 
 
14. O que mudou na sua vida após a chegada dos netos? 

Victor Hugo escreveu um livro sobre seus netos, L’art d’être grand-père, que li com sensação de doçura. Talvez eu precisasse de oito livros para dizer o que meus oito netos significam em minha vida. Todos têm o que se pode chamar de ar de família, mas cada neto ou neta é tão único, tão única, em meu coração, que acho difícil falar em Rafael, Oswaldo Augusto, Lina, Isabela, Taís, Alícia, Eduardo César e Luísa no plural.  A cada nascimento, senti-me mãe outra vez, mas, para cada neto ou neta guardo um lugar especial em meu coração. Eles e elas me enriquecem com seus diferentes modos de ser, com seus diversos pendores para desenho, tênis, literatura, pintura, escrita, artesanato, Um me ensina algumas dicas no computador, uma canta lindamente, outra sabe fazer tudo na cozinha e talvez venha a ser chef e quer ensinar-me a fazer bolo, para que ninguém diga que nunca fiz sequer um na minha vida. Aprendo muito com cada um e cada uma. E eu, a quem alguns chamam de mestra, devo dizer como Riobaldo: “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”. 
 
15. Indique uma série, um filme e um livro.
Se queremos sair da realidade tão angustiante dos últimos anos, ou mesmo se estamos felizes, como não lembrar o filme, clássico americano, Cantando na Chuva? Embora muito bom, não é o melhor filme a que assisti na vida, nesse caso, indicaria, talvez, um de Chaplin ou Fellini, ou Bergman, ou Jean Cocteau...para lembrar os clássicos estrangeiros, mas é encantador! A melhor série que vi na televisão brasileira baseou-se na peça teatral Auto da Compadecida, do genial e maravilhoso Ariano Suassuna. Bom para assistir pela primeira vez e ótimo para assistir outra vez! 
Sempre leio vários livros ao mesmo tempo. No momento, estou lendo um livro que me foi enviado, há poucos dias, em meu aniversário, por amigas do coração que conhecem minha paixão pelo Rio. Estou lendo, com prazer, a obra Metrópole à Beira-Mar - O Rio Moderno dos anos 20, de Ruy Castro. Não é um ensaio literário, mas apresenta, com graça, muitos escritores dos tempos de formação do Modernismo no Rio.


Como leio vários livros ao mesmo tempo, estou convivendo, com algum vagar e muito apreço e gosto,  com alguns livros de colegas do Instituto do Ceará, publicados nos últimos meses, como A Pedra de Sísifo,  do intelectual e ex-Reitor da UFC, Prof. Paulo Elpídio, monumental reunião de textos,  a que o autor chama de “exercícios de ceticismo praticante”,  dados a conhecer anteriormente na internet; o livro Estado, Constituição e Instituições públicas, inteligente e sábia compilação de textos também publicados na Internet, do colega Prof. Filomeno Gomes, Doutor e Pós-doutor em Direito; a obra utilíssima para historiadores como fonte de pesquisa, Cronografia do Ceará, Social, Política e Legislativa, organizada pelo também colega Osmar Diógenes,  com participação de pesquisadores do Memorial da Assembleia Legislativa do Ceará, que o colega coordena.


No campo da ficção, acabo de ler A lição de Charcot, de Antonio Quinet (pela Zahar Editora), que transforma em peça dramática, as experiências e aulas de Charcot sobre Histeria. Como já li sobre Charcot, que foi médico de minha bisavó, e é citado em meu romance Luzes de Paris e o fogo de Canudos, gostei de reencontrá-lo nessa peça. Li também agora o primeiro e belo romance do professor e escritor Álder Teixeira, grande conhecedor de Estética, Cinema e Literatura, que, de modo intrigante ou modesto, intitula-o Quase romance (Sarau das Letras Editora). Recomendo-o, com prazer. 

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Entre a hagiologia,

a escrita e a docência
Por Kelly Garcia

Pós Doutor em Direito Civil, autor de 17 livros e presidente da Academia Brasileira de Hagiologia, José Luís Lira tem múltiplas paixões. A principal delas é o estudo da vida dos santos, que tem motivado muitas pesquisas, destacadas em todo o mundo, como a reconstrução facial de São Vicente de Paulo, que será mostrada no próximo dia 13, no Crato. Além disso, Lira nutre um grande amor pela docência e pelo estudo da História, tendo fundado recentemente o Instituto Histórico e Geográfico de Sobral. Confira mais sobre ele em nossa entrevista.

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1. Sabemos que recentemente você assumiu o posto de presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Sobral, entidade que teve em você um dos principais idealizadores. Quais são os projetos para este ano de 2022?

A ideia de fundar o Instituto Histórico de Sobral é bem antiga. Desde 2010, acalentei este sonho. À época, inclusive o Pe. Sadoc de Araújo estava muito bem e eu pensava nele para presidente de honra. Depois foram surgindo outros compromissos e o projeto foi ficando mais sólido, mais maduro. Se tivesse criado naquela época, por exemplo, não sei se teria tido o mesmo sabor, digamos assim. Lamento que o Pe. Sadoc não esteja mais lúcido, mas, ele ficou em grandeza maior do que eu pensava em 2010. Se tornou o patrono do Instituto. Posição que o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro conservou para Dom Pedro II. Este ano, faremos a instalação solene. Já registramos o Instituto em Cartório e fizemos o CNPJ. Também queremos lançar uma revista – ao modo de livro –, tanto digital quanto física. Outras atividades desenvolveremos também.

 

2. Além de historiador, você é hagiologista, um estudioso da vida dos santos da Igreja Católica. Como se deu essa curiosidade? Qual o seu santo de devoção e quais os principais aprendizados com esses grandes exemplos de fé?

Eu pensava em ser padre e cheguei a frequentar um grupo vocacional. Minha formação foi influenciada por um grande sacerdote, meu pároco em Guaraciaba do Norte, Mons. Antonino Soares. Fiz, então, um pré-seminário. A minha querida Matusahila dizia, parafraseando Leonardo Mota, que eu havia desistido do sacerdócio, mas, que o sacerdócio não havia saído de mim. Então, desde muito cedo gostei de santos, dos santos católicos ao ponto que moto-próprio fui me especializando na vida dos santos. O momento mais marcante foi quando revelamos ao mundo, em parceria com o grande designer 3D Cícero Moraes, a face de Santa Maria Madalena que foi notícia em todo o mundo. No momento, estamos trabalhando São Vicente de Paulo que terá sua face revelada na Diocese de Crato, em 13 de fevereiro próximo. Eu admiro muito São Francisco de Assis, Santo Antônio, São José, Santa Rita, Santa Dulce, Santa Paulina e tantos outros que ficaria difícil dizer de qual sou mais devoto. Nossa Senhora, por exemplo, é padroeira da minha cidade natal e de Sobral, então tenho uma relação de filho, muito próxima com ela. Também a participação na Nobre e Pontifícia Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, na qual sou Cavaleiro e Secretário Geral da Lugar-Tenência do Rio de Janeiro, contribuem para essa aproximação com o sagrado. Os santos nos ensinam a sermos melhores, a confiar em Deus e saber que Ele olha por nós. Isso é muito importante em qualquer época e principalmente, nos tempos de hoje.

3. Como escritor, você já lançou muitos livros, entre eles a coletânea de cartas do grande jurista Clóvis Beviláqua. Como é o seu processo de escrita? Como decide o tema do próximo livro? Tem algum em processo de conclusão?

Minha escrita busca responder a algumas perguntas. Você falou no Clóvis Bevilaqua e eu tinha certa tristeza por uma possível participação dele na questão Olga Prestes, que por meio das pesquisas cheguei à conclusão de que ele não tinha nada a ver com o fato. Rachel de Queiroz, por exemplo, foi minha primeira e grande inspiração. Tornei-me amigo dela, afilhado de formatura e biógrafo. Sua biografia foi um grande desafio, mas, um desafio prazeroso. É claro que toda escrita tem regra. Semanalmente, escrevo um artigo para a imprensa e o tema é sempre o mais corrente. Quando estou escrevendo um livro – agora mesmo estou escrevendo um –, procuro primeiro montar um sumário (que no campo científico corresponderia a um pré-projeto de pesquisa), aí vou desenvolvendo. Os títulos mudam. Raramente o primeiro título é o que fica. O tema do próximo livro é sempre algo que me desperte o interesse. A partir daí vou reunindo elementos que me possibilitem compor o trabalho.

 

4. No Direito, quais são as suas áreas preferidas? E qual a maior delícia de ser docente? 

No Direito, o que muito gosto mesmo é das disciplinas filosóficas e o Direito Constitucional. Fiz especialização, mestrado e doutorado na área de constitucional. No pós-doutorado, é que variei e fiz sobre Direito Civil, mas, ainda assim consegui colocar elementos de constitucional no meu trabalho de conclusão, sem esquecer-me da Filosofia Jurídica, da poesia, da arte do Direito. Ser docente é o que me realiza profissionalmente. Já cheguei a ficar doente e no dia da aula eu estava bem pelo prazer de estar com o alunado, mais aprendendo do que ensinando. Uma coisa maravilhosa na arte de ensinar é encontrar alunos(as) notáveis. Vez por outra, temos uns que nos fazem confirmar que valeu a pena todo o esforço.

5. Quais os seus hobbies?

Leitura, cinema, brincar com meus sobrinhos, conversar com meus pais e com as pessoas com mais idade do que eu e, principalmente, lecionar – nunca achei que lecionar fosse uma obrigação, mas, encaro como um momento prazeroso.

6. Você gosta de viajar? Qual o lugar mais lindo que já esteve?

Gosto sim de viajar. Roma é eterna e o Vaticano é um dos mais belos locais que acho. Mas, um lugar inesquecível é Jerusalém. Não há palavras para defini-la. Como diz o salmista é “minha eterna namorada”. Mas, também tem lugares simples que nos encantam também como florestas, cachoeiras e até o sítio Monte Alegre, de meus pais, lá em Guaraciaba do Norte, que tanto gosto.

 

6. Quais são os seus escritores preferidos? O que está lendo no momento?

São muitos e a principal é Rachel de Queiroz. Em dezembro último, estive no Rio e recebi de presente do neto dela, Daniel de Queiroz Salek, duas edições novas dos romances “As três Marias” e “Dora Doralina”. Resolvi relê-los e estranhamente tenho a mesma sensação de quando os li pela primeira vez. Sou, também, apaixonado pelos romances de Antonio Olinto e Nélida Piñon, do Mia Couto também. Na poesia, gosto muito de Artur Eduardo Benevides, Jorge Luis Borges, Manuel Bandeira, Beatriz Alcântara, entre outros. Há também os clássicos Shakespeare, Cervantes, entre outros. Temos, também, grandes autores no Ceará, nas mais diversas áreas e gosto de lê-los, comentar-lhes na coluna semanal que escrevo no "Correio da Semana". No momento estou iniciando a leitura de “Estado, Constituição e Instituições Políticas”, do meu ex-professor Filomeno Moraes. Muito interessante não só para nós do Direito, mas, para o cidadão que precisa estar sempre consciente dos seus direitos, pois, os deveres nos são apresentados sempre.

 

7. Um aprendizado importante do período de distanciamento social.

Eu penso que muitas pessoas se julgam (julgavam) verdadeiramente imortais, importantes etc. Essa pandemia nos acendeu um alerta, nos mostrou nossa fragilidade. O distanciamento social foi uma grande necessidade e até penso que está sendo. Mas, ele nos ensinou a valorizar pequenas coisas, como ir a um cinema, tomar um sorvete ou conversar com amigos. Isso fez e faz muita falta. Acredito que ao final de tudo isso sairemos melhores do que fomos, do que somos.

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Um entusiasta da

área financeira
Por Kelly Garcia

Engenheiro civil e de segurança do trabalho por formação, Geldo Machado  optou pela área financeira onde por longos anos atuou na Instituição bancária Bancesa, de propriedade de sua família. Atualmente, é empresário respeitado do setor de Fomento Comercial, tendo fundado várias empresas da área financeira, e onde segue atuando fortemente. Nos últimos 4 anos permanece como Presidente da Instituição SINFAC CE PI MA RN, representante do setor de Fomento no Nordeste. Adepto de atividades físicas, Geldo possui uma rotina movimentada. Casado com Beatriz Esteves, pai de Isabela e Mirela Machado e  avô dedicado de Mateus, Beatrice, Anita e Laura, há mais de 10 anos frequenta e faz parte do Conselho deliberativo do Ideal Clube. Conheça mais sobre ele no nosso perfil.

1.Você é um dos grandes empresários da área financeira, inclusive se mantém à frente da Sinfac que agrega o Ceará e mais três Estados do Nordeste. Por que optou por essa área, tendo formação em Engenharia?

Logo após a minha formação em engenharia, abri minha própria construtora, porém continuei a trabalhar na área de engenharia do Banco Bancesa, onde, em seguida, fui convidado a fazer parte da diretoria comercial da instituição. E percebi que minha vocação seria a área financeira.

 

2. Sua família foi uma das grandes empreendedoras na área bancária, com a fundação do Bancesa, com atuação nos anos 1970, 1980 e 1990. Qual o principal aprendizado dessa época e desse negócio?

Sim, minha família foi bastante atuante na área bancária com a Fundação do Bancesa, como também nas áreas comercial e industrial, tendo forte atuação em quase todo o País. Como diretor estatutário do Bancesa e residindo em São Paulo, o maior centro financeiro do país, tive inúmeros aprendizados que hoje influenciam na minha visão como empresário e líder classista.

 

3. Como o segmento de fomento foi atingido com a pandemia? Quais foram as estratégias para superar esse momento de crise?

Com a pandemia e, naturalmente, a paralisação quase que total das indústrias e comércio, tivemos uma redução expressiva em nossas operações, demandas de solicitações de prorrogações e aumento considerável nos índices de inadimplência. Como presidente à frente do sindicato representante dessas empresas, trabalhamos no apoio e orientação aos empresários do setor, na revisão de taxas cobradas, prazos maiores e acordos com os clientes. Sempre atento às mudanças e movimentações da economia. 

 

4. Com uma rotina tão corrida, como você alia exercícios para manter uma vida saudável? 

 Início o dia com uma caminhada ou exercícios na academia do condomínio onde resido, o que me deixa disposto para enfrentar as atividades do dia a dia, conciliando com uma alimentação saudável e uma regular rotina de sono.

 

5. O que faz nas horas vagas?

Frequento o Ideal Clube e, regulamente, vou à praia, adoro conhecer bons restaurantes. Sempre que possível, gosto de viajar e reunir a família e amigos.

 

6. O que mudou na sua vida depois do nascimento dos netos?

 Sinto-me agraciado por este presente dado a mim e minha esposa por nossas queridas filhas, e sempre que possível estou presente na vida deles, em momentos de diversão e em rotinas escolares. E com o desejo de repassar a eles ensinamentos de vida e valores, para que se tornem homens e mulheres de bem.

7. A pandemia veio para trazer alguns aprendizados difíceis.  Qual a principal lição que ela te ensinou?

A pandemia trouxe em todos os seus aspectos grandes aprendizados, pudemos enxergar o real valor da vida, o valor das coisas mais simples, dos pequenos momentos, a importância de cada seguimento em nossa sociedade e o papel mais que fundamental da ciência.
Sempre com fé e independente da crença de cada um a esperança na superação desse momento tão difícil ao mundo.

 

8. Você é bem atuante na diretoria do Ideal Clube. Quais são os seus projetos para o clube nesse ano de 2022?

Fiz do Ideal Clube minha segunda casa, onde frequento há quase 40 anos assiduamente, e sinto-me privilegiado em fazer parte do Conselho, muito bem presidido pelo competente amigo Alcimor Rocha, tendo na presidência executiva o experiente amigo Amarilio Cavalcante. Para o ano de 2022, temos o objetivo de dinamizar ainda mais o clube, com grandes inovações que beneficiem a todos os associados.

 

9. Nos indique um filme, uma série e um livro.

Filme: O Caso Collini 
Série: The Crown
Tendo em vista meu interesse no setor, minhas leituras seguem artigos, livros e notícias de área econômica. No momento, concluo o livro " ESC - Empresa simples de Crédito" de Antonio Carlos Donini.

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O desafio de empreender na escrita
Por Kelly Garcia

Nossa entrevistada da semana é a escritora, professora, pesquisadora e editora Angélica Sampaio. Graduada em Letras e especialista em Literatura pela Universidade Estadual do Ceará, também é mestranda no Mestrado Interdisciplinar em História e Letras pela UECE/FECLESC. Participa ativamente de várias academias e associações literárias, como a Associação de Escritores e Jornalistas do Ceará (AJEB). É membro efetiva das arcádias: Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, Academia Quixadaense de Letras, Academia Fortalezense de Letras, Academia Internacional Brasileira de Letras. Integra o Grupo de Pesquisas em Linguística Aplicada PRAETECE (Práticas de Edição de Textos do Estado do Ceará). São suas obras publicadas: Êxtase (poesia 1998); Iraguacy, Índia do Sertão (romance 2001); Os olhos não veem, o coração sente (romance 2011); Amigos de Verdade (conto infantil 2012); Olhos para Mariella (romance 2014); O Cajueiro (conto infantil 2016), Poema-Luz (poesia 2018), Um amor, um café, uma crônica, por favor (crônicas 2020) e Contos Escolhidos (2020 - coautora). Vem conhecer com a gente os bastidores da escrita.

1. Como a escrita se tornou um caminho para você? Você sempre gostou de criar histórias?  

A escrita faz parte da minha vida desde a minha infância, quando, a partir dos 10 anos, já escrevia contos usando animais para representar situações, entre elas, o nascimento da minha primeira sobrinha. E também por influência da escritora quixadaense Rachel de Queiroz, que sempre foi um ícone para mim, pois minha avó materna adotiva - Maria Angélica de Queiroz (prima de Rachel) gostava de contar histórias sobre ela. Aquilo foi povoando o meu imaginário literário a ponto de já dizer, desde pequena, que seria escritora.  

 

2. E como surgiu a ideia de empreender com a Editora Sol Literário?  

Surgiu em 2012, a partir do momento que percebi que meus livros eram amplamente adotados em escolas no Ceará, no interior do Estado e até em outros Estados do País. Isso foi primordial para que o meu fazer literário fosse visto de fato por mim como um negócio - e que a melhor pessoa para administrá-lo seria eu. A partir daí, todas as edições dos meus livros passaram a ser feitas por mim, como: revisão, escolha da capa, layout, escolha das cores, tipo de papel, entre outros detalhes. Para isso, eu passei a observar o mercado editorial com outro olhar, não apenas como autora, mas como editora, como mulher empreendedora. O nome foi uma referência a dar luz a uma ideia, um produto cultural na Terra do Sol - Fortaleza. Em 2018, recebi proposta para editorar livros de outros autores e aceitei. Mas como a proposta da editora era mais voltada para a minha produção literária, faço sempre questão de avaliar o material que edito. A proposta é priorizar a qualidade e não a quantidade de livros editados por mim.  


3. Em qual gênero literário você se sente mais criativa? Poesia? Conto? Crônica? Romance?  

Eu iniciei com o gênero literário poesia. Quando conheci Rachel de Queiroz em 1998, ano que publiquei meu primeiro livro “Êxtase”, ela lançou o desafio de eu produzir uma romance. Então, escrevi “Iraguacy, Índia do sertão”, que foi lançado em 2001. E permaneci nesse gênero por longos anos. Depois, publiquei em 2012 e 2016, dois contos infantis “Amigos de Verdade” e “O Cajueiro”, respectivamente. Em 2020, publiquei dois livros em gêneros novos: crônica e contos. E surgiram “Um amor, um café, uma crônica, por favor!” e “Contos Escolhidos” (em coautoria com a escritora Grecianny Cordeiro). Portanto, eu consigo voltejar por todos os gêneros sem dificuldades. E prefiro assim, pois percebo que a evolução do escritor está em permear outros modos de escrita e aperfeiçoar os que já domina. Para isso, estudo, me aperfeiçoo, faço pesquisas para construir meus personagens e obras.  

 

4. Além de escritora e editora, você também é professora. Como faz para conciliar tudo? Tem uma rotina de escrita?
E ainda ingressei no Mestrado Interdisciplinar em História e Letras (UECE). Consigo sim administrar tudo, mas é necessária muita disciplina, compromisso e determinação. Quanto à escrita, prefiro primeiro sentir a inspiração e, apenas depois, vou escrevendo. Não costumo delimitar horários, mas momentos que priorizo para a escrita. Tem dado muito certo!  

 

5. Qual o diferencial hoje do seu curso Mais Português? São quantas aulas? Já beneficiou quantos alunos?

Atualmente, o curso Mais Português atende alunos que desejam alto desempenho escolar ou pessoal. Os cursos de Português, Redação e Interpretação Textual ocorrem uma vez por semana  tanto na modalidade presencial ou on-line. Já passaram por nós inúmeros alunos das mais diversas escolas. 
Também realizamos aulas de Análise Literária de obras dos mais variados gêneros e autores, especialmente para o público juvenil. O objetivo é fomentar o gosto pela literatura e o hábito da leitura. Iniciamos nossas atividades em 2019 e, apesar de ser um novo curso na cidade, alcançamos bons resultados. Em seguida, veio a pandemia e uma nova forma de ensinar, por meio das tecnologias digitais, precisou ser posta em prática por nós. Mesmo com todos os desafios, permanecemos atendendo nossos alunos com profissionalismo e dedicação. Ensinar também é um ato de aprendizado, portanto, para ensinarmos durante a pandemia (e no dia a dia) foi e é um ato de aprender também para oferecermos sempre o melhor.

6. E sobre o terceiro livro da série sobre Mariella, como estão os trabalhos? Sabemos que tem sido um sucesso de vendas entre os adolescentes.

Sobre o volume 3 da Trilogia Sonhos de Mariella, não posso antecipar muito porque colocaria o sigilo e o caráter de ineditismo da obra em questão. Meus queridos leitores e apreciadores terão que aguardar um pouquinho mais. Mas posso antecipar que o contexto será bem contemporâneo, como também foram Os olhos não veem, o coração sente 5ª edição (vol. 1) e Olhos para Mariella 4ª edição  (vol. 2). Ambos acabaram de ter atualizações e adequadas ao contexto do público, pois é necessário sempre melhorar o que já está bom para garantir que as obras não fiquem desatualizadas. Não se trata apenas de uma capa nova ou nova cor, mas a melhoria em todos os aspectos literários para que chegue ao leitor sempre o melhor. Quanto a esses livros são dois queridinhos adotados em várias escolas da capital ao interior do Ceará. E, é claro, eles já alçaram novos horizontes e são adotados em São Paulo. É a literatura do Nordeste conquistando o Sudeste do país. Isso me deixa muito realizada, com a sensação de reconhecimento não apenas no meu Estado, mas também em outros. Minhas outras obras também são adotadas em outros Estados. Mas esses dois têm tido uma excelente repercussão. Creio que as temáticas da minha literatura infantojuvenil em que adolescentes são protagonistas faz com que eles se sintam representados e dentro do enredo. Além disso, problemas típicos dessa fase são inseridos de modo bem realista, mas ao mesmo tempo, com sensibilidade e afeto.

 

7. Qual o seu escritor preferido? Qual livro mais te marcou? 

Tenho vários escritores preferidos desde a minha infância até hoje, entre eles: Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Graciliano Ramos, José de Alencar, Fernando Pessoa, Mia Couto, Marta Medeiros, Carpinejar, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Edgar Alan Poe, Victor Hugo, Florbela Espanca, Franz Kafka, entre outros. (Rsrsrs) Vou parar por aqui... O livro que mais me marcou foi aos 10 anos: “O Pequeno Príncipe” de Antonie Exupèry. 

 

6. Como você avalia o mercado literário cearense?  

Atualmente, bem diversificado ao tocante do número de editoras independentes, assim como a minha e que, geralmente, são criadas por autores e pela necessidade de cuidar de sua produção literária pessoal e depois se expandem para cuidar da produção de outros autores. Vejo, apesar da pandemia, que muitos autores novos surgiram e passaram a buscar pequenas ou grandes editoras para publicar seus materiais. Apesar da crise da ameaça da taxação do imposto sobre o livro, muitos têm buscado lutar para que isso não se oficialize, o que acarretaria uma crise no mercado editorial, exponencialmente, para os pequenos editores e autores independentes. Sinto falta de mais livrarias em nossa cidade, assim como no país como num todo. Quem dera tivéssemos mais livrarias em cada esquina do que farmácias.  

 

7. Quais os seus hobbies?  

Viajar, caminhar ao ar livre, contemplar o pôr do sol, caminhar pela praia, fazer meus quitutes (adoro fazer bolos caseiros, antepastos...).  

 

8. Você gosta de viajar? Qual o lugar mais lindo que já visitou?  

Amo viajar (ô saudade). E percorro longas distâncias dirigindo. Mas também gosto de pegar avião. São tantos lugares lindos que já fui e ainda irei que nem sei qual me marcou mais. Porque a pessoa que chega a um lugar não é a mesma que volta. Creio que a Chapada Diamantina me marcou muito.

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Literatura para realizar sonhos
Por Kelly Garcia

Nossa entrevistada da semana é a escritora Vanessa Passos. Professora de escrita criativa, doutora em Literatura e produtora cultural, teve textos vencedores em diversos concursos literários e participação em várias antologias. É autora dos livros Manual de estilo e criação literária com a artesã Lygia Bojunga (2018), Fábrica de histórias (2019), A mulher mais amada do mundo (2020). Em agosto de 2021, lançou seu primeiro romance, A filha primitiva, finalista do Prêmio Kindle de Literatura. É também idealizadora do Programa Formação de Escritores e fundadora do canal do YouTube Pintura das Palavras, criou o curso 321escreva (curso online de escrita), que terá nova turma em fevereiro, dá consultoria literária. O Pintura das Palavras hoje já alcança mais de 13 mil pessoas nas redes sociais, entre aspirantes a escritores. Confira um pouco de sua trajetória no nosso perfil semanal.

Você é uma autora que tem se destacado bastante na cena literária, principalmente pelos seus textos premiados e o seu curso de escrita criativa, o 321 Escreva, com vários livros publicados, entre os seus alunos. Como você decidiu empreender na escrita?  

Decidi isso há mais de 10 anos, em 2010, pouco tempo depois que entrei no Curso de Letras. Eu participei de uma disciplina chamada Laboratório de Criação Literária. Naquele momento, eu descobri que poderia unir duas paixões: o ensino e a escrita. A partir daí, comecei a me preparar para este objetivo que eu sabia que seria a longo prazo. Fiz diversos cursos, oficinas e formações, além do mestrado em Literatura. Então, em 2018, quando ingressei no Doutorado em Literatura, decidi que era o momento de colocar o meu projeto em ação e o método que desenvolvi. Assim, comecei com as oficinas e cursos de escrita criativa presenciais, que passaram a ser online, com o objetivo alcançar e ajudar o maior número de pessoas a terminar, publicar e vender seu livro. Tenho alunos de todos os lugares do Brasil e também de fora do País.  

 

Além de estar na sétima turma desse curso, iniciativa sua, você ainda encontra tempo para escrever seus próprios livros. Nos fale um pouco sobre as suas publicações recentes, o livro de contos " A mulher mais amada do mundo" e o romance " A filha primitiva", disponível na Amazon e finalista do Prêmio Kindle de Literatura.

São livros que conversam entre si. Ambos têm personagens femininas como personagens centrais. A essência das histórias é trabalhar a complexidade dessas mulheres - suas existências, passados, feridas, dores e segredos que guardam. O que eu comecei com "A mulher mais amada do mundo", se consolida no romance "A filha primitiva", obra que não só tem emocionado os leitores, como também a crítica literária, tendo o feedback de grandes escritoras e escritores da literatura contemporânea: Carola Saavedra, Paulo Scott, Sérgio Tavares, Andrea Del Fuego e Giovana Madalosso.  

 

Antes de ser escritora e professora de escrita criativa, você foi professora concursada da rede pública de ensino, e concluiu o seu doutorado em Literatura. No que isso contribuiu para a sua trajetória literária? Você pensou muito antes de deixar um emprego público para investir na escrita e no empreendedorismo?  

Tudo o que vivi até aqui me ensinou muito. A experiência como professora concursada da rede pública me ajudou a lidar com as situações mais adversas possíveis, além de sempre me exigir uma busca constante por soluções de dificuldades ligadas ao aprendizado. Foi uma experiência de estar no campo de batalha, de sair constantemente da zona de conforto e de me exigir ação. Já o Doutorado contribuiu de forma significativa com o conhecimento teórico e a pesquisa sobre processos de criação literária. Li e escrevi muito durante toda minha trajetória acadêmica. Acredito que teoria sem prática não funciona e vice-versa. Portanto, as duas experiências foram essenciais para minha jornada com o ensino de escrita criativa.  

 

Como você faz para dar conta de tantas atividades? Se considera uma pessoa organizada?  

Definir minhas prioridades. Estou longe de dar conta de tudo. Mas sei o que essencial,  o que não abro mão. Sendo assim, prezo pela organização e disciplina. Digo não para aquilo que não é prioridade, delego tarefas, mantenho um planner e calendário com compromissos semanais que organizo e revejo com frequência. Além disso, faço um acompanhamento de perto dessas atividades. Como tenho muitos compromissos, me organizo para, a cada três meses, tirar um momento de descanso e férias com a família para recarregar as baterias.  

 

De onde você tira inspiração para a sua escrita?  

De tudo. Costumo dizer que o cotidiano é um solo fértil para a ficção. Eu me inspiro numa imagem, pintura, conversa, memórias, no que leio e, sobretudo, nas pessoas. Afinal, escrever Literatura é também escrever sobre a condição humana.  

 

Você tem alguma rotina de escrita? Um horário específico?  

Não tenho um horário definido, porque depende da rotina e compromissos semanais. No entanto, me considero uma pessoa diurna, por isso prefiro escrever pela manhã. Gosto de acordar cedo, às 3 ou 4 horas da manhã (enquanto todos estão dormindo) para escrever e revisar meus textos.  
 
Quais são as suas principais influências como escritora?  

Certamente, minha maior influência tem sido escritoras contemporâneas. Por essa razão, criei o Clube de Leitura Autoras Vivas para compartilhar essa experiência de leitura e discussão com outras pessoas. Tenho um espaço na estante para essas leituras que recorro constantemente, sempre lendo e relendo. Não canso de mencionar os nomes: Carola Saavedra, Giovana Madalosso, Natalia Timerman e Andrea Del Fuego. São muitas: há ainda Renata Belmonte, Monique Malcher, Sheyla Smanioto. Leiam!  


Você é criadora de um clube de leitura que só visita obras de autoras vivas. Como surgiu essa ideia?  

Surgiu do meu lema: "não precisamos morrer para sermos lidas". A literatura contemporânea produzida por mulheres é muito rica e potente, merece ser lida por todos. Como produtora cultural, quis contribuir para que esta literatura cada vez mais ganhe espaço no mercado editorial.  

 

Alguém já chegou a te desestimular na escrita? Dizer que não tinha talento?  

Sim. Já ouvi que ninguém lê, que não vale a pena escrever no Brasil, que não dá dinheiro e diversas outras coisas. Além disso, já fui criticada pelo mesmo motivo pelo qual sou elogiada pelos leitores e pela crítica hoje - pela minha escrita crua, uma linguagem forte, sem rodeios e que nocauteia quem lê.  

 

O que o novo curso 321 escreva vai oferecer para os alunos?  Hoje, são quantos alunos sendo acompanhados?

O curso 321 Escreva ele está sempre se atualizando na busca de acompanhar melhor alunos e alunas nessa jornada da escrita à publicação, ajudando a finalmente terminar e publicar o seu livro.  Nesse novo formato, o curso já tem se ampliado muito porque nós temos plantão de dúvidas semanal ao vivo, toda segunda e temos um aulão mensal no último sábado do mês. O objetivo agora é semestralmente ter uma imersão com todos os alunos que já publicaram seus livros, pra dar um acompanhamento desse pós, de fato, dessa trajetória e carreira literária. Uma outra coisa é que o curso são seis cursos em um, mas durante essa trajetória de acompanhamento, eu decidi que havia necessidade de um sétimo curso. Esse sétimo curso vai falar de financiamento coletivo e crowfunding, com ter 40 aulas. Ainda estão sendo gravadas, mas serão disponibilizadas pouco a pouco, já nessa nova turma do curso 321 escreva. Quanto ao acompanhamento, de publicação, não sei te dizer o número ao certo, mas foram dezenas de livros, de diversas maneiras, seja por editora, por publicação independente na Amazon, por financiamento coletivo. Atualmente, o curso, eu já acompanhei muitos alunos, porque minha trajetória começou ainda no presencial, então já tinha essa experiência e depois migrei para o online. O 321 escreva tem em torno de 200 alunos.

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Um visionário com tino para os negócios

Por Kelly Garcia

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Nesse domingo de janeiro, revisitamos uma de nossas entrevistas mais vistas. Com o grande empresário Deusmar Queirós, fundador das Farmácias Pague Menos. Nascido em 1947, na cidade de Amontada, interior cearense, deu seus primeiros passos de empreendedor logo aos oito anos de idade, ajudando o pai na Mercearia Santo Antônio. Formado em Economia, pela Universidade Federal do Ceará, com especialização em Mercado de Capitais pela Graduate School of Business Administration – New York – USA e Terceirização e Modernização de Negócios pela University of Central Flórida – USA, Deusmar iniciou a carreira de professor na Universidade de Fortaleza (Unifor), nas cadeiras de Mercado de Capitais, Microeconomia e Macroeconomia, até chegar à coordenação do curso de Economia. Em maio de 1981, com espírito empreendedor aguçado, inaugurou a primeira loja Pague Menos, em Fortaleza. Conquistou o Nordeste, avançou pelo Sul, Sudeste e Centro-Oeste e hoje conta com mais de 20 mil colaboradores e mais de 1.100 pontos de venda. É a única varejista a estar presente em todos os Estados e no Distrito Federal. Conheça um pouco dessa trajetória de sucesso na nossa entrevista.

Você é filho de "bodegueiro" e desde a infância teve contato com o comércio, inclusive no atendimento ao cliente, desde muito novo. Como percebeu que queria trabalhar com isso?

Sinto uma enorme gratidão a duas pessoas que foram a base de tudo que sou hoje, os meus pais. Minha mãe, Madalena, foi importante na minha formação como pessoa, seja na parte religiosa, no respeito aos semelhantes ou no desejo de vencer na vida. E ao meu pai, Antônio Lisboa de Queirós, grande baluarte, empreendedor, formador e  exemplo de trabalho, com quem aprendi a arte de comercializar desde cedo, pois nasci numa mercearia ou bodega, como a chamavam naquela época. Digo que já nasci comerciante. Eu queria trabalhar em uma empresa grande, mas não para fazer carreira como empregado. Meu objetivo era ganhar experiência e um dia ser dono do meu próprio negócio.

 

Sua família é de São Bento de Amontada, mas se mudou pra Fortaleza em meados dos anos 1950. Que lembranças você guarda da cidade? Sempre voltava lá nas férias?

A minha infância foi numa casa de comércio no pequeno município de São Bento de Amontada, no interior do Ceará. Era uma escola, ou melhor, uma universidade da vida, meu pai tinha uma mercearia e lá se comercializava de tudo. Preocupados, já naquela época, com a educação dos filhos, meus pais, em 1955, vieram morar em Fortaleza e continuando com as atividades de comércio, instalam a Mercearia Santo Antônio, no populoso bairro de Antônio Bezerra e lá continuei com meu aprendizado de comerciante e empreendedor, estudando e trabalhando.

 

Na Mercearia Santo Antônio, no Antônio Bezerra, vocês vendiam de tudo ou só alimentos? A família toda se envolvia no negócio? Como era a dinâmica da pequena empresa?

Na mercearia se comercializava de tudo: cabresto, cangalha, peixeira, urupema, pilão, candeeiro, cabaço e armador. Enxadeco, amolador, alpercata, chicote, landuá, arataca, bisaco e alguidar. Pé de cabra, chocalho, dobradiça, meia dúzia de frasco de confeito, querosene, cartelas de Gillete, brilhantina e canivete. Sabonete, batom, balança Filizola com seus dois pratos e pesos reluzentes para pesar feijão, milho, arroz, açúcar, farinha, farinha d´água e goma. Uma vitrine de pão doce, broa, bolacha de pacote, manteiga de latão, carne de charque, tinha cachaça e conhaque São João da Barra, rapadura, quebra queixo e mariola. Uma rodilha de fumo dando um bote e até parafuso de cabo de serrote.

 

Antes de fundar a maior rede de farmácias do Brasil, você trabalhou com investimentos na bolsa, inclusive fazendo capacitações fora do país e atuando na Universidade. O que você mais gosta no mercado financeiro? É verdade que é muito empolgante?

Me dediquei integralmente ao Mercado de Capitais, e, após montar o Departamento de Operações da Bolsa de Valores Regional, criei a minha primeira empresa, em 1977, a Pax Corretora de Valores. Quatro anos depois, no final da década de 70, havia conquistado um patrimônio de um milhão de dólares. Houve um nicho de mercado em que acreditamos e devotamos muito suor e esforço para alcançar a dianteira nesse Mercado. Eram os Leilões da carteira de títulos do FINOR, administrada pelo Banco do Nordeste. Fizemo-nos presentes em todos os 100(cem) primeiros leilões, o que nos deu a liderança.Em 1981, com o sangue de comerciante correndo em minhas veias, fundei a Pague Menos. Não abandonei a Pax Corretora, passei então a ter duas paixões e teve início o grande sonho da minha vida empresarial. 


O que deu o start para que você resolvesse empreender no ramo das farmácias? Qual era o seu modelo de negócio?

Enquanto trabalhava no mercado financeiro, passei duas temporadas fazendo cursos nos Estados Unidos, onde conheci as drugstores americanas. Fiquei encantado com a diversidade de produtos, elas vendiam de tudo até salgadinho, era bem diferente das farmácias do Brasil, que só vendiam remédios e poucos artigos de perfumaria. A grande diversificação das drugstores permitia vender remédio a um preço baixo, porque o lucro menor dos medicamentos era compensado com margens melhores nos demais produtos. Achei o sistema muito interessante e comecei a pensar em como adaptá-lo ao Brasil. Ter uma farmácia me pareceu ótimo. Todo mundo precisa de remédio, além disso, eu simpatizava com a ideia de lidar com comércio, porque era um tipo de negócio mais parecido com a mercearia que eu tinha quando criança. 

Como é a sua rotina de trabalho hoje? Acorda muito cedo pra ir pra empresa? Faz exercícios? Cuida da alimentação?

Acordo sempre antes das 7h, às vezes caminho na praia, mas não mantenho uma prática habitual de exercícios. Cada ano me sinto com mais disposição e saúde. Todos os dias, quando saio para o trabalho, despeço-me da minha esposa dizendo: “tô indo pra festa” e quero continuar indo para essa festa todos os dias.

 

Hoje, todos os seus filhos trabalham com você na Pague Menos. Como você fez para identificar os talentos de cada um e encaminhar para o setor mais adequado dentro da empresa? 

A transição do comando da Pague Menos para a segunda geração foi bastante sólida e eficaz. Preparei meus quatro filhos desde crianças, metade das férias eles passavam dentro da Pague Menos. Hoje, Mário é o CEO; Patriciana é a presidente do Conselho de Administração; Carlos Queirós, CEO da Biomátika, e junto com Rosilandia são membros do Conselho de Administração. O maior legado que eu quero deixar pra eles é o meu trabalho, encaro os desafios com a mente positiva. Trabalho duro. Faço com prazer. Respeito o tempo da minha família. Sempre tive como companhias a perseverança, a ousadia e a coragem de buscar novos ensinamentos, novos horizontes, além de uma fé inabalável em Deus e Sua proteção. Para mim, o melhor ano está sempre por vir.

 

Como faz para se manter sempre atualizado nos negócios? 

Leio jornais e participo de várias entidades de classe como Abrafarma, onde sou vice-presidente do Conselho, do IDV, IBEF, CDL, etc.

Recentemente, vocês abriram a Pague Menos para a Bolsa de Valores. Por que decidiram dar esse grande passo?

Após quase 40 anos de inaugurar a primeira Pague Menos, realizei um grande sonho, o lançamento das ações da Pague Menos na Bolsa de Valores, B3, no dia 02 de setembro de 2020. Esse sonho é fruto da realização de dois outros que já foram alcançados: o primeiro, construir uma grande empresa e o segundo, que ela fosse rentável. Me falta a realização do sonho maior, mas este não depende mais de mim e é atemporal, que é a perpetuação da Pague Menos, hoje entregue à segunda geração.

 

Quais os seus hobbys?

Investir e acompanhar o movimento nas bolsas de valores.

Nos indique uma série, um filme e um livro.

Série: Yellowstone (Paramount). Filme: Encontro Marcado (1998) Livro- Comece pelo porquê (Simon Sinek)

 

Você tem algum santo de devoção? Como cultiva a espiritualidade?

São Francisco, meu padrinho. Rezo um terço todos os dias.

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Uma brincadeira de menino que se transformou em profissão.

Por Kelly Garcia

Nosso entrevistado desse domingo, Vando Figueirêdo, é um dos artistas plásticos mais requisitados de Fortaleza. Integrando exposições em várias partes do  Brasil e no exterior.  Desenhista, pintor, gravador e escultor. Iniciou sua trajetória de sucesso em 1988, no 8° Salão da Unifor Plástica, em Fortaleza, por conselho de sua mãe, que conhecia bem os talentos do filho. Foram doze anos se dividindo entre a carreira de empresário e a arte, até que no ano 2000, passou a viver somente da pintura. 

Diplomado em desenho e pintura, através de curso ministrado por Raul de La Nuez, mestre licenciado pelo Instituto Superior de Arte de Havana-Cuba. No exterior, Vando já expôs no Chile, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Italia, Dinamarca e Polônia. Em 2010, participou do 18º Internacional Workshop – Forenigen Kulturremisem, em Brande – Dinamarca. Em 2013, 2014, 2015, 2017, e 2019, esteve no Workshop Visual and Artísts Meeting in Marianowo - Polônia. Em 2018, participa do 2° SIAC – Simpósio de Arte Contemporânea de Guarda, em Portugal. Conta com obras em acervos de museus e em coleções públicas e privadas no Brasil e exterior. Conheça mais sobre esse artista através da nossa entrevista.

Você é extremamente conhecido por suas obras, seja no Ceará, no Brasil ou mesmo fora do país. Como o universo das artes chegou até você?

A arte aconteceu comigo ainda durante a minha infância e essa atividade me proporcionava um grande prazer. Para mim, era um entretenimento maravilhoso. Dessa forma, paralelamente às minhas outras atividades profissionais, segui despretensiosamente fazendo arte, até que, por conselho da minha mãe resolvi apresentar alguns trabalhos no 8° Salão da Unifor Plástica, que aconteceu no ano de 1988. Para minha surpresa, minhas obras foram aceitas e começa, oficialmente, a minha carreira.

 

Você já trabalhou em outras áreas? Quais?

Antes de viver da arte, cedo comecei a trabalhar na empresa do meu pai. Casei jovem, cursei Administração de Empresas na UECE, fui estagiário da Caixa Econômica. Também trabalhei na área financeira na Poupança Créditos, na empresa Fininvest e no Grupo Ultralimpo. Em 1989, inicio como empresário na Hiper Segurança. Com essa empresa e outras, permaneci na atividade de prestação de serviços, até que a arte engole o empresário e em 2000, encerro as atividades e passo a dedicar-me e a viver exclusivamente da minha arte.

 

Como você escolhe os temas para seus quadros? Como é o seu processo criativo?

Gosto de trabalhar livremente, com exceção quando é encomenda. Nesses períodos, normalmente fico ligado aos desejos do cliente para melhor atendê-lo. Quanto aos temas, os mesmos surgem através da leitura é do fatos que acontecem  no nosso dia a dia. Não costumo me deter por muito tempo numa temática, com exceção das pinturas rupestres, pois é um dos motivos mais recorrentes na minha produção. Para o artista, os motivos estão à sua volta. Pode ser um objeto qualquer, uma rosa, uma figura humana, animal ou mineral. Se ele ver qualquer um desses com paixão, será uma grande fonte para desenvolver uma obra ou iniciar uma temática. Meu processo criativo inicia-se dentro de uma disciplina de diariamente ir para o atelier. Caso não tenha nada em mente, começo riscar ou pintar aleatoriamente, como se estivesse fazendo um aquecimento mental. Desse exercício, começam a surgir as ideias. Ou seja, acontece mais da transpiração do que esperar a inspiração chegar.     

 

Quais as principais peculiaridades do mercado de obras de arte? Como é a sua atuação?

O mercado de obras de arte tem um público restrito e é considerado, por muitas pessoas, como um bem supérfluo, infelizmente. Inicialmente, procurei colocar meu trabalho no mercado, através de respeitáveis galerias, participando de salões e feiras de arte nacionais e internacionais. Desse modo, consegui construir um bom currículo no decorrer da minha trajetória artística e com isso, respaldo minha obra com credibilidade, perante os galeristas e público consumidor.

Sua arte cosmopolita te levou a conhecer artistas e expor em muitos países. O público desses lugares é muito diferente do público brasileiro? Você acha que deveria haver um trabalho mais forte de formação de público para a arte em nosso país?

O público de arte é universal. Lá fora, os artistas também sofrem para colocar seus trabalhos no mercado. Viver de arte não é fácil em nenhum lugar do planeta. Mas claro que o público que consome arte lá fora é bem superior, em número, ao brasileiro. Entretanto, hoje, o nosso público é bem maior e melhor do que quando eu iniciei minha carreira, no fim dos anos 1980. Atualmente, o brasileiro de classe média viaja mais e, assim, passou a gostar mais de arte. É como no caso do vinho, que apesar de ser uma bebida relativamente cara, é bastante consumida por nós. Quanto ao trabalho de formação de público apreciador de arte, vejo que, nos últimos tempos, isso vem sendo feito pelas escolas infantis da rede pública e privada, pois é comum vermos grupos de pequenos alunos visitando exposições. Lembro de duas exposições que realizei em Fortaleza, uma no Espaço Cultural dos Correios e outra no Sesc Iracema. Dentro do meu projeto, proporcionei visitas de centenas de alunos a essas exposições e ainda recebi algumas homenagens dos alunos da educação infantil do Colégio Antares Iracema e Papicu, que fizeram uma interpretação da minha arte e também uma peça infantil, contando um pouco da minha história. Foi um momento de muita emoção! Assim, vejo que, aos poucos, Fortaleza está construindo seu público consumidor de arte, hoje representado pela nova geração.


O público de Fortaleza sabe valorizar a arte? Por que?

O público de Fortaleza valoriza, sim, a arte. É uma pena que isso fica restrito à uma pequena parcela da população. A outra parte deixa de consumir por questões financeiras ou mesmo por falta de vivência.

 

Quais os seus hobbys?

Meu maior hobby era pintar e desenhar, hoje, transformado em profissão. Hobbies atuais: curtir a família e, quando possível, viajar e bater papo com os amigos, degustando uns tintos.

 

Quais os lugares mais lindos e marcantes que conheceu no mundo?

Esse mundo de meu Deus é todo lindo! O Brasil é belíssimo e precisamos olhar para ele com mais carinho. Chile, charmoso. Portugal é belo! Tenho uma paixão de pais irmão. França, um sonho realizado. Inglaterra, bela. Espanha intensa, quero voltar mais vezes. Itália, totalmente bela. Dinamarca, outra Europa. Alemanha, (Berlim, cidade intensa e arte forte). USA, (Nova Iorque), capital do mundo . Polônia, belíssima e com um povo super amigável. Em Marianowo, pequeno lugarejo polonês em que já estive várias vezes, tenho recordações de bons momentos e de muita paz.

 

Nos indique um livro, uma série e um filme imperdíveis.

Um livro: Ensaio sobre a cegueira, do Saramago, que li recentemente para fazer uma obra para uma grande exposição na Italia, promovida pelo Festival Sete Sóis, Sete Luas, em homenagem ao escritor português. O livro lembra muito isso que estamos vivenciando. Intitulei a obra assim: O pior cego é o que não quer ver. A modelo foi a minha sogra, que faleceu em 2020, vítima do Covid-19. Um filme: O poderoso chefão, com Marlon Brando. Uma série: La Casa de Papel.

 

Qual a sua relação com a espiritualidade?

Sou cristão, de base católica. Acredito muito e sou temente a Deus.

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Uma entusiasta da harmonia e do belo na decoração de interiores

Por Kelly Garcia

Arquiteta de formação, designer de Interiores e empresária de sucesso à frente da loja de decoração Estofaria  Ambientação e Design, Cláudia Alexandre está sempre em movimento. Seja nos projetos profissionais, na família, nas atividades da igreja ou nos hobbys, a nossa entrevistada ama criar.

1. Como surgiu a ideia de empreender com mobiliário? Vocês têm quanto tempo de mercado? Como era o setor na  época? 

Queria muito trabalhar na minha profissão, fiz Design de Interiores e depois entrei como graduada em Arquitetura. Sentia  a necessidade de montar uma empresa que desse continuidade aos meus projetos de interiores e dos demais profissionais, como também que executasse com responsabilidade, excelência no acabamento e cumprimento dos prazos. Foi assim que há 14 anos fundei a Estofaria Ambientação e Design. Foi um sucesso quase imediato, já que o mercado era bastante deficitário nessa época.

 

2. Quando vocês começaram a atuar com design de estampas e reforma de móveis antigos? Quais são as suas inspirações? 

Dia a dia, fomos nos especializando de acordo com a demanda do mercado em reforma e fabricação sob medida de estofados, cortinas e colchas de cama. Atendemos a todos os estilos, desde os clássicos até os contemporâneos. Lógico que um ou outro nos desafiam mais. De acordo com a complexidade, às vezes acabam se tornando nossos "xodós", pois conseguimos através de um trabalho preciso e bem feito, resgatar toda uma história de família e a satisfação é bem maior. A ideia de lançarmos no mercado o serviço com estampas exclusivas deu-se a partir da parceria  @estofaria com o @bossaabessa , "ateliê de estampas" comandado pelas arquitetas Nathália Alexandre Ponte e Ticiane Lopes. A necessidade de criar e ousar faz parte da minha personalidade e aliado ao bom gosto dessa dupla incrível, decidi dar o start nesse segmento.

 

3. Quais são as inovações da Estofaria em comparação as outras lojas no mesmo segmento? Quais os planos para o futuro na empresa?

Um grande diferencial foi investir há oito anos em uma sede própria com infraestrutura confortável para nossos clientes, como também numa oficina com maquinário especializado e uma diversidade de tecidos e materiais em nosso estoque. Um outro detalhe importante é que eu, como Designer de Interiores disponibilizo aos clientes da Estofaria Ambientação e Design uma assessoria técnica, deixando-os bem mais seguros e satisfeitos.

4. Nos conte um sonho ainda não realizado profissionalmente e na vida pessoal?

Me considero uma pessoa totalmente realizada e feliz, quem me conhece sabe. Tenho Deus como fonte inspiradora na minha vida, sou esposa, mãe e recentemente vovó, tenho uma família grande e unida, cercada de muitos amigos e como profissional, adoro o que faço!

 

5. Qual seu hobby? 

Sempre gostei de trabalhos manuais. Não consigo ficar parada. Entre as minhas habilidades, posso destacar o desenho e a pintura, como também os bordados com pedrarias. Atualmente, estou começando aprender a tocar teclado. Tudo vale para aliviar o estresse, inclusive uma boa academia de ginástica. 

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6. Qual o lugar mais lindo que já visitou? E pra onde você volta pra sempre recarregar as energias?

Já viajei e conheci vários lugares inesquecíveis como Vancouver, Ilha de Vitória no Canadá, os Grandes Lagos Andinos, Las Vegas (a Disney dos adultos), Caribe, Ilhas Gregas e muito mais, mas como a Capadócia na Turquia e a Terra Santa em Israel não dá para comparar. Quando estou na terrinha meu local de refúgio e descanso é o nosso apto de praia na beira do mar.

 

7. Pra você, família é...

Família é a minha família, amo de paixão, às vezes digo que Deus é exagerado comigo.

 

8. Que conselho daria para quem pretende empreender com mobiliário e decoração?

Como em qualquer segmento, eu diria que para começar um novo negócio hoje, é preciso muita dedicação, planejamento e "pouco risco".

 

9. Você costuma viajar para outros Estados e para fora do País em busca de inspiração para suas peças?  Quais são as principais feiras que você acompanha?

Uma das coisas que me fez crescer profissionalmente foram os conhecimentos que adquiri nas viagens que fiz, não só em feiras de decoração e novos negócios, como também as pesquisas de mercado que aproveito para fazer, mesmo quando estou viajando a lazer.

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Arte como propósito de uma vida

Por Kelly Garcia

Dodora Guimarães Esmeraldo respira arte desde o início de sua trajetória profissional. Bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará, é também especialista  em Teorias da Comunicação e da Imagem pela mesma Universidade.
Trabalhou como redatora e diretora de RTVC em agências de publicidade de Fortaleza de 1974 a 1985. Criou, em parceria com Sérvulo Esmeraldo, a Xisto Colonna Edições de Arte, em 1982 e dirigiu a Arte Galeria, em Fortaleza-CE, entre 1983 e 1993, um dos espaços pioneiros voltados para difusão da arte contemporânea, através de exposições individuais, coletivas e temáticas, edições e publicações. 
Entre as exposições que participou como curadora mais recentemente, temos Sérvulo Esmeraldo: LUZ, Palácio da Abolição, Fortaleza, 2013. Foi curadora do Sobrado Dr. José Lourenço (Fortaleza), da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, entre 2007 e 2015. Co-autora do livro Ceará Feito a Mão – Artesanato e Arte Popular (Terra da Luz, 2001, Fortaleza). É também autora de diversos textos em catálogos, revistas, livros e outras publicações de Artes Visuais.  Desde 2013, preside o Instituto Sérvulo Esmeraldo, em Fortaleza, onde vive e trabalha. Conheça um pouco de sua história em nossa entrevista. 

Apesar de você trabalhar há várias décadas como curadora de arte, você é formada em Comunicação e iniciou sua trajetória profissional com publicidade. Como se deu essa mudança de área?

A publicidade é uma atividade criativa, sobretudo, na área que eu atuei - a criação. Devo dizer que a minha escolha de curso universitário e profissional já denota esta vontade de invenção, sempre tão presente na minha vida. Portanto, a passagem de uma atividade para outra se deu naturalmente. Digamos que eu apenas me aprofundei mais no mar da invenção, explorando com vigor o campo das artes plásticas e visuais. Evidentemente que o Sérvulo Esmeraldo tem papel importante nesta mudança. E sou muito agradecida a ele. Foi uma decisão acertada e que me abriu um novo horizonte. Tanto, que de um modo ou de outro, eu enveredaria pelas artes com absoluta certeza. Uma questão de vocação mesmo.
 
Sabemos da importância que o grande artista plástico Sérvulo Esmeraldo teve em sua trajetória, como companheiro e parceiro na vida e nas artes por tanto tempo. Como os seus caminhos se cruzaram?

Os nossos caminhos se cruzaram pelas vias da arte mesmo. Eu sempre falo que eu me apaixonei pela obra do Sérvulo antes de conhecê-lo. É verdade. A força e a singularidade do trabalho dele me encantaram. Eu sou fascinada pela inteligência humana. Claro que eu ia me apaixonar por ele. Era só eu cruzar com ele pra centelha raiar. Foi isso o que aconteceu. Nos unimos no nosso primeiro encontro. Fácil, não é?! Dali partimos para uma vida a dois, de trabalho, de companheirismo, de luta, de aventuras. De dias fáceis e de dias difíceis, como em todos os casamentos. Somos como as pedras que para se alinharem se desacomodam também. A vida tem sido muito generosa comigo. O privilégio de partilhar este planeta na companhia de um ser humano genial como o Sérvulo Esmeraldo foi uma dádiva.

 

Como é a atuação do Instituto Sérvulo Esmeraldo hoje? Quais são os projetos em andamento?

O Instituto Sérvulo Esmeraldo foi criado para preservar, difundir e trabalhar a obra do Sérvulo. Mas não só. Mas, também, pra fomentar e promover a arte contemporânea, contribuindo para o seu desenvolvimento, sobretudo em nosso Estado. Faz parte deste projeto o Festival Sérvulo Esmeraldo que realizamos no Crato, em parceria com a Universidade Regional do Cariri - URCA, o Instituto Cultural do Cariri - ICC e da Prefeitura Municipal do Crato, por meio da Secretaria da Cultura. 
Este projeto tem o apoio institucional da Secretaria da Cultura do Ceará (Lei do Mecenato) e os nossos agradecimento à Enel. Atualmente temos em curso o Projeto de Implantação do Acervo Documental de Sérvulo Esmeraldo, composto de mais de 10 mil documentos, entre projetos de esculturas e gravuras, pinturas, maquetes, matrizes de gravuras, fotografias, recortes de imprensa, correspondências, catálogos, a biblioteca, etc. Este trabalho tem o apoio da Secretaria Especial da Cultura e é patrocinado pela Cagece, Banco do Nordeste, Cegas e Ecofor Ambiental. É um trabalho de muita monta e que contém chaves importantes para a pesquisa e a compreensão da obra do Esmeraldo, sobretudo os trabalhos realizados antes e depois do seu período europeu. O Instituto Sérvulo Esmeraldo é um organismo cultural que contribuirá para a vida cultural de Fortaleza e do Brasil. 

Teremos exposições contínuas do Sérvulo, exibidas no seu espaço de trabalho, no seu atelier museológico. Nossa previsão é de que seja um espaço vivo e dinâmico. O Projeto do escritório Marcus Novais Arquitetos é de uma beleza e de uma simplicidade muito ao estilo do nosso artista inspirador. O Instituto Sérvulo Esmeraldo é uma janela para um mundo novo, que se Deus quiser surgirá depois dessa pandemia. Esperamos ter a atenção e a colaboração da cidade, das instituições públicas e privadas. A primavera há de chegar.  

 

Como você recebeu a notícia do tombamento da fazenda onde Sérvulo cresceu, o Sítio Bebida Nova?

Sobre o tombamento, recebemos com muita emoção e alegria. A preservação desta casa e sua paisagem era uma preocupação e um grande desejo do Sérvulo e de sua mãe, dona Zaira Cordeiro Esmeraldo. O tombamento como Patrimônio Cultural lhe protege e deve dar à casa e e ao seu entorno um uso cultural, artístico e ecológico muito interessante para aquela região tão pródiga em memória e tradição. O Festival Sérvulo Esmeraldo que realizamos no Crato, por meio do Instituto Sérvulo Esmeraldo, e que em 2022 entra na sua terceira edição, tem agora mais um motivo para o fomento da arte contemporânea no Cariri, sua bandeira maior.

 

Quais são as suas lembranças de lá e as que ele compartilhava com você?

O Instituto Sérvulo Esmeraldo executa com o apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e o patrocínio dao BNB, da Cagece, Cegás, Ecofor e e Marquise Ambiental o "Projeto de Implantação do Acervo Documental de Sérvulo Esmeraldo".
Este projeto é da maior importância para se conhecer a vida e a obra de Sérvulo Esmeraldo, de sua infância no Crato  à sua maturidade plena em Fortaleza. Nestes arquivos existem muitas e elucidativas informações sobre a Casa Grande da Bebida Nova e a temperança de Sérvulo no engenho; suas descobertas e aventuras artísticas desenvolvidas lá. Lembro da emoção de Sérvulo Esmeraldo na primeira visita que fizemos àquele local, estávamos com o crítico de arte e editor de cultura da Revista Veja, o amigo de saudosa memória Casimiro Xavier de Mendonça. Jamais tinha visto Sérvulo tão nervoso e tocado pelas lembranças. Ele tinha um amor profundo pela Bebida Nova, onde instalou o seu primeiro atelier e elaborou suas experiências iniciais no campo da gravura, da escultura, das joias e da arte cinética. Está tudo registrado neste Acervo Documental que trabalhamos no Instituto.

 

Como isso irá se refletir no trabalho do Instituto Sérvulo Esmeraldo? Vocês já planejam algo sobre isso para 2022?

Este tombamento tem um grande significado para O ISE, vamos trabalhar em conjunto com a Prefeitura Municipal do Crato, por meio da SECULT Crato, e com Governo do Estado do Ceará, por meio da SECULT CE, na formulação de um projeto para a Bebida Nova.

 

Você esteve na curadoria de muitos equipamentos importantes para a cultura do Estado, como o Memorial da Cultura Cearense, no Dragão do Mar e mais recentemente, do Sobrado Dr. José Lourenço. De que forma vê a repercussão e o impacto dessas mostras para o público do nosso Estado. Você nota alguma mudança no sentido da formação de plateia para a arte em Fortaleza e no Ceará como um todo?

Eu quero ressaltar aqui o papel desempenhado pela Arte Galeria em Fortaleza, nos anos 80, que no dizer de Gilmar de Carvalho, "foi um divisor de águas" na história da arte cearense. Pra começar, foi a primeira galeria voltada para a promoção da arte contemporânea no Ceará. No endereço da Rua Barão de Aracati 80, na Praia de Iracema, passaram alguns dos mais importantes artistas brasileiros, como Regina Silveira, Guto Lacaz, Alex Vallauri, Leonilson, Krajcberg, Leda Catunda, dentre outros. Lançamos artistas cearenses, fizemos edições memoráveis. Realizamos exposições monográficas, temáticas e retrospectivas ousadas, de muita qualidade.

A minha experiência na esfera pública foi importante, muito enriquecedora do ponto de vista profissional e humano.  Ampliei meu raio de interesse nas artes, me aproximando muito da arte popular, que vi como uma possibilidade para a valorização da arte cearense, de reconhecimento das matrizes da nossa cultura. E isso funcionar como ganho para as artes de modo geral. Criamos o Projeto Abolição, que apoiou intensamente a produção contemporânea. A ideia de ativação do Centro de Artes Visuais Raimundo Cela não vingou, posto que não tínhamos sequer uma sede onde pudéssemos realizar um programa de fomento e promoção. 
Tivemos, sim, dois salões de exposições muito bons no Palácio da Abolição, onde funcionava a Secretaria da Cultura do Estado. Por maior que fosse a boa vontade dos Secretários e equipes, atuávamos numa repartição pública, não havia espaço para um centro exclusivo de arte. Mesmo assim, no quesito exposições nos saímos bem, com a realização de boas exposições   .

No Palácio da Abolição realizamos a primeira exposição do artista Maciej Babinski no Ceará, em 1995. Atuamos também como exibidores de exposições itinerantes no País, por meio de parcerias com a Casa de Cultura Alemã, com consulados e instituições culturais. O trabalho de curadoria desenvolvido no Sobrado Dr. José Lourenço, entre 2007 e 2015 foi muito baseado nesta experiência vivida entre 1994 e 2006, no Centro Cultural do Abolição. Estruturamos o Sobrado para este ser o espaço da arte cearense, não da arte cearense ilhada, mas conectada às vertentes da contemporaneidade. A direção da Germana Vitoriano contribuiu muito para o êxito dos projetos ali desenvolvidos. O Memorial da Cultura Cearense, hoje Museu da Cultura Cearense, do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura foi inaugurado com a exposição Admiráveis Belezas do Ceará, ou o desabusado Mundo da Cultura do Ceará, mostra que me deu muita satisfação como curadora. Vou fazendo a minha parte, trabalhando duro e acreditando que contribuo para um mundo mais sensível aos valores humanos.

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Poesia para resignificar a existência

Por Kelly Garcia

Nosso entrevistado da semana é o escritor cearense finalista do prêmio Jabuti na categoria poesia, Diego Vinhas.
Diego  nasceu em Fortaleza em 1980, é defensor público e participou de antologias do Brasil, EUA e Portugal, além de ter publicado em diversas revistas, como Inimigo Rumor, CULT, Sibila, Escamando, Modo de Usar & Co, Oroboro, Gueto, Zunai, dentre outros. É autor dos livros de poemas Primeiro as Coisas Morrem (2004), Nenhum Nome Onde Morar (2014) e Corvos Contra a Noite (2020), todos pela editora 7 Letras (RJ).

1. A sua preferência pela arte escrita vem desde a infância? Como escolhia os livros nessa época? Qual mais te marcou?

As primeiras experiências aconteceram por volta dos 9, 10 anos de idade. Estas tentativas, embora obviamente não tivesse qualquer “valor literário”, ajudaram a maquinar, mesmo em uma mente infantil, o gosto pelo corte, pela montagem de um texto. Mas, ainda nestas memórias, o que me movia era, na verdade, a vontade de escrever letras de música, e não poemas, propriamente ditos. No início do gosto pela produção textual, a influência mais forte derivava menos dos livros e mais das letras das bandas de rock nacional que dominaram o fim de minha infância e começo da adolescência. O aprendizado do silêncio, do branco da página, veio um pouco mais tarde.

 

2. Sabemos que seus pais são cinéfilos assumidos. De certa forma, isso influenciou seu imaginário?

Com certeza, todo contato com a produção de arte durante um período tão sensível como a primeira infância acaba influenciando toda a formação afetiva de alguém, e este é meu caso, que desde muito criança lembro de ir ao cinema, ou de meus pais ouvirem muita música (neste caso, mais MPB) nas viagens de carro de fins de semana, por exemplo. Também tive a sorte de sempre ter acesso a peças de teatro e bibliotecas e livrarias, que me fascinavam, por seus ambientes, mesmo antes de aprender a ler.

 

3. O "Corvos contra a noite", seu livro mais recente, foi um dos finalistas na categoria poesia no mais importante prêmio literário brasileiro, o Jabuti. Essa foi a primeira vez que você inscreveu um trabalho? Como recebeu a notícia?

Esta foi a segunda vez que inscrevi um trabalho no Jabuti. Só não concorri com o livro “Primeiro as Coisas Morrem”, pelo fato de, na época, sendo a estreia, e na condição de então recém-formado, eu, ao mesmo não nutria qualquer expectativa de premiação e também ficava caro, financeiramente mesmo, custear a taxa de inscrição (algo que infelizmente é uma barreira, objetivamente falando, que deixa de fora muita gente). E, sobre a segunda questão, eu recebi com bastante surpresa, soube através de um amigo, que mandou uma mensagem no whatsapp. Como se pode imaginar, uma surpresa que trouxe alegria, por sentir alguma reverberação, alguma interlocução e receptividade, o que é sempre, acho, a razão de se trazer qualquer trabalho a público. Não que essa receptividade tenha que passar necessariamente pelo crivo de algum prêmio, claro. Mas, como disse, foi uma alegria. 

 

4. Além do "Corvos contra a noite", você também publicou outros dois livros de poesia, "Nenhum nome onde morar" e "Primeiro as coisas morrem", os três pela 7Letras. Como você vê a receptividade do público às poesias? 

A poesia, comercialmente falando, é provável que seja sempre um estilo marginal. Por mais que conte com alguns fenômenos de tiragem, são pontos fora da curva (e às vezes começam a vender mais pós-morte, mas isso é outra conversa). Por um lado, talvez efeito inevitável do fato de, por sua própria natureza, mostrar-se um dos gêneros naturalmente mais aptos à experimentação de linguagem. Mas a ausência de políticas públicas eficientes de acesso (estrutural, material, etc) à leitura e a meios de cultura em geral também responde, creio, por um parte de certo estigma de “difícil” que recai em geral sobre a poesia.

 

5. Como foi a experiência de editar uma revista de poesia como a Gazua e organizar uma antologia sobre Fortaleza? Vocês revelaram muitos talentos nessas publicações? Como é o contato com o leitor, nesse tipo de publicação?

A Gazua durou pouco, mas foi uma experiência que guardo com muito afeto. É importante destacar que a revista (ou fanzine, acho que até gosto mais de pensar assim) foi criada por Eduardo Jorge, Henrique Dídimo e Júlio Lira, três amigos queridos, poetas e artistas inquietos. Eles foram os editores do número zero, e eu fui convidado a integrar o grupo depois, como coeditor, no número um (totalizando só duas edições, o que acaba sendo quase uma tradição no nosso histórico de revistas literárias). Acho que o empenho em um projeto como este não parte da ideia de “revelar talentos”, mas sim de provocar a conversa, ou só de certa forma participar da conversa. E o contato com o público é quase sempre direto, pessoal. Até porque somos antes de tudo leitores, e isso se aplica a todos com quem mantivemos contato durante o tempo da Gazua. 
Sobre a antologia que organizei, ela se chama “Meio-dia: Alguma Poesia de Fortaleza” e foi lançada em 2009, em edição bilíngue (português/espanhol), pela editora VOX, de Bahía Blanca, Argentina, encabeçada por Gustavo López, um amigo querido e generoso. O projeto foi custeado com os recursos de um edital de cultura municipal, o que ajudou também para ampliar um pouco a distribuição.

 

6. Você também fez um projeto sobre poesia em parceria com o Banco do Nordeste. Nos conte como foi essa experiência.

Participei como editor do projeto “Poesia em Revista”, vinculado ao Banco do Nordeste, e que contava com os mesmos nomes da Gazua, ou seja, além de mim, Eduardo Jorge, Henrique Dídimo e Júlio Lira. Em um certo momento tive que me desligar porque precisava de mais tempo para conciliar, na época, a rotina de trabalho e estudos para concursos. Mas são amigos que mantenho com a mesma admiração, e com quem compartilho as boas lembranças daqueles dias. 

7. Como se inspira para escrever? E como alia a escrita com o seu trabalho como defensor público? Já aconteceu de passar por alguma situação no trabalho que inspirasse a sua escrita?

É sempre um processo, literalmente. As provocações, os impulsos (nem sempre conscientes) que eventualmente levam à escrita são fragmentos que estão em contínuo atrito, constante contato, embora os períodos de produção efetiva possam por vezes escassear.  Então, toda a experiência diária entra de algum modo no que escrevo, e isso inclui o ofício de defensor. E sim, em mais de uma década de exercício, já vivenciei diversas situações marcantes ou inusitadas, mas a forma como isso incorpora na minha produção acaba acontecendo talvez de forma mais sutil, menos intencional.

 

8. Tem alguma rotina de escrita? Pensa em escrever outros gêneros literários?

Meu processo é bem caótico, acho que sintoma de uma falta de disciplina que é um problema desde criança. Então acaba sendo comum alternar períodos de alguma intensidade de produção com outros de entressafra duradoura. Mas ainda guardo uma certa obsessão pelo artesanato formal, e por isso ajustes e cortes fazem parte de um outro processo em si mesmo, e que pode levar tempo. Sobre outros gêneros, tenho um projeto de narrativas curtas (minha escrita, por ser com frequência imagética, acaba sofrendo com falta de fôlego para formas mais longas). Mas não sei quando ficará pronto, se ficará.
 
9. Você vê alguma mudança nos leitores com a pandemia? No sentido de consumirem mais livros ou buscarem livros de autores independentes?

A frase foi bastante veiculada no último ano e meio, mas de fato a pandemia mostrou (não por bem, mas mostrou) que a vivência com a arte é parte indispensável da existência. Em tanto tempo de reclusão, um mundo sem música, cinema, literatura, etc., seria ainda muito mais inóspito. Isso pode ter trazido (e espero que sim, embora não ache justo falar em “lado bom” de uma tragédia pandêmica) alguns olhares para os livros, e, dentro disso, também para a produção dos selos e editoras independentes. Já sobre algum reflexo em aumento no consumo propriamente dito, não saberia dizer, mas mantenho certo ceticismo, mesmo que com base mais no fato de acompanhar as dificuldades de vários editores e editoras no meio, e que costumam aumentar em época de inflação econômica e carestia.

 

10. Quais são suas influências literárias?

Como disse em outra resposta, toda a experiência diária pode ser combustível para a escrita. Então as influências são bem fragmentadas, e mudam continuamente. A música continua influenciando, as artes visuais também, e, claro, a literatura, tanto em poesia quanto prosa. Gosto muito, só para citar dois exemplos, de nomes como Cesar Aira e Roberto Bolaño. 

 

11. Nos indique uma série, um filme e um livro.

Pela sintonia sombria com os tempos que vivemos, citarei Black Mirror e Laranja Mecânica como série e filme, respectivamente. E também para ficar com um contemporâneo e um clássico. Já um livro só seria honestamente impossível escolher.

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A arte que nasce do cotidiano e transborda em imagens, poesias e canções 

Por Kelly Garcia

Totonho Laprovítera é um artista múltiplo e um contador de causos por excelência. Além de seu bom humor, ainda brilha nas letras, na música e nas artes plásticas e como se não bastasse, ainda tem amplo destaque como arquiteto e urbanista. Nas artes visuais, fez-se notar desde 1974, tendo participado de muitas exposições em todo o país e mundo afora, além de ter sido premiado em várias ocasiões. 

 

Já na literatura, tem três livros publicados e, desde 2019, publica semanalmente crônicas no jornal “O Otimista”, em Fortaleza-CE. Na música, Totonho Laprovitera é parceiro de Manassés de Sousa, Nonato Luiz, Tarcísio Sardinha, Wagner Castro, dentre outros. Além disso, também é apresentador, ator e ainda mantem um blog. 

 

Ainda ocupa a cadeira de No. 16 da Academia Cearense de Artes – ACA (desde 2012); e a cadeira de No. 38 da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo – ACLJ (desde 2015). Conheça mais sobre esse cearense boêmio com ascendência italiana e suas múltiplas facetas e talentos em nossa entrevista.

1. Sua família é italiana. Como se deu a chegada dela aqui em Fortaleza? Vocês ainda guardam alguma tradição relacionada a essa origem?

No começo do século XX, com a crise econômica da Itália, meu bisavô materno Giuseppe Guerrera decidiu sair da pequena comuna de Tortora, na Calábria, para buscar novos negócios. E veio ao Brasil. Não sei ao certo a razão dele ter escolhido o Nordeste, nem tampouco o Ceará. Só sei que era a escolha de muitos dos tortoresi. Em Fortaleza, chegou carregado de novidades, sobretudo de panos. Tecidos finos eram a sua especialidade. Bem apessoado, era bonito de se ver Giuseppe vendendo a sua mercadoria. Da sua esmerada educação, surgia o fino trato com as pessoas e chamava atenção de todos da cidade. Negociante nato, logo ampliou o seu estoque e expandiu seus horizontes.  Adquiriu um pequeno albergue na Praça da Sé e estendeu de três para seis os meses que passaria no Brasil. Na Itália, a família compreendia o valor do seu trabalho e sua abnegação para o sustento de todos. Quando decidiu passar de seis para nove meses aqui, coincidiu com o casamento de sua filha Marianna com o jovem Laprovitera Michelle, que havia acabado de lutar na então finda Primeira Guerra Mundial. Incentivada pela mãe Ângela, Marianna convenceu Michelle a começarem a vida no Brasil, onde juntariam uma reserva financeira e voltariam para a Itália. Ao chegar ao Brasil, o jovem casal deparou-se com uma surpresa: Giuseppe anunciou a sua decisão de regressar para a Itália. Passou seus negócios para o genro, voltou e nunca mais retornou ao Brasil. Marianna se deu foi bem na tranquila e pacata Fortaleza. Michelle virou Miguel e encontrou na cidade o seu paraíso, onde viveram a vida inteira sem nunca mais irem à Tortora. Tiveram dois filhos, Orlando Francisco e Maria do Carmo, minha mãe, que pelo costume italiano passou a ser chamada de Mariuci e terminou sendo Marluce. Aí começou a história da família Laprovítera no Ceará e até hoje guardamos costumes italianos, sobretudo os gastronômicos.    

 

2. Como se deu seu contato primeiro com as artes? Foi com a pintura ou com a música?

Nasci artista, pois na primeira infância eu já desenhava. O desenho foi a minha primeira expressão artística. Formado arquiteto, com o exercício da metodologia da arte de projetar, passei a pintar e a escrever poeticamente, assim inteirando a minha ousadia de letrista musical. Desenho para mim é desígnio! 

 

3. De onde tira inspiração para tanta arte? 

Da minha vida. As minhas artes decorrem das minhas vivências. Busco conceitos e significados de tudo que me rodeia, inclusive a imaginação: imagem e ação! Inspira-me muito também cometer arte de alcance social. 

 

4. Como vê o cenário das artes plásticas em Fortaleza? As pessoas valorizam?

Fortaleza tem o que todo lugar do mundo inteligente gosta de ter: artistas de excelência. Sob a luz que clareia nossas artes, somos vocacionados naturalmente à elevada criatividade. As artes têm sido mais valorizadas, ultimamente. Agora, precisamos compreendê-las como instrumentos de melhoria de qualidade de vida, quão produto diferenciado de valor que é e que vai muito além da pecúnia. No momento, é preciso a formação de público e o desenvolvimento de um mercado de arte ao alcance de todas as pessoas. 

5. E na escrita? O que mais te inspira?

Na escrita, as ideias me inspiram a contar e a levar, com humor, a vida a sério. Bem mais que um ato lógico, escrever o equilíbrio entre a realidade e os inspirados sonhos.

 

6. Qual foi o principal aprendizado nesse período atípico, com a pandemia? Você conseguiu criar?  O que fez para manter a saúde mental?

Que conhecimento e afeto são imprescindíveis na vida da gente. Que a simplicidade e a humildade são preciosas qualidades para dar sentido à vida do ser humano. Nestes tempos de pandemia, criei e produzi muita arte, inclusive arquitetura. Para manter a minha saúde mental, procuro escapulir da normose.

 

7. Qual o lugar mais lindo que já visitou no mundo?

Pela simplicidade, paz e ambiência de muito amor, a minha casa. O meu lar.

 

8. Qual seu livro preferido? Costuma acompanhar séries? Qual? E filme, qual você nos indicaria?

“Sobre a Brevidade da Vida”, de Sêneca, é o meu livro de cabeceira. Não costumo acompanhar séries, pois sou compulsivo e quando começo a assistir a uma, sinto uma dificuldade danada de largar dela. “Cinema Paradiso”, do cineasta italiano Giuseppe Tornatore, é meu eterno filme.

 

9. Como cultiva a espiritualidade? Tem alguma religião? E santo de devoção?

Acredito em Deus e na Ciência, cada vez mais alinhados. Sou cristão de muita fé, católico apostólico romano não praticante, e tenho devoção por São Francisco, Santo Antônio e Santa Luzia. Rezo todas as noites antes de dormir e, quando acordo, agradeço a Deus por mais um dia de vida abençoada.

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Protagonismo e competência no ramo dos eventos

Por Kelly Garcia

Enid Câmara fez e faz história no segmento de eventos e turismo. Com a competência que lhe é peculiar, já organizou e coordenou mais de 1.500 eventos. Sua trajetória, marcada pela maestria, ganhou destaque não apenas no Ceará, mas nacionalmente. Entretanto, o começo se deu de uma forma bastante comum, em 1993, quando foi estagiária de uma empresa desse segmento tão importante para o nosso Ceará. Formada em Ciências Sociais pela Universidade de Fortaleza,  é especialista em organização de eventos pela UECE, com formação no Programa de desenvolvimento gerencial – PDG Turismo pela Universidade Fluminense-RJ. Em reconhecimento à sua dedicação e atuação em prol do desenvolvimento do setor de Turismo e Eventos, Enid foi agraciada com diversos prêmios, como o Mulher Empreendedora pelo SEBRAE Nacional, Destaque Empresarial 2005 - Melhor Organização de Eventos no Ceará. Em 2008, ganhou o XII Prêmio MG Turismo, categoria divulgação do Ceará e Troféu Patativa do Assaré. Ainda recebeu homenagens do Rotary Club, Revista Exotic People, Fecomércio Ceará e dos companheiros de setor.  

 

Enid é muito atuante também nas entidades classistas. Foi presidente do SKAL Internacional de Fortaleza biênio 2009-2011, reeleita para biênio 2011-2013 e Vice-Diretora do SKAL Brasil. Ainda esteve como presidente da Câmara Setorial de Eventos da ADECE (Gestão 2014-2018).Em 2011, tomou posse como integrante da Academia Brasileira de Eventos e Turismo e se tornou a primeira mulher nordestina e cearense a ocupar uma cadeira na ABEVT. Atualmente, preside a ABEOC Ceará (Gestão 2018-2020), é diretora secretária do Fortaleza Convention & Visitors Bureau, vice-presidente do Sindieventos Ceará e Diretora geral da Prática Eventos. Confira essa trajetória de sucesso, que permanece sempre melhorando a cada dia, especialmente após a retomada dos eventos, como a Expolog, sucesso de público e conteúdo. Vem rever com a gente!

Você tem uma história com o turismo cearense e o mercado de eventos. Nos conte como os seus caminhos se cruzaram com esses setores. Você já fazia eventos na adolescência?

Tudo iniciou em março de 1993 quando entrei como estagiária na Prática Empresarial, que era gerida pela mente brilhante e visionária do Roberto Matoso (In memoriam). Eu nunca tinha organizado eventos antes e estou há 27 anos nesse setor, são mais de 1.500 eventos promovidos/organizados, quem entra nesse universo fantástico dos eventos costuma gostar e permanecer por muito tempo. 

 

Como surgiu a ideia de empreender com a Prática Eventos? Qual o trabalho mais desafiador que vocês já pegaram?

Em janeiro de 1997 transformamos a área de eventos da Prática Empresarial em uma empresa focada somente na promoção e organização de eventos (Prática Eventos) da qual me tornei sócia minoritária. 

Sobre o trabalho mais desafiador, todos os eventos são únicos e tem em si particularidades e desafiospróprios, mas acredito que o mais desafiador foi organizar um evento que precisaria de no mínimo 6 meses para sua produção, e o cliente nos  contratoupara organiza-lo com o prazo de 01 semana e com um feriado no meio, e graças ao empenho de toda uma equipe envolvida ele aconteceu com sucesso e nos trouxe inúmeros aprendizados. 

 

Quais as principais inovações que tem executado ao assumir a direção da Abeoc?

Nesse universo dos eventos é preciso muito trabalho, dedicação e manter-se constantemente atualizado e aberto aos novos aprendizados. Eu acredito muito na educação contínua e partindo desse princípio, tenho realizado na minha gestão, palestras de capacitação para os associados e parceiros, e que abordem os temas mais relevantes para o momento. 

 

Como tem sido a retomada dos eventos, nesse período em que a maioria da população já se vacinou?

A Retomada do setor corporativo acontece de forma gradual, seguindo os protocolos. Esta tipologia de evento precisa de tempo para planejar, captar e  executar. Teremos um longo trabalho pela frente para recuperar um setor que foi para o chão. Mas acredito muito da força do empreendedor e do empresário brasileiro. 

 

Qual foi a maior emoção, ao estar novamente comandando um grande evento, atividade que você executa com tanto prazer e dedicação?

Sou apaixonada pelo que faço. Foi um desafio fazer a expolog de forma híbrida. Muito mais caro e trabalhoso. Mas com fé, muito trabalho, uma equipe muito competente, um comitê técnico forte e atuante e grandes parceiros realizamos a 16 edição da expolog, um Hab com total de 14 eventos.

 

Quais são seus hobbies?

Trabalhar e ajudar as pessoas é minha melhor e maior diversão. Quando não estou trabalhando estou com minha família ou contribuindo com as causas do associativismo e do voluntariado. 

 

Nos conte qual o último filme que viu, o último livro e uma série que indica.

Filme: Um senhor estagiário;

Livro: Médico de homem e de alma, a história de são Lucas; 

Série: A Rainha The Crown; 

 

Como é a sua relação com a espiritualidade? Tem algum santo de devoção?

Sou devota de São Francisco, sou católica e adepta do autoconhecimento através de terapias, constelação etc, como forma de se tornar uma pessoa melhor a cada dia. 

 

Um sonho profissional e pessoal ainda não realizado.

Profissional: investir em novos nichos de mercado; Pessoal: morar um tempo fora do país.

 

É de qual país a sua gastronomia preferida?

Italiana.

 

Qual o lugar mais lindo que já visitou? 

Paris.  

 

E pra onde sempre volta?

Para minha casa. Minha Rocha Lima. 

 

Pra você, família é...

A base de tudo, meu porto seguro.

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Moda como vocação que se renova e

se aperfeiçoa com os anos

Por Kelly Garcia

Gláucia Tavares, cearense de Maranguape, é um dos nomes mais respeitados da moda no Ceará. Sua trajetória de sucesso se iniciou como modelo em 86, se destacando em concursos nacionais, como o Ellus Looking e o Seja Capa da Revista Manequim. Nesse concurso, ela ficou em quarto lugar e foi a  única representante do Nordeste. Ela ainda  representou nosso Estado em Brasília, sendo a Miss Ceará Mundo em 1990. Mais tarde, participou de vários projetos editoriais de moda dos jornais locais, primeiro como modelo, depois como produtora de moda. Produziu e apresentou três programas de moda, tais como o quadro de moda da TV Verdes Mares - canal 10, aos sábados, durante quatro anos; o programa de moda semanal da TV Cidade, durante dois anos; e o quadro de moda do Valle Tudo, na TV Bandeirantes/SP, por um ano e meio, aproximadamente.
 
Realizou diversos eventos e desfiles ao longo de sua trajetória e ministrou incontáveis cursos de modelo e aperfeiçoamento social. 

 

Em 1998, recebeu o troféu Glayds Accioly do organizador do Festival da Moda em Fortaleza - FMF, Manuel Holanda, como reconhecimento pela sua contribuição para a moda cearense. Por várias vezes também foi Destaque Empresarial - serviços, prêmio entregue pela PPE Promoções e Eventos. Em 2014, recebeu uma homenagem do SATED-CE pelo Dia do Artista, pela sua contribuição à cultura cearense. Foi coordenadora artística do concurso Miss Ceará Universo e Miss Fortaleza, ambos realizados pela NORDESTV, afiliada da Band, de 2014 a 2018, fazendo a Miss Brasil Melissa Gurgel em seu primeiro ano na coordenação. Com sua agência, Gláucia Tavares Models e parceria com Istudius, realizou por cinco anos o concurso Beleza  Fashion Ceará, com as categorias: Mini Miss Ceará Universe, Miss Ceará Juvenil Universe, Miss Ceará Pré Teen Universe, Miss Ceará Teen Universe e Miss Ceará Américas.

Seu tradicional Curso de Modelo e Aperfeiçoamento Social aborda temas como passarela, postura, andamento, maquiagem, noções de modelo fotográfico e publicitário, vestuário e tendências de moda, etiqueta social e profissional. Com uma vasta experiência ministrando cursos, Gláucia Tavares já lançou várias beldades no mundo da moda local e nacional.

 

Em 2019, inovando, mais uma vez, abriu uma loja de aluguel de vestidos e acessórios de noiva e festa em Fortaleza. A Maison Gláucia Tavares dita tendências ao oferecer produtos atuais e de qualidade com opções de vestidos para todas as ocasiões, com manequim variando do 34 ao 50, vindos dos maiores centros de moda do mundo. A Maison também dispõe de uma grande variedade de acessórios como bolsas e brincos para compor os looks de festa. Já para as noivinhas, a Maison Gláucia Tavares tem lindas opções nos modelos princesa, sereia, minimalistas e fluidos, todos com opções em grinaldas e brincos. Para 2022, o lançamento fica por conta da marca White One da Pronovias. Confira toda a versatilidade e talento de Glaucia Tavares em nosso perfil semanal.

1. Como percebeu que queria trabalhar com moda? Chegou a competir ainda na infância ou fazendo comerciais ou só iniciou na adolescência?

Na infância, sempre gostei de bonecas e adorava fazer vestidos para elas. Mas foi com 16/17 anos, que descobri o amor pelas passarelas e fotografias, despertando o desejo de modelar.

 

2. Quais foram as principais dificuldades no início da sua carreira? Como fez para aprender tudo na profissão, já que nos anos 1980 e 1990, em Fortaleza ainda não existiam escolas preparatórias?

Sou autodidata, aprendi vendo outras modelos e assistindo desfiles internacionais. Vendo a necessidade na área por cursos de passarela e agências de modelos, aos 18 anos lancei-me de forma pioneira no mercado, abrindo caminho para novas profissionais.


3. Você chegou a vencer vários concursos de moda nos anos 1990. Para você, qual foi o seu melhor momento nessa época? O que você considera inesquecível?

Participar de concursos é sempre um desafio. Os resultados que obtive, independente da classificação, sempre foram positivos. Autoconfiança e crescimento profissional foram, pra mim, os principais ativos obtidos. Quem deseja participar de concursos de beleza não pode pensar somente em ser competitiva, mas valorizar o autoconhecimento como principal retorno. O The Look of The Year foi inesquecível, assim como o 4o lugar obtido no concurso Seja Capa da Revista Manequim, pois fui a única representante do Nordeste.

 

4. A moda te levou a organizar cadernos especiais nos grandes jornais de Fortaleza e na televisão. Que boas lembranças você guarda dessa época?

A produção de moda para fotos e desfiles estava me preparando para esse momento. Em muitas ocasiões, valorizo esse aprendizado que coloco em prática dia-a-dia na Maison. Tenho lembranças muito valorosas dessa época de glória da moda cearense.


5. Quando você organizou o concurso de Miss Ceará, elegemos uma das nossas mais belas misses, a inesquecível Melissa Gurgel. Nessa época, o que você acha que foi o diferencial para essa grande conquista?

Quando coordenadora artística do Miss Ceará aprendi e repassei muitos conhecimentos. A partir dessa edição em 2014, o concurso elevou o patamar de importância e popularidade do evento, passando a despertar o desejo das cearenses em participar desse e de outras franquias, bem como acompanhar os resultados das nossas representantes nos certames nacionais e internacionais.

 

6. Como você cuida da beleza e do bem estar? Do que não abre mão?

Com intenso ritmo de trabalho por conta da retomada dos eventos, atualmente, não estou cuidando da beleza e saúde. Como cuidado diário, somente os cremes para pele, o protetor solar no rosto e a ingestão de 2 litros de água. Porém, pretendo retomar a academia com musculação, a partir de janeiro.


7. Hoje, você tem trilhado novos caminhos profissionais, empreendendo no segmento de aluguel e venda de vestidos de festa. Como surgiu o insight?

Trabalhar com moda sempre esteve no radar, mas o insight mesmo se deu quando estive em Los Angeles em 2019, quando viajei de férias com minha família. A ideia surgiu e meu esposo Herbert me ajudou a realizar esse sonho.

 

8. Quais serão as novidades para 2021.

A novidade se dará pelo lançamento de uma mini coleção de vestidos de noiva da White One - Pronovias, além de sempre atualizar os modelos em festa para atender mães de noiva, mães de noivo, madrinhas, formandas, convidadas e debutantes.

 

9. Quais os seus hobbies?

Não é clichê, mas meu hobby é meu trabalho! Mas, curto o hobby do meu esposo que é passear de carros antigos.

10. Como cultiva a espiritualidade?

Faço orações diárias e procuro ler a Bíblia.

 

11. Qual o lugar mais lindo que já visitou?

Uma das viagens inesquecíveis foi de carro pela estrada que liga São Francisco à Los Angeles beirando penhascos, montanhas e belas enseadas pela costa do pacífico. As cidades Carmem, Monterrey, Solvang, Santa Bárbara e Santa Monica foram visitadas nesse caminho. Em um ponto da viagem, centenas de leões marinhos na praia foi o que mais me marcou.

 

12. Nos indique uma série, um filme e um livro.

Sou fã de séries policiais e de ação. Sempre assisto para desopilar! Gosto de filmes de Ação e comédias românticas. Um dos filmes que gostei: Comer, Rezar e Amar. Um livro interessante: o Sucesso é Ser Feliz e, é claro, a Bíblia, como alimento indispensável para a alma.

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Uma habilidade que se transformou

em empresa de sucesso

Por Kelly Garcia

A música surgiu para Cláudio Mesquita já no fim da adolescência e início da idade adulta. No entanto, isso deu velocidade aos seus sonhos e aprendizado. Hoje, ao lado da maestrina Nathalia Mesquita, sua esposa, empreende na Prelúdios Escola de Música Online, com 14 cursos de formação em música. Confira uma conversa sobre música, empreendedorismo e inspiração.

1. Você vive a música em toda a sua plenitude. Desde quando e como decidiu por esse caminho profissional?

A música entrou em minha vida e cotidiano, só aos 17 anos, quando decidi, contrário à vontade de minha mãe, comprar um violão, pois já admirava muito a doce beleza harmônica do instrumento. Talvez o fato de ter começado tarde na música, me fez correr um pouco para acompanhar o processo. Um ano depois de iniciar, eu já compunha minhas canções, participava de grupos e concorria em festivais. Logo depois, ingressei no Curso de Extensão em Música da Universidade Federal do Ceará - UFC, e concomitante a ele, na graduação em música pela Universidade Estadual do Ceará - UECE, e pela Universidade 7 de Setembro – Uni7, concluí Pós-Graduação na área de Arte-Educação.

 

2. Depois de vários anos atuando com ensino de música, com o início da pandemia, nasceu a Preludius, Escola de Música Online. Nos fale um pouco sobre a história desse sonho e quais os cursos que vocês oferecem.

A Preludius é um sonho meu e de minha esposa, a maestrina Nathália Mesquita. Sempre tivemos o desejo de iniciar uma escola de música, mas nunca tínhamos dado o primeiro passo para essa concretização. Desde o início da pandemia e isolamento social em nosso Estado, em março do ano passado, iniciamos um processo de reinvenção das atividades conduzidas por nós em atuação com os corais, o que nos tornou conhecedores das plataformas de vídeo-conferência, e também editores de áudio e vídeo das produções artísticas por nós realizadas. No começo, éramos somente nós conduzindo as aulas. A procura foi crescendo por outros cursos e, diante disso, convidamos outros colegas professores para atuar neste projeto. Hoje somos uma numerosa equipe de professores com ensino superior, excelência na didática musical e vasta experiência, em 14 cursos de formação em música. São eles: Canto, Violão, Teclado, Piano, Guitarra, Baixo Elétrico, Ukulele, Flauta Transversal, Flauta Doce, Saxofone, Cavaquinho, Bandolim, Violino e Bateria. Esse conhecimento das ferramentas virtuais de adequação à nova realidade, nos deu embasamento para a criação da Preludius, unindo a melhor e mais prática plataforma existente (Whereby), com os melhores profissionais do ensino de música da cidade.

 

3. Quais os benefícios específicos de inserir a música na rotina para cada idade?

São inúmeros os benefícios da música para as pessoas em todas as idades: o desenvolvimento da linguagem, o estímulo à criatividade, contato com outras culturas e povos, concentração e foco de forma prazerosa, coordenação motora e motricidade, estímulo à disciplina e responsabilidade, desenvolvimento do raciocínio lógico e a compreensão, desinibição, ajudando na sociabilidade, exercita a memória, equilibra a saúde mental, melhora o humor, reduz a depressão, exercita a criatividade, desenvolve a percepção e aperfeiçoa a sensibilidade. 


De acordo com pesquisas em neurociência, o aprendizado musical apresenta maior ativação do tálamo, região do cérebro muito importante para processar a linguagem e informações sensoriais, diminui os níveis de cortisol, hormônio responsável pelo estresse auxiliando o cérebro a liberar dopamina, nos trazendo bem-estar e qualidade de vida.

 

4. Quais são as suas principais referências musicais?

Como profissionais, precisamos ter um conhecimento musical amplo, mas a minha referência é a Música Popular Brasileira. Sua riqueza rítmica, melódica, harmônica e poética, a torna a música mais rica em qualidade do planeta. Já pensou unir a riqueza musical de Tom Jobim, a perfeição poética de Vinícius de Moraes e Chico Buarque e a multiplicidade rítmica de nossa música proveniente da miscigenação que só esse país tem? Garanto que não existe nada igual nesse mundo!

5. Para se tornar um músico de excelência, o que é necessário? Você acredita que é possível alcançar bons resultados apenas com o uso da internet?

O talento e a sensibilidade são fundamentais para tornar-se um músico de excelência, no entanto, se o músico enveredar para ser um concertista, será necessário um alto nível de execução musical de obras artísticas. Já se for um compositor, deverá ter conhecimento das técnicas de composição e acuidade poética. Se for um intérprete, deverá escolher com sutileza as melhores canções e tonalidades para o seu timbre vocal, e se for um professor de música, deverá ter excelência de conhecimentos e didática para facilitar o percurso de aprendizagem do aluno.


Com a Preludius, nós temos alcançado excelentes resultados com o ensino de música online. Percebemos que os alunos estavam aprendendo com máxima atenção e interesse, devido à facilidade de estar em sala com o professor de qualquer lugar. Muitos alunos assistem as aulas quando estão viajando, ou fora de sua residência, o que nos ajuda a elevar o nível de frequência e aprendizado. A maioria das pessoas que nos procuram são profissionais das mais variadas áreas de atuação que, por considerarem de extrema importância esse momento de aprendizado musical, privilegiam este encontro ímpar com a música, realizando o sonho de aprender um instrumento acalentado muitas vezes desde a infância, e nós nos sentimos honrados por proporcionar essa experiência.

 

6. A partir de qual idade você recomenda o ensino da música?

A musicalização através de um instrumento pode se dar à partir dos 5 anos, através do Canto, Teclado, Piano, Flauta Doce e Violino. Após a musicalização, a criança, aos 7 anos, já pode escolher qualquer instrumento de sua predileção, não tendo mais limite de idade para o aprendizado musical.

 

7. Quais os seus hobbies?

Meu maior hobbie é compor, sejam músicas instrumentais ou letra e música. Também gosto muito de viajar com minha família e testar receitas gastronômicas. No momento, estou me aperfeiçoando na degustação de vinhos.

8. Como cultiva a espiritualidade?

Sou evangélico presbiteriano e cristão reformado. Temente a Deus, oro diariamente e estudo a Palavra, que me traz luz e direção para os caminhos e sabedoria para as decisões. 
Tudo o que faço, é para a honra e glória do Senhor! 

 

9. Nos indique um filme, um livro e uma série.

É muito difícil escolher apenas um, mas o filme O Pianista é uma obra-prima! O livro Gonzaguinha e Gonzagão, da Regina Echeverria conta de forma minuciosa e leve, a vida, encontros e desencontros, desses dois ícones da MPB. Quanto a séries, não indico pois não acompanho.

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 A pandemia como inspiração

para contar histórias

Por Kelly Garcia

Com a recente indicação de seu livro de contos Confinados, da Editora Sete, ao prêmio Jabuti de Literatura, reeditamos a entrevista com a escritora Celma Prata. Nascida em Fortaleza (CE),  em 1956, ela é graduada em Jornalismo pela UNIFOR e em Pedagogia pela UFC. Publicou três livros: Descascando a Grande Maçã (2012); Viver, simplesmente (2016); e o romance O Segredo da Boneca Russa (2018), cuja trama se passa no período da ditadura militar brasileira. Integra importantes entidades literárias, entre as quais a Academia Fortalezense de Letras (AFL) e a Sociedade Amigas do Livro (SAL). Confinados é o seu primeiro livro de contos. Confira mais no nosso Perfil Semanal.

1. Como você se sente representando o Ceará na categoria contos do mais importante prêmio de literatura do Brasil?

Sinto-me honradíssima. É muito importante a valorização e reconhecimento dos talentos literários de todas as regiões do país, assim como o trabalho das editoras de todos os portes, especialmente as menores e independentes. O Brasil é imenso, diverso e rico culturalmente. 

 

2. O que você achou da seleção deste ano? Está mais diversificada, na sua opinião?

O Prêmio Jabuti vem, ao longo dos anos, promovendo inclusão e representatividade, tanto das casas editoriais quanto das autoras e autores selecionados, independentemente de idade, gênero, raça ou naturalidade.

 

3. Como é a recepção do público cearense aos autores locais?

O Ceará tem tradição de pioneirismo cultural, especialmente no campo da literatura. Temos a primeira academia literária do país - Academia Cearense de Letras -, mais antiga até que a Academia Brasileira de Letras. Isso reflete na formação da memória coletiva, nosso povo é muito atento aos valores locais.   

 

4. Você, além de jornalista, é uma escritora de sucesso, com vários livros publicados e atuação intensa na cena literária de Fortaleza. Como tudo começou? Você começou a publicar já na adolescência?

Escrevo desde jovem, mas só tomei coragem para publicar na maturidade. O curso de Jornalismo intensificou a prática da escrita. Em 2012, logo após o lançamento do meu primeiro livro, “Descascando a Grande Maçã”, fui levada por minha saudosa amiga Dirce Bonavides Borges para a Sociedade Amigas do Livro (SAL). Foi nesse ambiente de amor à literatura, além de grande atuação social (formação de bibliotecas para comunidades sem acesso ao livro), que tudo se ampliou.

 

5. De onde você tira inspiração para as suas histórias?

Do cotidiano, das conversas, dos livros, das novelas, dos filmes, da vida, enfim. Sou muito observadora e sensível ao aparentemente banal, mas que carrega grandes significados.

 

6. Você tem alguma rotina de escrita? Escreve todos os dias ou espera a inspiração aparecer?

Escrevo diariamente. É um hábito vital, indispensável, como respirar, por exemplo. Mas quando começo um novo livro, me afasto temporariamente de tudo e todos, faço companhia à minha imaginação. 

 

7. Qual a sua opinião sobre os cursos de escrita criativa? Você considera importantes?

Sim. Precisamos aprender uns com os outros. Trocar conhecimentos e ideias. Despertar a criatividade. Acredito que sempre vai existir alguém com algo a lhe ensinar. Como disse um antigo filósofo, quanto mais você conhece, mais percebe que nada sabe, o conhecimento é algo vasto e infinito. Reconhecer isso é importante. Humildade é essencial para evoluirmos em todos os sentidos. Talvez seja a virtude mais difícil de praticar. 

8. Quais são as suas principais influências como escritora?

Sinto-me atraída por narrativas existencialistas, dramáticas, que mergulham na essência humana, como o fazem Machado, Dostoievsky, Clarice, Sartre e tantos outros.

 

9. Você acha que hoje as pessoas leem menos? Por quê?

É um equívoco pensar que hoje se lê menos. Há pesquisas que apontam aumento do universo leitor entre os jovens. O que mudou é o formato e plataformas de leitura. Os jovens usam computadores, tablets, smartphones para ler livros digitais. 

 

10. Você participa de algum clube de leitura? Acha essa prática importante?

Participo de entidades literárias que incentivam a leitura. Temos um projeto na SAL de troca de livros entre as sócias e comentários sobre as narrativas lidas.     

 

11. O seu novo livro de contos trata do período de confinamento. Como foi esse tempo para você? O que foi mais difícil?

“Confinados” nasceu das urgências, essas que surgem sem aviso-prévio e nos pegam sempre desprevenidos. E que nos consomem até o insuportável. Nasceu da necessidade de ver, sentir, falar, experimentar, agir, superar, entender, sofrer, rir e chorar. Da necessidade de viver. Eu precisava ressignificar a vida, diante da perda brutal da minha única irmã para a Covid-19. A escrita me salvou. 
O livro é uma coletânea de contos que têm como pano de fundo conflitos desencadeados pelo isolamento social. Será lançado no dia 14 de dezembro, às 19 horas, em live no Instagram da Editora Sete, quando terei a alegria de conversar com a escritora e professora Juliana Diniz, a quem muito admiro.
O mais difícil de suportar neste ano terrível – mais ainda para quem perdeu familiares – é o afastamento social de pessoas queridas e testemunhar o descaso de muitos quanto ao sofrimento alheio. Temos que aprender com a dor coletiva e respeitá-la. 

 

12. Alguém já chegou a te desestimular na escrita? Dizer que não tinha talento?

Recebo retornos bastante positivos dos meus leitores. Meu público-leitor é bastante diverso, o que é maravilhoso. Encaro críticas com muita naturalidade. Não deixaria de escrever por causa de comentários desfavoráveis. Escrever para mim é uma necessidade vital. Parar de escrever seria como parar de respirar.
 
13. Quais os seus hobbies?

Adoro cinema, telenovela, fazer longas caminhadas, curtir meu refúgio sertanejo com a família e os poucos e bons amigos.
 
14. Qual o melhor destino turístico que já visitou?

Um que me marcou muito, acho que pela data – era aniversário de 40 anos de casamento –, foi visitar o monte Etna, na Sicília, entrar naquela imensa cratera foi indescritível.

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Paixão pelo ensino para

compartilhar saberes

Por Kelly Garcia

Conhecida por sua persistência e dedicação para alcançar os objetivos, Graça Bringel é nascida e criada no estado do Ceará, onde investiu seus estudos, seus sonhos e seus empreendimentos. Em 1977, fundou o Colégio Dáulia Bringel, quevapresenta uma estrutura pedagógica sólida, reunindo em seu ambiente profissionais capacitados, projetos inovadores e uma educação de qualidade. 


Em 2007, fundou  em seu Colégio a primeira Academia  de Literatura e Retórica do Brasil, sendo esta o carro-chefe para outros Clubes Literários que hoje atendem da Educação Infantil ao Ensino Médio, todos com o objetivo da aprendizagem da língua portuguesa e em 2019, o colégio torna-se uma escola bilíngue.

 

Graça Bringel dedica sua vida à educação fazendo com que o Colégio Dáulia Bringel seja um ambiente rico em cultura, moderno nas instalações  e acolhedor para todos os alunos.  

 

Além de suas atividades na escola, também trabalhou como funcionária da Prefeitura de Fortaleza e do Estado, exercendo os cargos de professora e, posteriormente, supervisora educacional do Estado e do Município. Foi ainda Técnica em Educação na FEBEMCE.


Hoje, preside a ALFE – Associação das Líderes e Lojistas Feminina. É  membro do SINEPE – CE Sindicato dos Estabelecimentos particulares de Ensino do Ceará. Confira nossa conversa sobre educação e inovação na entrevista desse domingo.

1. Como percebeu a vocação para a educação? Ainda na adolescência?

A inspiração veio quando eu ainda era criança. Inspirada na minha mãe, grande educadora, professora e diretora do Grupo Escolar Olavo Oliveira, em Saboeiro-CE. Na minha casa, respirava-se ensino; as festas comemorativas da escola eram ensaiadas na nossa casa. Nasci e cresci convivendo com a educação e isto me fez compreender a grandeza do papel do educador.

 

2. E como surgiu a ideia de empreender com uma escola?

Surgiu quando eu cursava o segundo ano curso de Pedagogia na Universidade Federal do Ceará - UFC. Comecei a escola apenas com Jardim de Infância, mas com muita força de vontade, contando com a ajuda de minha mãe, que muito contribuiu com trabalho e experiência, me ajudando a construir a minha escola. Tudo nasceu da vocação, da coragem e do desejo de contribuir para um mundo melhor.

 

3. Quais os diferenciais do Colégio Daulia Bringel?

O grande diferencial é que o Daulia é uma escola para todos os públicos: para os que anseiam as melhores notas, para os que têm a veia artística mais aflorada, para os mais competitivos, para os que preferem a cooperação como ferramenta de aprendizado. Trabalhamos assim porque queremos um mundo assim: que valorize todos os potenciais. O centro é o aluno no processo de ensino. O aluno é o agente do seu aprendizado.

 

4. O que mais te encanta na educação?

Paulo Freire nos ensina que quem ensina aprende ao ensinar, que aprende ensina ao aprender; as pessoas se educam entre si, mediatizados pelo mundo. E é exatamente isso que me encanta: a certeza que todos temos algo a ensinar e, por mais capacitados que sejamos, sempre teremos algo a aprender.

 

5. Alguém mais na sua família é da área educacional?

Minha mãe tem 99 anos de vida, dos quais, 72 foram voltados à educação. Uma irmã foi professora da Unifor até se aposentar, mas há outras pessoas da família que exercem profissões sem ligação direta com a educação. Nelas, percebe-se claramente o espírito de educador.

 

6. Você nota mais desafios hoje para a educação de crianças e adolescentes? Que mudanças você percebe?

Desafios sempre vão existir em qualquer empreendimento. E a educação explorou muito bem isso em mim. Apesar do Colégio Daulia Bringel ter 44 anos de existência, está sempre se renovando, buscando o que há de novo, não somente na educação, mas no mundo. Como acredito e defendo que todos têm o que ensinar, estamos sempre aprendendo com nossos alunos, desse modo estamos sempre afiados. Não sou adepta da expressão “no meu tempo”, pra mim meu tempo é agora.
As crianças e adolescentes (e demais pessoas em geral) precisam ser amadas e respeitadas. Precisam ser ouvidas e ter suas inteligências e seus sonhos valorizados. A educação requer diálogo, respeito às diferentes ideias, descobertas e redescobertas.

7. Quais as novidades que o Daulia está preparando para 2022?

O Daulia nem sempre espera virar o ano pra apresentar suas novidades. Este ano, por exemplo, inauguramos um novo espeço físico chamado Bosque Tecnológico, bem a cara da juventude. Refizemos a recepção dos alunos pré-adolescentes e adolescentes, melhorando o espaço, o conforto e a conveniência pra eles. Acabamos de inaugurar um novo espaço cultural que agrega academia de literatura, biblioteca e espaço para estudo individual e por aí vai... O Daulia inova sempre!

 

8. Hoje, além de sua atuação na escola, você também preside a tradicional ALFE. Como tem sido essa experiência?

Essa experiência de administrar o Colégio Daulia Bringel e presidir a ALFE tem sido maravilhosa. A princípio, logo na 1ª gestão, fiquei um pouco insegura sem saber se teria muito com o que contribuir, mas logo em seguida me reportei à minha educadora interior e fui em frente. Hoje, consigo fazer um link entre as duas instituições e já desenvolvemos atividades sociais em parceria. Acredito que tem dado certo, visto que fui reeleita para uma segunda gestão consecutiva, sem necessidade de nova eleição.

 

9. Você, ao lado do seu marido, também resolveu empreender no ramo da água adicionada de sais. Nos conte como está sendo essa experiência.

Tem sido um experiência muito rica a abertura e administração da Minha Fonte. Nunca pensamos em investir no ramo alimentício, mas em cada novo ramo que nos encaminhamos, conquistamos novos aprendizados, por exemplo: hoje eu sei que consumir água alcalina é indicado para neutralizar os efeitos de alimentos ácidos e isso ajuda a combater as toxinas ácidas, comumente associadas à doenças degenerativas. Então, assim como buscamos fazer uma escola diferenciada, também buscamos essa especificidade na água que beneficiamos. Ela tem um pH de 8,0, isso significa que é bem alcalina, ou seja, o organismo humano não precisa usar sua reserva de minerais alcalinos para manter o pH equilibrado. Tudo isso é conhecimento novo, que vou levar pra vida toda e só adquiri por conta da abertura da Minha Fonte.

 

10. Quais os seus hobbies?

Amo leituras voltadas para o crescimento pessoal e gestão de pessoas. Não dispenso uma boa palavra-cruzada. Gosto de estar com as pessoas, me confraternizar, dar boas risadas, cantar, compartilhar umas delícias culinárias com amigos, enfim, viver...

 

11. Como alimenta a espiritualidade? Tem algum santo de devoção?

Considero-me espiritualizada, não sou exímia praticante de nenhuma religião, mas em contrapartida a isso sou devota de Nossa Senhora das Graças; e não podia ser diferente. Sinto, realmente, a presença dela ao meu lado, me guardando, me guiando, me aconselhando. Rezo, oro, converso com Deus. Sinto que estou com Ele e que Ele está comigo.

 

12. Nos indique um filme, um livro e uma série.

FILME: As pontes de Madison.
LIVRO: Quem me roubou de mim? Pe. Fábio de Melo.
SÉRIE: Não tenho uma série preferida, mas gosto de histórias de superação e de comédias românticas.

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Gestão e visão estratégica

para transpor barreiras

Por Kelly Garcia

Nosso entrevistado da semana é o professor, advogado e reitor da Universidade Federal do Ceará, Cândido Albuquerque.  Responsável por muitas mudanças positivas na tradicional instituição de ensino, ele trouxe muito de sua experiência como gestor para a UFC. Confira tudo nessa entrevista, pautada pela inovação e novas parcerias.

1. À frente da Reitoria da Universidade Federal do Ceará, você tem feito um trabalho de aproximação entre a academia e o mercado. Nos fale mais sobre o que tem sido feito nesse sentido.

Essa é uma das principais tônicas da nossa gestão, que já constava no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da Universidade Federal do Ceará para o quadriênio 2018-2021, mas que só recentemente tem recebido a atenção necessária. Nossa grande preocupação é deixar claro o posicionamento da Universidade em ser um ponto de convergência entre inteligência acadêmica, desenvolvimento local e indústria, comércio e serviços. Assim, trabalhamos para favorecer a consolidação de um ecossistema de inovação e empreendedorismo, rompendo com aquele paradigma autocentrado. Uma universidade precisa estar aberta e servindo à sociedade. O mundo vem, claramente, delimitando as nações em dois grupos: os que inovam para produzir e os que dependem da importação para ter acesso à tecnologia. A UFC, ao lado de outras instituições locais de ensino e pesquisa, tem todo potencial para ajudar a tirar o Ceará dessa postura passiva, de dependência. Temos muitas mentes geniais e ousadia nas ideias, além de bons laboratórios; o que falta à maioria das iniciativas é planejamento, apoio financeiro e uma chancela oficial de peso, como é o caso da marca da UFC.

 

2. Quais foram os maiores desafios ao assumir o cargo mais importante da UFC? Como fez para transpor esses desafios?

A UFC vinha de uma dinâmica na qual alguns colegas e gestores guiavam suas ações práticas mais pela orientação ideológica que pela expertise técnica e pelo progresso da Universidade. Esse foi o primeiro obstáculo que tivemos que transpor: o da mudança de cultura. Outro desafio que nos motiva é trabalhar pela excelência da Instituição e pela sua projeção nos rankings internacionais. Já é um orgulho para nós estar em primeiro lugar do Norte e Nordeste e segundo lugar no Norte-Nordeste-Centro-Oeste no Índice Geral de Cursos (IGC) do Ministério da Educação. Mas não é apenas figurar entre as melhores, mas ser a melhor é o que devemos perseguir. E isso se faz por meio de uma política sólida de governança, da definição de metas institucionais, da abertura de janelas de oportunidade, de parcerias, da atração de investimentos e da inovação.

 

3. Você é um advogado com muita experiência e conseguiu o feito de ter seu escritório super reconhecido na cidade. Quais práticas você levou da sua experiência como gestor na iniciativa privada para a Universidade?

Faço gestão acadêmica há muito tempo, já que, antes de ser reitor, fui chefe de Departamento, coordenador do Núcleo de Prática Jurídica e diretor da Faculdade de Direito. Percebi, logo que iniciei como administrador público, que faltava planejamento em muitos casos. Esse é um problema sério no serviço público. Na UFC, era uma tragédia! Aqui as obras eram iniciadas e inexplicavelmente abandonadas enquanto outras começavam. Só para se ter uma ideia, havia alguns laboratórios e prédios didáticos e administrativos abandonados há muito tempo quando a Universidade iniciou a construção do Campus de Itapajé, o qual, depois de pronto, ficou fechado. Tudo isso mostra a falta de organização. Portanto, implantamos, com profissionalismo, a cultura do planejamento, inclusive para concluir as muitas obras que estavam abandonadas. Já finalizamos vários projetos e colocamos o Campus de Itapajé para funcionar. Tudo ficou mais fácil e mais barato.

 

4. Como foi a experiência de ser presidente da OAB-CE? Quais os principais aprendizados?

Muito gratificante! A OAB é uma instituição diferenciada pela capilaridade que tem. Ela participa de maneira muito ativa e legítima da vida da sociedade, no que, aliás, tem algo parecido com a Universidade. Na Presidência da OAB, aprendi muito, notadamente a conviver com posições diferentes e conflitantes. Outro ponto importante foi compreender que o gestor não pode se deixar dominar por um certo assembleísmo muito comum nas instituições. Na UFC o tema é muito melindroso. Não raro, por falta de liderança, coordenadores, diretores e até reitores buscam no consenso uma certa garantia de sobrevivência no cargo. Em alguns casos, a busca desesperada por consenso, diante de posições antagônicas e radicais, leva ao fracasso. Aprendi, antes mesmo de chegar à Reitoria, que, em certos momentos, é preciso assumir responsabilidades e ter coragem de decidir. Buscar o consenso é importante, mas não pode ser a única via.

 

5. Como a universidade tem atuado junto às comunidades circundantes na pandemia? E que ações a universidade tem fomentado junto aos alunos mais carentes?

A pandemia pegou a todos de surpresa, mas ficou muito claro que só havia duas opções possíveis: ou você se relegava à condição de vítima e ficava inerte ou arregaçava as mangas e agia para minimizar os prejuízos. Nós escolhemos a segunda opção e mantivemos a Universidade funcionando e cumprindo sua missão. Verdadeiramente “trocamos o pneu com o carro em movimento”. Rapidamente a UFC elaborou e implantou seu Plano Pedagógico de Emergência (PPE). Assim, mobilizou docentes, servidores técnico-administrativos e alunos em uma força-tarefa para minimizar desigualdades de acesso a tecnologias e prejuízos no cumprimento de seu calendário acadêmico.

Esteve em curso, nos últimos meses, o maior plano de inclusão digital da história da UFC, com distribuição de chips de internet móvel, criação de auxílio-inclusão digital para compra de equipamentos, smartphones cedidos ao corpo discente pela Receita Federal e garantia de segurança alimentar, entre outras ações de suporte ao alunado vulnerável. O corpo funcional foi e continua sendo capacitado, por meio do Programa de Apoio e Acompanhamento Pedagógico (PAAP), para se apropriar das ferramentas digitais. E tudo isso foi feito amparado por ampla testagem na comunidade acadêmica, sob coordenação do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 da UFC, presidido pelo vice-reitor, Prof. Glauco Lobo.

6. No que a pesquisa  na Universidade tem avançado na sua gestão? E na inovação e no empreendedorismo?

Entre os marcos mais recentes da área de pesquisa e inovação na instituição, citaria, em primeiro lugar, a elevação do número de patentes próprias e de parceria com empresas. Em paralelo, tivemos o lançamento do Condomínio de Empreendedorismo e Inovação, uma estrutura com dois mil metros quadrados de área construída, dedicada a abrigar iniciativas e setores que lidam com inovação e empreendedorismo; e a consolidação do Centro de Referência em Inteligência Artificial (CRIA). Este centro, inclusive, foi uma das seis instituições de pesquisa de todo o País que tiveram aprovados projetos em seleção nacional do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Podemos destacar ainda que laboratórios em diversas unidades acadêmicas têm sido beneficiados com reformas, compra de insumos e aquisição de equipamentos; alguns deles receberão estruturas inteiramente novas, como a Central Analítica da UFC. Pesquisas feitas com pele de tilápia, cujo uso cirúrgico e cosmético é extremamente diversificado, ganharam o Brasil e o mundo. Pesquisadores nossos foram até o Pantanal tratar animais feridos na última onda de queimadas com esse biomaterial. Já o Elmo, o capacete de respiração assistida desenvolvido por uma parceria interinstitucional da qual fizemos parte, segue salvando vidas no Sistema Único de Saúde (SUS), diminuindo em 60% a necessidade de intubação de pacientes com Covid-19. A ousadia de ideias como essas muda e salva muitas vidas.

Saliento ainda que órgãos como FIEC, SEBRAE e Fecomércio têm seus próprios espaços dentro de nosso Condomínio do Empreendedorismo, facilitando a vida do estudante e do pesquisador que deseja inovar e empreender. Nosso Parque Tecnológico (PARTEC) oficializou, neste mês, a incubação das suas quatro primeiras spin-offs, que são empresas que nasceram de projetos de pesquisa internos. Com sua consolidação e ampliação, o Parque atrairá investimentos e ajudará a colocar a UFC na vanguarda industrial e tecnológica de empreendimentos do momento - como o hidrogênio verde e a pesquisa sobre telecomunicações 5G. São ações que favorecem a pesquisa aplicada, que retorna benefícios para melhorar a vida de nosso povo e fertilizam o terreno para que o desejo de empreender e inovar floresça.

 

7. Quais os seus hobbies?

Eu sou piloto de avião e tenho no voo um dos meus principais hobbies. Gosto também de pedalar, mas, infelizmente, não temos as condições ideais de segurança.

 

8. Você costuma viajar muito com a família que soube construir com Rebecca Albuquerque, sua companheira na vida e nos negócios. Quais os lugares mais lindos que vocês já visitaram juntos?

Existem muitos lugares bonitos e muito diferentes. Tão diversos que não é possível sequer compará-los. As savanas do Quênia, na África, são tão bonitas quanto as águas da Polinésia Francesa e do Tahiti - mas são belezas que não podem ser comparadas. Para curtir com a família, entretanto, prefiro as praias da Tailândia. As praias de Phi Phi são famosas e muito bonitas, principalmente a de Maya Bay. Mas nesse quesito nosso Ceará não deixa nada a desejar. Nossas praias são maravilhosas. A Praia das Fontes é muito bonita. O mundo tem muitas coisas maravilhosas, vale a pena viajar.

 

9. Qual o principal aprendizado da pandemia?

Para a UFC, diria que foi o reconhecimento de que, mobilizados, podemos alcançar resultados antes inimagináveis. Graças a isso que 2021 foi iniciado, na Instituição, com apenas um mês de atraso em relação ao calendário-padrão. Hoje estamos capacitados com o que há de melhor e temos recursos que serão somados à nossa expertise no pós-pandemia. A Universidade com certeza sairá desse momento muito maior e mais qualificada pedagogicamente do que entrou.

Pessoalmente, consolidei o entendimento de que as tragédias são maiores quando os líderes são fracos e indecisos. Na UFC muitos queriam simplesmente parar, suspender todas as atividades, com o que não concordei e liderei, com o apoio da Administração Superior, uma ação de enfrentamento da pandemia - mesmo arcando com todos os custos pessoais que me foram debitados no primeiro momento e potencializados por uma “turminha do contra”. O tempo mostrou que estávamos certos. A pandemia confirmou que nas crises é preciso dialogar, estudar, ter resiliência, mas que também é preciso ter coragem e fé em Deus.

 

10. Nos indique um livro, uma série e um filme.

Um livro... são muitos, mas ficaria com "Banguê", de José Lins do Rego. Todo jovem deveria ler. Uma série: "Holocausto". Mostrou como o homem pode ser estúpido e como precisamos ter cuidado para não perder a capacidade de amar. Um filme: "Vitória em Entebbe" (1976), mas também gosto muito de "Midway - Batalha em Alto Mar" (2019), pois prevalece a habilidade dos pilotos nos dois casos.

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Um entusiasta da

cultura e do bem viver

Por Kelly Garcia

Recém-chegado de volta ao Rio de Janeiro, onde viveu por 37 anos e encontrou o grande amor da sua vida, Ednilo Soárez é um entusiasta do bem viver, que sempre está em busca de suas paixões, como a escrita, o convívio da família e os cruzeiros, mundo afora. Saiba mais sobre seus caminhos na nossa entrevista de domingo.

1. Seus pais, dona Nila e Edilson Brasil Soárez, foram exemplos de educadores e formaram várias gerações no Colégio 7 de Setembro, que você e seu irmão, Ednilton, assumiram posteriormente. Quais as principais lembranças deles? Vocês cresceram vendo as rotinas da escola?

A dedicação ao trabalho. Meu pai procurava acompanhar individualmente  cada aluno, colocando observações de incentivo ou os admoestando no desempenho pedagógico e no comportamento. Sabia o nome de todos os alunos. A mamãe, que sempre trabalhou a seu lado e dava aulas de Economia Doméstica, teve o mérito de continuar o Colégio após o seu falecimento. Chegamos a pensar que o Colégio fecharia suas portas. Mas, ela, com sua fibra, e contando com a segura orientação financeira do Ednilton e os profundos conhecimentos de didática da Ednilze, manteve vivo o ideal do Dr.Edilson. Na ocasião, tanto o Ednísio como eu trabalhávamos no Rio.

 

2. Como você escolheu os seus caminhos profissionais? E como foram as experiências antes de ser educador?

Entrei para a Marinha de Guerra tendo cursado tanto o Colégio, como a Escola Naval e feito a famosa viagem de “Volta ao Mundo” como Guarda-Marinha. Posteriormente, desencantei-me da Marinha e fui estudar Economia, na então Universidade do Brasil, atual UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro. A convite de um professor da Faculdade, fui o fundador do CPDERJ- Centro de Processamento de Dados do Estado do Rio de Janeiro e, em seguida, 
presidente do C.P.D.E.R.J., 
secretário da Fazenda e presidente do Sistema Financeiro do Estado, 
Presidente da Nova Coderj, Coderj – Crédito, Financiamento e Investimentos S.A., constando de:
Banco do Estado do Rio de Janeiro - BERJ com 63 agências.
CODERJ – Crédito Imobiliário S.A., CODERJ Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., 
BANCODERJ – Banco de Desenvolvimento do Estado Rio de Janeiro S.A. 
CODERJ – Seguros lS.A. 
Juntamente com o Ednísio, fundamos a Construtora Marot Soárez, quando edificamos 950 apartamentos no Rio de Janeiro. A essas múltiplas experiências profissionais, acrescentei, juntamente com a Fani, um mestrado em Psicologia Educacional. Como havia sido criado nas atividades do Colégio, então Ginásio 7 de Setembro, foi-me fácil adaptar-me à rotina de Diretor da Escola, onde apreciava sobremaneira o convívio com os alunos e a Entrega Mensal dos Boletins, onde podia estimulá-los a melhorar o seu desempenho escolar.

 

3. Antes de se mudar para o Rio de Janeiro, você teve uma trajetória de atuação intensa nas instituições culturais de Fortaleza, chegando inclusive a presidir o Instituto Histórico do Ceará. Nos conte um pouco sobre essa experiência e os aprendizados que isso proporcionou.

Iniciei fundando no Colégio, uma Academia de Letras dos Estudantes do Colégio 7 de Setembro e o Interact Club 7 de Setembro, ligado ao Rotary Club de Fortaleza, do qual fui seu presidente. Na Academia, acompanhava os alunos aos eventos culturais da cidade. No Interact, promovia campanha de arrecadação de alimentos, roupas e sapatos usados a favor das inúmeras Organizações de Ajuda aos Necessitados. Desenvolvia assim o interesse cultural e a responsabilidade social nos alunos. Como consequência, tornei-me conhecido nos ambientes culturais e fui sendo eleito para a Academia Fortalezense de Letras, da qual fui presidente, da Academia Cearense de Retórica, Associação Brasileira dos Escritores, do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará, que tive a honra de presidir por dois mandatos (2013 a 2017) e, finalmente, na Academia Cearense de Letras, da qual fui Diretor. Felizmente, jamais tive nenhum oponente nas diversas instituições. Como tenho permanecido em Lisboa por longo período, fui eleito para a Associação dos Escritores de Portugal e para o PEN (Poetas, Escritores e Narradores) Clube de Portugal.

 

4. A escrita é uma das suas paixões. Como desenvolve a pesquisa para os seus livros? 

Começo a pensar em um assunto sobre o qual já tenha algum conhecimento. Como gosto muito de ler, tendo o hábito de copiar as frases mais significativas para inseri-los no texto, vou desenvolvendo o enredo de acordo com a imaginação, sem um roteiro. É interessante observar que os personagens, à minha revelia, vão sofrendo mutações, uns adquirem maior participação e outros menor.

5. Quais os seus autores preferidos? O que está lendo no momento?

Esta é uma pergunta difícil. Cada autor me atrai por razões diferentes. Prefiro os livros históricos, biográficos e romances, sem nenhuma predileção ideológica ou espiritual. Nunca me filiei a nenhum partido político, nem participo de nenhum credo religioso, para não perder a minha isenção de análise. Meus autores prediletos são Baruck Spinoza, Friedrich  Nietzsche, Eça de Queiroz, Machado de Assis, Ernesto Rodrigues e Teresa Martins. Estou terminando de ler “A Queda do Império Soviético” de Michael Dobbs.

 

6. Você e sua esposa, Fani, gostam muito de viajar. Como escolhem os roteiros? Qual o que mais impressionou? E pra onde sempre voltam?

Realmente, Fanizinha e eu viajávamos bastante antes da pandemia. O mérito é todo dela. É quem escolhe o roteiro buscando o que cada país tem de mais interessante em sua história e belezas naturais. Por uma feliz coincidência, amamos cruzeiros. O que mais nos chamou a atenção foram as Muralhas da China, os  safáris da África do Sul, a pesca de  Salmão no Alasca e o banho em uma lagoa aquecida por vapores de vulcão em Reykjavik, capital da Islândia. Nossa cidade predileta é New York, a “Big Apple” por sua diversidade étnica e riqueza cultural, é sempre uma atração inigualável com seu comércio, shows e museus.

 

7. Quais os seus projetos para o futuro?

No meu “Último Ciclo de uma Vida”, bem vivida, pretendo:
a- Continuar amando a Fanizinha
b- Cultivar o ócio cultural 
c- Realizar Cruzeiros por esse mundo de Deus.

 

8. O que aprendeu com esse período difícil de distanciamento social e pandemia?

A pandemia aproximou os relacionamentos lastreados na afinidade, enquanto os “outros” continuaram a ser apenas os “outros”.

 

9. Você decidiu recentemente se mudar em definitivo para o Rio de Janeiro, após um período entre Portugal e Fortaleza. Por que essa decisão?

Temos 4 filhos e 6 netos, todos morando no Rio. Além disso, a Fani é carioca e eu morei 37 anos no Rio, antes de voltar a Fortaleza em 1993.

 

10. Do que mais gosta em Portugal? E em Fortaleza?
Em Portugal, aprecio sobremaneira:
a- a Segurança
b- os Amigos
c- os belos arredores
d- a diversidade culinária
Em Fortaleza:
a- Os meus irmãos e sobrinhos
b- Os amigos das Instituições Culturais às quais pertenço: a Academia Cearense de Letras e o Instituto do Ceará.

 

11. Como cultiva a espiritualidade? 

Diante da magnitude do Universo, sinto-me de acordo com a Bíblia “um germezinho de Jacó” (Isaias 41:14). Além do que, de acordo com Bertrand Russel: “ O homem é um insensato, Não sabe de onde veio e nem para onde vai”. Não sou Ateu, mas não pertenço a nenhuma religião. Acredito de acordo com Voltaire: “No Deus que criou os homens e não no Deus que os homens criaram”. Posso intitular-me como “Transcendentalista Panteísta” , infelizmente precisaria de um espaço muito maior para tentar explicá-lo.

 

12. Nos indique um filme e uma série.

Como sou um tradicionalista, o filme que nunca esqueci foi “ Suplício de uma Saudade”, mas não tenho o hábito de assistir a séries.

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Liderança

para inovar

Por Kelly Garcia

Nosso entrevistado da semana é o secretário de Turismo de Fortaleza, Alexandre Pereira. Graduado em Administração de Empresas pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), mestre em Administração Pública pela Universidade de Lisboa (Portugal), pós-graduado em Gestão Estratégica pelo Instituto Europeu de Administração e Negócios, na França, pós-graduado em Gestão Pública e Privada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), também foi secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará, ex-presidente do Centro Industrial do Ceará, ex-presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do Ceará, ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip). Além desses cargos de liderança, também foi ex-presidente do Conselho Gestor das Parcerias Público-Privadas da Prefeitura de Fortaleza. Hoje, é membro da Academia Cearense de Administração (Acad), da Academia Cearense de Turismo (ACT), membro honorário da Academia Cearense de Direito (Aced) e presidente do Partido Cidadania no Ceará. Confira nossa conversa sobre música, empreendedorismo e gestão pública.

1. Você, além de se envolver com os caminhos políticos, também é empresário de vários setores. Nos fale um pouco sobre como resolveu empreender nessas áreas?

 

Eu comecei minha vida como empresário muito jovem, aos 20 anos, ainda estudante de Engenharia e Administração de empresas, quando montei meu primeiro negócio, um pequeno mercadinho. O negócio foi se tornando maior, se tornou um pequeno atacado. Depois, entrei no ramo da panificação, que era o ramo do meu avô. Na realidade, de padaria eu só conhecia de criança a padaria do meu avô e acabei e entrando nesse ramo também, o principal durante a minha vida. Até hoje, ainda me dedico a ele, ainda sou padeiro, mas acabei me tornando também empresário em outras áreas: na área de serviços, academia, construção civil, seguros. Enfim, entrei em vários outros negócios, dos quais até hoje participo. Ainda sou sócio de empresas, mas não atuo mais diretamente na gestão dessas empresas. A minha paixão se tornou a área pública e é onde eu venho me dedicando ao longo desses últimos dez anos.

 

2. Como os seus caminhos se cruzaram com a política?

Foi basicamente quando eu me tornei presidente do Centro Industrial do Ceará (CIC). Eu sempre fui empresário, sou administrador de empresas por formação e sempre atuei na área privada. Ao me tornar presidente do CIC, comecei a me apaixonar pela administração pública. O CIC sempre foi um braço político da FIEC e também fui vice-presidente da FIEC. Nessa época, comecei a entender a complexidade da gestão pública e fui me envolvendo e interessando cada vez mais. Então, comecei a estudar a área pública e acabei sendo convidado para ser Secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico do Governador Cid Gomes. E aí me apaixonei pela gestão pública. Depois, o prefeito Roberto Cláudio me chamou para ser Secretário do Turismo. Entendo que me apaixonei também pela área do turismo, porque ela é derivada do desenvolvimento econômico. E isso acabou me levando a fazer um mestrado em Administração Pública na Universidade de Lisboa, que concluí em maio deste ano.


3. Além de gestor público, você toca piano clássico e se aventurou a tocar nas ruas de Fortaleza, no Projeto Pôr do Sol Fortaleza. Quando concluiu o curso de piano? Onde? Chegou a pensar em se tornar um pianista profissional? Treina com que regularidade?

Eu toco piano desde criança, é algo que me faz muito bem. Cheguei a estudar, mas não concluí o curso, toco muito mais de ouvido. E embora não tenha uma regularidade, é algo que está sempre presente no meu dia a dia, pois a música tranquiliza, harmoniza, ajuda a combater o stress, é quase uma terapia.

 

4. Você foi eleito o melhor secretário de Turismo do Brasil. Como recebeu esse reconhecimento? Ficou surpreso?

Essa foi, sem dúvida alguma, a maior emoção da minha vida na área pública, pois foi um reconhecimento muito importante, principalmente porque eu não era do segmento quando assumi. Além disso, esse reconhecimento se deve muito ao fato de eu ter apostado em projetos inovadores, que às vezes nem envolvem tanto custo, mas trazem um resultado muito positivo!

 

5. Quais as principais inovações que o senhor executou ao assumir a Setfor?

Quem me conhece e acompanha minha atuação como secretário sabe que costumo dizer que "cidade boa para o turista é a cidade que é boa para o morador". Então, a gente sempre focou muito no fortalezense, em como é que seria a visão do fortalezense sobre sua cidade. Fazemos os projetos sempre pensando no morador. Porque, se o morador gostar de sua cidade, o turista vai ser contagiado por isso. E o contrário também acontece.
Pensando muito nisso, no morador, trazer a sede da Setfor para a Praia de Iracema, por exemplo, foi uma forma de trazer o fortalezense de volta ao bairro. A partir desse primeiro passo, investimos em outras iniciativas fomos conseguindo que o fortalezense visse novamente a Praia de Iracema como um local de lazer e de negócios.

 

6. Como recebeu a notícia de que seria um dos pré-candidatos à prefeitura de Fortaleza?

Recebi com muita responsabilidade, afinal de contas pensar em ser um dos gestores da quinta maior cidade do Brasil, com as complexidades inerentes a ela é uma grande responsabilidade. E posso dizer que recebi com a mesma felicidade, quando o prefeito Sarto me convidou para ser o secretário do Turismo de Fortaleza.

7. Quais são os principais desafios que tem se construído ao longo dos últimos dois anos, com tantas mudanças na política?

O Brasil está muito dividido, existe uma polarização, um incentivo muito grande ao ódio, mas apenas 40% da população é assim, 60% dessas pessoas querem alguma coisa diferente... O Brasil está com uma crise de credibilidade no setor político. Acredito que estamos precisando de uma terceira via para sair dessa polarização.

 

Você vê com otimismo o cenário pós-pandemia? O que precisaria mudar hoje no setor do turismo em Fortaleza a seu ver?

 Vejo com muito otimismo. A pandemia está nos dando uma grande oportunidade do brasileiro conhecer o Brasil. Antes, todo mundo queria guardar um dinheiro para conhecer a Disney, Orlando, ou a neve, Bariloche, Paris... Ninguém queria guardar dinheiro pra conhecer o Brasil. Agora, com o dólar e o euro como estão, as pessoas se voltaram para o turismo interno, o que é muito bom.

 

9. Um sonho profissional e pessoal ainda não realizado.

Me sinto realizado, tanto pessoal como profissionalmente, mas ainda tenho muito o que fazer, sou inquieto. 

 

10. Qual o lugar mais lindo que já visitou? E pra onde sempre volta?

Adoro ir pra Guaramiranga e voltar pra Fortaleza. São duas das cidades mais lindas que eu acho.

11. Quais os seus modelos de vida, na música e na política?

Na música, gosto de tudo que não seja muito radical, com uma tendência mais para o jazz, bossa-nova e MPB. E, na política, o gosto de tudo que não seja extremo, com uma tendência social-democrata para as pessoas, e liberal para a economia. Que é como me defino: um social-democrata-liberal. Esse é um novo tipo de político que está surgindo. Somos políticos que acreditam no liberalismo econômico (desburocratização, menos imposto...). Não falamos em estado mínimo, mas estado suficente. Intransigente com o ser humano, com respeito às pessoas, com a oportunização igual para as pessoas, a mesma educação para o filho do rico e o filho do pobre, SUS fortalecido.

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 Itaquê Figueiredo:

versatilidade e competência em dois caminhos profissionais

Por Kelly Garcia

Com 21 anos de uma carreira focada em eventos particulares, o DJ Itaquê se tornou indispensável nas melhores e mais personalizadas comemorações. Dos casamentos a eventos corporativos, Itaquê alia bom gosto e faro musical ao estilo de cada cliente. Misturas, influências, inovações e produções fora do comum somados ao aprovado profissionalismo são o segredo para a tão sonhada festa perfeita. Além de ter um caminho de reconhecimento como DJ, Itaquê Figueiredo também é nutricionista e ama testar novas receitas de pudim nas horas vagas. Saiba mais sobre ele no nosso perfil semanal.

Você é um dos profissionais mais versáteis que conhecemos e admiramos. Depois de se formar em odontologia, ser um dos DJs mais badalados de Fortaleza, resolveu se reinventar e investir na nutrição. Nos conte um pouco sobre esses três caminhos.

A nutrição foi minha primeira faculdade (mas não cursei naquela época) antes da Odontologia. Reativei esse desejo e aos 40 anos decidi retomar.

 

Na nutrição, além de atuar no consultório, você ainda tem uma receita especial de pudim que faz muito sucesso entre os seus amigos. Você sempre gostou de cozinhar ou é um prazer recente? Como chegou nessa receita top de pudim?

Desde criança eu gostava de cozinhar. A faculdade de nutrição me aproximou mais ainda. O pudim era a sobremesa que meu pai pedia na sexta quando almoçava na minha casa. Aí esse amor doce eu compartilhei com todos. 

 

Com a volta dos eventos, você pretende de dividir entre a nutrição e a música? 

Com a volta dos eventos eu já estou totalmente na ativa. 

 

Infelizmente, você teve uma grande perda familiar com a Covid-19. Nos fale um pouco sobre a influência do seu pai, Iraguassu Teixeira, em sua vida.

Meu exemplo, a referência na vida. É uma grande perda pra mim é para todos que conviviam com ele. 

 

Como você faz para se manter sempre atualizado como DJ? E como nutricionista?

Como Dj, temos grupos de amigos e pesquisa. 
Como nutricionista eu tenho participado de congressos, pós graduação, cursos. 

 

É possível comer o que se gosta e manter o corpo saudável?

Claro!!! Comida é afeto, aconchego. Por que não comer? 

 

Quais os seus hobbies?

Adoro ouvir música, gosto de terra, planta, sítio, comer fruta no pé da árvore, assistir clipes de música, Teatro, viagens, festas, baladas e boites. Sou eclético! 

 

Como cultiva a espiritualidade? Tem algum santo de devoção?

Sou católico, participo de grupo de oração, assisto à missa. No entanto não posso dizer que tenho um santo de devoção.

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Vale a pena ver de novo
Dinamismo e criatividade na realização de sonhos

Por Kelly Garcia

Competente Mafrense Sousa trocou o Direito pela realização dos sonhos dos outros, como cerimonialista. Com quase três décadas dedicadas ao setor, Mafrense faz parte da história dos momentos inesquecíveis de muita gente. Diretor da Mafrense Eventos, com sede no bairro Edson Queiroz, atua nos segmentos de eventos, casamentos, aniversários, formaturas, corporativos e agora está lançando uma equipe para o infantil. Amante dos destinos exóticos, já visitou 50 países e ama ler e ver filmes de arte. Confira mais sobre esse grande profissional na nossa entrevista.

Como e quando você iniciou sua trajetória como cerimonialista?

Para contar um pouco dessa história, vou precisar voltar um pouco no tempo... Iniciei a minha trajetória no ano de 1992, quando conheci a Marilza Pessoa do Bom Bocado, o que mudaria para sempre a minha vida profissional. Para trabalhar com ela como cerimonialista, abri mão de exercer a minha carreira no Direito, a qual era recém formado e já estudava para prestar os exames da ordem. Desde então, abracei a profissão e todos os dias agradeço pela escolha que fiz. 

 

Quais os principais aprendizados que você teve durante todos esses anos no mercado?

O meu principal aprendizado veio com o amadurecimento como ser humano e profissional. Aprendi a dar mais valor às pequenas coisas, e maior respeito ao próximo.

 

Já atuou em outras áreas? Quais? Quais eram os seus sonhos de profissões na infância?

Não atuei em outras áreas, pois estava no início de carreira, e logo me vi completamente envolvido nessa área de eventos. Mas, meu sonho de criança era ser ator.

 

Na sua opinião, qual o principal diferencial do Mafrense no mercado de eventos?

O principal diferencial da Mafrense Eventos é o processo de se reinventar o tempo todo. A gente não para e não tem se acomodado durante esses 28 anos! O tempo todo estamos nos reinventando, pois agora mesmo, estamos iniciando uma campanha pu blicitária para apresentarmos as novas tendências no mercado.

 

Depois da pandemia, o segmento de eventos foi um dos mais afetados. Como será o retorno? O que você está preparando de novidade?

Bem, o retorno será de forma gradual, devemos acompanhar e entender essa nova fase, tudo será muito lento, mas aos poucos as coisas irão se encaixando. Nessa pandemia, durante esse período de isolamento, comecei a ver as coisas por um novo olhar, amadureci muito, e com isso surgiram várias inovações. A empresa está linda, foi toda repaginada, um quadro novo de funcionários mais qualificado estará conosco nessa nova fase!

Ao longo dos anos, na sua opinião, o que mudou no ramo dos eventos e festas?

Ao longo desses anos, as festas mudaram completamente, um novo conceito foi formado. Naquela época, quando iniciei nesse caminho profissional, as festas eram planejadas pelos próprios pais. Hoje em dia, saem a cara da noivas e aniversariantes. E atualmente, as redes sociais contribuíram muito para essas mudanças.

 

Você é conhecido pela tradição e a competência em grandes eventos. Como conseguiu esse diferencial?

Na verdade, a gente permanecer no mercado há 28 anos, depois de uma nova geração de profissionais que surgiram nesse processo, não é fácil! Procuro, o tempo todo, novas ideias, novos caminhos. Minha cabeça não para, as coisas vão surgindo e vamos aprimorando.

 

Quais suas principais referências como empresário do ramo de eventos? E como cerimonialista? 

A minha principal referência vem da seriedade e do excesso de responsabilidade como encaro o meu trabalho, e com isso ganhei muitos frutos, como o respeito e a fidelização da minha seleta clientela.

 

Como cuida do corpo e da mente?

Do corpo, faço exercícios físicos, tenho todo o acompanhamento de um personal e nutricionista, o que não tem sido fácil, devido o que a própria rotina da minha profissão exige! Da mente, procuro meditar, assistir a bons filmes de arte, e sempre que posso, tento me desligar um pouco.

 

Quais os seus hobbys?

O meu principal hobby realmente é viajar! Sou apaixonado por destinos exóticos. Afinal, já são 50 países, e muitos deles repetidos.

 

Qual o lugar mais lindo que já visitou? E para qual sempre volta pra recarregar as energias?

Budapeste, no leste europeu, é apaixonante! E o que ultimamente mais tenho retornado, é Cartagena, na
Colômbia. Já estive por três vezes. A cidade amuralhada é cheia de encantos, e as ilhas são fascinantes! 

 

Gosta de ler? Qual o livro mais recente que leu? E o filme? Nos indique uma série.

Simples Assim, de Marta Medeiros. Um filme marcante - Desde que Otar Partiu. Uma série da Netflix, Anne With an E, imperdível. 

 

Como cuida da espiritualidade? Tem algum santo de devoção?

Sou católico, e tenho grande devoção por nossa Senhora de Fátima.

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A importância da psicologia para

a manutenção da saúde mental

Por Kelly Garcia

Nosso entrevistado da semana é o psicólogo Luiz Coelho Neto. Graduado pela Universidade de Fortaleza, atua na psicologia clínica há anos. Além disso, é especialista em Perdas e Lutos pelo Instituto 4 Estações - São Paulo - e em Psicodrama pela Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas ( FEPS do Brasil). Fundador do Instituto Ciclo de Psicologia em Perdas e Lutos, também  ministra palestras sobre o tema em vários estados brasileiros e no exterior. Confira nossa conversa sobre o cenário pós-pandemia, saúde mental e a importância de se procurar um psicólogo.

Você é um dos principais estudiosos do luto na sua área de atuação. Qual o impacto que você percebe da pandemia na saúde mental das pessoas, já que muitos não conseguem se despedir de seus entes queridos?

A pandemia vem produzindo repercussões em vários aspectos, desde as de ordem biomédica e epidemiológica como também nos aspectos sociais, econômicos, políticos, culturais e históricos nunca vistos em histórias recentes das pandemias. No entanto, destaco nesse momento o “luto” mal elaborado nas pessoas, por não poderem se despedir dos seus familiares e amigos nesse período em que estamos atravessando.

O luto é uma resposta natural a uma quebra de vínculos, ou seja, quando se perde alguém ou algo significativo na própria vida. Mas essa situação se complica quando os rituais de despedida não acontecem, e esses são considerados organizadores muito importantes para que se estabeleça um processo de luto normal nos indivíduos.

As principais funções dos rituais são facilitar a expressão pública do sofrimento, possibilitar que o falecido seja lembrado, além de introduzir o novo papel social que o enlutado irá desempenhar, promover um lugar adequado para chorar a perda, compartilhar memórias e sentimentos.

Por outro lado, o impedimento desse ritual pode trazer um sério impacto mental das pessoas, ampliando o risco de um luto complicado, ou seja, quando o processo se dá de forma mais intensa e duradoura. Quando o indivíduo não consegue processar a situação vivida, nem se despedir da forma que lhe permitisse ter um maior senso daquela realidade e concretude da morte. E é o que vem acontecendo em relação às mortes provocadas pela COVID-19. Muita gente tem ficado sem informações corretas sobre o estado de saúde de pacientes quando estão internados no momento do óbito, a dor parece maior, muito pela ausência deste ato normal de despedida.

 

Como você escolheu seguir a psicologia? 

A minha maior motivação em cursar a faculdade de psicologia foi buscar compreender o comportamento humano e estudar suas ideias, sentimentos, valores e emoções. E a partir dessa premissa, poder colaborar na trajetória das pessoas que um dia cruzassem o meu caminho como 
psicólogo, ou seja, os meus pacientes.

 

Você nota um aumento na quantidade de pessoas em busca de atendimento psicológico? Ou ainda há um certo bloqueio das pessoas em procurar um profissional da psicologia?

O interesse por atendimento psicológico no Brasil não costuma seguir um padrão. Mas de acordo com algumas pesquisas feitas pelo Google Trends, aconteceu um pico surpreendente em relação a procura do suporte psicológico nos últimos meses, talvez em decorrência da pandemia e suas consequências como isolamento social, medo de pegar a doença, medo de perder alguém etc....

 

Quais atitudes você acha que seriam fundamentais para manter a sanidade neste período de crise? 

Nesse momento de pandemia me sinto mais do que na obrigação de dar pelo menos um pouco de minha contribuição para tentar minimizar as consequências do novo cotidiano que prepondera na vida de todos nós.
 

Seguem dicas:
1) Atualize-se a nível da situação sem exageros e fixação em sempre estar buscando ouvir informações desastrosas.

2) Escolha apenas um jornal (noticiário) ao dia que te deixe bem informado.
3) Se você insistir em manter-se na informação negativa, isso poderá te conduzir a uma situação de stress inevitável.

E automaticamente isso te levará a um estado constante de 
vigília, sem que você possa relaxar e ter preservada a sua condição de bem-estar, relaxamento e até mesmo ter uma consciência plena e cheia de escolhas e discernimentos.
Suspenda:
O seu estado de vitimização.
O momento de confinamento não é uma punição, mas sim uma atitude muito inteligente e protetiva para todos nós humanos.
Não confunda:
1) Solidão e isolamento.
2) Solidão com ideia de abandono.
3) As pessoas que em geral você estima podem sim ser conectadas utilizando a grande 
tecnologia que está à nossa disposição, tipo vídeo chamadas, telefonemas ou mensagens.
Advertência: Todos nós temos condições de nos fazer presentes.
Evite: O pessimismo como a sua principal escolha, ele barra a consciência para novas 
oportunidades.
Suspenda: O ócio. 
Nesse momento ele não é a melhor recomendação, tendo em vista que se o ócio não for produtivo, 
exponencial e criativo, ele pode te levar a um congelamento existencial.
Atenção:
Você pode manter-se saudável fisicamente e psicologicamente mesmo estando em casa.
Finalizando, vamos pelo menos tentar viver dentro de uma consciência mais ampla e que possa abranger todo o coletivo.

Você acredita que é possível realmente prevenir o suicídio? Como ajudar alguém que admite ter o desejo de tirar a própria vida?

Com certeza a prevenção do suicídio é perfeitamente concreta e real. Através de acompanhamentos psicológicos e psiquiátricos é possível sim uma completa reversão do quadro.

 

Com o advento das novas tecnologias, hoje é possível fazer uma consulta online. Os pacientes preferem essa modalidade hoje ou retornaram aos atendimentos presenciais?

Em um mundo acelerado, repleto de estímulos, que espera constantemente que você dê tudo de si (e de preferência com um sorriso no rosto), é quase impossível manter sua saúde mental inabalada. Ainda mais no meio de uma pandemia! As emoções surgem avassaladoras e a mente não para um instante. Todos passamos por períodos assim, é natural, mas não é saudável que eles durem muito tempo ou que se transformem na sua rotina.
Nestes casos, buscar acompanhamento psicológico pode ser um excelente recurso! Em um processo terapêutico, o(a) psicólogo(a) não dará respostas, mas ajudará você a construir  caminhos diferentes para lidar com questões difíceis e a desenvolver uma melhor relação consigo mesmo e com o mundo.

E como autoconhecimento é algo que ninguém pode roubar de você e um caminho sem volta, além de ajudar na solução de seus problemas atuais, a terapia ainda te deixa instrumentalizado(a) para enfrentar os próximos desafios – que inevitavelmente surgirão. E é impossível negar que nossa saúde mental foi intensamente impactada desde o início da quarentena.

A alta frequência de notícias ruins e a incerteza do momento que estamos vivendo é um gatilho para muitas pessoas, o que resulta em uma segunda pandemia acontecendo simultaneamente, a das doenças psicológicas. E é aí que entra a terapia online.
Terapias e consultas online se tornaram uma realidade no mundo durante o COVID-19 e foi uma solução que encontramos para continuar nos cuidando e nos mantendo saudáveis durante a pandemia.
As maiores vantagens da terapia online e como ela pode ajudar à todos durante esse período super delicado que estamos vivendo são:
1. Começando pelo óbvio
No atual cenário, fazer terapia online permite que você se mantenha cuidando do seu mundo interno sem a necessidade de se expor ao risco da covid-19 em visitas ao consultório.
2. Liberdade para escolher seu terapeuta.
A terapia online permite que você não dependa mais de morar na mesma cidade que seu terapeuta ou que precise viajar para ser atendido em um determinado local.
3. Agenda flexível
Vários profissionais dividem suas salas de atendimento com colegas, o que pode ser um impeditivo para conseguir um horário no dia que você está mais livre por um choque de agendas.
4. Economia de tempo e dinheiro
Aqueles 30 minutos preciosos do deslocamento e o gasto em transporte ou estacionamento 
podem ser investidos em algo mais valioso para sua vida.
5. Garantia de neutralidade e “anonimato”
Quem mora em lugares menores ou é pessoa pública pode ter dificuldade em se abrir com um terapeuta local por diversos motivos, como estigmas sociais, laços com pessoas em comum, entre outros.
6. Comodidade e conforto
Você pode fazer sua sessão sentado na sua poltrona favorita, pegando um sol no jardim ou até mesmo enrolado em uma cobertinha!
7. Acessibilidade
A internet facilita o acesso ao atendimento psicológico para quem tem restrições de locomoção 
ou mobilidade reduzida.
8. Continuidade
Você não precisa parar a terapia se precisar fazer uma viagem, pois como uma boa conexão pode realizar sua sessão estando em qualquer lugar do planeta.
9. Sustentabilidade
Ao ser menos uma pessoa se locomovendo, você evita estresse com engarrafamentos, lugar para estacionar e até mesmo segurança. O que é ótimo para o planeta também.

 

Os adolescentes e crianças passaram muitos meses longe da escola. Você acha que isso impactou na saúde mental desse público? Como ajudar?

É indispensável a promoção da saúde mental nas escolas auxiliando no desenvolvimento e na potencialização da resiliência, ou seja, a capacidade de superar obstáculos e elaborar perdas e frustrações, trazendo como benefício a condição de desenvolver atitudes de enfrentamento para possíveis ocasiões de crise. O amparo apropriado das demandas da saúde mental para crianças e adolescentes nesse momento reduz uma possível situação de evasão e abandono da escola.

Com relação ao planejamento do cuidado com a saúde mental, planeje o retorno às aulas presenciais de acordo com as normativas federais, estaduais e municipais. Em conjunto com sua equipe, defina a nova organização do calendário de atividades, realize diagnósticos da aprendizagem do(as) alunos(as) e elabore programas de recuperação de aprendizagem de forma contextualizada com sua realidade e as necessidades de seus(suas) alunos(as), visando construir um plano de contingência adaptado e factível para a sua escola e seus(suas) estudantes.

A organização clara ajuda na adaptação de estudantes e educadores(as) à nova rotina.  Aproveite para acrescentar ou ajustar as atividades pragmáticas, de forma a abranger o cuidado à saúde mental de todos(as) no ambiente escolar.

 

O que você faz nas horas vagas? Quais os seus hobbies? 

O que faço nas horas vagas:
− Procuro desfrutar a convivência com a minha família e amigos
Hobbies:
− Gosto de nadar
− Assistir bons filmes
− Ler bons livros
− Fazer caminhadas
− Procuro ter o máximo de contato com a natureza

 

Nos dê uma dica de livro, de filme e de série. 
− Livros:
Formação e rompimento de laços afetivos – Autor: John Bowby
Amor e perda – Autor: Colin Murray Parkes
Perdas necessárias – Autora: Judith Viorst.
O livro do viver e do morrer – Autor: Osho
A morte é um dia que vale a pena viver – Autora: Ana Cláudia Arantes
O poder de agora – Autor: Eckhart Tolle
− Filmes:
Beleza oculta
Um olhar do paraíso
Amor além da vida
Mulheres ocultas (2020) (Joseph Chen-Chieh Hsu)
Adeus professor (2019)
A cabana
− Séries
After life
The good place
The end of the f***ing world 
I am not okay with this

 

Como você cultiva a espiritualidade? Segue alguma religião?

Sou cristão e procuro sempre manter a minha espiritualidade ativa e latente. Quanto a religiões, procuro estudar todas, considerando que o meu trabalho é permeado por pacientes dos mais variados tipos de crenças.

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Tecnologia e bom atendimento

que viraram tradição

Por Kelly Garcia

Luiziane Cavalcante cresceu em meio às vendas de óculos, jóias e relógios da Itamaraty, a empresa familiar fundada pelos seus pais, Panta e Luiza Cavalcante, na década de 60. Até hoje, a Itamaraty não parou mais de crescer e já está na terceira geração da família, com Luiziane e a irmã, Cristiane Araújo e o filho, Panta Neto. Sempre prezando por valores como inovação, respeito às pessoas, valorização, transparência e determinação, a Itamaraty busca sempre ser a melhor experiência em saúde visual  e moda para as famílias de Fortaleza. Para isso, conta com profissionais altamente qualificados, que recebem treinamento contínuo, além de estar presente em três cidades, Fortaleza, São Luís e Teresina e possuir laboratório óptico próprio, o único com padrão de qualidade total ISO 9001 e que garante entrega rápida nos óculos de sol e de grau. Confira um pouco sobre essa querida empresária em nosso perfil semanal.

Sua família é ligada ao ramo das óticas em Fortaleza, já desde o seu pai, Pantaleão Cavalcante. Quais as lembranças da sua infância? Você lembra da Itamaraty já nessa época?

Sim, nasci dentro de loja pois meus pais sempre trabalharam juntos. Desde pequena ajudava, adorava brincar de vender, de caixa e fazer as embalagens de presentes! Passei por todos os setores da empresa, aprendi de tudo um pouco. Sempre vivi o comércio na veia.

 

Hoje, vocês sempre estão em busca das melhores e mais modernas tecnologias em óculos de sol e de grau. Quais mudanças você percebeu no gosto dos clientes em todo esse tempo? 

Estamos sempre buscando o que existe de melhor e mais moderno para os nossos clientes. Inclusive, lançamos agora uma coleção de lentes Digitais 4k de última geração chamada Optiker para os nossos clientes de forma exclusiva. E o diferencial é que entregamos rápido, pois fabricamos aqui mesmo no nosso laboratório próprio. 

 

As armações Pantas são modernas e atuais e uma inovação como marca própria. Como essa ideia surgiu? 

Sim, tem várias marcas exclusivas, desenvolvidas por nós, que procuramos sempre lançar novos modelos e cores a cada 3 meses com  lançamentos de acordo com as coleções das estações.

 

Qual o diferencial da Itamaraty?

Estamos há 55 anos buscando ser a melhor experiência em saúde visual e moda para os nossos clientes e suas famílias.

 

Você hoje se considera realizada na sua profissão?

Sou muito feliz, amo o que faço, ao lado da minha irmã, e sócia Cristiane. O meu filho Panta Neto trabalha conosco e já é a terceira geração da Itamaraty iniciada pelos meus pais, Panta e Luiza Cavalcante.

 

Quais os seus hobbys?

Amo pedalar e dança ! 

 

Qual o lugar mais lindo que já visitou?

Gostei de todos que já visitei, amo viajar, mas não tenho um em especial.

 

Como cuida da espiritualidade?

Meditando todos os dias, ao despertar. Rezando, fazendo sempre o bem ao próximo! Sempre doamos óculos  de grau para crianças e pessoas carentes em ações junto ao Rotary e Sociedade Cearence de oftalmologia

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Vale a pena ver de novo
Uma vida dedicada a realizar sonhos 

Por Kelly Garcia

Alódia Guimarães é feita de festa. Nesses últimos 40 anos, fez muitos sonhos se tornarem realidade e hoje, se reinventa no aprendizado continuo da vida, que tem ensinado duras lições com essa pandemia. Confira nossa entrevista com uma das personalidades mais importantes do setor de eventos cearenses, Alódia Guimarães.

Como surgiu a ideia de trabalhar com eventos? Quando iniciou nessa área? 
Há mais de 40 anos vivo nesse mundo de festas, plena e realizada. Nasci em ambiente de criatividade, cultura, beleza e arte. Minha mae, Carmelita Guedis, era uma artista da alta costura. Em seu ateliê, produzia os mais belos vestidos de baile, de debutantes e noivas, eram fascinantes e me deslumbravam. Herdei muito dela. Meu pai, Rui Guedis, era um homem culto e apaixonado pela língua portuguesa. Assim, influenciada pelos dois, aprendi a gostar de tudo o que dizia respeito ao belo. Acompanhava-os muito nos compromissos sociais, solenidades e festas, aprendendo naturalmente a etiqueta e o bom comportamento em sociedade. Com toda essa preparação, sempre gostei de festa em todos os detalhes e aí chegou o momento em que resolvi deixar de lado as outras atividades para me dedicar profissionalmente e exclusivamente aos eventos.
Isso surgiu quando estava na diretoria do Ideal Clube, realizando as lindas festas deste clube que faz parte da minha vida, os Réveillons, as festas de aniversário do clube, os bailes de debutantes, concurso garota Ideal, entre outros eventos.
Desde pequena, ouvi meu pai dizer: Alódia é uma festa. E sou!!!

 

Como era o mercado nesse tempo? O que mudou desse tempo para cá?  

Ah! O mercado de festas era diferente, até porque era bem menor o numero de profissionais nesse setor. Tudo mudou... Os eventos ficaram maiores, mais ricos, mais sofisticados e mais competitivos e um número maior de todos aqueles que fazem parte do segmento festa. 

 

Quais os principais desafios e delícias de se trabalhar com eventos?

Há sempre desafios quando vamos elaborar um evento... porque mesmo com toda essa proliferação desses assuntos nas mídias, tentamos buscar ideias novas para mesclar com o que se tornou padrão. Como gosto de criar, sinto prazer em executar o evento com um projeto personalizado cujo perfil seja o dos donos da festa... Respeito muito o sonho dos meus clientes e procuro adequá-los ao seu orçamento.

 

Como você se mantém atualizada?

Sou curiosa e procuro sempre estar em contato com o novo, com as informações vindas de outros lugares e de outras pessoas. Sempre estou lendo, fazendo cursos, participando de congressos, imersões e viajando para adquirir maiores conhecimentos. 
A Samyra, minha segunda filha que trabalha comigo, deixou a engenharia para viver eventos, também me acompanha nessa busca de se atualizar para fazermos o melhor e sermos cada vez melhores... Nunca estamos prontas... temos sempre o que aprender!

 

Com tanto tempo de experiência, certamente você deve ter passado por situações emocionantes e engraçadas. Você poderia nos contar algumas histórias?

São tantos episódios que recheiam essa trajetória... O jogo de cintura e as soluções achadas para obter o sucesso desejado são sensacionais. Graças a Deus, o imediatismo de uma ideia de socorro tem dado sempre certo. Vou lembrar de um evento que marcou nossa trajetória entre outros. O casamento foi numa época sem chuva, mas quando a noiva saia da igreja, o céu se abriu e um diluvio aconteceu. E ai com muito talento, seguranças e criatividade, transformamos o desespero e a angústia numa festa inusitada. Aconteceu debaixo das bênçãos das águas caídas do céu. Foi linda e animadíssima.

Quais os seus hobbys?

Gosto de dançar, de conversar com meus amigos, ler bons livros, rever revistas e figurinos antigos.

Nos dê uma dica de livro, filme e série.

Gosto muito de ler biografias, no momento estou lendo e saboreando “A História de São Lucas – Médico de Homens e de almas ", de Taylon Caldwell.
Quanto à dica de filme, sugiro: À Procura da Felicidade, é baseado em fato real, excelente! E quanto a uma série, recomendo uma que é longa, mas vale a pena, é extraordinária, trata de uma verdadeira lição de fé, integridade moral, ética e verdade, chama-se Resurrection, a vida de Ertugrul.

 

Como você lida com a espiritualidade? Tem algum santo de devoção?

A espiritualidade para mim é a essência do viver. Sou religiosa, fui educada em colégio de freiras (Colégio da Imaculada Conceição) do qual guardo as melhores recordações. Tenho devoção natural pela Nossa Senhora de nossa capela, a Nossa Senhora da medalha Milagrosa e de São Judas Tadeu.
 
Qual o lugar mais lindo que já visitou?

Já visitamos muitos lugares bonitos no Brasil e fora dele. Mas, talvez o que muito me marcou foi a Turquia. Achei tudo fascinante.

 

Qual o principal aprendizado desse período de pandemia? O que mudou na sua forma de ver o mundo?

Não gosto da solidão! Sou festa! Gosto de gente, de estar cercada pelas filhas, genros, netos e amigos. Talvez meu maior aprendizado esteja sendo lidar com as ausências. E ainda não gosto de trabalhar só, no momento estou sozinha nas minhas tarefas...
Hoje, com essa pandemia, uma boa surra que o Senhor está dando na humanidade para lembrar que Deus só há um, nos fez rever valores... e entender que tudo é Dele e tudo esta nas mãos Dele.

O mundo não será mais o mesmo, as pessoas vão se cuidar mais e vão valorizar mais o SER que o TER! Concluo que com essa experiência entendemos que para se viver bem e feliz não precisamos de muito...o pouco bem escolhido e bom é o necessário. Até as festas, creio que serão diferentes... penso que voltará num modelo mais simples, com mais essência, sem ostentação, onde o menos será mais e o luxo será o bom gosto e o chic!

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Bolos para surpreender

Por Kelly Garcia

Adriana Pessoa Serra vem se destacando no universo dos bolos artísticos e aprimorado cada vez mais seus talentos compondo suas delícias para eventos como aniversários, primeira comunhão, batizados e ainda os aniversários infantis, que são uma de suas paixões. A vocação para as artes foi percebida muito cedo, ainda na infância, ao observar a mãe, Marilza Pessoa, nossa grande diva dos bolos artísticos no Ceará e pioneira nesse ramo. Confira com a gente um pouco dos bastidores da criação das delícias da Cake Mania, que inclusive, neste mês de setembro, comemora seus quatro anos de fundação. 

Quais são suas lembranças mais antigas e preciosas no ramo dos bolos artísticos? Sabemos que você tem grande influência da mãe querida, nossa diva dos bolos artísticos, Marilza Pessoa. 
Muito cedo, soube que a arte de alguma forma estaria ligada à profissão que um dia viria a escolher. Mas, foi na Bom Bocado, ao lado da mainha, que começou a minha grande paixão pelo mundo dos doces. Poder transformar uma imagem em um bolo, ou um bordado de roupa de bebê em um bordado de bolo sempre me encantaram. É um trabalho que, sem dúvida, exige muito amor, dedicação e criatividade. Entretanto, meu primeiro insight para criar se deu quando tinha uns seis anos, no jardim da casa da minha avó, fazendo um castelo da Cinderela de wafer. Eu sempre estava por perto, ajudando. Mainha fazia o bolo e eu abria os biscoitos, dava pra ela, separava as jujubas. Nas maquetes da escola, também gostava de ousar e usava os mesmos ingredientes dos bolos, como mármore tingido para as pedras, coco ralado para a grama... 

 

Onde você busca inspiração para as suas criações? 
As grandes inspirações surgem de imagens que me fazem sonhar. Por isso, a paixão pela pintura, sem nenhum curso. Fui errando e acertando, como em tudo na vida. Digo: cada bolo pintado é como uma folha em branco...  Isso é encantador. Minhas inspirações são em imagens que vejo, como um convite, uma roupa de criança, portões antigos e até mesmo em loja de materiais de construção. 

 

Como surgiu a ideia de empreender com a Cake Mania? 
A Cake Mania surgiu do amadurecimento de uma decisão. E tem sido uma decisão acertada, porque já temos quatro anos de empresa. Hoje, trabalhamos com bolos infantis, de casamento, Primeira Eucaristia, Batizados, mêsversario, além de docinhos, bem-casados, cupcakes e brownies. 

 

Qual a principal delícia de criar bolos, muitas vezes, a grande vedete de festas que são verdadeiros sonhos? 
Acho que desejo ver o brilho nos olhos dos pais, levar um pouco do encantamento que é o nosso lado infantil. Quanto à felicidade da criança,  nem se fala. Os bolos são registrados pelas fotos e a cada ano, é mágico ver cada idade, cada transformação. 

 

Como você se aperfeiçoa na sua área? 
Vendo tendências. Porém tenho a certeza que é no dia a dia que aprendo mais, com a grande certeza de que ainda tenho muito o que aprender todos os dias. Isso é desafiador. 

 

Nos indique uma série, um filme e um livro. 
Série: Anne with an E / Filme: O Segredo e Encontro Marcado / Livro: O Pequeno Príncipe 

Nos conte um sonho não realizado.  
Não ter ido ao Show de 50 anos de carreira do Rei Roberto Carlos no Maracanã. E esse realmente não tem volta. 

 

Como você alimenta sua espiritualidade? Tem algum santo de devoção? 
Minha espiritualidade vem na paz que sinto. Tenho necessidade de estar na praia, de frente para o mar, com pouca gente. Acho que é onde encontro com Deus. Na grandiosidade do mar, do céu, do sol e a paz que dá estar diante dele. Mas, diariamente , posso dizer que, na maioria das vezes, escuto Padre Marcelo Rossi. Principalmente, se eu estiver trabalhando na madrugada. Eu tenho como santos de devoção João Paulo II e São Francisco de Assis, mas também sou admiradora de Chico Xavier. 

 

Na pandemia, todos aprendemos grandes lições. Qual foi o seu maior aprendizado? 

Meu maior aprendizado foi que, relacionado à minha profissão, apagar mais uma vela passou a ter um significado muito maior porque significa estar vivo, em um tempo que muitos perderam a vida pra doença e também entes queridos. Podemos agradecer por mais um ano, por estarmos vivos. Faço uma retrospectiva e revejo cada encomenda remarcada por um cliente por perdas para o vírus, Cada sonho adiado pelo vírus... 
Tudo isso fazia parte no nosso dia a dia. Ver esse momento sendo realizado, era imensamente recompensador para mim. Na vida pessoal, continuo em constante aprendizado e a certeza em uma frase que demais "Tudo passa ".

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Literatura para

realizar sonhos

Por Kelly Garcia

Nossa entrevistada da semana é a escritora premiada Vanessa Passos. Professora de escrita criativa, consultora literária, Doutoranda em Literatura e produtora cultural, teve textos vencedores em diversos concursos literários e participação em várias antologias. É autora dos livros Manual de estilo e criação literária com a artesã Lygia Bojunga (2018), Fábrica de histórias (2019) e A mulher mais amada do mundo (2020). Neste mês de agosto lançou seu primeiro romance, A filha primitiva (2021), que está concorrendo ao Prêmio Kindle de Literatura. É também idealizadora do Programa Formação de Escritores e fundadora do canal do YouTube Pintura das Palavras, criou o curso 321escreva (curso online de escrita), dá consultoria literária e promove eventos literários. O Pintura das Palavras hoje já alcança quase 13 mil pessoas nas redes sociais, entre aspirantes a escritores. Confira um pouco de sua trajetória no nosso perfil semanal.

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Você é uma autora que tem se destacado bastante na cena literária, principalmente pelos seus textos premiados e o seu curso de escrita criativa, o 321 Escreva, com vários livros publicados, entre os seus alunos. Como você decidiu empreender na escrita?  

Decidi isso há mais de 10 anos, em 2010, pouco tempo depois que entrei no Curso de Letras. Eu participei de uma disciplina chamada Laboratório de Criação Literária. Naquele momento, eu descobri que poderia unir duas paixões: o ensino e a escrita. A partir daí, comecei a me preparar para este objetivo que eu sabia que seria a longo prazo. Fiz diversos cursos, oficinas e formações, além do mestrado em Literatura. Então, em 2018, quando ingressei no Doutorado em Literatura, decidi que era o momento de colocar o meu projeto em ação e o método que desenvolvi. Assim, comecei com as oficinas e cursos de escrita criativa presenciais, que passaram a ser online, com o objetivo alcançar e ajudar o maior número de pessoas a terminar, publicar e vender seu livro. Tenho alunos de todos os lugares do Brasil e também de fora do País.  

 

Além de estar na sétima turma desse curso, iniciativa sua, você ainda encontra tempo para escrever seus próprios livros. Nos fale um pouco sobre as suas publicações recentes, o livro de contos " A mulher mais amada do mundo" e o romance " A filha primitiva", disponível na Amazon.  

São livros que conversam entre si. Ambos têm personagens femininas como personagens centrais. A essência das histórias é trabalhar a complexidade dessas mulheres - suas existências, passados, feridas, dores e segredos que guardam. O que eu comecei com "A mulher mais amada do mundo", se consolida no romance "A filha primitiva", obra que não só tem emocionado os leitores, como também a crítica literária, tendo o feedback de grandes escritoras e escritores da literatura contemporânea: Carola Saavedra, Paulo Scott, Sérgio Tavares, Andrea Del Fuego e Giovana Madalosso.  

 

Antes de ser escritora e professora de escrita criativa, você foi professora concursada da rede pública de ensino e está concluindo o seu doutorado em Literatura. No que isso contribuiu para a sua trajetória literária? Você pensou muito antes de deixar um emprego público para investir na escrita e no empreendedorismo?  

Tudo o que vivi até aqui me ensinou muito. A experiência como professora concursada da rede pública me ajudou a lidar com as situações mais adversas possíveis, além de sempre me exigir uma busca constante por soluções de dificuldades ligadas ao aprendizado. Foi uma experiência de estar no campo de batalha, de sair constantemente da zona de conforto e de me exigir ação. Já o Doutorado contribuiu de forma significativa com o conhecimento teórico e a pesquisa sobre processos de criação literária. Li e escrevi muito durante toda minha trajetória acadêmica. Acredito que teoria sem prática não funciona e vice-versa. Portanto, as duas experiências foram essenciais para minha jornada com o ensino de escrita criativa.  

 

Como você faz para dar conta de tantas atividades? Se considera uma pessoa organizada?  

Definir minhas prioridades. Estou longe de dar conta de tudo. Mas sei o que essencial,  o que não abro mão. Sendo assim, prezo pela organização e disciplina. Digo não para aquilo que não é prioridade, delego tarefas, mantenho um planner e calendário com compromissos semanais que organizo e revejo com frequência. Além disso, faço um acompanhamento de perto dessas atividades. Como tenho muitos compromissos, me organizo para, a cada três meses, tirar um momento de descanso e férias com a família para recarregar as baterias.  

 

De onde você tira inspiração para a sua escrita?  

De tudo. Costumo dizer que o cotidiano é um solo fértil para a ficção. Eu me inspiro numa imagem, pintura, conversa, memórias, no que leio e, sobretudo, nas pessoas. Afinal, escrever Literatura é também escrever sobre a condição humana.  

 

Você tem alguma rotina de escrita? Um horário específico?  

Não tenho um horário definido, porque depende da rotina e compromissos semanais. No entanto, me considero uma pessoa diurna, por isso prefiro escrever pela manhã. Gosto de acordar cedo, às 3 ou 4 horas da manhã (enquanto todos estão dormindo) para escrever e revisar meus textos.  
 
Quais são as suas principais influências como escritora?  

Certamente, minha maior influência tem sido escritoras contemporâneas. Por essa razão, criei o Clube de Leitura Autoras Vivas para compartilhar essa experiência de leitura e discussão com outras pessoas. Tenho um espaço na estante para essas leituras que recorro constantemente, sempre lendo e relendo. Não canso de mencionar os nomes: Carola Saavedra, Giovana Madalosso, Natalia Timerman e Andrea Del Fuego. São muitas: há ainda Renata Belmonte, Monique Malcher, Sheyla Smanioto. Leiam!  

Como começou a gostar de ler? O que está lendo no momento?  

Comecei a ler aos quatro anos quando descobri que ler também era uma forma de poder, de conhecimento, de desfrutar o desconhecido. O primeiro livro que li foi a Bíblia. Depois, a paixão aumentou quando, por timidez, eu me escondia na biblioteca da escola. Foi uma paixão sem volta. Atualmente tenho lido muito autoras contemporâneas, como: Mapas para desaparecer, de Nara Vidal, e Cheia, de Natalia Zucala.  

 

Você acha que hoje as pessoas leem menos? Por quê?  

Porque nosso país é muito desigual. A maioria da população está preocupada em sobreviver, colocar comida no prato, trabalhar. Eu fui mãe na adolescência e já passei muitas dificuldades financeiras. Quase tive de abandonar a faculdade para só trabalhar. É preciso políticas públicas, projetos educacionais e investimento na cultura. Arte não é algo supérfluo, mas essencial. Infelizmente, o governo atual negligencia por completo isso.  

 

Você é criadora de um clube de leitura que só visita obras de autoras vivas. Como surgiu essa ideia?  

Surgiu do meu lema: "não precisamos morrer para sermos lidas". A literatura contemporânea produzida por mulheres é muito rica e potente, merece ser lida por todos. Como produtora cultural, quis contribuir para que esta literatura cada vez mais ganhe espaço no mercado editorial.  

 

Alguém já chegou a te desestimular na escrita? Dizer que não tinha talento?  

Sim. Já ouvi que ninguém lê, que não vale a pena escrever no Brasil, que não dá dinheiro e diversas outras coisas. Além disso, já fui criticada pelo mesmo motivo pelo qual sou elogiada pelos leitores e pela crítica hoje - pela minha escrita crua, uma linguagem forte, sem rodeios e que nocauteia quem lê.   

 

Quais os seus hobbys?  

Ler, escrever, ouvir música e dançar. Também coleciono cartas e objetos antigos.  

 

Você gosta de viajar? Qual o melhor destino turístico que já visitou?  

Amo viajar. Paraty. Foi minha lua de mel e a primeira viagem literária para a FLIP, no Rio de Janeiro. Tive oportunidade de conhecer escritores e músicos que admiro. Foi uma viagem inspiradora.  

 

Nos indique uma série, um livro e um filme.  

Série: House of cards. Livro: Continentes de dentro, de Maria Elena Morán. Filme: Pieces of a woman.

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Um presidente ideal

Amarílio Cavalcante

Por Kelly Garcia

Na sociedade cearense, seu nome em si já significa um cartão de apresentação do que existe de mais cavalheiresco, empreendedor e elogiável em termos de caráter e personalidade. Amarílio Cavalcante, por esse somatório de qualidades, recebe merecidos parabéns por ser mais uma vez presidente do Ideal Clube, agremiação na qual conquistou especial unanimidade de admiração e simpatia em nossos meios sociais. Exatamente sobre a maestria de administrar saudável convívio entre pessoas, gira nossa entrevista com o estimado Amarílio, o homem certo no lugar certo para consolidar a imagem do Ideal Clube como um ícone entre as mais prestigiadas instituições cearenses.

Que requisitos são necessários para administrar uma agremiação social com a tradição e a importância do Ideal Clube?
Primeiramente ser sócio proprietário. Segundo, formar uma equipe de vice presidentes e diretores compromissados com o Clube, que tenham espirito coletivo e doação de uma parte de tempo para trabalhar para a perpetuação do Ideal pelo período que fomos eleitos pelo voto do associado.
 
O convívio social requer uma dosagem extra de diplomacia?

Sim. Conviver em um clube que tem mil sócios, mil donos, requer diplomacia, renúncia, paciência, conversa, lhaneza, conhecer o limite do seu direito para não invadir o direito do outro. Um exercício constante da boa diplomacia.
 
Como explicar o prestígio inabalável do Ideal, em meio ao processo de dissolução ocorrido na vida clubística de Fortaleza, nas últimas décadas?
Julgo ser a tradição, o que levou diversas diretorias que nos antecederam a dar o melhor de si, na boa vaidade de não deixar cair o Clube nas suas respectivas gestões.
O fato do Ideal ter sua imagem associada à cultura, às artes e ao mundo intelectual de um modo geral, certamente influencia para que o prestigio esteja sempre em alta. O Clube anualmente tem no mês de setembro, onde se comemora o aniversário, diversas atividades culturais e esportivas, e ainda tem a honra de patrocinar o maior prêmio literário do Ceará. Já chegou a ser o maior do Brasil. E completa essa pujança com vários shows de cantores de sucesso ao longo do ano, afora o seu classudo e bem frequentado restaurante, que já se tornou ponto de encontro dos socios e da sociedade cearense como um todo.
 
O que mais o realizou em sua atuação passada no comando do Ideal Clube?
A sensação do dever cumprido. As sementes de um inicio de uma gestão profissional, como existe em qualquer empresa responsável. Os Clubes sociais tem que se comportar como uma empresa para que se tenha vida longa.
 
Quais suas principais propostas para a nova gestão, no posto para o qual foi merecidamente reconduzido?

O amadurecimento do que foi plantado, com gestão em controles e procedimentos, treinamento permanente do corpo funcional, com o SENAC e outras Consultorias do ramo, a fim de que se possa dar o melhor para o socio, que é a razão de existir do Clube

A Cultura, por meio de sucessivos e concorridos eventos culturais, faz parte do conceito idealino de aprimorar a convivência em sociedade?
A essência do Ideal é ser um Clube social, esportivo e CULTURAL. Está contido em seu Estatuto. A Cultura é o unico meio, ao meu ver, que leva qualquer entidade ao sucesso
 
Qual a importância do esporte na trajetória do Ideal Clube?
O Ideal tem uma historia gloriosa no esporte cearense e nacional. Fez e faz historia no futebol de salão, no vôlei, no basquete, no tênis, e na natação. Nesse esporte é o atual campeão geral cearense, e a equipe de nado livre 800 m master, é a terceira do mundo, com os atletas Kal Aragão, Fred Pinto, Vladimir Ribeiro e Pinto Neto. Uma honra para o Ideal, para o Ceará e para o Brasil. Isso ocorre, porque nossas escolinhas não param de fomentar bons atletas, na sua formação técnica e moral. Um setor bem atuante, o esportivo.
 
Em sua própria opinião, como definiria o cidadão e profissional Amarílio Cavalcante?

Uma pessoa de bem com a vida, que acredita na bondade do ser humano, que gosta de trabalhar, que tem espirito coletivo, que admira e acredita no que é simples e que tem humildade para reconhecer erro e aplaudir a quem tem razão. Busca a justiça, se espelha em exemplos construtivos, gosta de fazer amigos, respeita o contraditório, e ama a sua família.

 

Quais as novidades para esse segundo semestre no Ideal, já que os eventos voltaram a ser realizados?  
O ponto alto desse segundo semestre será o setembro cultural, por ser o mês de aniversário do Coube, dia 7,  vários acontecimentos sócio cultural e desportivo acontecerão na nossa sede, que ja fazem parte do calendário de eventos do Ideal. Para marcar  a passagem dos nossos 90 anos, teremos uma mostra no Salão Nobre Edson Queiroz dos festejados e laureados artistas cearenses Mano Alencar, Mino Castelo Branco e Totonho Laprovitera, com a curadoria de Randal Pompeu, diretor social do Ideal Clube.

A volta do caranguejo na varanda do restaurante às quinta feiras, com música ao vivo, bem como às sextas feiras também com música ao vivo no mesmo espaço, domingueira em torno da piscina social também com música ao vivo. Tudo dentro dos protocolos publicados nos decretos governamentais. E o Réveillon poderá ou nao acontecer, pois dependerá das autoridades sanitárias do Estado.

 

O restaurante do Ideal é um dos melhores espaços para reunir grupos de amigos em Fortaleza. Nos fale sobre os diferenciais do restaurante.
O nosso restaurante tem um espaço diferenciado, por termos o salão principal e dois anexos, que podem ser usados com exclusividade para eventos  famíliares, grupo de amigos ou reuniões corporativas. Dispomos de uma cozinha moderna, bem aparelhada e com profissionais treinados, bem como de uma equipe de garçons experientes para servir o sócio, seus convidados  e clientes em geral com esmero e eficiência.  Um bar com as melhores bebidas e exclusivos drinks criados por nossos barman. Tudo isso  contido num belo espaço elegante e aconchegante  com o charme do piano ao vivo. Um local de custo beneficio extremamente justo para satisfazer aos bons momentos de prazer culinário até aos mais exigentes.

 

Os atletas do Ideal sempre se destacaram na cena local e nacional. Quais os esportes que o clube está oferecendo?


O Ideal Clube conta com escolinhas infantis de tênis, natação, futsal, volei, basket, karate, aulas de zumba, pilatis, hidroginastica, e temos a equipe Master de  natação que coleciona vitórias locais, nacionais e internacionais. Temos o nosso Diretor de esportes, Kal Aragão, que detem recorde nacional na natação , e tivemos um atleta olímpico em Tóquio, que chegou à final da prova de revezamento 4x200 nado livre, que é o Luiz Altamir, que nada pelas cores idealinas.  


O esporte no Ideal é pujante, vivo, movimentado e distribuido em horários diversos, com uma equipe de professores profissionais e eficientes para dar o melhor ao associado e não associado que praticam suas atividades em nossos equipamentos. A prática de esporte é a única atividade permitida ao nao sócio a frequentar o Clube, tudo dentro dos protocolos vigentes.

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Bom gosto e tino para a decoração de eventos

Por Kelly Garcia

Nossa entrevistada da semana é a decoradora Socorro Trindade. Uma das mais conhecidas de Fortaleza no aluguel de mobiliários exclusivos, a decoradora já atuou em outras áreas e ama inovar em seus trabalhos, sempre primando pelo bom gosto, o harmônico e o belo em suas composições, capazes de deixar o cenário do seu sonho simplesmente inesquecível, como foi o do meu aniversário, no Iate Clube, no sunset da última sexta.

Como se deu a escolha por trabalhar com eventos? Há quanto tempo você trabalha nesse segmento?

Eu trabalhei muitos anos com confecção.  Nessa área, era preciso entender de produção de vitrines e isso me interessava muito. Por conta da festa de casamento da minha filha, fiquei bastante empolgada pelo mundo de festas e eventos e resolvi migrar pra este setor.

 

Como fez para montar seu acervo de móveis? Onde você busca inspiração para escolher suas peças?

Primeiro, fiz uma pesquisa de mercado e passei a conhecer que mobília era utilizada pra cada tipo de evento. Também busquei lojas especializadas, fora do Ceará, além de antiquários e revistas dessa área. Utilizamos ainda algumas peças executadas pelo nosso próprio escritório, tudo de acordo com o tipo de evento e para atender o interesse dos profissionais dessa área. Também costumo participar de workshops fora do Estado para me aprimorar e das maiores feiras de mobiliário, para estar sempre oferecendo o melhor para os meus clientes.

 

Qual o maior desafio e a maior delícia de atuar nesse setor?

O maior desafio é estar buscando conhecimento pra se manter atualizada e o que mais eu gosto deste segmento de festas é porque conseguimos deixar cada evento único. Isso não tem preço.

 

Quais os seus hobbys?

Gosto de praia. Costumo tirar nas férias um período para ficar à beira mar, seja aqui no Estado mesmo ou no Nordeste. Afinal, temos as melhores praias, não é mesmo?

 

Você gosta de ler? 
Gosto de ler muito sobre meu trabalho e atualidades.

Qual sua fé? Você tem algum santo de devoção?

Sou católica não praticante, mas tenho Deus na minha vida e gosto muito de São Francisco de Assis. Sua história de vida é muito tocante e inspiradora.

 

Quais os seus sonhos profissionais?

Meu sonho profissional é ser cada vez melhor no que me proponho a realizar.

 

Você falou que gosta de viajar. Quais os seus destinos preferidos?

Minhas viagens são mais de negócios e, de vez em quando, a lazer. Na minha área, como já tinha dito antes, estou sempre conferindo workshops com profissionais gabaritados da área de eventos, dentro e fora do Estado, além das feiras de mobiliário e de eventos.

 

Qual momento da sua vida classificaria como mais desafiador? O que aprendeu com isso?
O desafio maior da vida foi minha mudança de profissão, quando migrei da confecção para o mundo de festas e eventos. Aprendi que nunca é tarde para recomeçar.

 
Que conselho daria para quem está começando a atuar como decorador? É possível encontrar bons cursos para se aprimorar aqui em Fortaleza?

Para quem está começando no mundo de festas, o meu conselho é: estude, mas estude muito. Os cursos ainda são escassos, mas na vida, quando se quer aprender, ainda mais hoje, com a tecnologia a nosso favor, nada é impossível. Principalmente com a abertura de muitas capacitações online, depois da pandemia.

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Um novo nome no cenário artístico cearense

Por Kelly Garcia

Clau Loureiro foi sensibilizada para as artes muito cedo, ainda na infância, por influência da mãe, Tereza Esther Leitão. Formada em Direito desde 2001, faz história no mercado de eventos em Fortaleza, e em 2020, ela mergulhou no fazer artístico, e de lá pra cá já participou de cursos e workshops locais e nacionais, realizados pelo Instituto Tomie Othake, e a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Clau foi selecionada para participar de exposições como Bienal Europeia Latino Americana de Arte Contemporânea, que acontece no momento dessa matéria, Mostra 8 de Maio, 2º. Coletiva Contemporânea EueArte e a ADN Artistic.

Alem de artista plástica, em 2001, formou-se em Direito pela Unifor, mas ainda cursando a Pós graduação em 2002, casou-se com Rodrigo Loureiro, e ingressou na empresa da família (Lulla's Buffet), responsável por grandes eventos em Fortaleza. Clau Loureiro participou de cursos e grandes Feiras nacionais e internacionais no setor de eventos, Salon du Mariage, Salon du Chocolat em Paris, além de acompanhar alguns “Bridal Week”.


Ela foi uma das responsáveis por trazer grandes nomes no cenário nacional do mercado de Festas à Fortaleza, como Constance Zahn, Thais Puntel, Fernanda Floret, Bruno Carvalho, tendo sido convidada para compor Mesas de Palestrantes em Eventos e Salões de casamentos. Confira mais sobre sua trajetória de vida no nosso perfil semanal.

Como você descobriu o caminho das artes?

 A arte sempre esteve presente, tive os primeiros contatos ainda na primeira infância, estimulada por minha mãe. Na adolescência, adorava ficar horas em museus, fazia pesquisas sobre movimentos e artistas. Entretanto, no ano passado resolvi dedicar mais tempo nessa construção do fazer artístico.

 

Nos conte um pouco sobre a sua outra paixão, os eventos do Lulla's Buffet.

Parecem duas coisas bem diferentes, mas encontro nelas uma sintonia no criar, no realizar, em emoções e sentimentos que despertam novos olhares sobre um momento: a celebração como consumação do evento, assim como na arte, a obra como resultado da produção artística.

 

Como você se inspira para criar sua arte? Tem algum artista que é o seu grande exemplo?

Acredito ser o olhar atento, combinado com pesquisas, o caminho do processo. Temas como Mar e o Tempo sempre me fazem refletir bastante. Tenho um profundo respeito e admiração por vários artistas, acredito que a beleza está nesse mergulho no fazer com a lente individual de cada um.
Cezanne, Bandeira, Lígia Pape, Sérvulo Esmeraldo são artistas que sempre retorno em pesquisas.
 
Quais as principais peculiaridades do mercado de obras de arte? Como é a sua atuação?

Me foco muito na produção, tenho participado de algumas exposições, recebi convite de uma galeria no sul do Brasil para fazer parte de seu catálogo, o que é muito bom. No meu insta @clauloureiroart apresento algumas obras e o meu Catálogo Digital.

 

O público de Fortaleza sabe valorizar a arte? Por quê?

Noto que o público em geral tem se interessado mais por arte, mas precisamos cultivar e sensibilizar mais as crianças, nossa cultura é muito rica, temos excelentes artistas locais e as galerias aos poucos estão surgindo, o que fortalece a valorização da arte pelo público em geral. Aproveito para registrar que Fortaleza atualmente está com várias exposições excelentes e com bastante densidade.

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Quais os seus hobbys?

Leituras de poemas, filósofos e pesquisas sobre temas específicos. Adoro filmes sobre épocas vividas pela humanidade e documentários sobre a vida de artistas e poetas.
Também não abro mão de uma caminhada, especialmente na praia.

 

Quais os lugares mais lindos e marcantes que conheceu no mundo?

Florença e o Sul da França são locais que me marcaram bastante, especialmente Aix de Provance, Eze e Cap D’Antibes, com suas vilas, museus e casas onde viveram grande artistas.

 

Nos indique um livro, uma série e um filme imperdíveis.

Livro Cartas a um Jovem Poeta - Rilke

Série - Bauhaus

Filme - Maria, eu vim dos Trópicos

 

Qual a sua relação com a espiritualidade?

Sou cristã, nasci em um lar católico, com tio, avós padres, freiras, mas há 15 anos, sou membro da Igreja Presbiteriana Nova Jerusalém, igreja que faz parte da minha vida e vem fazendo um trabalho lindo em comunidades carentes em Fortaleza e no interior.

 

Pra você, família é...

Família é Tudo! Família é base, tem uma importância única em quem somos, são responsáveis em grande parte por nossas memórias afetivas!

 

O que mudou na sua vida com a maternidade?

A maternidade foi meu maior presente, tem uma ligação profunda com minhas escolhas diárias, é desafiante e enriquecedor.

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Delicadeza para seguir em frente

Nélia Valença é pura expressão de elegância e delicadeza. Confira nossa conversa leve sobre as delícias da vida e uma retrospectiva sobre sua trajetória, como mãe, esposa de Edson Queiroz Filho e amante dos bons livros e filmes.

Você é de Recife, mas gosta tanto do Ceará que já se considera daqui. Nos fale mais sobre essa relação sua com o nosso Estado.

Nasci em Recife, capital pernambucana. Entretanto, acredito que sou tão cearense, ou mais, do que aqueles que nasceram aqui. Amo o Ceará, sua cultura, seu povo, seu jeito ingênuo e, muitas vezes, gaiato, travesso, brincalhão e alegre de ser. Dizem os estudiosos que seria uma maneira, consciente ou não, de driblar as adversidades de um estado sofrido. Particularmente, acho que é um sinal marcante de muita inteligência e sagacidade.

 

Mas por que veio justamente para o Ceará?

Meu pai era gerente de banco. Na época que haviam os tão famosos bancos mineiros. Então, ele gerenciou o Banco Mineiro da Produção. Depois, o Banco do Estado de Minas Gerais. Mais adiante, a primeira agência do Itaú aqui em Fortaleza, que ficava no centro da cidade. Minha mãe era mineira de uma cidadezinha chama Ponte Nova. Faleceu há dois anos, mas deixou um sentimento de amor e de bondade por onde passou, principalmente em seus descendentes. Absolutamente inesquecível.

 

Nos fale um pouco sobre sua relação com o grande empresário Edson Queiroz Filho.  

Casei muito cedo, aos 16 anos. Edson e eu tivemos três filhos. A mais velha tem 46 anos, o rapaz, 41 e a caçula, tem 35 anos e leva o nome da minha mãe, Marília.

 

Você chegou a investir em sua carreira profissional?

Sou formada em Letras pela Universidade Estadual do Ceará UECE, onde tive a alegria e privilégio de ser aluna do fabuloso professor Luiz Geraldo de Miranda Leão.

 

Hoje, como é a sua rotina?

Levo uma vida tranquila e simples, onde busco harmonia e serenidade. Dessa forma, consigo enxergar felicidade nas mínimas coisas. O amanhecer já é uma festa.  Pular da cama cedo e presenciar o milagre da vida e, sobretudo, de estar vivo em meio à uma pandemia é presente de Deus, não resta dúvida.

 

Você gosta de política? Qual a sua visão sobre o amor?

Leio um pouco sobre política, porque não perdi a capacidade de indignar-me com umas tantas coisas.
Acho o amor a mola mestra do mundo, no sentido amplo da palavra. Vive-se por amor, constrói-se algo por amor (vide as realizações profissionais de cada um...) e a fé, que é o amor na sua essência maior, com todas as letras. A fé nos põe de pé todos os dias, está presente em tudo. Na plumagem dos pássaros, vê-se um ser superior, por exemplo. Aquela gama de cores, mesclada com tamanha beleza, nós seres humanos, não teríamos capacidade para tanto. Viver é aprender todos os dias, distante, muito distante, da arrogância e prepotência.

 

Nos indique uma série, um livro e um filme. 

O livro, citaria "Catarina, A Grande”, de Robert K. Massie e “Uma Breve História do Cristianismo”, de Geoffrey Blainey. Já o filme, amo "Uma Mulher, uma Vida” (com Sophia Loren). E a série: "Tempo Entre Costuras", na Netflix. 

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Em busca do sorriso perfeito

Por Kelly Garcia

Cristiane Canamary sonhava em cuidar de sorrisos desde a infância e perseguiu esse sonho, mesmo estando em uma família de médicos oftalmologistas, concluindo a sua graduação da Universidade de Fortaleza. Hoje, além da Odontologia, também tem se aperfeiçoado nas técnicas de rejuvenescimento e acumula vários cursos nessa área, como o aperfeiçoamento em Ortodontia, especialização em Ortodontia e Ortopedia Funcional dos Maxilares, em Harmonização Orofacial. Ainda possui capacitação em Toxina Botulínica e preenchimento facial, aperfeiçoamento em Estética Dental e atualização em Resinas Compostas. Confira uma conversa sobre a profissão e também a respeito da maternidade e dos detalhes do cotidiano.

Como você percebeu sua vocação para a Odontologia?

Desde muito cedo, já dizia que queria ser dentista. Minha mãe conta que, com 5 anos de idade, eu já falava isso. Apesar de vivenciar a medicina com meu pai, prestei o vestibular para Odontologia, que sempre foi a minha paixão. 

 

Hoje, você atua, junto com seu pai e seus irmãos, na Clínica Aristófanes Canamary, uma das mais modernas e bem equipadas clínicas de oftalmologia de Fortaleza. Já na área de Odontologia, quais os serviços que vocês oferecem na clínica?

Na Clínica Aristófanes Canamary, trabalho no setor de Odontolgia há 15 anos, oferecendo os serviços de estética dental, como fechamento de diástema (dentes com espaços entre eles), transformação de dentes conóides com resina composta e lentes de Contato Dental. Na Ortodontia, oferecemos os mais diversos aparelhos, desde os mais convencionais com braquetes metálicos, aos transparentes estéticos de safira e, por fim, o tão queridinho Invisalign, que são moldeiras transparentes e removíveis que usam uma tecnologia de ponta e exclusiva chamada “SmartTrack” que garante uma movimentação precisa dos dentes em um menor espaço de tempo. E agora, com a conclusão da minha mais nova Especialização em Harmonização Orofacial, presto os serviços de preenchimentos faciais, com ácido hialurônico, Skinbooster, bioestimuladores de colágeno, Sculptra, toxina botulínica, fios faciais, lipo de papada, microagulhamento. 
Temos também dentista, que trabalha com endodontia, ou seja, tratamento de canal. 

 

Quais são os desafios da sua atualização?

O grande desafio na Odontologia, como em toda  a área da saúde, é se manter sempre atualizado. Como, nos dias atuais, a tecnologia está muita avan&cc