PERFIL SEMANAL

Lar.png

Tecnologia e bom atendimento que viraram tradição

Vale a pena ver de novo

Por Kelly Garcia

Luiziane Cavalcante cresceu em meio às vendas de óculos, jóias e relógios da Itamaraty, a empresa familiar fundada pelos seus pais, Panta e Luiza Cavalcante, na década de 60. Até hoje, a Itamaraty não parou mais de crescer e já está na terceira geração da família, com Luiziane e a irmã, Cristiane Araújo e o filho de Luiziane, Panta Neto. Sempre prezando por valores como inovação, respeito às pessoas, valorização, transparência e determinação, a Itamaraty busca ser a melhor experiência em saúde visual  e moda para as famílias de Fortaleza. Para isso, conta com profissionais altamente qualificados, que recebem treinamento contínuo, além de estar presente em três cidades, Fortaleza, São Luís e Teresina e possuir laboratório óptico próprio, o único com padrão de qualidade total ISO 9001 e que garante entrega rápida nos óculos de sol e de grau. Confira um pouco sobre essa querida empresária em nosso perfil semanal.

Sua família é ligada ao ramo das óticas em Fortaleza, já desde o seu pai, Pantaleão Cavalcante. Quais as lembranças da sua infância? Você lembra da Itamaraty já nessa época?

Sim, nasci dentro de loja, pois meus pais sempre trabalharam juntos. Desde pequena ajudava, adorava brincar de vender, de caixa e fazer as embalagens de presentes! Passei por todos os setores da empresa, aprendi de tudo um pouco. Sempre vivi o comércio na veia.

 

Hoje, vocês sempre estão em busca das melhores e mais modernas tecnologias em óculos de sol e de grau. Quais mudanças você percebeu no gosto dos clientes em todo esse tempo?

Estamos sempre buscando o que existe de melhor e mais moderno para os nossos clientes. Inclusive, lançamos agora uma coleção de lentes Digitais 4k de última geração, chamada Optiker para os nossos clientes de forma exclusiva. E o diferencial é que entregamos rápido, pois fabricamos aqui mesmo no nosso laboratório próprio.

 

As armações Pantas são modernas e atuais e uma inovação como marca própria. Como essa ideia surgiu?

Sim, tem várias marcas exclusivas, desenvolvidas por nós, que procuramos sempre lançar novos modelos e cores a cada três meses, com lançamentos de acordo com as coleções das estações.

 

Qual o diferencial da Itamaraty?

Estamos há 55 anos buscando ser a melhor experiência em saúde visual e moda para os nossos clientes e suas famílias.

 

Você hoje se considera realizada na sua profissão?

Sou muito feliz, amo o que faço, ao lado da minha irmã, e sócia, Cristiane. O meu filho, Panta Neto, trabalha conosco e já é a terceira geração da Itamaraty iniciada pelos meus pais, Panta e Luiza Cavalcante.

 

Quais os seus hobbys?

Amo pedalar e dançar.

 

Qual o lugar mais lindo que já visitou?

Gostei de todos que já visitei, amo viajar, mas não tenho um em especial.

 

Como cuida da espiritualidade?

Meditando todos os dias, ao despertar. Rezando, fazendo sempre o bem ao próximo! Também sempre doamos óculos de grau para crianças e pessoas carentes em ações junto ao Rotary e Sociedade Cearense de Oftalmologia. Acho importante ser solidário com quem mais precisa.

Fio_Laranja.png

Inspiração nas letras

Vale a pena ver de novo

Por Kelly Garcia

Seridião Montenegro é um dos nomes mais atuantes do cenário literário contemporâneo cearense. Ex-presidente da Academia Fortalezense de Letras e da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, é sócio efetivo da Academia de Letras dos Municípios Cearenses e do Instituto do Ceará - Histórico, Geográfico e Antropológico. Pertence ainda à Associação Brasileira de Bibliófilos e é autor de sete livros e já prepara outros projetos literários. Entretanto, só se tornou escritor após concluir seu ciclo de trabalho profissional como Auditor Fiscal da Receita Federal e como Procurador da Fazenda Nacional, cargos que exerceu no serviço público federal. Antes, foi vereador de Fortaleza, professor e técnico de Educação do Estado e sub-chefe do Gabinete do Vice-governador do Ceará. Pai de sete filhos e avô de dez netos, ele hoje se divide entre os compromissos das muitas atividades das quais faz parte, a rotina da escrita e o convívio familiar, além da leitura de bons livros e a diversão proporcionada por filmes e seriados. Confira mais sobre sua trajetória em nossa entrevista.

Você além de escritor com vários livros publicados, muito ativo nas academias literárias, ainda é procurador da Fazenda Nacional aposentado e foi até vereador de Fortaleza. Quais os principais aprendizados de cada fase?

Na verdade, Kelly, somente tive condição de me dedicar à atividade literária e de participar de Academias de Letras e outras entidades culturais, após a aposentadoria. A minha vida profissional me proporcionou um longo aprendizado. No gabinete do Vice-Governador, onde exerci a função de subchefia e de gabinete, aos 21 anos de idade, procurei me espelhar na figura de aprendiz com meu tio, o vice-governador Joaquim de Figueiredo Correia, com quem aprendi que ser político é a forma mais sublime de servir à sociedade. É praticar a lealdade, inclusive com adversários políticos, é ter espírito público, é direcionar os recursos públicos, com critério e honestidade, em favor das pessoas mais carentes, é colocar acima dos interesses pessoais, o interesse público. Como vereador de oposição, em Fortaleza, aos 24 anos, aprendi a reagir a propostas indecorosas, quando tive o constrangimento de receber ofertas tentadoras, todas recusadas, de empregos para parentes, e outras benesses, em troca de apoio político incondicional, que me obrigaria a votar sempre, sem discutir, e dar voto favorável a todos os projetos de iniciativa propostos pelo Executivo. Recusei e denunciei à imprensa, por entender que a liberdade, para criticar e oferecer sugestões construtivas, é inegociável. Na Superintendência da Receita Federal, tive a felicidade de fui chefiar uma Divisão, sob a chefia do superintendente Audízio Mosca de Carvalho, um homem simples, sério, correto, com grande capacidade de liderança e, apesar da idade, aberto às inovações tecnológicas, com quem aprendi, por seu exemplo e conduta ilibada, que a tributação não é instrumento de opressão dos contribuintes, mas de aplicação da justiça social. Durante os 17 anos em que chefiei a área responsável pelos trabalhos de revisão das declarações de imposto de renda e de execução das malhas, no Ceará, Piauí e Maranhão, ele jamais permitiu qualquer ingerência política nessas atividades. Tive ampla liberdade, sem nenhuma interferência, de conduzir os trabalhos de revisão e das malhas de imposto de renda. Na Procuradoria da Fazenda Nacional, aprendi que é possível, com boa metodologia de trabalho, atuar em grande quantidade de processos judiciais, sem perder a qualidade das teses jurídicas formuladas em favor da União.

 

Depois da dupla de livros Expresso para o Passado e Expresso para o Futuro, que tiveram muito sucesso, quais publicações você colocou no mundo?

Depois dos dois primeiros livros, “O Expresso do Passado” e “Expresso para o Futuro”, do gênero memorialista, publiquei “Discursos, Memórias do Coração”; “Crato – Princesa do Cariri, Capital da Cultura, Oásis do Sertão”; “Massada – Heroísmo e Morte na Luta entre Judeus e Romanos”; “Hilma Montenegro, na Esplanada da Vida”, em homenagem ao centenário de minha mãe, historiadora Hilma Correia Montenegro; e “Uma História de Amor às Letras”, resgatando a história da Academia Metropolita

Seridião Montenegro é um dos nomes mais atuantes do cenário literário contemporâneo cearense. Ex-presidente da Academia Fortalezense de Letras e da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, é sócio efetivo da Academia de Letras dos Municípios Cearenses e do Instituto do Ceará - Histórico, Geográfico e Antropológico. Pertence ainda à Associação Brasileira de Bibliófilos e é autor de sete livros e já prepara outros projetos literários. Entretanto, só se tornou escritor após concluir seu ciclo de trabalho profissional como Auditor Fiscal da Receita Federal e como Procurador da Fazenda Nacional, cargos que exerceu no serviço público federal. Antes, foi vereador de Fortaleza, professor e técnico de Educação do Estado e sub-chefe do Gabinete do Vice-governador do Ceará. Pai de sete filhos e avô de dez netos, ele hoje se divide entre os compromissos das muitas atividades das quais faz parte, a rotina da escrita e o convívio familiar, além da leitura de bons livros e a diversão proporcionada por filmes e seriados. Confira mais sobre sua trajetória em nossa entrevista.

 

Você além de escritor com vários livros publicados, muito ativo nas academias literárias, ainda é procurador da Fazenda Nacional aposentado e foi até vereador de Fortaleza. Quais os principais aprendizados de cada fase?

Na verdade, Kelly, somente tive condição de me dedicar à atividade literária e de participar de Academias de Letras e outras entidades culturais, após a aposentadoria. A minha vida profissional me proporcionou um longo aprendizado. No gabinete do Vice-Governador, onde exerci a função de subchefia e de gabinete, aos 21 anos de idade, procurei me espelhar na figura de aprendiz com meu tio, o vice-governador Joaquim de Figueiredo Correia, com quem aprendi que ser político é a forma mais sublime de servir à sociedade. É praticar a lealdade, inclusive com adversários políticos, é ter espírito público, é direcionar os recursos públicos, com critério e honestidade, em favor das pessoas mais carentes, é colocar acima dos interesses pessoais, o interesse público. Como vereador de oposição, em Fortaleza, aos 24 anos, aprendi a reagir a propostas indecorosas, quando tive o constrangimento de receber ofertas tentadoras, todas recusadas, de empregos para parentes, e outras benesses, em troca de apoio político incondicional, que me obrigaria a votar sempre, sem discutir, e dar voto favorável a todos os projetos de iniciativa propostos pelo Executivo. Recusei e denunciei à imprensa, por entender que a liberdade, para criticar e oferecer sugestões construtivas, é inegociável. Na Superintendência da Receita Federal, tive a felicidade de fui chefiar uma Divisão, sob a chefia do superintendente Audízio Mosca de Carvalho, um homem simples, sério, correto, com grande capacidade de liderança e, apesar da idade, aberto às inovações tecnológicas, com quem aprendi, por seu exemplo e conduta ilibada, que a tributação não é instrumento de opressão dos contribuintes, mas de aplicação da justiça social. Durante os 17 anos em que chefiei a área responsável pelos trabalhos de revisão das declarações de imposto de renda e de execução das malhas, no Ceará, Piauí e Maranhão, ele jamais permitiu qualquer ingerência política nessas atividades. Tive ampla liberdade, sem nenhuma interferência, de conduzir os trabalhos de revisão e das malhas de imposto de renda. Na Procuradoria da Fazenda Nacional, aprendi que é possível, com boa metodologia de trabalho, atuar em grande quantidade de processos judiciais, sem perder a qualidade das teses jurídicas formuladas em favor da União.

 

Depois da dupla de livros Expresso para o Passado e Expresso para o Futuro, que tiveram muito sucesso, quais publicações você colocou no mundo?

Depois dos dois primeiros livros, “O Expresso do Passado” e “Expresso para o Futuro”, do gênero memorialista, publiquei “Discursos, Memórias do Coração”; “Crato – Princesa do Cariri, Capital da Cultura, Oásis do Sertão”; “Massada – Heroísmo e Morte na Luta entre Judeus e Romanos”; “Hilma Montenegro, na Esplanada da Vida”, em homenagem ao centenário de minha mãe, historiadora Hilma Correia Montenegro; e “Uma História de Amor às Letras”, resgatando a história da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, na comemoração de seus 15 anos de existência, desde 25/06/2005.

 

Como você vê a leitura entre a nova geração? Você acha que a educação tem piorado com o advento das novas tecnologias?

O índice de leitura de livros pelos brasileiros, de apenas dois por ano, é muito baixo. Para melhorar esse vergonhoso índice, têm sido muito úteis as recomendações feitas por educadores, sugerindo aos pais que introduzam desde cedo, na rotina dos filhos, o hábito de leitura; que evitem utilizar a leitura como castigo; e que adquiram, para os filhos, livros de personagens conhecidos e conteúdo interessante. Para as novas gerações, a versão virtual de livros é mais um atrativo, que poderá, aos poucos, reduzir o excesso de seu envolvimento com as redes sociais, cedendo espaço para a atividade de leitura. São evidentes os benefícios da tecnologia em favor da educação, por proporcionar facilidades incríveis no campo da pesquisa e, em época de pandemia, por tornar possível a continuidade das aulas, por meio virtual.

 

Como sua rotina de escrita e leitura? Você escreve todos os dias? Quanto tempo dedica à leitura todos os dias?

Depois da aposentadoria, consegui criar uma rotina voltada para a escrita, dedicando no mínimo seis horas por dia à atividade de pesquisa e escrita. Deixei um horário de cerca de uma hora, no início da noite, para leituras.

 

Qual a importância que a maçonaria teve na sua vida?

Fiquei alguns anos na maçonaria, onde cheguei a exercer o cargo de juiz maçônico. A maçonaria é uma grande instituição, que tem como principais objetivos ajudar as pessoas a fortalecer o caráter, aprimorar a formação moral e espiritual e aumentar os horizontes culturais. Considero que foi muito importante para mim o período em que pude participar da maçonaria.

 

Quais os seus hobbys?

Meus principais hobbys são a leitura, a pesquisa histórica e a escrita. Em tempos normais, gosto de viajar para conhecer a cultura de outros países e também para conhecer cidades do interior do Brasil; gosto de banho de mar, de receber filhos e netos na casa de praia e de assistir filmes românticos, de aventuras e de ação. Mas meu hobby favorito é a música: tenho cerca de 5 mil discos de vinil, os antigos LP, com boleros, rumbas, tangos, sambas, baiões, frevos, forrós, xaxados, pagodes, lambadas, mas também com muita música internacional e clássica. Eu trabalho diariamente ao som de boas músicas.

WhatsApp Image 2022-11-12 at 09.08.42.jpeg

Qual lugar mais lindo que você já visitou?

O lugar mais lindo que visitei (duas vezes) foi a Ilha de Capri, no sul da Itália, com sua Gruta Azul, em que a luz do sol, passando por uma cavidade sob a água, cria um reflexo azul que se projeta e ilumina toda a caverna.

na de Letras de Fortaleza, na comemoração de seus 15 anos de existência, desde 25/06/2005.

 

Como você vê a leitura entre a nova geração? Você acha que a educação tem piorado com o advento das novas tecnologias?

O índice de leitura de livros pelos brasileiros, de apenas dois por ano, é muito baixo. Para melhorar esse vergonhoso índice, têm sido muito úteis as recomendações feitas por educadores, sugerindo aos pais que introduzam desde cedo, na rotina dos filhos, o hábito de leitura; que evitem utilizar a leitura como castigo; e que adquiram, para os filhos, livros de personagens conhecidos e conteúdo interessante. Para as novas gerações, a versão virtual de livros é mais um atrativo, que poderá, aos poucos, reduzir o excesso de seu envolvimento com as redes sociais, cedendo espaço para a atividade de leitura. São evidentes os benefícios da tecnologia em favor da educação, por proporcionar facilidades incríveis no campo da pesquisa e, em época de pandemia, por tornar possível a continuidade das aulas, por meio virtual.

 

Como sua rotina de escrita e leitura? Você escreve todos os dias? Quanto tempo dedica à leitura todos os dias?

Depois da aposentadoria, consegui criar uma rotina voltada para a escrita, dedicando no mínimo seis horas por dia à atividade de pesquisa e escrita. Deixei um horário de cerca de uma hora, no início da noite, para leituras.

 

Qual a importância que a maçonaria teve na sua vida?

Fiquei alguns anos na maçonaria, onde cheguei a exercer o cargo de juiz maçônico. A maçonaria é uma grande instituição, que tem como principais objetivos ajudar as pessoas a fortalecer o caráter, aprimorar a formação moral e espiritual e aumentar os horizontes culturais. Considero que foi muito importante para mim o período em que pude participar da maçonaria.

 

Quais os seus hobbys?

Meus principais hobbys são a leitura, a pesquisa histórica e a escrita. Em tempos normais, gosto de viajar para conhecer a cultura de outros países e também para conhecer cidades do interior do Brasil; gosto de banho de mar, de receber filhos e netos na casa de praia e de assistir filmes românticos, de aventuras e de ação. Mas meu hobby favorito é a música: tenho cerca de 5 mil discos de vinil, os antigos LP, com boleros, rumbas, tangos, sambas, baiões, frevos, forrós, xaxados, pagodes, lambadas, mas também com muita música internacional e clássica. Eu trabalho diariamente ao som de boas músicas.

 

Qual lugar mais lindo que você já visitou?

O lugar mais lindo que visitei (duas vezes) foi a Ilha de Capri, no sul da Itália, com sua Gruta Azul, em que a luz do sol, passando por uma cavidade sob a água, cria um reflexo azul que se projeta e ilumina toda a caverna.

Fio_Laranja.png

Arte como investimento

seguro e meio de vida

Por Kelly Garcia

WhatsApp Image 2022-11-04 at 12.47.50 (3).jpeg

Nosso entrevistado da semana é Newton Whitehurst de Castro. Especialista em curadoria e História da Arte pela Academia de Belas Artes Milano (IT) e em Arte Contemporânea pela NABA (IT), atua no Mercado das Artes Plásticas desde 2004, tendo sido responsável por curadorias de exposições no Brasil e na Europa. Ainda é consultor comercial no mercado de artes e curador em coleções particulares e acervos institucionais. 

 

Com experiência no mercado financeiro, tem se dedicado à formatação de negócios e gestão de coleções com foco em investimentos. Atualmente, tem voltado seus esforços e experiência para desenvolver projetos com ênfase na responsabilidade social, desenvolvendo junto aos artistas iniciantes e/ou em situação de risco, métodos de divulgação e comercialização dos seus trabalhos. Confira uma conversa leve sobre arte, propósito e viver do que se ama.

Como o seu caminho profissional cruzou com as artes? Você chegou a exercer outra profissão antes?

Sempre fui envolvido com arte desde a infância, mas tive muitos outros negócios de comércio, indústria e distribuição. Até o dia em que resolvi viver fazendo somente o que amo.

 

Como é o mercado de curadoria e artes plásticas no Brasil? É promissor?

Brasil tem um grande mercado de arte, mas poucos especialistas para orientar os investidores. Cada ano, surpreende com mais colecionadores e grande artistas sendo revelados e levados para outros países.

 

Hoje, você reside em Portugal. Quais as principais diferenças do mercado artístico no Brasil e em Portugal?

Hoje, eu resido em Portugal e Berlim a maior parte do tempo. Tenho clientes em toda Europa e o próximo passo de expansão é a Suíça. Cada cidade em que começo a desenvolver o Menu das Artes tem suas peculiaridades e demandas… existem artistas que são melhores para vender em determinado país e o fato de o menu ser hoje internacional ajuda muito na colocação desses artistas no mercado.

 

Como a arte pode ter relação com o mercado financeiro e o mundo dos negócios?

Hoje, meu principal negócio nas artes é o investimento em arte, tenho alguns investidores standart’s e alguns que investem pelo visto gold em Portugal. Tenho dado excelentes resultados, o que faz com que cada vez mais investidores me procurem. Arte, se orientada a compra com especialistas, é um excelente investimento e seguro.

 

Quais os seus principais projetos na área de responsabilidade social? Como tem sido essa atuação?

Dar a liberdade para artistas viverem da venda de suas artes é meu propósito de vida e tenho tido sucesso nisso. Tenho um programa que ajuda artistas refugiados e ou em situação de risco a se posicionar no mercado da Europa e, nesse caso, não cobramos comissões e ajudamos com toda energia que conseguimos. Nesse momento, temos colaborado bastante com a causa dos milhares de artistas ucranianos refugiados.

 

Quais os principais cursos que você fez para atuar nessa área? 

Todos os anos, eu vou para a Itália e faço algum curso a mais. Mas, minha base, foi na Academia de Brera, em Milão e, depois, História da Arte e Arte Contemporânea na NABA Milão também. Mas, o que me dá mais conhecimento, é a convivência com arte e artes por quase um vida inteira e, profissionalmente, por quase 20 anos.

O carinho que sua mãe, a empresária Ethel Whitehurst, tem com o artesanato teve alguma influência no início de sua carreira como curador?

Minha mãe mudou a vida de milhares de pessoas, impactando socialmente nosso Estado e continua fazendo com muito amor e paixão. Ela investia em arte quando eu era apenas uma criança e isso despertou em mim o interesse nas artes e nos investimentos.

 

Uma das suas ações mais importantes no momento é na divulgação da arte ucraniana. Como se deu esse contato e como está sendo essa divulgação e parceria?

Poucos dias antes da guerra, eu estava em Kiev desenvolvendo o projeto Menu das Artes lá e já conhecia muitos empresários e artistas. Quando a guerra começou, muitos me pediram ajuda e conselhos e foi tudo muito rápido. Consegui me juntar a alguns amigos e fizemos doações de materiais e agora eu posiciono eles, fazendo exposições e distribuindo a arte deles sem cobrar comissões.

 

Quais os seus hobbies?

Coleciono moedas e viajo bastante.

 

Nos indique um livro, um filme e uma série.

Art the whole story.
Com amor, Van Gogh
Não assisto séries, prefiro leituras.

Fio_Laranja.png

Protagonismo e competência no ramo dos eventos

Vale a pena ver de novo

Por Kelly Garcia

WhatsApp Image 2022-10-29 at 11.01.14.jpeg

Enid Câmara, a querida aniversariante deste domingo, fez e faz história no segmento de eventos e turismo. Com a competência que lhe é peculiar, já organizou e coordenou mais de 1.500 eventos. Sua trajetória, marcada pela maestria, ganhou destaque não apenas no Ceará, mas nacionalmente. Entretanto, o começo se deu de uma forma bastante comum, em 1993, quando foi estagiária de uma empresa desse segmento tão importante para o nosso Ceará.

 

Formada em Ciências Sociais pela Universidade de Fortaleza,  é especialista em organização de eventos pela UECE, com formação no Programa de desenvolvimento gerencial – PDG Turismo pela Universidade Fluminense-RJ. Em reconhecimento à sua dedicação e atuação em prol do desenvolvimento do setor de Turismo e Eventos, Enid foi agraciada com diversos prêmios, como o Mulher Empreendedora pelo SEBRAE Nacional, Destaque Empresarial 2005 - Melhor Organização de Eventos no Ceará. Em 2008, ganhou o XII Prêmio MG Turismo, categoria divulgação do Ceará e Troféu Patativa do Assaré.

 

Ainda recebeu homenagens do Rotary Club, Revista Exotic People, Fecomércio Ceará e dos companheiros de setor.  

 

Enid é muito atuante também nas entidades classistas. Foi presidente do SKAL Internacional de Fortaleza biênio 2009-2011, reeleita para biênio 2011-2013 e Vice-Diretora do SKAL Brasil. Ainda esteve como presidente da Câmara Setorial de Eventos da ADECE (Gestão 2014-2018).Em 2011, tomou posse como integrante da Academia Brasileira de Eventos e Turismo e se tornou a primeira mulher nordestina e cearense a ocupar uma cadeira na ABEVT. Também presidiu a ABEOC Ceará (Gestão 2018-2020), é diretora secretária do Fortaleza Convention & Visitors Bureau, vice-presidente do Sindieventos Ceará e Diretora geral da Prática Eventos. Confira essa trajetória de sucesso, que permanece sempre melhorando a cada dia, especialmente após a retomada dos eventos, como a Expolog, sucesso de público e conteúdo. Vem rever com a gente!

Você tem uma história com o turismo cearense e o mercado de eventos. Nos conte como os seus caminhos se cruzaram com esses setores. Você já fazia eventos na adolescência?

Tudo iniciou em março de 1993, quando entrei como estagiária na Prática Empresarial, que era gerida pela mente brilhante e visionária do Roberto Matoso (In memoriam). Eu nunca tinha organizado eventos antes e estou há 27 anos nesse setor, são mais de 1.500 eventos promovidos/organizados, quem entra nesse universo fantástico dos eventos costuma gostar e permanecer por muito tempo. 

 

Como surgiu a ideia de empreender com a Prática Eventos? Qual o trabalho mais desafiador que vocês já pegaram?

Em janeiro de 1997, transformamos a área de eventos da Prática Empresarial em uma empresa focada somente na promoção e organização de eventos (Prática Eventos) da qual me tornei sócia minoritária. 

Sobre o trabalho mais desafiador, todos os eventos são únicos e tem em si particularidades e desafiospróprios, mas acredito que o mais desafiador foi organizar um evento que precisaria de no mínimo 6 meses para sua produção, e o cliente nos  contratoupara organiza-lo com o prazo de uma semana e com um feriado no meio, e graças ao empenho de toda uma equipe envolvida ele aconteceu com sucesso e nos trouxe inúmeros aprendizados. 

 

Quais as principais inovações que tem executado ao assumir a direção da Abeoc?

Nesse universo dos eventos é preciso muito trabalho, dedicação e manter-se constantemente atualizado e aberto aos novos aprendizados. Eu acredito muito na educação contínua e partindo desse princípio, tenho realizado na minha gestão, palestras de capacitação para os associados e parceiros, e que abordem os temas mais relevantes para o momento. 

 

Como tem sido a retomada dos eventos, nesse período em que a maioria da população já se vacinou?

A Retomada do setor corporativo acontece de forma gradual, seguindo os protocolos. Esta tipologia de evento precisa de tempo para planejar, captar e  executar. Teremos um longo trabalho pela frente para recuperar um setor que foi para o chão. Mas acredito muito da força do empreendedor e do empresário brasileiro. 

 

Qual foi a maior emoção, ao estar novamente comandando um grande evento, atividade que você executa com tanto prazer e dedicação?

Sou apaixonada pelo que faço. Foi um desafio fazer a Expolog de forma híbrida. Muito mais caro e trabalhoso. Mas com fé, muito trabalho, uma equipe muito competente, um comitê técnico forte e atuante e grandes parceiros, realizamos a 16 edição da expolog, um Hab com total de 14 eventos.

Quais são seus hobbies?

Trabalhar e ajudar as pessoas é minha melhor e maior diversão. Quando não estou trabalhando, estou com minha família ou contribuindo com as causas do associativismo e do voluntariado.

 

Como é a sua relação com a espiritualidade? Tem algum santo de devoção?

Sou devota de São Francisco, sou católica e adepta do autoconhecimento através de terapias, constelação. como forma de se tornar uma pessoa melhor a cada dia. 

Um sonho profissional e pessoal ainda não realizado.

Profissional: investir em novos nichos de mercado; Pessoal: morar um tempo fora do país.

 

É de qual país a sua gastronomia preferida?

Italiana.

 

Qual o lugar mais lindo que já visitou? 

Paris.  

 

E pra onde sempre volta?

Para minha casa. Minha Rocha Lima. 

 

Pra você, família é...

A base de tudo, meu porto seguro.

Fio_Laranja.png

O cultivo do belo como forma de servir ao outro

Vale a pena ver de novo

Por Kelly Garcia

WhatsApp Image 2022-10-22 at 08.43.11.jpeg

Uma vida dedicada ao bem estar e ao cultivar do belo em suas pacientes. Assim podemos resumir a trajetória profissional da fisioterapeuta Anna Christina Henriques.  Formada pela Universidade de Fortaleza em 1979, atua na área de fisioterapia estética desde então. Em 1983, com a “Physical Center”, procurou tratar os desvios estéticos como uma questão de saúde. Em 1992, buscando novas propostas e com uma sede própria, começou a “Clínica do Corpo” e há quatro anos, buscando renovar ainda mais o conceito, mudou o nome para  “Espaço Anna Henriques”.

 

Atuando na fisioterapia Dermato Funcional com titulação de especialista na área pela Sociedade Brasileira, tornou-se uma das pioneiras deste segmento no Brasil. As pesquisas cientificas que faz, a experiência clínica e acadêmica foram importantes para implantação do primeiro curso de especialização relacionado à área. Exerceu a docência na graduação e pós-graduação em fisioterapia por 20 anos e atualmente ministra cursos nacionais e internacionais na área de eletroterapia e terapia manual.    

 

Consagrada na Comunidade Católica Shalom, onde serve como missionária, Anna é uma mulher moderna, dinâmica, realizada  e sempre de bem com a vida, nas suas múltiplas missões de filha de Deus, esposa, mãe, avó e profissional que se dedica a duas grandes paixões: A família e a profissão. Forma com seu esposo Otávio Henriques uma estruturada família de três filhas e cincos netos. Duas delas moram em Miami (Carolina Lupifieri e Debora Jones) e trabalham também na área da estética. A outra filha, Priscilla Capelo, que reside aqui, é uma conceituada profissional na área de decoração de festas.

 

Hoje, o “Espaço Anna Henriques" oferece tratamentos faciais corporais, pré e pós cirúrgico, nutrição, pilates, RPG, cirurgia plástica, design de sobrancelhas e psicologia. A clínica continua sendo referência na qualidade de atendimento e em tratamentos modernos de peeling, calvície, queda de cabelo, radiofrequência, olheiras, manchas, estrias, celulite e gordura localizada, que são avaliados na sua totalidade, visando um planejamento de tratamento individualizado, objetivando um resultado mais rápido. Fotos: Frisson

WhatsApp Image 2022-10-22 at 08.43.20.jpeg

Como entendeu que queria ser fisioterapeuta e trabalhar com a área da beleza? 

Sempre fui apaixonada pela área da saúde e encantada com a reabilitação através das mãos, quando na juventude conheci o trabalho realizado na antiga ABCR. Por isso, escolhi fazer o curso de fisioterapia, onde ingressei na Universidade de Fortaleza em 1975. A escolha pela área da Estética se deu aos poucos, pois primeiro comecei a trabalhar com os desvios posturais e fui observando que o desalinhamento da coluna vertebral interferia diretamente na distribuição da gordura no corpo.

 

Em todos esses anos atuando na área, quais foram as principais mudanças no público?

No início, a Fisioterapia Dermato Funcional não era reconhecida como especialidade e a atenção se restringia ao público feminino. Hoje, porém, apesar da crise pela qual nosso país tem passado, o mercado da Estética tem crescido, se estendeu ao público masculino, pois os brasileiros estão mais conscientes dos cuidados  e prevenção com a saúde da pele.

 

Qual o diferencial da sua clínica? Quais são as principais inovações?

Existem no mercado muitos tratamentos que são propostos aleatoriamente, porém sempre atuamos baseado em evidências científicas. Buscando recursos e técnicas disponíveis ao fisioterapeuta, possibilitando assim a articulação com outros profissionais da área, como médicos, nutricionistas, psicólogos e esteticistas. Lançamos agora uma proposta de tratamento para Alopecia (queda de cabelo), em que utilizamos uma nova técnica de Microagulhamento, associado a ativos potencializadores que estimulam os fatores de crescimento.

 

Quais são os desafios e as delícias de ser fisioterapeuta dermatofuncional?

Neste tempo escasso, em que não se consegue parar as rotinas diárias, acho um desafio restaurar a relação do indivíduo consigo mesmo. Ter um tempo para se cuidar proporciona a autoestima e a autoconfiança e devolve a confiança na sua pessoa, que é criatura amada de Deus.

Como você faz para se manter atualizada na sua profissão?

Conseguimos sempre nos diferenciar pela busca constante de atualizações e aperfeiçoamento de técnicas. Fui uma das pineiras dessa especialidade. Pertenci por mais de dez anos à diretoria da Sociedade Brasileira. Presidi dois Congressos Internacionais, realizados no nosso Estado. Lecionei por vinte anos na Universidade e assim, sempre me mantive atualizada, participando de pesquisas e eventos científicos. Mesmo durante essa pandemia, procurei fazer cursos on-line para retornar aos atendimentos com novas técnicas.

 

Como se relaciona como divino? Tem algum santo de devoção?

A amizade com Deus, nosso Pai e criador, é uma virtude que precisa ser buscada, exercitada, cultivada. Vivo da Misericórdia de Deus e sei que necessito da Sua presença. Por isso, o busco na Eucaristia, na missa diária, na oração pessoal e comunitária. Como consagrada na Comunidade de Aliança Shalom, tenho Maria Santíssima como minha Mãe e conselheira. Busco nela a graça da docilidade e da obediência à vontade de Deus.

 

Quais são os seus hobbys?

Sou apaixonada por massas e no período de isolamento social curti muito cozinhar, buscando novas receitas. Também transformei um espaço da minha casa em SPA, formamos um grupo de ZAP e nos encontrávamos pelo aplicativo diariamente para praticarmos  exercícios  e trocar ideias sobre os cuidados com a saúde.

 

Qual o lugar mais incrível que já visitou? E para qual sempre volta pra recarregar as energias?

O melhor lugar deste mundo é sempre próximo da minha família. Temos duas filhas residindo nos USA, e a melhor viagem é sempre para estar ao lado delas e dos netos.

 

Como faz para conciliar a família e as demais atividades? 

Não é uma tarefa fácil, até porque o “Espaço Anna Henriques”, está localizado ao lado da minha residência, por isso preciso manter uma organização de horários separando a vida profissional e pessoal.

 

Pra você, família é...

Trazemos em nossa bagagem de vida, costumes e crenças que aprendemos com nossa família, por isso ela é a base de tudo!! É o maior presente de Deus, o mais valioso, onde encontramos a alegria em passar experiências e aprender com os filhos e netos. Família é a oportunidade de dar sem medidas amor incondicional, sem obrigações ou cobranças.

Fio_Laranja.png

Os encantos e desafios do

Direito como ofício

Por Kelly Garcia

Nossa entrevistada da semana é a advogada Janayna Lima. Graduada em Direito pela Universidade de Fortaleza, é especialista em Processo Penal e em Direito Previdenciário. Também fez LLM de Direito Empresarial na FGV- RJ. É especializanda em Direito Tributário pelo IBET. Mestra em Direito Constitucional nas Relações Privadas na Universidade de Fortaleza nas áreas de Trabalho e Tributário. Ainda foi conciliadora da 9º UJECC no período (2004-2006). É fundadora e presidente da Comissão de Acompanhamento aos Concursos Públicos da Ordem dos Advogados do Brasil secção Ceará e foi Conselheira Estadual da Ordem dos Advogados do Brasil Secção Ceará. Também é membro da Comissão Nacional da Mulher Advogada, da Comissão Especial de Defesa do Concurso Público ( Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil 2013-2015). 

 

Janayna integrou o grupo Núcleo de Estudos sobre Direito do Trabalho e Seguridade Social. Foi vice-presidente da Comissão de Direito Tributário da OAB-CE e presidente da Comissão de Estudos tributários da RMF.

 

Também foi diretora do Instituto dos Advogados do Ceará como secretária geral adjunta, membro efetivo do IAC (Instituto dos Advogados do Ceará), membro honorário da ACLJUR (Academia Cearese de Letras Jurídicas).

 

Hoje é participante do grupo de estudos do ICET (Instituto Cearense de estudos Tributários) e do grupo do Prof. Paulo de Barros Carvalho no IBET (Instituto Brasileiro de Estudos Tributários), além de coordenadora de pós graduação em Direito e Processo Tributário.

Confira uma conversa leve sobre os caminhos do Direito e realizar sonhos profissionais.

Como você decidiu pelo Direito? Era sua primeira opção de profissão nos tempos do vestibular?

Sempre quis e sonhei de profissionalmente exercer a advocacia e docência. Nunca pensei em cursar outra faculdade, nem em exercer outra profissão. Amo ser professora e advogar.

 

Desde a graduação, você tem sempre buscado se aprimorar. Nesse sentido, fez várias especializações, nas áreas de Processo Penal, Direito Previdenciário e agora está cursando a especialização em Direito Tributário, além de ser mestra em Direito nas relações privadas, nas áreas do Trabalho e Tributária. Você tem alguma área preferida?

Tributário, que é a minha área de atuação, já há algum tempo. O tributário me escolheu e todas as areas são afins do tributário. Por exemplo: trabalho muito bem no Direito Tributário Penal, pois a pós de Processo Penal traz essa confiança nos casos em que trabalho.

 

Você também é coordenadora da pós-graduação em Direito e Processo Tributário. Como tem sido a experiência como docente? Quais são as delícias e desafios dessa área de atuação?

Sou professora há 20 anos, já ministrei aula para graduação, pós, cursos preparatórios para concursos e em cursos de extensão. Nesse ano, recebi, com muita alegria, o convite em coordenar e ensinar a pós de direito tributário e processo tributário na Unichristus. Estamos organizando um curso bem legal, com diversas novidades e com o ensino voltado para a prática ao aluno, visando trazer mais segurança aos que querem aprender ou se atualizar nas áreas do direito fiscal.

 

Você também é membro honorária da Academia Cearense de Letras Jurídicas e já lançou dois livros. Como tem sido essa experiência? O que é mais gratificante nesse contato com os leitores?

O primeiro foi sobre Direito Tributário e o segundo, um capítulo de livro sobre ensino jurídico. O terceiro livro já está sendo escrito e será sobre planejamento tributário. É uma experiência maravilhosa e o contato com os leitores, muito enriquecedor. O livro está em oito plataformas virtuais e nas melhores livrarias. "Impostos Extrafiscais" foi fruto da dissertação do meu mestrado e de 20 anos de trabalho. Ele foi escrito com muito zelo e baseado em recentes pesquisas. Possui uma leitura com linguagem acessível para todos que tiverem interesse. Busquei democratizar o conhecimento.

Quais foram os principais aprendizados durante o seu período como vice-presidente da comissão de Direito Tributário da OAB CE? E na Comissão Especial de Defesa do Concurso Público?

A melhor experiência que pude ter foi em servir à minha classe e também os amigos maravilhosos, que fiz para toda uma vida. Na época, também tive a oportunidade de ser conselheira estadual eleita da OAB.

 

Que conselho você daria para quem está começando a cursar a graduação em  Direito?

Primeiro, mantenha boa relação com os professores e colegas. Segundo, leia livros jurídicos e de outros temas.

Terceiro, exercite-se, beba água, faça preces a quem  você acredita e alimente-se bem. Quarto, tenha uma estratégia para a faculdade e para quando se formar.

 

Quais os seus hobbies?

Malhar, ler, assistir filmes sair com meus filhos e  amigos. 

 

Quais são seus grandes exemplos como juristas?

Hugo de Brito Machado, Paulo de Barros Carvalho, Denise Lucena, Rui Barbosa, Clóvis Beviláqua e Ana Paula Martinez.

 

Nos indique uma série, um filme e um livro.

Séries - Grace e Frankie/
Uma advogada extraordinária/Imperatriz

Livros - Tirando os de direito tributário, A Arte da Guerra, a Bíblia Sagrada, O dever do advogado.

Filmes - Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento/Filmes de Bridget Jones/Advogado do diabo/ Homens de honra.

Fio_Laranja.png

O luxo das flores se une ao

bem querer dos afetos

Por Kelly Garcia

Tatiana Gomes Cavalcante levou a experiência da moda para o ramo da floricultura e assim criou a Luxo Natural, que investe em coleções diferentes e muito criativas para agradar em todas as ocasiões, unindo as belas frases e textos à beleza estonteante das flores, presente em várias cidades brasileiras. Conheça mais sobre seu exemplo de empreendedorismo e sobre como montou a empresa no nosso perfil semanal, assinado pela jornalista Kelly Garcia.

Como surgiu a ideia de montar a Luxo Natural?

Eu trabalhava com moda, mas o mercado estava ficando muito concorrido com a chegada de grandes lojas, como a Zara em Fortaleza, então pensei em mudar de ramo e me encantei pelo mundo das flores, numa viagem que fiz à Tailândia. Lá, pensei: e se eu levar a moda para as flores, já que todas as floriculturas fazem todas a mesma coisa? (Só buquês). Então, resolvi inovar e criei embalagens lindas, frases que emocionam e montei a Luxo Natural.

 

Quando você percebeu que era hora de ampliar os horizontes e torná-la uma franquia?

Na verdade, ter franquias não era a meta inicial, mas, com o sucesso da marca, fui procurada por muita gente para abrir franquias e então aproveitei a oportunidade. Tá dando super certo!

 

Onde você busca inspiração para suas coleções presenteáveis? Qual o diálogo que as flores mantém com a moda?

Minhas insipirações vem 100% da moda, me inspiro em grandes marcas como Dior, Chanel, Gucci, Valentino e claro, adapto ao meu ramo, criando coleção de embalagens e porcelanas lindas!

 

Você percebeu um aumento nas vendas de flores depois da pandemia? A que você acredita que isso se deva?

Na verdade tivemos um aumento de 200% nas vendas durante a pandemia. Como as flores se encaixam no agronegócio, tivemos permissão para nos mantermos funcionando, enquanto lojas e shoppings estavam fechados. O nosso crescimento durante o período foi fenomenal.
No pós-pandemia, deu uma pequena caída não nas vendas, mas no lucro, pois os insumos e flores dobraram de preço para recuperar os prejuízos causados durante a pandemia.

 

Qual o principal aprendizado que a Luxo Natural proporcionou a você como empresária?

Consciência ecológica, valorização do natural/natureza e, principalmente, a alegria com o que eu faço, ao abrir tantos sorrisos, encurtar distâncias e estar presente em momentos especiais na vida das pessoas.

Como identificou essa lacuna na área de flores em Fortaleza? Como faz para se atualizar nessa área? 

Na verdade, caí de para-quedas no ramo. Não fiz pesquisa de mercado e até hoje confesso que não conheço as minha concorrentes... O que eu sabia é que todos faziam mais ou menos tudo igual e eu não queria ser mais do mesmo. Trabalhar com moda me fez enxergar uma floricultura com outros olhos, lançar coleções (acho que ninguém fazia isso). Minhas inspirações não vem de outras floriculturas, a minha cabeça não para! 

 

Quais são os principais desafios da área de decoração e flores e quais as delícias de se atuar nesse setor?

Um grande desafio, acredito que não só do meu ramo, é a logística. Aqui no Ceará, o clima não é propicio para o cultivo de algumas espécies de flores. Por sinal, as rosas e girassóis, que são as  espécies mais procuradas e amadas pelas clientes. Portanto temos que trazê-las de fora, através do transporte aéreo ou terrestre, às vezes chegam lindas, às vezes, não... Às vezes, o vôo atrasa e elas nem chegam, e temos que nos virar nos 30. Mas como a natureza é sempre magnifica e nos oferece um leque incrível de tipos e cores, no final, tudo dá sempre certo! Às vezes, penso que Deus dá sempre uma forcinha pra quem trabalha abrindo sorrisos... (risos)

 

O que a Luxo Natural tem hoje de diferencial para oferecer a seus clientes?
Estamos incansávelmente em busca de novidades para os nossos clientes. Lançamos coleções em todas as datas comemorativas, a nossa equipe de marketing não para nunca!  E quando alguma floricultura nos copia, o que acontece com frequência, criamos algo novo!

 

Qual o maior desafio que teve que encarar como profissional? E na vida pessoal?

Foram muitos. Me formei em Turismo e amava trabalhar na área foi quando veio meu primeiro filho. Na época, tive que optar por cuidar dele ou pausar o trabalho. Depois, criei uma marca de roupas super bacana e diferente de tudo o que tinha por aqui, aí veio a crise e a grande concorrência, perdi a paixão! 
Quanto à vida pessoal, todos os dias me deparo com desafios, grandes ou pequenos. Todos são importantes para o meu crescimento, sou grata por tudo o que me aconteceu até aqui!

Fio_Laranja.png

Atuação forte na medicina e na ajuda a quem mais precisa

Vale a pena ver de novo

Por Kelly Garcia

WhatsApp Image 2022-09-30 at 09.22.07.jpeg

Nosso entrevistado desse domingo é o oftalmologista Aristófanes Canamary. Dono de uma história inspiradora na Oftalmologia e em entidades filantrópicas, como o Rotary Club, ele se divide entre o atendimento na clínica e a atenção à família que soube formar com Vânia Studart Mendonça Canamary. 

 

Três dos quatro filhos do casal escolheram a saúde como área de atuação e trabalham junto com o pai na Clínica Aristófanes, uma das mais avançadas hoje em Fortaleza nessa especialidade médica. Fábio e Aristófanes Júnior, como oftalmologistas e Cristiane como odontóloga, vocação que seguiu desde criança. Já  o filho Márcio é seu parceiro em sua empreitada mais recente, no segmento de imóveis. 

 

Confira um pouco de sua trajetória profissional, sua fé e as muitas premiações e cargos de liderança para os quais foi indicado, graças ao seu brilhantismo e dedicação.

Hoje, a clínica Aristófanes Canamary é uma das mais importantes na cidade, com equipamentos de última geração para o diagnóstico em oftalmologia. Como tudo começou? O senhor se formou por qual universidade? Tinha outros médicos oftalmologistas na família?

Começou quando eu era adolescente, nos meus 16 anos, com a idéia de ajudar aos outros, melhorando na qualidade de vida, e observando a gratidão e o reconhecimento das pessoas quando um médico curava suas doenças. Então achei muito legal e decidi lograr este caminho.


No início dos anos 70, passei no vestibular mais concorrido do Estado do Ceara, que era Medicina pela Universidade Federal do  Ceara. Nesta época, só existia vestibular para Medicina nas Universidades federais. Em 1975, como acadêmico de Medicina, participei de um congresso importante da especialidade de Oftalmologia em Fortaleza, promovido pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia, a convite do meu primo, Emilson Barros de Oliveira. O que me fez ficar mais empolgado com a Oftalmologia.

 

Quais os serviços oferecidos hoje pela clínica?

Hoje, a clínica oferece os serviços de consultas oftalmológicas, exames diagnósticos especializados, cirurgias oftalmológicas (catarata, refrativa, retina, glaucoma, pterígio, plástica ocular), e um departamento de lentes de contato para todos os tipos lentes. Temos também serviços odontológicos, com clareamento dental, ortodontia, e harmonização facial.

 

Vocês têm algum projeto social para o apoio de pessoas mais carentes?

Nós temos um projeto do  Rotary  “Veja o Rotary com Bons Olhos”. No qual, fazemos o atendimento de todas as crianças da Escola Municipal Jader de Figueiredo Correia, com consultas e entrega dos óculos, em parceria com as Ópticas Itamaraty. Com o surgimento do COVID 19, este projeto foi suspenso temporariamente, mas temos a certeza que logo que passar essa fase, retornaremos.

 

Como você se sente com seus filhos seguindo sua profissão, e trabalhando juntos, na mesma clínica, inclusive com a filha Cristiane que é odontóloga, que era seu sonho desde criança?

Foi uma grande satisfação e orgulho ter meus filhos Fábio Canamary, e Aristófanes Canamary Júnior trabalhando comigo na mesma clínica. Pois, assim, tenho a certeza de que o meu trabalho iniciado há anos vai ter continuidade com profissionais competentes e capacitados, trazendo benefícios para a população. Quanto à Cristiane Canamary, sempre respeitei sua escolha de ser odontóloga desde criança, por que achava que combinava muito com ela. Orgulho-me de sua dedicação e paixão pela profissão escolhida. 

Ser médico envolve muitos desafios e renúncias. Qual a parte melhor da profissão?

Primeira coisa que gostaria de salientar foi a minha grande sorte quando tinha 17 anos, de ter conhecido, uma moça muito especial, simpática e alegre, a Vania Studart, com a qual me casei. Ela foi uma grande incentivadora da minha profissão, tendo muita paciência com a minha falta de pontualidade para com ela, devido às responsabilidades assumidas. As melhores partes da profissão são várias: A gratidão e a satisfação demonstradas pelos meus pacientes no próprio consultório e em eventos sociais. A certeza de que passei minha  paixão pela Oftalmologia aos meus filhos, Dr. Fábio e Dr. Aristófanes Júnior. A alegria de ter ao meu lado minha filha, Dra. Cristiane, na clínica. Ter minha esposa Vânia na retaguarda da clínica Aristófanes Canamary. Atualmente, adquiri outra profissão junto ao meu filho Márcio Canamary, na área imobiliária.  Por poder ter servido à oftalmologia em vários cargos como: presidência da Sociedade Cearense de Oftalmologia, presidência da Visionlaser (Centro de Correção Visual a Laser), presidência da Cooperativa dos Oftalmologistas do Ceará, direção do Centro Cirúrgico da Visão e presidência do Rotary Clube Fortaleza Barra.
Orgulho-me de ter recebido como reconhecimento da sociedade pela minha profissão a Medalha Boticário Ferreira, o título de Comendador da Ordem Alencarina, o prêmio Brasil de Medicina e Prêmio TOP OF MIND Brazil.  

 

Você é bastante atuante no Rotary. Quais foram os principais aprendizados nessa instituição?

O Rotary é uma grande escola e instituição internacional que nos ensina a fazer companheirismo em “Dar de Si Antes de Pensar em Si”. É  um clube de grandes amizades. Tive a satisfação de presidir o Rotary Clube Barra junto com a Vania, primeira dama no período de 2015/2016.

 

Qual seu hobby?

Assistir filmes em casa.

 

Como você cultiva a espiritualidade? Tem algum santo de devoção?

Desde 1977, logo após o nosso casamento, participamos do segundo Encontro de Casais com Cristo de Fortaleza (ECC), promovido pela Paroquia da Paz. E, desde esta época até hoje, pertencemos a vários grupos religiosos. Ampliamos para o movimento equipes de Nossa Senhora (ENS). Nossa Senhora de Guadalupe é a patrona de nossa equipe, cuja imagem tem como seu principal local de culto a Basílica de Guadalupe, localizada no sopé do monte Tepeyac, ao norte da cidade do México. Inclusive, estivemos com toda equipe numa peregrinação ao local.

Nos indique um filme.

Filmes têm suas épocas. Um grande filme clássico da época foi “OS DEZ MANDAMENTOS”, com Liz Taylor interpretando Cleópatra com um figurino rico em detalhes. Baseado na Biblia, ”A história de Moises, desde seu nascimento até sua velhice”. Liz, era considerada a mulher mais bonita do mundo. Ultimamente, achei um bastante interessante "A Última Nota”. Com Katie Holmes, Patrick Tewart e Giancarlo Esposito, em que apresenta um período da carreira de HENRY COLE um pianista dedicado ao trabalho. Se afastou dos palcos após a morte de sua esposa. E no retorno lhe apareceu uma crise de ansiedade.

Fio_Laranja.png

Cirurgia plástica como

vocação e sacerdócio

Por Kelly Garcia

Nosso entrevistado desse domingo é o médico cirurgião plástico Carlos Juaçaba. Advindo de uma família tradicional de médicos, ele fez especialização em  Cirurgia Geral no hospital de Ipanema, Rio de Janeiro e depois ingressou na renomada especialização em Cirurgia Plástica na clínica de Ivo Pitanguy. Também  teve participação em centenas de congressos nacionais e internacionais. Ainda faz parte da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Com décadas de experiência na cirurgia plástica e um currículo invejável, com certeza você deve ter percebido grandes mudanças no perfil do paciente ao longo dos anos Você poderia citar algumas? 

Acredito que mudou muito, pois com a evolução da Medicina e o refinamento dos procedimentos, os resultados ficaram mais eficientes, bem como a segurança da cirurgia. Dessa forma, isso fez com que o paciente ficasse mais seguro e satisfeito com os resultados. 

 

Por que você decidiu pela Medicina? E pela Cirurgia Plástica? 

Vocação é realmente algo intrínseco, já nasce com a gente. Sou de uma família tradicional de médicos! 

Você fez sua especialização em cirurgia plástica com o mais importante médico dessa especialidade, o dr. Ivo Pitanguy.

 

Como foi a experiência? Qual o principal aprendizado? 

Ter o privilégio de participar da equipe do professor Pitanguy foi uma excepcional experiência, pois seu caráter ímpar de dividir seus conhecimentos foi fundamental para minha vida profissional. Ele, sempre paternal e educador, nos ensinou tudo! Em especial, a humildade e o respeito ao próximo, no sentido de dar o melhor de si para satisfazer o paciente. 

Você já chegou a se recusar a fazer algum procedimento por perceber que a pessoa não estava segura de todo o processo do pós-operatório? Como foi essa experiência? 

Recusar é fundamental onde o bom senso não permite que se traia a natureza. Fazer compreender, confortar e não realizar um procedimento em que não vislumbre um bom resultado é o aconselhável, muitas vezes é melhor, porque o procedimento se tornaria um desastre. Temos a obrigação de resgatar a auto estima de nossos pacientes para que voltem a sorrir para a vida. 

 

Quais são os procedimentos mais procurados pelas mulheres no seu consultório? E pelos homens? É verdade que a procura aumentou, entre o público masculino? 

Dentre as mulheres jovens, os procedimentos mais procurados são relativos ao corpo, como lipoaspiração e próteses mamárias e nas de mais idade, os procedimentos de rejuvenescimento. Nos homens, são cirurgias de pálpebras e pescoço. 

 

Sabemos que você é um apaixonado por fotografia e por fotos de Fortaleza. Nos conte mais sobre esse hobby. 

A fotografia me atrai desde a adolescência, porque ela tem o poder de congelar o tempo e as emoções. Uma fotografia fala mais que mil palavras. 

 

Qual o lugar mais lindo que já visitou em suas viagens? 

Toda viagem tem seu encanto, não existe a mais bela, mas o que me atrai são cidades que tenham histórias que me sensibilizam. 

 

No que a sua percepção do mundo mudou após a chegada dos netos?

Tenho apenas uma netinha de dois anos, uma verdadeira dádiva! Nela, vislumbro um mundo melhor, mais humanizado e repleto de amor.

 

Nos indique um filme e uma série. 

Golpe do destino - O filme permite uma reflexão sobre o exercício dos profissionais de saúde ter se tornado exaustivo, com longas jornadas de trabalho, e, nesse contexto, é que surgem as falhas na relação médico-pacientes. Muitos não recebem os devidos tratamentos dignos de qualquer ser humano. O filme é uma verdadeira narrativa, onde o médico deve ser, acima de tudo, um instrumento de cura com humildade e resignação. A vida é o tempo são os dois maiores professores. A vida nos ensina a fazer bom uso do tempo, enquanto o tempo nos ensina o valor da vida. A série que indico é a Versailles.

Fio_Laranja.png

Fisioterapia e cuidado para recuperar

a auto estima dos pacientes

Por Kelly Garcia

WhatsApp Image 2022-09-12 at 21.52.11.jpeg

Nosso entrevistado dessa semana, Olavo Ximenes Júnior, tem mais de três décadas de atuação na recuperação de lesões em tecidos, mas tudo começou quando ele cuidava de lesões oriundas de pacientes no leito e nos pós-operatório em Cirurgias Plásticas, como reabilitação na área hospitalar, cardiorrespiratório e traumatoortopédica. Com o tempo, também passou a  atender a pacientes queimados e se apaixonou por cuidar e transformar em belo o que não estava tão aparente, para enfrentar o convívio social. Sua trajetória profissional teve  início na área de reabilitação em geral, hospital, cardiorespiratório e traumaortopédica. Depois, começou a atuar em reparação, traumas faciais e excessos de tratamentos estéticos. Atualmente, também trabalha com traumas faciais e reparadores e se tornou também acupunturista. De certa forma, os caminhos da família lhe encaminharam para os cuidados com a pele, mesmo na fisioterapia. Sua mãe, Sirliane Ramos, apesar de ter sido estilista, hoje coordena grupo na Cosmetologia. O médico cirurgião plástico Erfon Ramos foi outro dos grandes encorajadores para que Olavo Ximenes Júnior seguisse para ministrar palestras em sua área específica. Hoje, Olavo Júnior também atua na área acadêmica, onde está há 15 anos, lecionando na graduação e pós-graduação na área da fisioterapia do Centro Universitário Uninassau, em que coordena o curso de Fisioterapia e ainda participa de congressos.

O que o levou a escolher a sua área de atuação? 

Eu despertei para a área ao sofrer um acidente na adolescência. Tive várias fraturas em uma das pernas por conta disso. Depois, na época da Universidade, me encontrei, ao levar alívio para os pacientes com queimaduras e traumas faciais diversos. 

 

Qual foi (ou é) o maior desafio que encontrou ao longo dos anos na sua carreira? 

Os desafios encontrados foram verdadeiros estimulantes para vencê-los, com muito compromisso e profissionalismo, pois trabalho nos três turnos, mas sempre atendo com disposição e carinho aos meus pacientes. 

 

Qual é a maior busca dos seus pacientes? 

Atualmente, sou bastante procurado para dar uma melhor funcionalidade à face e ao corpo, assim como deixá-los mais jovens e com uma aparência mais harmônica. Muitos tratamentos reparadores também proporcionam um melhor convívio social ao paciente, já que ele se sente mais à vontade, estando com uma aparência mais jovial e com mais autoestima.  

 

Como você lida com as expectativas e medos dos seus pacientes? Qual é a sensação de conseguir chegar a um resultado esperado por eles? 

Lido com os medos e expectativas dos pacientes não entregando tratamentos fantasiosos e sim pautados na ética profissional; tenho amor ao que faço, mas também o cuidado de não pensar apenas em vender tratamentos. Minha missão é cuidar do paciente de forma integra e consciente  

 

Quais os procedimentos que estão em alta nesta época do ano? 

Após a pandemia, ocorreu muito envelhecimento facial de várias formas. Por isso, hoje todos querem se cuidar e rejuvenescer a face, assim como cuidar das alterações corporais, melhorar o semblante facial (a calma). Enfim, cuidar do corpo, mente e espírito. 

 

Você falou que, infelizmente, muitos procedimentos estéticos tem gerado problemas permanentes nos pacientes. Quais seriam esses problemas? No que a fisioterapia dermatofuncional pode ajudar? 

São procedimentos estéticos que não tiveram o resultado esperado. São os famosos “exageros”, que estão oferecendo aos clientes. Sinto-me grato ao estabelecer esta reabilitação dos que estão aflitos com resultados inesperados. Dessa forma, meu mundo de cuidados se ampliou para os cuidados estéticos, como uma maneira de melhorar tudo o que o paciente acredita não estar bem na sua face e corpo, mas de forma não agressiva. Infelizmente, as pessoas estão esquecendo do limite e este precisa ser respeitado para não gerar deformações, principalmente faciais, as quais nem mesmo o mais próximo ao paciente terá coragem de falar. Faço aqui um alerta sobre o uso de toxina botulínica para pessoas jovens sem marcas estáveis, asssim como os preenchimentos labiais, os quais levam a um envelhecimento mais rápido, devido ao vai e volta do volume (hoje, temos com tratar.

Devido à evolução das pesquisas, temos muitos tratamentos reparadores que auxiliam a recuperação desses problemas. Esses resultados inesperados desse tipo de tratamento deixam o paciente muito deprimido. Cuidado ao querer abraçar a harmonização facial, pois muitas vezes isso tem levado a problemas irreparáveis e difíceis de recuperar. Não acredite em milagres; cuidar de sua face e de seu corpo é algo gradativo que não só engloba as máquinas aplicadas e sim sua alimentação e estilo de vida que leva; um bom sono,  atividade física e estar em paz com você já te levará a uma beleza que aflora e demonstrará no seu externo. 

 

No que a sua experiência como professor universitário e coordenador do curso de Fisioterapia da UniNassau tem mudado a sua forma de ver o mundo? 

Minha experiência como professor e coordenador me ajuda a saber lidar com várias pessoas e emoções diferentes. Hoje, sou um ser humano bem mais compreensivo. 

 

Como você atua no pós-operatório de cirurgias plásticas? 

Fui pioneiro no Ceará nos pós-operatório em cirurgias plásticas, estéticas e reparadoras. O cuidado - uma palavra que sempre coloco em primeiro plano e deve ser continua em nossa vida profissional. Após pandemia de 2020, vi nas redes sociais muitos profissionais utilizando faixas, que denominamos de tapping. Observei bastante sobre as postagens e analisava o quanto poderia ser perigoso o seu uso para uma pele com ausência de sensibilidade e trauma pós cirúrgico. Conclusão: muitos casos chegaram a mim com danos bem intensos na pele de muitos pacientes. Porque estou falando sobre essas novidades? Elas surgem de forma súbita, como novidades para atrair pessoas, para fazer algo diferente, mas devemos ter o cuidado na saúde baseado em evidências. Tivemos que recuperar tecidos machucados e irritados. Por isso, reforço que não devemos procurar um profissional apenas pela novidade e sim pelo respeito que tem ao seu paciente / cliente, lhe acompanhando até a sua recuperação total.

Dessa forma, o pós-operatório em cirurgia plástica deve ser cuidado, respeitando os dias iniciais em que a pele está sofrendo um processo inflamatório, para que, em média de 8 a 10 dias, a sua reabilitação possa ser iniciada de forma segura e sempre com cuidado de não utilizar aparelhagem que proporcione calor e manobras bruscas, pois o tecido está descolado por até 21 dias. Devemos promover a uniformidade desse tecido, prevenindo aderências e fibroses. Algumas técnicas são utilizadas de acordo com a avaliação a cada atendimento que for realizado. Falar de reparo tecidual engloba uma avaliação minuciosa, pois cada caso um caso e não devemos seguir protocolos iguais para todos. 

 

Quais os seus hobbies?  

Caminhar e correr na areia da praia, assim como tomar um bom banho de mar.  

 

Qual o seu santo de devoção? Como alimenta a espiritualidade?  

Minha espiritualidade segue sempre com meu Terço Mariano e a devoção a Nossa Senhora.  Sempre trago Jesus em meu coração e em minhas conversas e à noite, reflito sobre as cinco chagas de Jesus Cristo. O dia todo converso com o nosso Pai maior.  

  

Como recarrega as energias, diante de tantas atividades?  

Recarregar as energias é ficar em casa desligado de qualquer compromisso. Uma dica: cuide de seu intestino que, consequentemente, isso ajudará na beleza de sua pele. Tente elevar seu espírito por alguma forma de amor que é o Dom Supremo. Bênçãos a todos.

Fio_Laranja.png

Uma alemã

nordestina na Literatura

Por Kelly Garcia

Nossa entrevistada da semana é a escritora alemã Yvonne Miller. Natural de Berlim, mora no Nordeste do Brasil desde 2017. Tem crônicas e contos publicados em coletâneas e antologias, como Paginário (Aliás, 2019), A Banalidade do Mal (Mirada, 2020), Histórias de uma quarentena (Holodeck, 2021), Crônicas de uma Fortaleza obscena (Territórios, 2021) e Prêmio de Literatura Unifor 2021 – Crônicas, assim como na revista literária Laudelinas, entre outras. É uma das organizadoras e co-autora da coletânea de contos Quando a maré encher (Mirada, 2021). Participa do coletivo de cronistas nordestinas Tear de Histórias e tem colunas na revista da editora Mirada e no blog do Escritor Brasileiro. Escreve também literatura infantil.


Atualmente mora no interior de Pernambuco, junto com sua esposa, enteada, gato e cachorro. Confira uma conversa leve sobre criação literária, crônica e o papel da natureza na criatividade.

Você nasceu em Berlim, Alemanha. Como veio para o Brasil? Por que a escolha pelo Nordeste?
O clássico: vim por amor. Eu tinha passado um ano em Belém do Pará, trabalhando na Casa de Estudos Germânicos da UFPA, e estava fazendo uma viagem pelo Nordeste antes de pegar o avião de volta à Alemanha. Nessa viagem conheci minha esposa. Foi em Fortaleza, mais especificamente no terminal do Papicu, embora ela ache mais romântico dizer que foi em Jericoacoara. Sendo no Papicu ou em Jeri, fato é que tive que voltar pra Alemanha, onde já tinha assinado um contrato de trabalho. Ficamos num relacionamento à distância durante quase dois anos até meu contrato terminar. Aí eu vim embora com mala e cuia para estar com ela.

 

Além de falar de forma fluente o português, você ainda é escritora na língua. Como você aprimorou isso? Escreve já a primeira versão em português, ou sua criação se dá na língua materna?
Eu escrevo na língua que a inspiração mandar. Tenho vários contos e contos infantis em alemão e espanhol – outra língua com a qual tenho uma relação forte. Mas ultimamente a Dona Inspiração só me aparece em português. Até tentei já traduzir algumas crônicas minhas para o alemão, mas não gostei do resultado, sempre acho esquisito, meio forçado. Como a crônica é o gênero do cotidiano, penso que é muito natural escrever no idioma desse cotidiano que me rodeia e me inspira, ou seja, em português. Inclusive, quanto escritora me considero mais escritora brasileira – ou nordestina – do que alemã: moro aqui, me inspiro aqui, escrevo aqui, publico aqui; é aqui onde tenho meus coletivos e minha audiência, é aqui onde vivo a Literatura.
Mas isso não significa que outras línguas não tenham também certo papel na minha literatura: como linguista, me interesso muito por idiomas em geral e gosto de brincar e experimentar com eles. Por isso, em várias crônicas minhas aparecem frases ou palavras em alemão, espanhol ou guarani, idioma lindíssimo que comecei a estudar no ano passado. 

 

Na Alemanha, já escrevia contos e crônicas? Nos conte um pouco sobre como se iniciou sua trajetória literária.
Escrevo ficção desde que fui alfabetizada. Mas na Alemanha eu escrevia contos e contos infantis. Comecei a escrever crônicas somente em 2014 quando passei um ano em Belém. Escrevi minhas primeiras crônicas sem saber que eram crônicas porque na Alemanha não existe esse gênero da forma como o conhecemos aqui. Então eu escrevia crônicas achando que eram contos esquisitos. Foi lendo cronistas como Veríssimo e Martha Medeiros que comecei a entender mais esse gênero. Em 2019, já morando em Fortaleza, participei de uma excelente oficina de crônicas no SESC com Fabrício Corsaletti. Ele me apresentou Rubem Braga e foi amor à primeira leitura. Depois disso nunca mais parei de escrever crônicas. Também foi nesse ano que tive minhas primeiras publicações no Brasil.

 

De onde você tira inspiração para os seus escritos?
Quanto à crônica, são quase sempre situações do meu dia a dia: aquele restinho de sujeira que resiste à pá, os aprontamentos do meu gato, as fugas do meu cachorro, as marmotas dos vizinhos... Mas tem alguns temas que se repetem: perrengues interculturais, a natureza, questões psicológicas (como meu medo de dirigir) e as crônicas de protesto com críticas sociais ou políticas.
Quanto ao conto, gosto de ficcionalizar histórias de outras pessoas, que alguém me contou. Foi assim que surgiram os contos “A breve história da galinha Antonela” e “Halloween”, que estão na coletânea Quando a maré encher. Já o enredo do terceiro conto, “Encontro com as águas”, é completamente ficcional, mas criado em cima de um cenário social e político real.

 

Além de ter participado de várias coletâneas e antologias de contos e crônicas, você também escreve literatura infantil. Em qual gênero se sente mais confortável para criar?
Sem dúvida na crônica. A crônica é minha casa, meu lar literário, o gênero onde posso ser eu e no qual me sinto mais à vontade. 

 

De que forma participar de coletivos de escrita te ajuda nos seus processos criativos?
Faço parte do coletivo de cronistas nordestinas Tear de Histórias desde 2019 e em 2020 fundei, junto com uma amiga-escritora, o grupo Andanças literárias, onde nos encontramos uma vez por semana para discutir os textos dos integrantes. Os dois têm sido divisores de águas para mim: não só para aprimorar minha escrita, mas também para conhecer outras escritoras contemporâneas, tecer uma rede literária, uma rede de afetos e mútuo apoio. Pode parecer uma frase de efeito, mas é muito verdadeira: juntas somos mais fortes e chegamos mais longe. Uma puxa outra, que puxa outra, que puxa outra. Quando uma ganha, todas ganhamos. Isso na literatura e na vida. 

Você está finalizando seu primeiro livro de crônicas solo, as Crônicas da Mata, que traz muito do seu cotidiano morando no interior de Pernambuco. Conta um pouco desse novo projeto pra gente.
Sim, já finalizei. São 50 crônicas e microcrônicas sobre minha convivência com a flora e fauna da Mata Atlântica em Pernambuco, onde moro desde 2020. Além de mim, minha esposa e enteada, os protagonistas do livro são tejus, cobras, caranguejeiras, preguiças, saguis, beija-flores, nosso cachorro, o gato e tantos outros bichinhos mais. A maioria são crônicas leves e humorísticas, algumas com um toque poético ou experimental, mas também tem textos com um tom mais reflexivo e crítico. No fim das contas, não se pode escrever sobre a floresta sem escrever também sobre política. E foi isso que eu fiz. O livro é uma declaração de amor à floresta e um apelo por sua preservação.

 

Como escritora mulher e estrangeira, você já sentiu o preconceito no Brasil de alguma forma?
Pelo contrário. Sinto-me muito bem acolhida por minhas parceiras e parceiros do crime, como diz Marcelino Freire.

 

Quais as suas principais influências literárias?
Diria que são as escritoras e escritores contemporâneos que leio constantemente e com quem mantenho sempre uma troca sobre a literatura e a vida. Principalmente as cronistas do coletivo Tear de Histórias e os integrantes das Andanças literárias. Para citar alguns nomes: Luciana Braga, Lícia Coelho, Giselle Fiorini Bohn e Zélia Sales. A Vanessa Passos também é uma escritora muito inspiradora.

 

Quais os seus hobbies?
Além de ler, sempre gostei muito de fazer esporte: escalada, vôlei, pingue pongue... cinema e teatro também. E os “rolês literários”, claro!

 

Nos indique um filme, uma série e um livro.
Vou “desobedecer” à pergunta e indicar dois filmes e dois livros, mas nenhuma série, tá? 
Filmes: Que horas ela volta?, Professor Polvo
Livros: os romances O caminho de casa, da ganense Yaa Gyasi, e Suíte Tóquio, de Giovana Madalosso

Fio_Laranja.png

Uma trajetória repleta de

benquerença e talento na comunicação

Por Kelly Garcia

050320181545322389.jpg

Nosso entrevistado da semana é o multitalentoso jornalista, publicitário, escritor e cinéfilo José Augusto Lopes. Aniversariante do próximo dia 12, José Augusto Lopes atuou no Diário Carioca, Bloch Editores, Diários Associados (Jornais Correio do Ceará e Unitário, Ceará Rádio Clube e Tv Ceará), Rádio Iracema de Fortaleza, TV Manchete, Diário do Nordeste, Slogan Propaganda, SG Publicidade e A.S. Propaganda. Ganhador do Prêmio Colunistas (Revista Propaganda - São Paulo), Troféu Iracema de Imprensa e Prêmio Profissionais da Rede Globo de Televisão. Muito querido na sociedade Fortaleza, ele também é nosso colaborador no site, com a coluna Cinema e Arte, mostrando as suas impressões pessoais de personalidades sempre às segundas-feiras. Confira uma conversa leve sobre os bastidores do jornalismo e a escrita.

Você, mesmo sendo filho único de desembargador, escolheu o caminho do jornalismo e das artes. Por que essa escolha? No que isso impactou sua trajetória.

Meu pai queria que eu seguisse a carreira jurídica. Mas foi ele próprio quem me encaminhou aos livros e às artes, com sua imensa biblioteca e uma devotada paixão ao cinema e ao teatro. Também amava a pintura e a música, tanto erudita quanto popular. Mostrou-me, naturalmente, os caminhos do jornalismo. E eu sempre gostei de escrever, desde bem criança.

 

Parte de sua carreira foi no Rio de Janeiro, onde você inclusive cursou sua faculdade. Nos conte um pouco sobre as delícias da Cidade Maravilhosa nessa época.

O Rio era isso mesmo que se dizia, a Cidade Maravilhosa. Rica como nenhuma outra em belezas naturais, vivia-se em um mar de tranquilidade e segurança, sem falar na atraente e permanente programação de atividades culturais e artísticas. Aprendi muito no Rio.

 

Ao voltar para o Ceará, você passou a atuar em vários veículos, tendo o cinema como sua paixão constante. De que forma isso se iniciou? 

A paixão pelo cinema, como já disse, herdei do meu pai. Ainda hoje, ao relembrar o CinemaScope e o Cinerama, prefiro ver filmes nas telas grandes das salas exibidoras, embora deteste o atual excesso de efeitos especiais.

 

Você também foi jurado de vários concursos de Miss. Sabemos que muitas coisas são impublicáveis, mas tem algum bastidor que você possa nos contar?

Muitas vezes, as candidatas cearenses aos concursos de beleza eram menores de idade, o que transgredia as regras nacionais do certame. Várias cearenses, entre elas Rufina Justa, Vera Camelo e Ana Maria Kerth só não foram Miss Brasil porque descobriram que elas tinham apenas 16 anos, embora já tivessem até feito foto com a faixa de vencedora. A idade mínima exigida era 18 anos, no mínimo 17 e meio, como foi o caso de Vera Fischer.

Você foi colunista social por décadas. O que esse segmento tem de melhor e de pior para quem atua nele? Você considera que essa área mudou muito nos últimos anos?

No início, que me perdoem alguns pioneiros, o colunismo social era um tanto fútil, desvalorizava as notícias de cunho cultural, tais como lançamentos de livros,  exposições de artes plásticas, espetáculos musicais. Nomes como Heloisa Juaçaba, Nadir Saboya, Paurillo Barroso, B. de Paiva e Ignez Fiúza ajudaram muito a mudar esse quadro.

 

Além de cinéfilo e jornalista, você também é escritor. Tem algum livro novo em processo de conclusão? qual?

Na verdade, tenho três livros totalmente concluídos. Um deles sobre instantâneos esparsos da memória, outro sobre a Sétima Arte, que para mim é o Cinema, e um terceiro sobre boas maneiras nas redes sociais. Prefiro o livro sobre cinema.

 

O que você faz nas horas vagas?

Nas horas vagas, leio muito tudo que me cai nas mãos, ouço música, vejo filmes.

 

Tem algum santo de devoção? Como cultivar sua espiritualidade?

Meu santo de devoção é São Francisco, inclusive conheço a cidade Assis. No meu entender, Francisco é o mais humano, digamos assim, de todos os santificados. Cultivo minha espiritualidade por meio de fervorosas orações diárias.

 

Nos indique um filme, uma série é um livro.

Um filme - Ladrões de Bicicletas, de Vittorio De Sica.

Uma série - a coreana Navillera, da Netflix.

Um livro - Dom Quixote, de Cervantes.

Fio_Laranja.png
0749728001520224097.jpg
Fio_Laranja.png

Direito como vocação e

caminho de realização

Por Kelly Garcia

Nosso entrevistado da semana é o advogado Fernando Laprovitera, sócio do escritório Laprovitera Martins Advogados. Nascido em Fortaleza, já atuou em várias áreas do Direito e hoje foca seus esforços no crescimento do escritório. Confira uma conversa sobre a área jurídica e as suas múltiplas possibilidades.

Apesar de jovem, você tem uma ampla experiência no Direito. Desde atividades em repartições públicas, como a Secretaria de Turismo até mesmo a chefia de Gabinete de Desembargador do TJCE e hoje está à frente de seu próprio escritório de advocacia. De que forma essa experiência contribuiu para a sua atuação hoje no Laprovitera Martins Advogados Associados?

Creio que cada uma dessas experiências que pude ter agrega para o meu momento atual, pois me permitem ter uma visão mais ampla da minha atuação na advocacia.

 

Como é o trabalho do seu escritório de advocacia hoje? Vocês atuam em quais áreas do Direito?

Hoje, o escritório tem em seu foco o atendimento a empresas, buscando solução interdisciplinar entre as áreas do Direito. Temos nossa atuação focada no direito tributário, societário, contratual e áreas correlatas do cotidiano empresarial. 

 

Como é a estrutura e funcionamento da empresa?

Somos três sócios e, atualmente, contamos com uma equipe de 12 pessoas, dividida em áreas, mas sempre com o zelo de manter a integração das expertises. 

 

A seu ver, o que a tecnologia pode trazer de bom para a divulgação dos serviços de profissionais liberais, como advogados?

A meu ver, com os devidos cuidados para um uso responsável e ético, a tecnologia é forte aliada, no sentido de criar elos entre os prestadores e público alvo. É um caminho natural e inevitável.

WhatsApp Image 2022-08-25 at 23.30.02 (4).jpeg

Quem é o seu maior exemplo como advogado hoje? 

Dentro da advocacia, tive o prazer e a sorte de conviver com nomes de muito valor, mas guardo uma admiração especial pelo Dr. Djalma Pinto.

 

Como percebeu que o Direito seria a sua vocação?

Não demorei muito a tomar minha decisão pela vida jurídica, tendo nela sempre entendido que a advocacia seria o caminho que mais me satisfaria. Creio que o gosto pela leitura e a permanente necessidade de provocar questionamentos contribuiu muito para que a decisão fosse tomada.

 

Quais os seus projetos para o futuro?

Meu foco hoje está bem relacionado com o constante aprimoramento do escritório.
 
Quais os seus hobbies?

Tempo com a família. Se for viajando, melhor ainda!

 

Nos indique um filme, um livro e uma série.

De filme, A Vida Secreta de Walter Mitty merece uma indicação! É bem leve, mas com uma mensagem muito interessante sobre sabermos apreciar as pequenas coisas da vida e vivermos o momento presente; Dos livros que mais me marcaram, gosto de citar A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera; E sobre série, Família Soprano merece a indicação!

Fio_Laranja.png

Liderança, inovação

e ética no Direito

Por Kelly Garcia

1a64cf38-87ab-466e-abbf-8b8dbfa78cd1.jpg

Nosso entrevistado da semana é o advogado Pedro Jorge Medeiros Filho, bacharel em Direito pela UFC, inscrito na OAB/CE sob o n° 47.700, pós-graduando em Direito Tributário no Insper e sócio da Pedro Jorge Medeiros Advogados Associados. O seu caminho profissional sempre foi pautado pela ética e a liderança. Por isso, durante a faculdade, presidiu a EJUDI, Empresa Júnior de Direito da UFC, quintuplicando o faturamento da empresa durante sua gestão. Além disso, foi finalista de três campeonatos nacionais de debates, representando a Sociedade de Debates da UFC. Confira nossa conversa sobre Direito e suas interfaces com outras áreas.

Mesmo sendo ainda bastante jovem, você sempre tem se destacado em atividades de liderança, isso desde a faculdade. Como você tem aprimorado isso?

Acredito que a parte mais valiosa de qualquer organização são as suas pessoas. Por isso, sempre busquei entender como poderia desenvolver mais a capacidade de gerir equipes e desenvolver talentos. Sendo assim, atualmente, continuo estudando bastante sobre o assunto, tentando sempre aplicar as ideias teóricas à realidade prática.  

 

Como as atividades com vendas se complementam com a atividade jurídica?

A capacidade de negociar é inerente ao exercício da advocacia, já que constantemente precisamos convencer clientes, parte litigantes e magistrados. Além disso, por sua própria natureza, o serviço jurídico só é contratado depois que o cliente possui total confiança no profissional. Por isso, as estratégias de vendas e negociação fazem muita diferença no desenvolvimento da carreira do advogado. 

 

A seu ver, o que a tecnologia pode trazer de bom para a divulgação dos serviços de profissionais liberais, como advogados?

Durante muitos anos, o conhecimento ficou muito restrito ao ambiente acadêmico, mas as novas tecnologias permitiram a sua disseminação para a população em geral, o que possibilitou um maior conhecimento dos cidadãos sobre os seus direitos, por exemplo. Esse fato, consequentemente, ajudou muito na divulgação dos serviços dos advogados e dos demais profissionais liberais, o que é muito positivo. Contudo, em alguns casos, a produção de conteúdo digital pode ultrapassar os limites ético-profissionais, causando efeitos negativos à sociedade. 

 

O seu pai também é um grande advogado, com ampla experiência. De certa forma, ao se formar em Direito, você se espelhou nos passos dele? Como percebeu que o Direito seria a sua vocação?

Claro, meu pai sempre foi meu maior exemplo de pessoa e profissional. Por isso, sempre busco aprender o máximo possível com ele. Já em relação ao momento que percebi que o Direito seria minha vocação, posso afirmar que tudo começou aos oito anos de idade quando passei as férias acompanhando meu pai no trabalho. Depois, as minhas competências e gostos pessoais continuaram me direcionando para o Direito. Por fim, durante a faculdade, tive a certeza de que minha vocação era transformar a realidade de pessoas e empresas, por meio do exercício da advocacia

 

Quais foram os principais aprendizados na Empresa Júnior da Universidade? De que forma você aplica isso hoje, na sua prática profissional?

Na EJUDI, Empresa Júnior de Direito da UFC, instituição que tive o prazer de presidir durante o ano de 2019, aprendi muito sobre como liderar equipes, resolver problemas complexos, atender clientes e negociar contratos. Nesse sentido, os aprendizados desse período nortearam meu desenvolvimento profissional até hoje, já que constantemente utilizo esses conhecimentos no meu dia a dia.

 

Quais os seus projetos para o futuro?

No ramo profissional, planejo expandir a Pedro Jorge Medeiros Advogados Associados, ajudando cada vez mais clientes, sem perder a qualidade e o atendimento personalizado. Já no ramo pessoal, tenho um desejo muito grande de construir minha família com base no amor e no cuidado, assim como aprendi na casa dos meus pais. 

 

Quais os seus hobbies?

Meu principal hobby é ir para os jogos do Ceará junto com o meu pai. Além disso, gosto muito de encontrar amigos, ler livros e assistir filmes. 

Nos indique um filme, um livro e uma série.

Filme: Invencível; Livro: 12 Regras para a Vida (Autor: Jordan Peterson) e Série: The Last Dance (Arremesso Final).

Fio_Laranja.png

Entre a escrita,

a psicologia e o voluntariado

Por Kelly Garcia

Nascida na Fazenda Facão, em Quixeramobim, Célia Maria Leite é servidora pública federal aposentada. Psicóloga com ênfase em oncologia, é mãe de duas filhas e avó de um neto. Escritora, Pesquisadora, Poeta, Artista Plástica e Ceramista. Coautora de 54 livros. Com 4 livros solo, suas obras foram expostas na 90ª, 91ª e 92ª Feira de Livro de Lisboa no Stand/Brasil, a convite da Rede Sem Fronteiras. Sócia Efetiva da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil/AJEB-CE  também é Correspondente do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais/InBrasCI (Rio de Janeiro-Brasil). É também Acadêmica efetiva da Academia Internacional da União Cultural (Taubaté-Sao Paulo-Brasil), titular de cadeira 13-CE, patronesse Maria Tomásia, da  Académie des Lettres et Arts Luso-Suisse, patronesse Princesa Isabel  e da Academia Luso-Brasileira de Letras (Rio Grande do Sul-Brasil). Membro do Horizontes da Poesia (Portugal) e do Instituto Internacional Cultura em Movimento (Rio de Janeiro-Brasil). 

Ainda é autora dos livros:
"Curiosidades da Culinária Nordestina, Mulheres Sertanejas"; "Histórias Contada em Sobre Tela e Gruta Casa de Pedra", "História e Conquista da Casa da Princesa (pesquisa arqueológica) e Casa da Princesa - Lendas e Encantados (ficção e arqueologia)". 

 

Reconhecida nacionalmente, recebeu várias premiações, como o o Prêmio Literário Dra. Vânia Diniz da Academia de Letras do Brasil-DF com o livro Ebook e a Menção Honrosa na categoria Poesia com o título: Três Mulheres, no Concurso da coordenadoria AJEB-SC, em comemoração ao Bicentenário de nascimento de Anita Garibaldi, considerada a heroína de Dois Mundos (Brasil e Itália), Uma Mulher À Frente do Seu Tempo.  

 

Também atua como voluntária, orientando na criação de associações sem fins econômicos localizadas no sertão central do Ceará (Brasil), tais como: Associação da Fonte de Vida localizada na sede do município de Madalena e Associação Luz e Vida, “Casa de Apoio” na sede do município de Quixeramobim com espaço para abrigar pacientes da zona rural em trânsito que necessitam se deslocar para tratamento, em especial, oncológico. É coautora de Projetos Sociais do CCAPBrasil: Pesquisa em Arqueologia, Adote uma Árvore, no Quintal… na Praça, Educar Crianças para não Punir Adultos, Roda de Leitura, Desenvolvimento da Coordenação Motora, aprendendo a contar e rezar na confecção do Terço (momento religioso). Cursos: de Culinária Experimental, de Capacitação, de Artesanatos e da Feira de Artesanatos das Mulheres Sertanejas. Também coautora do Programa do Hora do Esporte (GEEON). Escreve como colaboradora na página Opinião do Jornal “O Estado” (Ceará). Confira uma conversa sobre escrita, inspiração e voluntariado.

Além de escritora de 54 livros em coautoria e de quatro como autora, você também é psicóloga com ênfase em Oncologia. De que forma a escrita e a psicologia tem parceria em sua vida? Quem veio primeiro?

A leitura e o escrever vieram de forma tardia em minha vida, pois comecei a trabalhar muito jovem.
A psicologia levou-me a descobertas além do imaginário. Pesquisas e experiências me estimularam a repassar os conhecimentos através do registrar através da escrita. Como Psicóloga com ênfase em Oncologia foi o desejo de servir aos mais necessitados, que faz parte da minha vida como um sacerdócio.

 

O que mais te inspira nas suas criações literárias?

O dia a dia, a alegria e a tristeza, a começar por uma pena a rodopiar no ar, são fonte de inspiração.

 

Qual o escritor que você mais admira?

Como sou membro da AJEB-CE e de várias Academias nacionais e internacionais, gosto da escrita de todos. Não tenho um escritor preferido. Depois que termino de ler um livro, ele fica a passear nos meus pensamentos. Portanto, gosto mais do último livro lido. 

 

Desde 2019, você tem sido reconhecida com muitas homenagens, por todo o Brasil. Você, assim como muitos escritores, também se sentiu mais encorajada a criar e a mostrar suas artes durante a pandemia? Por que?

A professora Conceição Seabra, ao conhecer minhas escritas guardadas na gaveta gostou delas. Apresentou-me na Associocão das Jornalistas e Escritoras do Brasil, (AJEB-CE) onde ela é sócia. Então, em 2019, participei da primeira Coletânea. No ano seguinte, veio a pandemia e fiquei cinco meses em uma fazenda, quando dei início na escrita. Lá no Sertão Central do Ceará é onde está parte das minhas inspirações, tendo como aliada a Mãe Natureza. Devo citar também que, durante a pandemia, fiz, cursos de desenho, de meditação, de história da Arte e de violino on-line. Assisti e participei de várias lives. Entre várias publicações, na época o texto de minha autoria que emocionou-me foi cujo o título: 2020 Pede Perdão, publicado no Jornal O Estado (Ceará), folha de Opinião. 

Além das atividades como escritora, você também é voluntária em alguns projetos. Nos fale um pouco sobre essa experiência.

Com a orientação do Oncologista e Mastologista Profº. Luiz Porto, cofundador e presidente do Grupo de Estudo e Educação Oncologista (GERON), atuo como voluntária, orientando nas criações de associações sem fins econômicos localizadas no sertão central do Ceará (Brasil), tais como: Associação da Fonte de Vida localizada na sede do município de Madalena e Associação Luz e Vida, “Casa de Apoio” na sede do município de Quixeramobim com espaço para abrigar pacientes da zona rural em trânsito que necessitam se deslocar para tratamento, em especial, oncológico. Também sou coautora de Projetos Sociais do CCAPBrasil: Pesquisa em Arqueologia, Adote uma Árvore, no Quintal… na Praça, Educar Crianças para não Punir Adultos, Roda de Leitura, Desenvolvimento da Coordenação Motora, aprendendo a contar e rezar na confecção do Terço (momento religioso). Cursos: de Culinária Experimental, de Capacitação, de Artesanatos e da Feira de Artesanatos das Mulheres Sertanejas. Também coautora do Programa do Hora do Esporte (GEEON). 

Já passou por algum bloqueio criativo? Como fez para superar?

Até o momento não passei por nenhum tipo de bloqueio criativo, pois a inspiração chega de mansinho e fica passear em toda minha alma.

 

Qual a influência do sertão na sua trajetória como escritora?

Nasci em uma fazenda. Lá é o meu refúgio e recupero as minhas energias para o meu viver. O meu umbigo fui enterrado na porteira do curral do gado leiteiro.

 

Quais os seus projetos para o futuro?

Morar perto das minhas filhas e do neto. Continuar a escrever, viajar, estudar, pesquisar e pintar.

 

Você já é avó? Como isso mudou sua forma de ver o mundo?

Ser avó é uma dádiva divinal, é a certeza que a sua descendência continuará.

 

Você pratica alguma religião? De que forma isso contribui para sua vida?

Foi batizada no Catolicismo e sou praticante. Todas as religiões são importantes para o caminha da humanidade e nos levar a praticar o bem e desenvolver o amor fraterno.
 
Quais os seus hobbies?

A leitura, natação e equitação.

Nos indique um filme, um livro e uma série.

O filme que levou à profunda reflexão foi o Império do Sol, do gênero drama, dirigido por Steven Spielberg, baseado no romance do  escritor J.G. Ballard. A série que indico é a de Maria Magdalena. Quanto à sugestão de um livro, indico o de minha autoria com o título Casa da Princesa - lendas e encantados. Aproveito e informo que o mesmo será lançado na 92ª Feira do Livro de Lisboa, a convite Presidente Dyandreia Portugal, da Rede sem Fronteiras.

Fio_Laranja.png

Vale a pena ver de novo

A gastronomia como vocação e paixão pra vida toda

Por Kelly Garcia

Lia Freire é pura energia e criatividade nos pratos e nos negócios. Apesar de ter percebido muito cedo que seguiria pelo caminho da gastronomia, também cursou Economia e tem experiência em gestão operacional. À frente do Barbras Gastronomia, onde divide o comando com a filha Ana Paula e a mãe Bárbara Freire, soube perceber a lacuna que havia nos serviços de Catering, especialmente durante a pandemia e resolveu empreender nessa área. Apaixonada por conhecer as culturas e saberes culinários do mundo, suas muitas viagens servem não apenas para entreter e descansar, mas para aprender mais sobre sua profissão. Conheça mais sobre Lia Freire na entrevista assinada pela jornalista Kelly Garcia.

Como surgiu seu interesse pela gastronomia? Teve alguma relação com sua mãe? Já brincava com isso na infância?

Desde muito pequena já gostava da cozinha. Minha avó materna foi uma fonte de inspiração e me ensinou muitos dos fundamentos que uso até hoje e minha mãe foi a minha bússola.

 

2. Quando percebeu que essa seria sua profissão? Quais cursos fez para se especializar?

Muito cedo, mas fiz Economia e não demorou muito para me identificar com gestão operacional e, com isso, ficou claro que gastronomia seria o sentido da minha carreira. Para isso, precisei me qualificar aqui no Brasil e no exterior. Em São Paulo, Paris, Barcelona, Madrid, Lisboa e New York. Cursos de fundamentos clássicos da cozinha, elementos essenciais de uma cozinha de qualidade, entre tantos outros. Ao longo de quase 40 anos de vida profissional, pude ter o meu alicerce em várias escolas. Com isso, coleciono comigo conceitos, conselhos, fundamentos e dicas dos mais preciosos chefs. Devo muito a eles, que sempre compartilham o que sabem para ver seguir adiante seus conceitos.

 

3. Você consegue viajar e não fazer pesquisa de campo? Como alia as duas coisas? Quais as descobertas mais interessantes que já fez nessas viagens?

Impossível viajar e não fazer pesquisa de campo. Não fica difícil aliar as duas coisas, pois a gastronomia encanta, diverte e através dela conhecemos a cultura e costumes locais e isso enriquece a viagem. Sobre as descobertas, cada lugar tem seu encantamento, mas Mendonza me surpreendeu muito, pude conhecer um vinho com um mosto de uvas cultivadas no vale do alto e outra entre pedras, deu um resultado que nunca esquecerei. E um momento especial foi fazer um curso com Joel Robuchon em seu L'Atelier em Paris, uma experiência que norteou a personalidade da minha cozinha.

 

4.  Como e quando surgiu a intenção de focar no Catering com o Barbra's. 

Quando decidimos em fazer festas únicas! Aprendi com minha mãe a ver e sentir o desejo de quem quer fazer uma festa e celebrar é valioso, então levamos a festa!!

 

5.  Você gosta de mesa posta nas suas refeições do dia a dia? Como vê a importância da comunhão das refeições no cotidiano?

Sim, a refeição é o momento de compartilharmos o tempo mais precioso com quem gostamos. À mesa, temos a comida, a bebida, mas com uma mesa bem posta temos afeto, carinho e respeito. São ingredientes imprescindíveis a uma refeição.

 

6.  Você professa alguma religião? Tem algum santo de devoção?

Sou católica, mas fundamentalmente sigo Jesus Cristo. Meu santo querido é Padre Pio e sou devota de Nossa Senhora das Graças. Mas, há alguns meses, iniciei o estudo da Kabballah que me faz buscar mais sabedoria para estar mais próxima de Deus.

 

7.  Qual o saber culinário que mais admira na gastronomia mundial? Qual o seu prato preferido?

As mais soberbas criações são bastante simples. O mais fascinante é que o mundo está em busca do essencialmente simples, fresco, leve e sustentável. Sobre o prato preferido, eu não tenho, sempre que crio algo novo, sinto que podemos viver uma experiência diferente.

 

8.  Quais os seus hobbys?

Leitura, colecionar livros de gastronomia, cinema, teatro, cozinhar com amigos e viajar.

 

9.  Qual o lugar mais incrível que já visitou?

Acredito que sempre vemos coisas incríveis, podemos ir várias vezes a um lugar mas sempre iremos nos surpreender. Mas Giverny na França foi um lugar que me marcou, os jardins de Monet, os quadros vivos.

 

10.  Pra você, família é...

A base e referencial de vida. Somos a essência de tudo se estamos unidos e fortes.

 

11.  Que lições valiosas aprendeu na profissão e  que aplica a outras áreas da vida?

Minha profissão é fascinante, todos os dias podemos criar algo novo, precisamos de um time afinado e em perfeita harmonia, todos tem papel vital para que tudo dê certo, isso nos dá a certeza que bons resultados só vem do esforço em conjunto, do entusiasmo, compromisso e muita paixão pelo que se faz.

 

12. Quem é a mulher que mais te inspira?

Mulheres especiais sempre foram presença vital na minha vida. Uma mulher que sempre me norteou foi Margareth Thatcher, que sempre defendeu o liberalismo clássico, pois o equilíbrio e retidão devem equilibrar suas ideologias.

Fio_Laranja.png

Vale a pena ver de novo

Bolos para surpreender

Por Kelly Garcia

Adriana Pessoa Serra vem se destacando no universo dos bolos artísticos e aprimorando cada vez mais seus talentos, compondo suas delícias para eventos como aniversários, primeira comunhão, batizados e ainda os aniversários infantis, que são uma de suas paixões. A vocação para as artes foi percebida muito cedo, ainda na infância, ao observar a mãe, Marilza Pessoa, nossa grande diva dos bolos artísticos no Ceará e pioneira nesse ramo. Confira com a gente um pouco dos bastidores da criação das delícias da Cake Mania, que em setembro irá comemorar os seus cinco anos de fundação.

Quais são suas lembranças mais antigas e preciosas no ramo dos bolos artísticos?

Sabemos que você tem grande influência da mãe querida, nossa diva dos bolos artísticos, Marilza Pessoa. 

Muito cedo, soube que a arte de alguma forma estaria ligada à profissão que um dia viria a escolher. Mas, foi na Bom Bocado, ao lado da mainha, que começou a minha grande paixão pelo mundo dos doces. Poder transformar uma imagem em um bolo, ou um bordado de roupa de bebê em um bordado de bolo sempre me encantaram. É um trabalho que, sem dúvida, exige muito amor, dedicação e criatividade. Entretanto, meu primeiro insight para criar se deu quando tinha uns seis anos, no jardim da casa da minha avó, fazendo um castelo da Cinderela de wafer. Eu sempre estava por perto, ajudando. Mainha fazia o bolo e eu abria os biscoitos, dava pra ela, separava as jujubas. Nas maquetes da escola, também gostava de ousar e usava os mesmos ingredientes dos bolos, como mármore tingido para as pedras, coco ralado para a grama... 

 

Onde você busca inspiração para as suas criações? 

As grandes inspirações surgem de imagens que me fazem sonhar. Por isso, a paixão pela pintura, sem nenhum curso. Fui errando e acertando, como em tudo na vida. Digo: cada bolo pintado é como uma folha em branco...  Isso é encantador. Minhas inspirações são em imagens que vejo, como um convite, uma roupa de criança, portões antigos e até mesmo em loja de materiais de construção. 

 

Como surgiu a ideia de empreender com a Cake Mania? 

A Cake Mania surgiu do amadurecimento de uma decisão. E tem sido uma decisão acertada porque já temos quatro anos de empresa. Hoje, trabalhamos com bolos infantis, de casamento, Primeira Eucaristia, Batizados, mêsversario, além de docinhos, bem-casados, cupcakes e brownies. 

 

Qual a principal delícia de criar bolos, muitas vezes, a grande vedete de festas que são verdadeiros sonhos? 

Acho que desejo ver o brilho nos olhos dos pais, levar um pouco do encantamento que é o nosso lado infantil. Quanto à felicidade da criança,  nem se fala. Os bolos são registrados pelas fotos e a cada ano, é mágico ver cada idade, cada transformação. 

 

Como você se aperfeiçoa na sua área? 

Vendo tendências. Porém tenho a certeza que é no dia a dia que aprendo mais, com a grande certeza de que ainda tenho muito o que aprender todos os dias. Isso é desafiador.

Fio_Laranja.png

Vale a pena ver de novo

Dedicação às artes nacionais

Por Kelly Garcia

fb16c814-0478-47c6-bdbe-cc6f5b823e34.jpg

Trazemos nesse período de férias mais uma entrevista que repercutiu bastante durante o ano, com o editor e empresário no setor cultural Max Perlingeiro. Nascido no Rio de Janeiro, em 1950, é graduado em Engenharia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1973). Organizou diversas exposições de arte no Rio de Janeiro, em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Brasília, Londres, Lisboa, Buenos Aires e Paris. Em 1980, criou a primeira editora especializada em livros sobre arte brasileira no país – Edições Pinakotheke, cujas publicações têm conquistado premiações nacionais entre eles o Prêmio Jabuti por três edições. Também dirige a Pinakotheke Cultural no Rio de Janeiro, a Pinakotheke São Paulo e a Galeria Multiarte, em Fortaleza. Desde 2019 é professor do curso de Pós-Graduação da Escola de Artes Visuais do Parque Lage no Rio de Janeiro e atua desde 1983 como administrador das mais relevantes coleções de arte no Brasil. Conheça um pouco de sua história em nossa entrevista deste domingo

Você é extremamente conhecido por suas galerias, no Rio, Fortaleza e São Paulo. Como o universo das artes chegou até você?

A arte chegou ainda na minha juventude. Em 1979, após trabalhar como funcionário de uma das maiores galerias de arte moderna do Brasil, nasceu a Pinakotheke no Rio de Janeiro, em seguida, Fortaleza e finalmente São Paulo.

 

Você já trabalhou em outras áreas? Quais?

Sou engenheiro de formação, mas nunca trabalhei com isso. Dei aula na minha juventude na preparação de jovens para fazer vestibular. Hoje, dou aula no Parque Lage, no Rio de Janeiro.

 

Como você escolhe suas coleções?

Nossa coleção tem um componente de afeto muito grande. Temos os nossos heróis e com eles, fomos construindo uma coleção da qual gostamos muito.

 

Quais as principais peculiaridades do mercado de obras de arte? Como é a sua atuação?

O mercado de arte no Brasil é muito jovem, se comparado com os mercados em outros países. E hoje, os artistas brasileiros finalmente têm um projeção global bastante significativa.

 

Como você avalia a importância da Galeria Multiarte para Fortaleza?

Foi criada em 1987 e foram 34 anos ininterruptos de atividades, sempre fiel aos seus propósitos. Ao longo do tempo, foram apresentadas quase 100 exposições, sempre acompanhadas de um catálogo ilustrado. Artistas icônicos vieram a Fortaleza pelas mãos da Multiarte, e, nos últimos anos, através da visão extraordinária da Bia, a Multiarte virou um polo irradiador de cultura e discussões na cidade através dos Grupos de Estudo Multiarte. Simultaneamente, a Bia criou o Espaço Familia, com atividades infantis dentro das exposições. Uma ação emocionante! Na oportunidade, cabe ressaltar as parcerias com instituições no Estado do Ceará, entre outras, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, o Centro Cultural Unifor, Museu de Arte da UFC, Prefeitura Municipal de Fortaleza e Prefeitura Municipal de Sobral.     

 

O público de Fortaleza sabe valorizar a arte? Por quê?

O Ceará tem hoje um importante núcleo de colecionadores e amantes da arte. Tenho convicção de que a Multiarte teve um papel importante para despertar o interesse deste público com as suas atividades.

Fio_Laranja.png

Vale a pena ver de novo

Aniversariante da semana, merece todas as homenagens

Por Kelly Garcia

Em honra de uma das damas mais elegantes e queridas da nossa sociedade, trazemos uma das entrevistas que mais repercutiu no nosso site com Graça Dias Branco da Escóssia, que sempre soube unir com maestria as funções de empresária, advogada, mãe de Gisela e Gabriela, esposa de Jório da Escóssia Júnior, filha de Consuelo e avó de Giúlia e Giovanna. Conhecida por sua generosidade e gentileza, teve em seu pai, o saudoso Ivens Dias Branco um grande exemplo de vida. Confira!

WhatsApp Image 2022-07-15 at 21.19.15.jpeg

Seu pai sempre foi um exemplo de homem, muito dedicado ao trabalho e firme em suas convicções. Qual a sua memória mais forte do seu Ivens Dias Branco? E da sua mãe, qual lembrança você guarda com mais carinho da sua infância?
Posso dizer que o meu pai realmente trabalhou a vida inteira, e tinha o trabalho como um hobby, como costumava dizer. As minhas memórias mais fortes dele estão relacionadas à sua maneira de agir. Ele era um homem determinado e obstinado. Ele não apenas sonhava. Os seus sonhos sempre eram seguidos de um planejamento estratégico bem definido, concluídos, na grande maioria das vezes, com sucesso. Um verdadeiro exemplo para as atuais e futuras gerações. Já a minha mãe, sempre foi uma fortaleza para toda a família. O amor incondicional que ela sempre teve pelo meu pai, a dedicação, cuidado e zelo com a educação dos filhos, enfim, deixava o meu pai tranquilo para empreender as suas conquistas, com a certeza de que em casa tudo estava bem. Até hoje, ela é referência para todos nós e cada filho reconhece o grande legado dela.
 
Vocês guardam ainda alguma referência da família portuguesa do seu avô, seja em louças, em alguma peça de mobília, de cama ou receitas?

Eu sou tradicional e clássica e o meu pensamento é que não existe vida sem história. Eu possuo prataria, louças, toalhas bordadas, enfim, alguns artefatos que me encantam, primeiramente, pelo valor afetivo, mas, também, pela beleza e riqueza de detalhes. Eu realmente sou encantada por tudo que remete à cultura e às tradições portuguesas.

 

Você é muito conhecida por sua solidariedade sensibilidade com as causas sociais. Como você escolhe as instituições e pessoas que ajuda?

Fico surpresa com essa afirmação, de ser conhecida por minha solidariedade, até porque não costumo divulgar as minhas ações. Eu realmente acredito que a solidariedade é um grande bem para quem recebe, mas é igualmente benéfico para o doador. Eu não sou de falar, sou de fazer. Gosto de analisar situações as quais posso apoiar, agindo sempre de forma muito discreta, pois, quando faço, não costumo divulgar. É fato que tenho uma grande sensibilidade para identificar situações em que a pessoa sequer chegou a falar comigo e, ao receber o apoio, fica impressionada. Acredito que é um dom que Deus me deu, um verdadeiro privilégio. Posso afirmar, inclusive, que essa é uma herança que herdei do meu pai, que sempre ajudou muitas pessoas sem que ninguém soubesse.

Qual o significado de família, ao seu ver?

O início da minha história e maior riqueza. São as raízes que nos tornam fortes e inabaláveis, que nos mantêm de pé mesmo diante das mais terríveis tempestades. É o que dá sentido à vida. A sua família é um presente de Deus para você, assim como você é para eles. É a tradução de um sentimento único e verdadeiro.

 

Além de empresária, você também é formada em Direito. Você chegou a exercer a profissão? Porque a escolha? Isso influiu em algo no atual caminho profissional?

Na verdade, a escolha do curso de Direito na minha vida se deu por uma adequação em um dado momento. Eu casei muito jovem e fui morar na Alemanha. Após mais de um ano, quando retornei ao Brasil, já grávida de minha primeira filha, Gisela, mesmo tendo passado essa temporada que estava lá sem estudar, achei que seria interessante prestar vestibular na Federal para Direito, sendo aprovada na primeira tentativa. Acredito que pelo senso de justiça que sempre tive e também por acreditar que é um curso que complementa muitas profissões e que certamente iria somar muito em minha vida profissional. Inicialmente, a minha opção foi pela Medicina e por muito pouco não segui nessa profissão, mas acredito que, mesmo ainda jovem, tomei a decisão mais acertada.
A conclusão do curso coincidiu com a inauguração do Hotel Praia Centro, que me foi confiada a administração pelo meu pai, e acredito que foi uma decisão bem pensada, pois sou uma pessoa muito hospitaleira, que preza por bons serviços e os conhecimentos na área de direito me deram uma sensibilidade nas tomadas de decisões de forma mais justa e correta.

 

Qual o lugar mais lindo que já visitou? E pra onde sempre volta para recarregar as energias?

Como país, a Itália. Penso ser impossível encontrar tanta beleza e arte em um único país que não seja lá. Como cidade, quem me conhece sabe que é uma resposta fácil, a cidade luz, Paris. Quando vou à Europa, sempre volto por lá, é um lugar onde me sinto feliz. Paris é amor, festa e alegria.

 

Quais os seus hobbys?

Meu hobby é viajar, conhecer lugares novos, novas culturas. É enriquecedor para mim. É algo que eu realmente gosto de fazer.

Nos conte um sonho não realizado.

Meu grande sonho era ter uma família estruturada e feliz. Felizmente, isso já é uma realidade, ao lado do meu marido, Jório da Escóssia Júnior. Um outro sonho, que está sendo construído, é a perpetuação da grande obra do meu pai, a qual estamos dando continuidade. Sou realmente feliz, pois persigo e realizo tudo aquilo que intento.

Fio_Laranja.png

Entusiasmo pela

vida e pela escrita

Por Kelly Garcia

Nossa entrevistada dessa semana é a jornalista e escritora cearense Juliana Marques.  Apaixonada por literatura, em 2018 fundou o perfil @cronicas_do_cotidiano no Instagram, em que relata suas percepções da vida. É graduada em jornalismo pela Faculdade Cearense, com especialização em Assessoria de Comunicação, por meio de uma bolsa integral, alcançada como mérito acadêmico. Atuou durante cinco anos na produção, reportagem e locução da rádio BandNews FM Fortaleza e durante dois anos na Mandalla Comunicação & Design, desempenhando o relacionamento com a imprensa. Atualmente, integra o grupo de comunicação como assessora de imprensa da Escola de Saúde Pública do Ceará. Confira uma conversa leve sobre inspiração e realizar sonhos.

Você escreve crônicas desde quando? O que te motivou a criar?

Comecei a postar meus textos em 2018, no Instagram, mas, muito antes disso, eu já escrevia meio que inconsciente, mesmo sem classificar os meus textos por gêneros. No ensino médio, por exemplo, escrevi uma história, que hoje sei que foi um conto, e mostrei a algumas amigas. Elas começaram a me dar um bom feedback sobre o material. Diziam que ficaram envolvidas e que não conseguiram parar de ler. Nem sei mais por onde anda esse conto, que escrevi de caneta nas folhas do meu caderno de adolescente que, à época, se preparava para o vestibular. Mas, esse retorno, foi um incentivo pra eu querer investir mais. Foi também no ensino médio, por meio do estímulo de uma professora de Literatura, que o amor pelo universo dos livros nasceu. 

 

Muitas pessoas dizem que o fazer jornalístico trava um pouco a inspiração para escrever textos autorais, sejam eles poéticos ou em prosa. Você concorda com isso?

São realmente técnicas de escrita totalmente diferentes, mas não acredito que um interfira no outro. Sempre que tenho brechas ao longo dia e aos fins de semana, tento relaxar e exercitar minha escrita literária.

 

Seu primeiro livro - Entrelinhas - foi feito através de financiamento coletivo. Como foi esse processo? Qual o principal aprendizado?

Foi uma loucura incrivelmente diferente para mim! Tive muito medo de iniciar, de ninguém comprar, de não alcançar a meta…Todos esses receios que sentimos quando adentramos em um lugar novo, sabe? Mas, conforme as coisas foram acontecendo e as pessoas se engajando na causa, isso foi me dando fôlego para continuar. Superamos a meta e realizei o sonho de publicar meu primeiro livro. É muito prazeroso saber que estão gostando do que você escreve e que a sua escrita de alguma forma fez o bem a alguém. 

 

Hoje, você, além de escrever textos para as redes sociais, também integra o podcast Pitangas de Mãe, ao lado das escritoras Cibele Laurentino e Ary Amorim. Como é falar sobre maternidade nos dias de hoje?  Há muita troca? Ou ainda tem muito julgamento?

Ainda tem muito julgamento. Inclusive, há muito o que se avançar nessa questão da pressão materna, mas estamos aqui para fazer esse diálogo. O projeto do podcast, que foi idealizado pela Ary (Ary Amorim), tem esse propósito, de falarmos sobre o universo da maternidade sem medo do julgamento das pessoas. Afinal, estamos nesse mesmo barco tão intenso e revolto que é criar um ser humano do zero. Uma responsabilidade incrível e desafiadora, que amo demais. Apesar dos desafios, pela falta de tempo, está sendo maravilhoso.

 

A pandemia, de alguma forma, te inspirou mais a criar?

Passei os dois primeiros anos da pandemia trabalhando home office. Foi uma fase importante de ter vivido, acredito. Estava voltando de uma licença maternidade, depois de muito querer um filho. Então, eu não me permitia estar ausente nos primeiros anos de vida dele. Queria ajudá-lo na introdução alimentar, ver ele falar as primeiras palavras, dar os primeiros passos… Enfim, estar presente. Sei que essa não é a realidade da maioria das mães, infelizmente. Mas, consegui, com uma rede de apoio, é claro. Hoje, considero que foi uma fase em que os meus projetos finalmente saíram do papel, no meu caso, foram para o papel (risos), já que consegui finalizar o meu livro e publicá-lo, mesmo no isolamento e acompanhando o desenvolvimento do meu bebê de perto.

 

Você está com algum projeto literário novo em vista? Pode nos adiantar algo?

Sim, estou com algumas ideias. O meu segundo livro já está quase todo escrito. Ele é um autobiográfico sobre a minha maternidade, desde as tentativas até à chegada do meu filho.  Apesar de ser bem segmentado, esse livro fala, essencialmente, sobre não desistir dos seus sonhos. Então, quero que todos se sintam inspirados com a leitura, sabe? Não necessariamente só as mães. Devo publicá-lo até o fim deste ano de 2022. Também tenho um outro projeto de escrever um romance e até já tenho algumas ideias, mas ainda é um processo que preciso amadurecer.

 

Quais os seus hobbies? 

Gosto muito de ler, óbvio, mas também de assistir séries, ouvir música, ir ao cinema, observar as pessoas, a vida. Tudo isso também é fonte de inspiração.

 

Diante de tantas tarefas, como cuida do seu bem estar?

Eu tento sempre fazer algo de bom por mim durante o dia. Isso engloba qualquer coisa mesmo, desde tomar um banho mais demorado a ter que sair sozinha para relaxar. Nem sempre consigo, mas não posso deixar de tentar. No mês passado, por exemplo, consegui ir a uma roda de conversa com Mia Couto, Jefferson Tenório e Socorro Acioli. Escritores dos quais sou fã. Foi maravilhoso.

 

Nos indique um filme, uma série e um livro.

Assisti “Orgulho e Preconceito” esses dias e pensei: como ainda não tinha assistido esse clássico? Já comprei o box com o livro para ler também. A Jane Austen, autora dessa obra, é incrível. Então, deixo os dois (filme e livro) como indicação. De série, sugiro a Modern Love, que é muito inspiradora também.

Fio_Laranja.png

Coragem e ousadia no

empreendedorismo e na escrita

Por Kelly Garcia

Nossa entrevistada da semana é a empresária e escritora Claudia Carvalho. Sempre muito autêntica e alto astral, acredita que herdou o espírito empreendedor, a alegria de viver e a positividade do pai, Paulo Carvalho e de dona Maruzia Carvalho, sua mãe, herdou a originalidade, a irreverência e o gosto pela leitura, as artes e a harmonia de tudo que é belo. Hoje, dirige dois hotéis em Icaraizinho de Amontada, o Saint Germain Kite (e Wind) Residence, juntamente com os sócios: o filho Mario Biasioli e a nora Monique Pinto. Cria e produz coleções para sua boutique de roupas e decoração Mama Chita e começou a escrever seu novo romance: "Catar Conchinhas no Paraíso" (título provisório).


Ainda sobra tempo para amar, rezar para seu mestre Saint Germain, cuidar da saúde, da beleza e de seu filho, Fernando, que está no espectro do Autismo. É mãe também do muito amado Ian, o filho do meio. 

 

Com formação superior em Recursos Humanos, o que a define melhor é o empírico, a curiosidade, o desafio, o ser livre de convenções e amarras, a criatividade transbordante. 

Começou a escrever seu primeiro romance por impulso, o Mulher Brasileira Procura, e considera sua escrita mediúnica recebendo inspiração de sua irmã Fernanda que morreu adolescente num acidente de carro. 

 

Mudou-se de Fortaleza para Icaraizinho de Amontada em 2017 para fugir do tédio e terminar de escrever seu último romance, "O Poder das Lagartixas", que está em negociação para uma possível adaptação para o cinema.  Como escritora, tem vários prêmios em contos: Prêmio Luso-brasileiro, "Melhores contistas de 2013", Editora Mágico de Oz. Trofeu "Prêmio Destaque Artístico Cultural da, Sociedade Europeia de Belas Artes", Viena - Áustria, 2013.


Condecorada com as Altas Insígnias da Academia Du Mérito ET Devouement 2012, por trabalhos publicados na França e serviço prestado à cultura. Vencedora de menção honrosa em Milão, Itália, Categoria OURO, no primeiro Concurso Literário Internacional Vozes & Voci, 2012. Claudia ainda fala 4 idiomas fluentemente (Inglês, Francês  Italiano, Português) e encontrou em Icaraizinho seu Petit Paradise, diminuindo assim sua ânsia por viajar. Sua viagem hoje é mais interna, através de estudos sobre a espiritualidade, a meditaçao e o fortalecimento da fé como suporte (mais do que nescessário) para vida no mundo caótico. 

 

Após dois casamentos, encontra-se solteira e acha o desafio de ser uma mulher livre nos dias de hoje mais interessante do que o casamento. Até que apareça um amor derradeiro e a faça mudar de ideia. Veja mais no nosso perfil semanal.

Você é conhecida pelo seu dinamismo, alegria e irreverência. Como você se define? Se considera uma pessoa autêntica?

A autenticidade já me trouxe vários problemas. A irreverencia também. Talvez porque eu peque pelo exagero. Hoje busco o autocontrole para não me meter aonde não sou chamada. É difícil! Risos 

 

Escritora premiada, com uma obra em negociação para ser adaptada para o cinema, você chegou a ter vergonha de publicar seus escritos? 

Nunca tive vergonha porque nunca pensei em escrever. A escritora da família era minha irmã Fernanda, que morreu ainda adolescente. Comecei a escrever já tarde, por impulso, por isso acredito em escrita "mediúnica". Quando leio o que escrevo, não acredito que seja eu. 

 

Em qual gênero literário você se sente mais confortável? Romance, crônica ou conto?

Gosto de escrever contos porque não tem a pressa da poesia, e tem a síntese que não existe no romance. Recebi alguns prêmio literários em contos, mas sou conhecia pelos dois romances, Mulher Brasileira Procura e O Poder das Lagartixas. 

 

Tem algum ritual de inspiração para escrever? O que mais a realiza na literatura?

Não escrevo quando desejo, infelizmente, mas apenas quando chega uma inspiração, uma ideia, uma boa história. Daí esqueço até de comer e beber água. 
Senti-me realizada como romancista quando, ao escrever meu último romance, O Poder das Lagartixas, meus personagens começaram a agir e falar de forma independente. A personagem principal resolveu alterar o final da história e tive um embate com ela, do qual ela acabou vencendora. É uma sensação indescritível! Nada esquizofrênico. É o pleno exercício da arte. E o artista deve ter mesmo um pouco de loucura. 

 

Está escrevendo algo novo? Pode adiantar alguma coisa pra gente?

Comecei o "Catar Conchinhas no Paraíso" (título provisório), um romance sobre a experiência de deixar a cidade grande e morar numa pequena vila turística como Icaraizinho de Amontada. É o contraste entre viver no Paraíso e a vida real. Uma torre de Babel com gente de todos os lugares do mundo, em meio a  esta transição planetária que vivemos de grandes proporções. Considero um previlégio viver nesta época. Apesar de tudo! 

 

Você está empreendendo em Icaraizinho de Amontada, com os hotéis Saint Germain Kite e Wind Residence, em sociedade com seu filho e sua nora. Quais os principais desafios de empreender em um lugar assim? 

Nunca pensei em empreender em Icaraizinho. Saí de Fortaleza para fugir do tédio. Quando a vida está muito repetitiva, não se evolui. Buscava novas experiências humanas, existenciais, espirituais, ter novas histórias para contar. Empreender na área hoteleira, e agora na moda, veio como consequência e tem sido muito positivo. Sabe-se que o Universo presenteia os corajosos. 

Qual o diferencial dos hotéis que você administra? 

Um grande presente é empreender com meu filho primeiro, Mario Biasioli, um empresário jovem e dinâmico. Juntamente com minha nora, Monique Pinto, oferecemos uma proposta inovadora no ramo hoteleiro como auto atendimento, auto check-in e check-out, unindo conforto, beleza, modernidade e custo benefício maravilhoso, vem daí o nosso sucesso! 

 

Tem alguma novidade para essa alta estação?

Temos a abertura oficial do Saint Germain Wind Lounge, complexo com lojinhas, bar, restaurante e pousada, sempre com eventos interessantes favorecendo a hospedagem em todos os níveis. Para o próximo ano, teremos o lançamento do Saint Germain Praia Baleia.

 

E a vida amorosa, como vai?

Meu pai dizia: Casamento é bom e ruim, minha filha, o mais importante é você ter sua independência financeira. Meus pais eram pessoas muito à frente de seu tempo. Nunca me induziram a fazer nada e sempre fiz apenas o que quis na vida. Os bons resultados são meus filhos amados, Mario, Ian e Fernandinho. De resto, prefiro namorar e ser livre. Pode ser que um dia eu mude de ideia, mas tem que valer muito a pena. Aviso para vocês! 

 

Como alimenta a espiritualidade?  

A escolha do nome Saint Germain não é aleatorio. Ele é meu mestre, meu guia espiritual, uma hierarquia sagrada de alto poder e me conecto com ele todos os dias. 

 

E o bem-estar e saúde do corpo?

Pratico exercícios físicos e alimentação saudável desde sempre. Tenho em mente a positividade, o rejuvenecimento, não foco no envelhecimento. 

 

Sabemos que você ama viajar. Qual foi o lugar mais incrível que já visitou?

Já viajei muito e não voltaria a nenhum desses lugares, a não ser por um bom propósito - que não seja apenas turístico! A pandemia deve ter me aquietado. Hoje minha viagem mais incrível é a interna. 

 

Como é morar em Icaraizinho? Além dos hotéis, você criou uma marca de roupas e decoração, a Mama Chita. Como se inspira para as coleções?

Busco dias tranquilos em Icaraizinho. Tenho uma tarefa importante, talvez a maior delas, a convivencia com meu filho Fernando, portador do espectro do Autismo. Todos os dias somos os primeiros a chegar na praia, de manhã cedo, e juntos temos a tarefa de limpá-la. Em seguida, sou envolvida com cores e flores na criação da Mama Chita (uma chitaria), marca que desenvolvi para alegrar a vida das pessoas, das costureiras locais, das artesãs e a minha também. 

 

Como é sua relação com a família? O que acredita ter herdado de seus pais?

Reverencio meu pai todos os dias, o Sr. Paulo Carvalho (falecido), homem extraordinário com seu espírito empreendedor, inteligência e alegria de viver. Reverencio também minha mãe, a Sra. Maruzia Carvalho, com sua originalidade, seu olhar exigente voltado para  harmonia das formas, das cores e do equilibrio de tudo o que é belo. Espero ter herdado estas qualidades!

Lar.png
WhatsApp Image 2022-06-22 at 23.45.36.jpeg

Dinamismo para se reinventar

no setor de eventos

Por Kelly Garcia

A empresária Stella Pavan é a nossa entrevistada da semana. Diretora Administrativa da A&M Promoções e Eventos, empresa com selo de qualidade  ouro Sebrae e selo de qualidade em Abeoc Brasil, é empreendedora na área de eventos, feiras e congressos. Muito experiente, ela conta com 25 anos de atuação, coordenando e montando mais de 600 eventos de caráter regional, nacional, internacional. Promotora de feiras (online, híbridas e presenciais) no Norte e Nordeste do País, também é diretora da Associação Brasileira de Empresas de Eventos do Estado do Ceará – ABEOC, presidente do Sindicato das Empresas Organizadoras de Eventos e Afins do Estado do Ceará – SINDIEVENTOS. Confira mais sobre a sua inspiradora trajetória no nosso perfil.

Como você decidiu pela área de eventos?

Evento é identificação, evento é vocação, evento vem da palavra eventualidade, e trabalhar com evento é estar preparado para o inesperado. E isso é desafiador e acredito que isso tenha despertado em mim essa grande paixão para trabalhar nesse segmento. E  já se foram quase 30 anos.

 

Do que mais gosta em organizar um grande evento?

Ver nascer um evento desde a concepção, o planejamento até a realização. A sensação é maravilhosa, eu amo minha profissão.

 

Qual evento considera que tenha sido mais desafiador para organizar? Como fez para transpor esses obstáculos?

O mais desafiador foi fazer os eventos híbridos, o desafio do novo, de fazer acontecer, presencialmente e, ao mesmo tempo, de maneira virtual. O novo assusta mais quando nos deparamos com o resultado final, é engrandecedor.

 

Estamos vivendo um novo momento, depois da pandemia, especialmente no setor de eventos. O que mudou com a pandemia? Quais foram os principais aprendizados?

O que mudou com a pandemia foi o perfil dos nossos clientes, o nível de exigência nos nossos eventos tem sido bem maior no pós pandemia, a mão de obra qualificada tem sido um grande desafio para os empresários. Com a pandemia, muitos funcionários mudaram de segmento para garantir seus sustentos e isso causou uma escassez de mão de obra qualificada.  Com isso, surge um grande desafio para o nosso setor que é a qualificação profissional. O setor necessita de mão de obra qualificada para atender a grande demanda de eventos nesse momento pós pandemia.

Ao assumir a presidência do Sindieventos, quais são os seus planos? O que deve ser implantado nesse primeiro ano de gestão?

Ao assumir a presidência do Sindieventos, encontramos um grande desafio, que é um mercado marcado por uma paralisação mundial. A pandemia mexeu com os mais variados setores da economia e o setor de eventos foi um dos mais atingidos. Então, o nosso desafio à frente do Sindieventos é lutar por políticas públicas que olhem para o setor, investir em qualificação profissional, lutar para que o setor de eventos reaja bravamente a esse momento de retomada e pensar sempre no coletivo. Minha gestão será participativa e com certeza, com o grande time de empresários/diretores faremos uma gestão que marcará um NOVO CICLO NO SINDIEVENTOS CEARÁ.


Quais eventos internacionais e nacionais geriu? Quais foram os principais aprendizados?

Eu já organizei e montei grandes eventos, mas hoje o foco da minha empresa, a A&M Montagens e Eventos, é montar estruturas, estandes para eventos coorporativos e a promoção dos meus próprios eventos. É inovar sempre, pois trabalhar com evento é um desafio constante e nunca desistir de nossos objetivos.

 

Quais são os hobbies?

Cozinhar e viajar.

 

Nos indique um filme e uma série.

Filme: Nasce uma estrela
Série: Anne With an "E".

Fio_Laranja.png

Escrita como herança

e empoderamento

Por Kelly Garcia

Cibele Laurentino nasceu em Campina Grande, Paraíba, mas reside em Conde, no mesmo estado, onde vive com sua família, na Praia de Tabatinga. Filha do saudoso Zé Laurentino, poeta e escritor, cresceu no berço da cultura e viu seu gosto pela leitura e escrita começar na infância, no convívio com poetas populares, cordelistas, cantadores de viola e emboladores de coco. Formada em Gestão em Turismo, atua na área e se dedica à literatura, como escritora e estudante de Letras na Uninter. Ainda é curadora do prêmio Book Brasil 2021 e é a idealizadora do projeto Conversando com escritoras, por meio do qual divulga escritoras brasileiras contemporâneas nas mídias sociais. É autora dos livros Cactus, Nobelina e Todas em Mim  é o seu livro mais recente, com 26 contos sobre o universo feminino. Saiba mais sobre essa talentosa escritora na nossa entrevista.

Como você começou a escrever? Era daquelas que escrevia e não tinha coragem de revelar para o mundo? Como isso mudou?

Sim. Sempre escrevi muito, desde criança. Guardei muitos escritos e, com vergonha de mostrar, engavetei por medo. Por comparar minha escrita à poesia do meu pai - Zé Laurentino, poeta popular, cordelista, de versos extremamente rimados e metrificados, enquanto minha poesia sempre fluiu em versos livres. Em 2019, vivia um luto sofrido pela perda dele e decidi criar o canal no Instagram, com intuito de continuar divulgando sua poesia, daí fui mostrando de forma muito intimista a minha também. No passar das publicações, os posts começaram a ser curtidos, compartilhados, elogiados, eu fui me sentindo segura, até selecionar meus textos e publicar meu primeiro livro de poesias pela Amazon - Cactus.

 

Você é nascida em Campina Grande, Paraíba e hoje mora em Conde, no mesmo Estado. De que forma essa nordestinidade se reflete no seu fazer literário?

O regionalismo, o folclore, os dialetos, a cultura. Sempre presentes.

 

Seu pai também era poeta e escritor. De que forma ele te influenciou como escritora?

Ele que me apresentou a poesia, que me proporcionou o prazer e alegria de ver poesia na vida, nas pessoas, na natureza. Ele que me proporcionou o convívio com a arte, com poetas populares, cantadores de viola, emboladores de coco, me mostrando a grandeza de cada trabalho. Ele que me apresentou os teatros, as rádios, ele que me apresentou a leitura, a educação. Me ensinou a respeitar a poesia, reverenciar os poetas.  Toda essa vivência, admiração atravessa minha inspiração à escrita.

 

Além de escritora, você também é gestora de Turismo e está fazendo Letras. Como isso se reflete em seus livros?

Escrever requer conhecimento, estudo, leituras, sensibilidade e observações continuas. Sobretudo minha pretensão é escrever melhor cada vez mais. E todo conhecimento adquirido ele vai somar de fato, na minha voz literária.

 

Quais suas influências literárias, entre os grandes mestres?

Joaquim Manoel de Macedo, Clarice Lispector, Adélia Prado, Ariano Suassuna, Zé Laurentino e outros tantos. 

 

Você foi curadora do Prêmio Book Brasil 2021 e idealizadora do projeto Conversando com Escritoras. O que aprendeu com essas ações? Como tem sido essa troca de experiências?

Duas experiências maravilhosas, de conhecer novos autores, formas de escrever, a pluralidade que permeia o universo cognitivo de cada escritor, é fabuloso. É sobretudo a certeza de que não estou só. Quando fui convidada pelo idealizador do prêmio Book Brasil, o Marco de Sá, para compor a curadoria, fiquei muito lisonjeada, principalmente quando conheci sobre a idealização do prêmio, sobre o que era o projeto social e educacional, sobre o tocante ao idealizador, fiquei apaixonada. Conheci muitas obras maravilhosas que nos orgulham demais.

Fio_Laranja.png

Psicologia para

reconhecer talentos

Por Kelly Garcia

WhatsApp Image 2022-06-09 at 08.29.23.jpeg

Nossa entrevistada da semana é a psicóloga e nutricionista Rosângela Oliveira. Nascida na cidade de Sobral, é casada com o deputado estadual Tadeu Oliveira e mãe de Larissa, Manuela e Maria Teresa. 


Sempre sonhou com um mundo melhor, acreditando que isso começa a partir de si e de um núcleo familiar, como dizia Madre Tereza de Calcutá : “quer fazer algo para promover a paz mundial? Vá para casa e ame sua família”. Graduada em Nutrição pela Uece, na faculdade se engajou em trabalhos sociais, como o projeto Rondon, onde conheceu seu marido. Formou-se em Psicologia pela Universidade de Fortaleza e, hoje, atua exclusivamente na área da psicologia em Recursos Humanos, em que é vice presidenta e diretora de RH da Odontoart planos Odontológicos, que há mais de 20 anos garante um sorriso saudável e seguro para mais de 140 mil clientes, por meio de uma ampla rede de clínicas próprias e centenas de dentistas credenciados. Entre várias homenagens,  recebeu o troféu “Mulheres de Sucesso” em 2018 por sua atuação nas áreas que se propõem. Conheça mais sobre ela em nosso perfil semanal.

Você tem um histórico bem ligado à área social. Nos conte um pouco sobre como essa sua identificação com quem mais precisa começou.

Sempre tive esse contato social na minha família. Meu avô materno, foi um grande comerciante na cidade de Sobral e vereador desta mesma cidade, ligado a uma grande força política e desenvolveu muitos projetos em prol da sociedade. Quando jovem, ingressei em projetos que trazem na sua essência, suporte social como o Projeto Rondon, Pastoral da Criança e outros.

 

Antes de ser psicóloga, você trabalhou na área da Nutrição. Como deu o start para mudar de área? 

Sempre fui muito de dar atenção a quem me procura. Trabalhando em um grande hospital de Fortaleza como nutricionista, dei-me conta que ia sempre além do suporte nutricional com meus pacientes, eu oferecia-lhes, sem nem perceber, um suporte emocional, através da atenção, gentileza e escuta. Foi um tempo de muitas descobertas em minha vida profissional e muitos feedbacks favoráveis para algo mais na minha vida profissional e para que essa decisão fosse amadurecida.

 

Hoje, você também é vice-presidente e diretora de RH da Odontoart Planos Odontológicos, presente em todo o Nordeste e em São Paulo. Como é sua atuação na empresa? Pretendem ampliar ainda mais a rede?

A nossa empresa  hoje é composta por quase 70% de profissionais mulheres. A grande maioria de nossos líderes foram formados por nós mesmos! Digo muito que a Odontoart é uma escola de grandes líderes e grandes profissionais e o nosso maior bem patrimonial são as pessoas. O conhecimento permeia nossa empresa. Temos um Programa de Desenvolvimento de Líderes da Odontoart, (PDLO), aplicando feedbacks constantes, treinamentos periódicos, workshops e um Clube do Livro, inspirando a todos a prática da leitura e oratória.  Temos planos e ações estratégicas para expansão por todo o Brasil a pleno vapor.

 

Como surgiu o Instituto Vida Cidadã? Quais os projetos implementados? 

O IVC surgiu de uma parceria com o meu marido, Tadeu Oliveira para ajudar o próximo. Ele traz em sua grade de atuação social a saúde, o empreendendorismo em todas as áreas, a sustentabilidade do planeta e a inclusão.

Você também faz parte do Movimento das Mulheres do Legislativo no Ceará, por conta da dinâmica atuação do seu marido, o deputado estadual Tadeu Oliveira. Nos conte um pouco sobre os trabalhos desenvolvidos pelo movimento.

O MMLC é muito dinâmico. Contamos com braços de apoio de muitas células da Assembleia Legislativa do Ceará, onde traçamos uma abordagem sistêmica no poder público. Está sendo uma grande experiência!

Como faz para cuidar da saúde e do bem estar com uma rotina tão cheia de atividades?

Acredito que a saúde está muito lincada às suas escolhas. Desenvolvo minhas atividades com muito amor e disciplina. A qualidade do tempo é primordial para que tudo dê certo.

 

Sua vida mudou muito depois que seu marido se tornou deputado? 

O mandato demanda muito tempo, mas mesmo assim ele continua um
pai e marido muito presente. É mais uma missão que ele escolheu para a vida e, dessa forma, podemos ter um raio maior em levar melhoria para nossa população. A cada projeto aprovado, é uma felicidade em família. A minha atuação na empresa e na vida pública foi mais exigida, mas não descuido da minha família em nenhuma hipótese.

 

Quais os seus hobbies?

Gosto de música, de festas, da natureza, da minha casa, de rir, de ficar comigo mesma, amo minha companhia, mas também amo ver pessoas realizadas e felizes 

 

Você gosta de viajar? Qual o lugar mais incrível que já visitou?

Muitooooo! Amo viajar! Agora mesmo estou indo a Gramado com minha filha Larissa, interna em Medicina, para participarmos de um Congresso Internacional com abrangência médica, psicológica e nutricional do ser humano, o “Brain”, e apresentarmos um artigo escrito por nós em parceria e aprovado na grade deste Congresso “O Cenário da Prevalência do Suicídio Mundial: Há Relação com o IDH?”. Imagine como está meu coração de gratidão e felicidade em poder estar partilhando conhecimento com minha filha. Não tem preço! O local mais incrível que conheci até hoje foi a India. É um misto de sensações e sentimentos. Vale a pena atravessar o oceano a caminho da Índia.

 

Como você alimenta a sua espiritualidade?

Se eu quiser falar com Deus, tenho que ficar a sós… faço meditação e Yoga. Tenho minhas conversas particulares e sinceras com Deus e muitas vezes é no silêncio que encontro grandes respostas. Aprendi que a gratidão é o melhor caminho!

 

Nos indique um filme, uma série e um livro.

Um filme: Dois papas (fala sobre sucessão)
Um livro: Neurociência para líderes 
Série: Estratégias para vencer (5 episódios bem interessantes do mundo dos esportes para lideranças).

Fio_Laranja.png

A arte que

cura e transforma

Por Kelly Garcia

Artista, cirurgiã-dentista formada pela Universidade Federal do Ceará, Jacinta Cavalcante sempre foi apaixonada pelas artes. Aos 12 anos, fez o seu primeiro curso de pintura em acrílica em Pedra Branca, Ceará, cidade em que nasceu. E ao longo dos anos foi fazendo outros cursos, nas mais diversas áreas, especialmente na escultura, sua linguagem preferida. Participou de inúmeras exposições e está em cartaz em várias em Fortaleza. Saiba mais sobre sua trajetória na nossa entrevista.

Você é cirurgiã-dentista e também artista plástica e escultora. Como os dois caminhos profissionais se cruzaram? Sempre conviveram em harmonia ou você já pensou em se dedicar somente às artes?

Acho que já nasci artista, (risos) pois quando criança gostava de desenhar, cantar, escrever poesias e estórias, gostava principalmente de brincar com barro, já fazia esculturas, sem noção do que estava fazendo, estava construindo brinquedos. Senti bem cedo o gosto pelas artes. Cresci dizendo que ia ser artista. Quando Chegou a época de prestar vestibular, descobri que em Fortaleza não tinha curso de artes plásticas, eu teria que sair do Estado, porém minha mãe não tinha recursos para me bancar fora, então optei por Odontologia, já que um irmão estava fazendo, outro fazia medicina e assim ingressei também na área de saúde. Apesar de odontologia não ser um curso de arte, me encaixei naturalmente e fui gostando muito do curso e hoje sei que todo dentista é um artista. A grade curricular de odontologia está cheia de disciplinas ligadas às artes. Mas preciso confessar que paralelamente à faculdade, fui fazendo também diversos cursos ligados às artes plásticas.
Sempre me dizia que quando me aposentasse iria me dedicar inteiramente às artes plásticas, mas antes que isso acontecesse, tive um diagnóstico de CA de mama, hoje ainda em tratamento (hormonioterapia), e nessa experiência de quase morte, decidi não esperar a aposentadoria. Não somos donos do tempo, e agora resolvi me dedicar um pouco mais às artes. Ainda não me vejo sem a Odontologia e as artes, para mim, ainda funcionam como um hobby.

 

Você é de Pedra Branca e por lá chegou a fazer algumas oficinas e cursos. Como a sua cidade interfere em seu fazer artístico?

Sou da cidade de Pedra Branca, no sertão central do Ceará. Quando criança, com 6 ou 7 anos, morava na zona rural, num sítio. Nossa casa ficava bem próxima de um açude grande, arrodeado de argila onde comecei minhas primeiras esculturas, sem noção do que eram, construindo meus brinquedos. Com um pouco mais de idade, fomos morar na área urbana e lá fiz cursos de pintura em tecidos e em telas. O fazer artístico expressa muito sobre o indivíduo, do lugar em que ele está inserido, do coletivo em que o artista convive e, portanto, influencia e é influenciado pelo meio em que vive. Tive uma infância numa cidade do interior pequena, mas rica em cultura, numa época de escolas públicas boas, onde a vida das crianças e dos adolescentes eram enriquecidas por movimentos culturais proporcionados pelas escolas, pelos professores, como gincanas, concursos de poesias, aprendíamos português através de letras de músicas de Chico Buarque, Vinicius de Moraes, tínhamos ensaios de peças teatrais, etc.

 

Na escultura, como se inspira para os seus trabalhos? E nas artes plásticas? Quais técnicas prefere?

Os motivos para inspiração estão em nossa volta quer seja para escultura ou para pintura. Pode ser uma figura humana, animal, uma imagem de revista, uma cena do cotidiano, uma fotografia, um objeto, um livro que você leu, um filme que assistiu ou memórias guardadas. Entre as várias técnicas que utilizo para expressar minha arte, no momento, a que prefiro é a escultura em cerâmica, mas amanhã posso mudar e preferir outra
técnica.

 

O que você acha imprescindível para se aprimorar nas artes? Tudo interfere na inspiração?

Não ter vergonha de mostrar suas artes mesmo que elas não pareçam boas ou sem sentido. A arte não precisa fazer sentido. Sinta-se livre para imitar, mas não esqueça de citar a referência. Todo mundo começa imitando alguém. Mas imprescindível mesmo é trabalho, trabalho, trabalho. Ou seja, praticar muito. E essa prática começa com um lápis, desenho, esboço. Pratique bastante o desenho, desenvolva  Nunca se sinta pronto. Acho que algumas coisas interferem na inspiração como: falta de motivação, pressa em resolver problemas, medo de cometer erros, dificuldade de reflexão.

Você acha que Fortaleza tem ampliado os espaços para as exposições? Como tem sido a recepção aos seus trabalhos?

Houve um aumento no número de aberturas de galerias de arte, aumento de espaços para exposições em cafés, lojas de design de móveis, lojas de decoração e Design de Interiores, espaços expositivos nos shoppings da cidade, até grupos empresariais na área de ensino têm criado galerias em seus espaços. Assim vejo que, aos poucos, Fortaleza está construindo um público consumidor de arte. Só lamento que isso ainda fique restrito a uma pequena parcela da população com um poder aquisitivo maior. Tenho ficado bem feliz com a receptividade aos meus trabalhos por parte dos arquitetos e donos de galerias. Algumas peças já sendo adquiridas por colecionadores de arte.

 

Quem você mais admira como artista?

Na pintura, admiro muito um artista contemporâneo, austríaco, chamado Voka. Criador do realismo espontâneo. O realismo espontâneo é um estilo com base nas técnicas do realismo, com peso no contraste, misturados à leveza da aquarela, estilo que sigo na minha pintura. Aqui no Ceará, gosto da pintura do Vando Figueiredo, Tulio Paracampos, Andrea Dall’Ólio, Arivanio Alves.
Na escultura, gosto muito do Victor Brecheret, escultor ítalo-brasileiro responsável pela introdução do modernismo na escultura brasileira . Gosto muito de Corbiniano Lins, Abelardo da Hora, Brennand. Aqui no Ceará, gosto de Sérvulo Esmeraldo e mais contemporâneos, Carlos Lebran  e José Siebra.

 

Quais os seus projetos para esse ano? Pretende investir também na sua carreira na Odontologia?

Esse ano, comecei com muita vontade de participar de exposições, compensar o tempo perdido pela pandemia, sem exposições presenciais. Em janeiro estive na exposição “Imersão no Gênero Feminino", no Mauc - na UFC. Em março, estive na exposição “Paralelas", na Unijaguaribe, em Aracati, Ceará. No momento, estou na exposição “8 de Maio – Tudo pela Paz", no Centro Cultural Banco do Nordeste; estou na exposição "Casa Cura", na loja Marel Fortaleza, na exposição “Revelação", do Coletivo 4x4, do qual faço parte, na B.Galeria anexo loja Fastframe. Estou também na exposição “Quem somos no Ceará", no Shopping Benfica em sua galeria de arte, 1º.Piso.

Para esse ano, está prevista a exposição Revelação do coletivo 4x4 no Sesc de Juazeiro do Norte, em agosto, e participação na exposição ad Genomas, de Andrea Dall’Ólio, na Casa José de Alencar e B.Galeria, agora em junho, mas estou trabalhando para uma possível exposição individual. Na Odontologia, muitos planos ainda, (risos). Estou cursando especialização em Harmonização Orofacial, que só será concluída em 2023.

 

Quais os seus hobbies?

Meu maior hobby é fazer arte. Mas gosto de frequentar cafeterias, bons restaurantes, cinemas, ver exposições em museus ou em galerias de artes.

 

Gosta de viajar? Já aconteceu de uma viagem inspirar alguma obra?

Acho que devo ser a única pessoa do mundo que não gosta de viajar. Mas gosto muito de viajar pra São Paulo. Amo São Paulo. Para mim ela cheira arte, cultura. Eu me inspiro quase sempre em imagens do cotidiano, sobretudo em pessoas. Em visitas aos museus, exposições, portanto é possível que alguma escultura ou tela tenha sido inspirada por alguma viagem que eu tenha feito.

 

Como você alimenta sua espiritualidade?

Praticando a caridade. Sou espiritualista e professo o catolicismo romano.
Sou uma pessoa de muita fé. Aprendi com a dor.

 

Nos indique uma série, um filme e um livro.

- Série: Anne com E
Anne (Shirley Cuthbert ) é a personagem que mais nos ensina, desde a perseguir nossos sonhos e a superar nossos medos. Mas o que ela mais nos mostra é a resiliência, porque apesar das dificuldades que ela têm com tão
pouca idade, ela sempre sabe como superar e ver sempre o lado bom.

- Filme: Ele está de volta
Adolf Hitler desperta no mesmo local em que ficava seu bunker há 70 anos, mas vira um fenômeno da mídia ao ser confundido com um comediante.

- Livro: A Paixão Segundo GH – Clarice Lispector

Fio_Laranja.png

Consultoria imobiliária

para além do investimento

Por Kelly Garcia

WhatsApp Image 2022-05-27 at 12.31.37.jpeg

Claudiane Juaçaba não tem medo de inovar e experimentar novas possibilidades. Apos o fechamento da academia CB Fitness Varjota que tinha em sociedade com os irmãos, ela inicia como consultora de imóveis. A intenção, segundo ela, é trazer o melhor para os clientes, entender o que desejam e assim atender a suas expectativas. Sua inspiração, nesse novo momento, foi a consultora Glice Parente, que teve atuação importante quando Claudiane precisou escolher um imóvel nos Estados Unidos. Confira nossa conversa, leve e pontuada pela fé e os grandes exemplos de perseverança, como o de seu pai, o comunicador Augusto Borges, que partiu no ano passado, sua mãe Claudia Borges e sua avó Regina Passos.

1. Começar um novo caminho profissional é sempre desafiador. Como você teve o insight para iniciar essa nova trajetória, dessa vez no ramo de imóveis?

Quando a CB Fitness (academia que eu era sócia dos meus dois irmãos) fechou, por conta de uma obra da Prefeitura, eu fiquei à procura do que fazer. Ano passado, me surgiu a oportunidade de ingressar no ramo imobiliário e isso foi tão inesperado que recebi como um sinal divino e aceitei o desafio.

 

2. Antes de desejar empreender nesse ramo, você já teve experiência com muitas outras áreas como a comercial, com uma loja e a educacional, com a academia de dança da família. O que você traz de aprendizado dessas duas experiências?

Sempre gostei de lidar com pessoas e todas as experiências profissionais que tive confirmam isso. Me considero uma pessoa extrovertida, alegre e tenho facilidade de me comunicar.

 

3. Quais os seus objetivos como consultora imobiliária? O que você pretende oferecer para os seus clientes?

Estou entrando no mercado para somar e não para dividir. Espero fazer parcerias com outros profissionais e atender meus clientes da melhor forma possível. Quero entender o que eles realmente desejam, para assim conseguir realizar um bom trabalho e atender a suas expectativas.

 

4. Você é mãe e avó. O que ter se tornado avó mudou em sua perspectiva de vida?

Ser avó me fez descobrir um amor diferente, pois é tão forte quanto o que temos por nossos filhos e ao mesmo tempo tem um “quê” que não consigo explicar em palavras. Meus filhos: Cadeh, Carlos Henrique e Guga (sobrinho, mas filho de coração) estão ao meu lado, me apoiando de uma forma tão especial que meu coração transborda de amor e de orgulho. Minha nora, é a filha mulher que não tive. Meus irmãos de sangue e aqueles que escolhi como irmãos (os amigos de verdade) também estão muito presentes em minha vida. Me sinto uma mulher privilegiada, por saber que tantas pessoas estão me apoiando e torcendo por mim. 

5. Seu pai, Augusto Borges, que partiu recentemente, foi um dos maiores comunicadores da tv e rádio cearenses. Quais as principais lições que seu legado deixou para você como filha? E como profissional?

Meu saudoso e amado pai, Augusto Borges, foi um grande comunicador, ele nos deixou um enorme legado. Nos deu exemplos de caráter, solidariedade, amizade, amor e no seu último ano, o maior de todos, sua fé e resiliência. Foi um grande homem dentro e fora das telas. Que saudade, paizinho. Minha mãe é uma guerreira, trabalhou duro para nos criar e educar. Foi pioneira na dança moderna e minha avó (mulher admirável e de muita fibra) no Ballet Clássico. Tudo isso me ajudou a ser como sou.

 

6. Quais os seus hobbies?

Acho que precisamos cuidar do corpo e da mente e uma forma que encontrei para fazer isso é a minha musculação. Treino de segunda a sexta e me sinto muito bem com isso. 

 

7. Como cultiva a espiritualidade? Tem algum santo de devoção?

Sou uma pessoa de muita fé e isso tem me ajudado e fortalecido. 

 

8. Qual o lugar no mundo que mais te impressionou? E pra onde sempre volta para recarregar as energias?

Adoro viajar, fiz lindas e inesquecíveis viagens, mas é em Fatima (Portugal) que recarrego as minhas energias. Sou muito, mas muito mesmo devota de Nossa Senhora de Fatima. Minha ligação com ela é muito especial, sei e sinto que ela está sempre intercedendo por mim junto ao seu filho, nosso pai, Jesus Cristo. Quem me conhece, sabe.

 

9. Como você se imagina daqui a dez anos?

Para ser bem sincera, não imagino como será a minha vida daqui a dez anos, mas desejo estar em paz, com minha família feliz e saudável e o resto entrego nas mãos de Deus e da minha Nossa Senhora.

Fio_Laranja.png

Os tons marcantes

da arte de Stenio Burgos

Por Kelly Garcia

ef944d65-b8ec-4b38-afe0-46ee8da1ad14.jpg

Nosso entrevistado deste domingo é o artista plástico Stênio Burgos. Nascido em 1954, no município de Crateús, graduou-se em Arquitetura e Urbanismo pela UFC em 1978. Nos anos 1980, estudou desenho e pintura no Estudi Chelsea, em Barcelona (Espanha), onde participou de uma mostra coletiva de pintura na sala Santi Jordi. Também morou na Holanda, o que marcou profundamente seu fazer artístico. Sua exposição Barroco Sertanejo, com curadoria de Denise Mattar segue itinerante e abriu a programação da Caixa Cultural São Paulo em janeiro e segue em cartaz na Caixa Cultural Salvador e, a seguir, nas unidades da Caixa Cultural de Recife e Fortaleza. Saiba mais sobre a sua arte, inspiração e sonhos.

1. Além de artista plástico, você também já atuou como Arquiteto. Como fez a ponte entre as duas áreas? De que forma ter estudado arte em Barcelona influenciou seu fazer artístico?

Escolhi estudar Arquitetura pela sua proximidade com as Artes Plásticas. Desde criança, gostava de desenhar plantas de casas e graduei-me em 1978 pela Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFC. Na época, era funcionário concursado do Banco Central do Brasil e passei a trabalhar no Rio de Janeiro, onde fiquei até 1982, quando pedi demissão e abri um escritório de Arquitetura em Crateús. A adaptação foi difícil e, no ano seguinte, estava de volta ao Rio como bolsista do grupo de estudos Fórum Humanum, atrelado ao Clube de Roma, onde pesquisava novas alternativas na área de habitação. Em 1984, passei a residir em Barcelona e comecei meus estudos de Doutoramento em habitação com bolsa do Ministério das Relações Exteriores de Espanha.
Em Barcelona, matriculei-me no Estudi Chelsie que preparava jovens para ingressar na Escola de Belas Artes e introduzi-me na pintura. Havia redescoberto as portas do paraíso e comecei a priorizar a pintura à Arquitetura, tendo participado  de uma exposição coletiva na Caixa d’Estalvis da Catalunya. No final do ano letivo de 1987, a bolsa acabou e tive que voltar para Fortaleza e dedicar-me a minha profissão de Arquiteto, que também gostava muito. Com o tempo, comecei a dedicar mais tempo na apresentação dos projetos, que eram desenhados a nanquim e coloridos com aquarela. No Carnaval de 1999,  pintei uma marinha em Amontada, gostei do resultado e comecei a priorizar a linguagem pictórica na minha trajetória. 

 

2. Quais são suas influências, como artista plástico?

A Arte Catalã foi definitiva para minha formação de pintor. No doutorado, estudei duas cátedras sobre o Arquiteto Gaudí, com o Professor Bassegoda, a maior autoridade na época sobre o assunto. As aulas e a vivência com a obra do gênio foram pouco a pouco me despertando o desejo de me introduzir numa linguagem mais plástica. Com a matricula no estúdio, veio a sociabilização com pessoas mais jovens e inquietas e comecei a me introduzir na obra juvenil do gênio Pablo Picasso e a frequentar as muitas exposições contemporâneas nas galerias locais. Nessas visitas, um dia me deparei com uma exposição do sueco Lindström, e fiquei deslumbrado e comecei a querer desenvolver uma linguagem mais matéria, que consolidou-se com a proximidade da obra de Iberê Camargo na minha volta para o Brasil.

 

3. O que te fez enveredar pelas artes de forma definitiva?

Como diz Tomie Otake, a Arte é um caminho sem volta. Não conceberia minha vida atual sem a disciplina, por vezes tirana, da rotina do ateliê e suas implicações pessoais. Por-se diante de uma tela em branco é desnudar-se e constitui um desafio que pode vir a ser gratificante, mas, por vezes, é muito denso e angustiante.

 

4. Sua exposição na Caixa Cultural, de certa forma, une o sertão e o barroco baiano. Isso tem a ver com suas origens?

Papai estudou medicina na Bahia, conheceu minha mãe e vieram morar em Crateús. Minha infância sertaneja era compartilhada com longas férias anuais na barroca Salvador. E ai, com as longas conversas que mantive com a curadora Denise Mattar, ela encontrou o caminho da minha narrativa, intitulou a exposição de Barroco Sertanejo e criamos uma intrigante narrativa para minha trajetória pessoal e pictórica.

5. De que forma ter morado na Holanda por 15 anos modificou sua forma de ver o mundo e as artes?

A Holanda entrou na minha vida quando fiz 50 anos e fui convidado por uma sobrinha para passar uns dias em sua casa em Amsterdam, enquanto ela estava no Brasil. A interação com os materiais holandeses, a vida cotidiana da cidade,  suas  inigualáveis pinacotecas  e a fruição da minha pintura no país, fizeram com que eu começasse a passar longas e profícuas temporadas por lá,  onde expus meus quadros por 3 vezes.

 

6. Como foi para você o período de isolamento social? Conseguiu produzir muito? Como lidou com esse período tão difícil?

Em março de 2020, estava me preparando para abrir a Exposição Realtopia, no Espaço Cultural da Unifor. Quando a pandemia eclodiu, a exposição foi adiada e eu resolvi me confinar no meu ateliê de Amontada. O período foi muito difícil, com muitas incertezas, mas recompensador pela farta produção que tive no período. Enquanto aguardava notícias da retomada da exposição, pintava as cartas do confinamento, onde tentava passar para as pessoas que eu continuava vivo e trabalhando. Grande parte dessa produção está exposta no Barroco Sertanejo. A retrospectiva Realtopia  abriu em setembro e ficou acordado que seu desenho seria mantido e que ela continuaria com o mesmo formato que abriria no primeiro semestre, sem nenhuma obra produzida na pandemia. O Barroco Sertanejo faz parte de um projeto da Caixa Cultural com patrocínio do Instituto Myra Eliane. É uma exposição itinerante, que abriu em São Paulo de 15/1 a 3/4 e, atualmente, está em Salvador de 18/4 a 19/6, depois irá para o Recife entre 4/7 e 11/9 e encerrara na Caixa Cultural de Fortaleza entre 26/9 a 20/11.

 

7. Quais os seus hobbies? Nos indique uma série, um filme e um livro.

Meu hobby, além de pintar, é uma caminhada diária que procuro adaptar a geografia do momento. Seja pelo litoral de Amontada, o Parque do Cocó em Fortaleza ou as ladeiras da Bahia, de onde acabei de chegar. Livros são muitos, como nunca tive televisão em casa adquiri o hábito da leitura. Para citar apenas 1 deles fico com o Manual de Pintura e Caligrafia de José Saramago. Gosto muito de ir ao cinema e meu filme preferido é o eterno clássico Noites de Cabiria de Federico Fellini. Fora tudo isso, fica a saudade do nosso Professor Gilmar de Carvalho que tanto fez para a consolidação de minha Arte.

Fio_Laranja.png

Direito como vocação e ponte para a luta

por um mundo melhor

Por Kelly Garcia

WhatsApp Image 2022-05-15 at 08.13.33 (1).jpeg

Nosso entrevistado da semana é Roberto Victor Ribeiro. Professor, advogado, presidente do Colégio de Presidentes das Academias Jurídicas do Brasil, presidente de honra da Academia Brasileira de Direito e presidente da Academia Cearense de Direito, se divide entre a advocacia, a escrita e o magistério e tem se destacado nas três atividades, recebendo dezenas de honrarias por sua atuação dinâmica. Confira uma conversa sobre objetivos, a paixão pelo Direito e a criatividade em suas abordagens. 

1. Nos conte como você descobriu sua paixão pelo Direito.

Ambicionava na escola ser médico. No 1º ano do Ensino Médio, acabei olhando com mais carinho pelo Direito. Nesse entremeio, pensei em fazer Jornalismo, pois sempre gostei de ler e escrever. Entretanto, por dedicação de minha mãe, que sempre quis fazer Direito e enveredou por outros caminhos, acabei adquirindo livros jurídicos e foi uma paixão arrebatadora. Minha família comenta que sempre, desde pequeno, fui questionador e idealista com as questões humanas e, portanto, o Direito era a trilha que eu precisava para concretizar meus sonhos.

 

2. Você, apesar de jovem, já tem dez livros publicados. Como a escrita se uniu ao Direito na sua trajetória profissional? Você tem alguma rotina para se dedicar à escrita?

Aprendi, já no início das bancadas universitárias, que "as palavras voam e os escritos ficam". Sempre gostei de escrever e percebi que havia muito espaço para inovar no Direito. Escrevi sobre o Julgamento de Jesus Cristo, por exemplo. Fiz reeleituras de clássicos nacionais e internacionais sob a ótica do Direito, fazendo assim uma ligação do Direito com a Literatura. 

Sempre gosto de escrever no período da noite, onde encontro silêncio e inspiração para grafar as ideias que circudam meu córtex cerebral. 

 

3. Além do Direito e da escrita, outra grande paixão é a docência. Como você percebeu que iria seguir nessa área também?

O sonho do meu pai era ser professor universitário. Quando terminei minha pós-graduação, aos 25 anos, fiz seleção para professor de Direito em uma universidade de Fortaleza. Passei e fui contratado. Cheguei com a CTPS e disse ao meu pai: seu sonho era o meu também, hoje somos professores. E de lá para cá são 13 anos de sala de aula. Minha vocação nata. Antes de me tornar pai, a palavra mais bonita que eu gostava de ser chamado era Professor. Hoje é a segunda palavra, a primeira é papai. 

 

4. Sabemos que você é bastante atuante nas academias literárias e jurídicas e participa do conselho editorial de várias publicações da área. Como faz para conciliar tantas atividades?

É uma ginástica de agenda. Mas sou muito comprometido com as causas e as bandeiras que levanto. Tento fazer um malabarismo para cumprir todas as agendas profissionais e Institucionais. Tenho também alguns colegas que me socorrem, como minha querida amiga e Vice-Presidente Dra. Vanja Fontenele, Procuradora de Justiça e meu Chefe de Gabinete, Dr. Gabriel Brandão. 

Esforço-me para honrar todos os compromissos, mas sempre, independente de qualquer situação, priorizo a família. Não abro mão de ter bons e demorados momentos com minha esposa, filhos e meus pais e irmãos. 

5.E a Academia Cearense de Direito? Como tem encarado a chegada de tantos novos associados?

É sempre bom observar que pontificamos uma entidade que goza de respeito, admiração e credibilidade. A chegada de novos acadêmicos seja na condição de efetivos, honorários, associados jovens ou coordenadores é sempre um oxigênio e uma motivação para continuarmos hasteando o lema Cultura Jurídica com Responsabilidade Social.

 

6. O que mudou na sua forma de ver o mundo depois que seus filhos nasceram?

O mundo passou a ter cores. E passei a enxergar a rotina com mais responsabilidade, sobriedade, equilíbrio e, principalmente, com luta por uma educação mais justa, humana e fraterna. Meus filhos Maria e Victor nasceram juntos com um novo Roberto Victor. Parte do homem que sou, devo aos meus filhos. As razões maiores da minha existência e das minhas labutas diárias. 

 

7. Quais os projetos que você pretende realizar ainda este ano?

Pretendo multiplicar as ações sociais da ACED e duplicar os esforços para amortecermos os desatinos sociais cada vez mais. Ainda esse semestre doaremos 10 toneladas de alimentos a entidades filantrópicas. 

 

8. Quais os seus hobbies? 

Cinema, bons restaurantes, praia e a leitura. 

 

9. Você gosta de viajar? Qual lugar mais te encantou?

Gosto muito de conhecer novas culturas e lugares. O lugar que mais me cativou foi Punta Del Leste, no Uruguai. 

 

10. No Direito e no magistério, quem são os seus modelos de vida?

Tenho dois ídolos no Direito. Tive a felicidade de conhecer ambos e um deles ainda me deu a honra de prefaciar meu terceiro livro. São eles: Min. Carlos Ayres Brito e o jurisconsulto Ives Gandra da Silva Martins. No magistério, tenho como bússola minha bisavó Adélia Brasil Feijó, a primeira mulher a completar 50 anos ininterruptos de magistério, recebendo condecoração das mãos do Ministro da Educação Jarbas Passarinho. E outra referência é o meu amigo Raimundo Bezerra Falcão, professor aposentado da UFC.

 

11. Você tem alguma religião? Qual a importância disso em sua vida?

Sou espiritualista, mas professo o Catolicismo Romano. Sou devoto apegado a Maria, Nossa Senhora. A espiritualidade é uma força que eu uso no dia-a-dia.

1dcb917e20364d1293909d82814fc35b.png

Por um maternar

mais leve
Por Kelly Garcia

2a0d7ea4-fd39-4674-912c-a320be67a434.jpg

Nossa entrevistada da semana é a psicóloga Natália Ferri. Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, atua com base nessa abordagem, além de ter formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade. Também possui atuação na área da Psicologia Jurídica, uma de suas paixões, no que diz respeito à drogadição e criminalidade, sempre visando a ressocialização e desenvolvimento de cada pessoa. Como psicóloga, atua na ajuda a desenvolver uma paternidade e maternidade com mais leveza, cuidando do início da vida desde a pré-concepção, o que pode mudar todo o percurso de uma história, contribuindo assim para o autoconhecimento e desenvolvimento humano.

Como você decidiu pela Psicologia? Onde você fez a sua graduação e as especializações?

Desde a adolescência, eu gostava bastante de observar e ler sobre comportamento e tinha o desejo de compreender o comportamento humano. Não foi a primeira graduação cursada, mas foi aonde me encontrei de fato. Embora tenha descoberto após a graduação que o ser humano é infinito. Não cabe em caixinhas, nem nos livros. Considero a Psicologia uma ciência que não finda em estudos e que sempre precisamos estar nos atualizando para melhor contribuir com as pessoas. 
Conclui minha graduação na Universidade de Fortaleza (Unifor) e segui especialização e pós-graduação na Unichristus e Materonline. 

 

Desde a faculdade, já pensava em se especializar  na saúde mental das mamães? Ou foi algo mais recente?

Não. Na graduação, não é abordada essa parte da Psicologia (perinatal e parental). Nesse período da faculdade, meus estudos eram voltados para assuntos mais gerais como ansiedade, depressão, etc e para a psicologia jurídica, onde tive a oportunidade de estagiar em atendimento com pessoas que estavam em cumprimento de medidas cautelares. Meu interesse pela área perinatal e parental se deu pelos estudos iniciados durante a minha primeira gestação. A vivência da minha própria maternidade me fez olhar para esta porta. O que foi riquíssimo para mim e na mesma época, me surgiu o primeiro caso envolvendo a área perinatal. A partir daí, me voltei com bastante foco em leituras e cursos.

 

Infelizmente, tem se tornado cada vez mais numerosos os casos de depressão materna, seja no pós parto ou mesmo durante a gravidez. Por que isso acontece?

Existe uma falta de conhecimento dos aspectos psicológicos vivenciados na gestação e no pós-parto. Então, esse desconhecimento leva muitas vezes a uma negligência por parte da mulher mesmo ou de quem está ao seu redor. Existe uma história de que "gravidez não é doença". Logo é muito comum ver o tanto que é desconsiderado os sentimentos que essa mulher tem. Ela não pode estar triste e falar sobre isso. Ela é cobrada a estar feliz e sorridente. Afinal de contas, ela está levando "um sonho" na barriga. Mas veja só, essa mulher passa por ambivalências de emoções comuns durante a gestação. E não há nada de ruim ela não estar sorridente o tempo inteiro. Mas isso não lhe é permitido falar. Então essa mulher adoece. E ela vai compartilhar com quem? Precisamos normalizar os sentimentos da mulher na gestação e puerpério. E saber reconhecer o que é próprio do tempo, até por mudanças hormonais, mas que são coisas que vão passar. Acolher é sempre preventivo.

 

A quais sinais as mães e a família devem estar atentas para começar o tratamento dos problemas psicológicos? Ainda há muita desinformação sobre o assunto?

Sim, há muito desconhecimento dos benefícios de um acompanhamento psicológico. Ainda é comum acreditar, como que um mito, de que a Psicologia é somente para tratar transtornos. E acaba que parte das pessoas procura um profissional quando estão no limite ou já se tem passado dele. A Psicologia tem o papel não somente de lidar com transtornos, mas de trabalhar e fortalecer habilidades que já se tem. Então o ideal é procurar um psicólogo inclusive quando se está tudo bem. 
Para o público específico de mulheres/mães, seria inclusive desde tentantes, à espera do seu positivo. Ou à espera do seu filho que chegará por meio da adoção. Desde aí, mesmo que esteja tudo bem, já podemos encontrar momentos de um pico maior de ansiedade (comum na vida), por exemplo, que pode ser direcionado de uma forma saudável e contribuir para o bem estar emocional dessa mulher. E trabalhamos assim com a prevenção de questões maiores.

 

Como as mamães podem cuidar melhor da saúde mental? Como a família pode ajudar com isso?

Somos um ser que precisa ser visto por inteiro. Então, para um bem estar emocional das mães, eu indicaria cuidar da sua alimentação, ter um momento para atividades físicas (a que mais agradar), ter um momento seu (para fazer o que se quiser: ler um livro, ir a um salão, ver um filme, relaxar) sem as demandas dos filhos ali ao lado. Um momento só seu mesmo. Fazer uma listinha de coisas que te dão bem estar e colocá-las na rotina semanal. Mesmo que seja um dia na semana. 
A família, enquanto rede de apoio, pode perceber o tanto que os afazeres já demandam dessa mulher e estar junto, seja com escuta, seja num auxílio para dividir as demandas de seus filhos (se forem ainda dependentes de cuidados) e da casa. E tomando conhecimento que mães também podem adoecer. E precisam de um olhar atento quanto a isso. 

Havia uma subnotificaçao nos casos de problemas psicológicos maternos ou realmente esse tipo de transtorno aumentou?

A Psicologia tem ganhado espaço e assuntos relacionados aos cuidados emocionais tem tido mais destaque nos últimos anos. Isso não quer dizer que gerações passadas não vivenciassem questões como depressão materna, por exemplo. Apenas que era tido como besteira, preguiça ou algo que já, já passa. Existia sim muita negligência por falta de conhecimento mesmo da importância de cuidados. Em contrapartida, eventos históricos podem marcar um crescimento de certos transtornos. O que ocorreu nos últimos anos, devido à pandemia. Não podemos esquecer que gestantes e puérperas fazem parte do grupo de risco. E que tivemos um número elevado de perdas gestacionais e neonatais devido complicações de Covid-19 com a pessoa da mulher. Foi um período avassalador digamos assim, não somente pelas mortes, mas pelo número de mulheres em ansiedade, em pânico, em luto, em adoecimento psicológico. Então podemos dizer que temos os dois lados aí, ao longo dos anos. 

 

Como lidar com o luto em caso de uma perda gestacional?

Perder um filho é uma das maiores dores que uma pessoa pode sentir, se não for a maior! Para a mãe que sofreu a perda, respeitar o seu tempo de elaboração desse luto pode ser um começo desse caminho. Se permitir falar de seus sentimentos, emoções e de seu bebê. Os rituais de luto são muito importantes para ajudar nessa elaboração da partida, mas sabemos que algumas mães não terão essa oportunidade a depender do tempo que durou essa gestação. Então, criar um ritual seu de despedida. Uma carta de despedida para esse bebê? O que quiser criar e fizer sentido, esse será o seu ritual. E contar com apoio de sua família e sentindo necessidade, de um profissional da psicologia especializado. 
Para as pessoas em geral: escutar essa mãe. Não importa quantas vezes ela queira falar do seu filho, escutar todas as vezes. Evitar frases como "Foi Vontade de Deus", "logo você terá outro", "você ainda é muito jovem, terá tempo", "foi melhor assim",  "pode ter sido um livramento". Isso em nada vai ajudar! Estamos falando aqui do filho dessa mulher, independente do tempo de gravidez, esse filho existiu e sempre estará viva a sua memória dentro dessa mulher. Basta estar ao lado dela, permitir que ela saiba que se está alí para acolhê-la e escutá-la. Nenhum filho substitui outro. Então, é importante esquecer a história de que ela poderá ter outro. Esse outro não será o mesmo filho que partiu. 

 

A religião ajuda a lidar com a sobrecarga emocional  e física da maternidade?

A religião faz parte de todas as culturas e por isso é parte da vivência do ser humano. O que tenho percebido na prática clínica e em algumas leituras de estudos voltadas para essa vivência da religião e a psicologia, é que sim. Sendo mais uma escolha que agrade à pessoa, pode trazer benefícios. Independente de qual a religião. Assim como qualquer atividade que a mãe inclua que lhe dá prazer. Não podemos dizer que somente uma coisa ou outra basta para lidar com sobrecargas. São coisas distintas. Lembremos que somos seres complexos e inteiros. E o cuidado deve estar de todos os lados para um bom equilíbrio emocional. 

 

No tempo das nossas avós, as mães tinham uma rede de apoio maior durante a gestação e o puerpério. Essa "solidão" das mães no início da jornada pode atrapalhar? Como lidar com isso?

Pode ser uma grande interferência não contar com uma rede de apoio. Já dizia um provérbio: "Precisa-se de uma aldeia inteira para educar uma criança". E é real. Muitas vezes o olhar está voltado somente para o bebê. E onde fica a mãe? Quem olha para ela? Compreendo que nem todas as mulheres contam com uma rede de apoio adequada. Algumas mães vivem a maternidade solo. Outras podem estar longe da família. Mas é preciso desde a gestação se pensar em quem pode estar alí do seu lado para lhe socorrer ao menos uns minutos durante o dia. A mãe? A sogra? A cunhada? Uma amiga? A babá? E dentre as opções que tiver, trabalhar essa rede de apoio desde a gestação. Para que o puerpério flua de uma forma mais leve e menos exaustivo. 

 

Algumas mães passam pelo chamado baby blues após o parto. Como diferenciar esse sentimento de tristeza de uma depressão?

O baby blues é vivenciado pela grande maioria das mulheres. E existe uma diferença no tempo de duração. Esse período mais melancólico do baby blues tem um início e um fim. Ele pode ser marcado de tristeza e de muito choro. Geralmente, pode aparecer ali depois do terceiro ou quarto dia pós-parto e ele vai durar até 2 semanas. E passa. Mas parece uma grande montanha russa nos sentimentos. Na depressão pós parto, seus sintomas tem uma duração maior. E ela pode iniciar até 1 ano após o nascimento do bebê. A depressão pós parto necessita de um acompanhamento com profissionais da Psicologia e Psiquiatria, pois se trata se um transtorno. E não pode ser negligenciado, para o bem estar da mãe e do bebê. Um detalhe é que nem sempre a mulher com depressão rejeita seu bebê. Então, atenção para não aguardar porque não apresenta esse sintoma. A mulher pode estar em depressão e mesmo assim ter o vínculo com seu bebê e manter os cuidados com ele. Porém ela o realiza com dificuldade, pela baixa energia causada pela depressão.

 

No seu consultório, você atende outro tipo de público, além do materno?

Sim. Atendo desde adolescentes a adultos. Incluindo homens e mulheres.

 

Existe alguma espécie de luto materno quando os filhos saem de casa para viverem suas vidas como adultos? Como lidar com isso?

Sempre que falamos em perda, utilizamos esse termo "luto". Então, sim. Existe um tipo de luto quando o filho resolve seguir seu caminho e sair de casa. O que deveria ser o esperado nas famílias. Mas quem se prepara para isso, não é verdade? Pouquíssimas pessoas. E a chave do segredo está aqui. Compreender que se cria um filho para o mundo e não para si. E que esse filho tem o direito de fazer escolhas na vida. É possível que nas próximas gerações, seja cada vez mais comum, os filhos quererem ou terem a oportunidade de cursar uma universidade fora, por exemplo. O que já acontece hoje através do ingresso pelo Enem. Então, ter isso claro dentro de si. Os filhos não estarão para sempre numa bolha. Se eles quiserem permanecer, ok. Se quiserem partir, ok também. Analisar como está se vivendo a própria maternidade nesse sentido. Será que a minha maternidade é para gerar correntes à minha volta? Ou permitir a vivência de sonhos? Você conhece os sonhos do seu filho? Converse com ele sobre isso. Conheça seus ideais e seu coração. Isso pode te ajudar a lidar com essa questão. Conhecendo o que se passa dentro do seu filho.

Nos indique um livro, um filme e uma série.

 

Teria várias indicações, mas vou elencar aqui alguns.

Um livro: 60 Dias de Neblina, de Rafaela Carvalho. Um filme: O que esperar quando se está esperando. Uma série: Turma do Peito (para gestantes e puérperas) e Gilmore Girls (que trata de da maternidade de uma adolescente e de uma mulher adulta. Maternidades distintas e que trazem boas reflexões sobre o maternar.) Ambas as séries disponíveis na Netflix.

1dcb917e20364d1293909d82814fc35b.png

Em busca dos segredos do

passado serrano cearense
Por Kelly Garcia

3ac97380-0ecd-4296-b597-f67dec0eb573.jpg

Nosso entrevistado da semana é o professor, historiador e escritor Levi Jucá. Licenciado e Mestre em História (UFC / UECE), reside em Pacoti, na Serra de Baturité, onde dedica-se à pesquisa sobre o passado da região e às questões culturais e ambientais do presente. É autor dos livros "Pacoti: História & Memória" (2014), "Um Século de Magia" (2017), que trata das origens do baturiteense Luiz Severiano Ribeiro, o "Rei do Cinema" no Brasil, "Filhos de Guaramiranga" (2019) e do folheto "A História de Pacoti em Cordel" (2020). Confira nossa conversa sobre os bastidores da pesquisa histórica e biográfica e também sobre o passado e presente ligados ao café no Maciço de Baturité.

1. Como aconteceu seu despertamento para o estudo da História? Você sempre teve vontade de saber mais sobre o Maciço de Baturité?

Ainda na infância já ensaiava o ofício de historiador, movido pela extrema curiosidade, fiel companheira, como leitor assíduo e pesquisador de tudo que via pela frente. No Ensino Médio, ao prestar vestibular, veio o despertar pela decisão da escolha do curso, contando com o apoio e inspiração da minha inesquecível professora de história,que nos fazia viajar no tempo e no espaço, sem sair da sala de aula, por meio de discussões e narrativas maravilhosas. Sou natural de Fortaleza, mas o "meu interior" sempre foi Pacoti, torrão natal de minha mãe e avoengos. Como garoto urbano e frequentador das praias, atravessar o sertão e vir à Serra de Baturité aos 7 anos de idade foi um deslumbramento! O clima, o verde, a aventura... Não deu outra: o destino das férias passou a ser este. Era o meu Picapau Amarelo.

 

2. E como seu caminho profissional cruzou com a escrita da biografia? No caso, do grande empresário Luiz Severiano Ribeiro e do cartunista Mendez?

O amor ao território do Maciço me fez sair da capital e viver definitivamente em Pacoti, logo após o término da graduação em História, pela Universidade Federal do Ceará, quando também ingressei como professor na Rede Pública Estadual de Ensino. Em sala de aula, passei a conectar os temas de História Geral e Nacional às questões locais e, para isso, não se pode dissociar ensino e pesquisa. Desde 2007, ainda graduando, já havia iniciado minhas pesquisas sobre o passado da região de Baturité, escarafunchando os acervos de importantes instituições como Biblioteca Pública do Ceará ou o Arquivo Público, onde trabalhei e aprendi a ler manuscritos antigos. Em Pacoti, ajudei a fundar um arquivo municipal e escrevi o meu primeiro livro, que também foi o primeiro sobre a história da cidade, publicado em 2014, ano em que passei a instigar meu alunos para a iniciação científica através do projeto "Jovem Explorador", que culminou na criação do Ecomuseu de Pacoti. Nesse sentido, o interesse pela biografia veio nessa mesma perspectiva da História Social, posto que esta não se faz, como por muito tempo se acreditou, por um suceder de leis e outros atos oficiais, esquecendo as trajetórias de indivíduos. Daí meu interesse em construir histórias contadas através de vidas, especialmente as dos nascidos por aqui. Tanto Luiz Severiano Ribeiro, o "Rei do Cinema no Brasil", como Mário Mendez, um dos grandes mestres da caricatura do país, nasceram na cidade de Baturité e, mesmo consagrados, jamais esqueceram suas origens. Hoje percebo a importância de apresentar às novas gerações esses "ilustres desconhecidos" (por vezes!) dos próprios conterrâneos.  

     

3. Ao seu ver, o que é mais desafiador ao escrever biografias?

Além da construção da narrativa, que julgo mais desafiadora que a própria pesquisa, creio que seja a necessidade de nos transportarmos à realidade do biografado, no tempo e no espaço. E isso requer muito estudo e dedicação. No entanto, é muito gratificante descobrir cada peça e poder seguir montando esse grande quebra-cabeças, repleto de conexões, como é a vida! 

 

4. Quais foram suas principais dificuldades para pesquisar sobre a história do café no Estado do Ceará?

Confesso que, para mim, saber que o Ceará produzia café foi uma grande surpresa que só tive acesso ao conhecer pessoas da região da serra de Baturité. A gente não vê isso na História do Ceará, nas escolas, geralmente.

Isso mesmo. Por isso o meu esforço em oportunizar aos alunos essa discussão sobre estudos regionais, sobretudo em se tratando de Nordeste, que historicamente sempre passou a largo das narrativas de uma história dita "do Brasil", porém centrada no sudeste. A sua surpresa é a mesma que percebo na maioria das pessoas daqui e principalmente lá fora, quando me perguntam: "E existe café no Ceará?!", exatamente porque logo associam o café a São Paulo, Rio, Minas, Paraná... A grande dificuldade dessa pesquisa foi a de garimpar fontes e evidências suficientes para demonstrar a importância desse ciclo econômico ontem e hoje, considerando que não há quase nenhuma literatura sobre o tema, a qual também precisei revisar e corrigir. Além disso, viajei por diversas serras cearenses, que são áreas onde o café prosperou, e acessei preciosidades oriundas dos acervos particulares de antigas famílias produtoras.

96fa4418-93bc-404d-8843-16cb39d1fdc2.jpg

5. O que está lendo no momento? Já tem algum novo trabalho em vista?

Sempre! Atualmente curso doutorado em Educação, pela UFC, e pesquiso a Serra de Baturité pelo viés da história ambiental e das ciências a partir do olhar dos naturalistas, cientistas e expedições que a visitaram entre os séculos XIX e XX. Também preparo, em parceria com a prefeitura, um livro didático sobre a história de Pacoti para os anos iniciais do ensino fundamental.

 

6. Quais os seus hobbies?

Leitura, colecionismo (livros, selos, moedas, fotografias), palavras-cruzadas e meliponicultura (criação de abelhas nativas sem ferrão).

 

7. Que conselho daria para alguém que está se aventurando na pesquisa histórica pela primeira vez? Você acha que o Ceará ainda tem muitos meandros a serem desbravados, nesse sentido?

No Brasil, além da pesquisa, por vezes precisamos antes salvar e organizar acervos para viabilizá-la. É algo heróico, mas sabemos que não deveria ser assim. No entanto, para quem se aventura na pesquisa pela primeira vez, é sempre bom ter essa convicção e consciência de que história se faz com arquivos, fontes, evidências. Então, além da pesquisa pessoal / profissional empreendida, precisamos lembrar da nossa função social, a exemplo de buscar apoiar, participar e divulgar ações de preservação do patrimônio, no âmbito público ou privado. Não tenho dúvida de que o Ceará abre possibilidades inesgotáveis para a pesquisa histórica entre o passado e o presente, sem falar da singularidade do olhar e abordagem que cada pesquisador lança sobre temas comuns. Com a interiorização das universidades, por exemplo, é possível celebrar essa diversidade através da produção acadêmica bastante pautada em assuntos regionais.

 

8. Como tem sido a recepção aos seus livros? Você continua se surpreendendo com os leitores?

Tem sido positiva e gratificante, uma vez que o público que quero alcançar é, especialmente, a própria comunidade em que estou inserido, oportunizando a ela o acesso às suas raízes culturais. Por outro lado, há uma excelente recepção do público externo também, afinal do micro vamos ao macro. Temas como cinema, charge e café são universais.

 

9. Nos indique uma série, um filme e um livro.

Série: "Merlí"
Filme: "Narradores de Javé"
Livro: "As Raízes do Futuro" - Hugues de Varine

1dcb917e20364d1293909d82814fc35b.png

Versatilidade na arquitetura,

nas artes e na vida 
Por Kelly Garcia

Nosso entrevistado da semana é o experiente arquiteto Carlos Otávio, que também é artista plástico de formação, com participação em algumas exposições de destaque, como no Masp, quando ganhou o prêmio Pirelli Pintura Jovem. Formado em 1987, pela Universidade Federal do Ceará, teve como influências importantes a arquiteta Velbanize Luna, a decoradora Ana Melo e o engenheiro Cesar Fiúza, o que proporcionou uma formação bem rica.  Bastante atuante no segmento de interiores, também tem o lado comercial muito marcante. Além dos recentes projetos dos restaurantes da rede Coco Bambu Frutos do Mar e do novo restaurante da rede, Vasto, também é autor dos projetos do Oui!,  Murano  e La Bella Italia, entre outros, já que a gastronomia é uma das suas paixões. Residindo entre Portugal e o Brasil, Fortaleza sedia o seu escritório de arquitetura, com cerca de 12 pessoas, responsáveis por projetos e trabalhos pelo Brasil todo. Confiram!

1-Você é extremamente conhecido em Fortaleza por seus projetos para residências e também comerciais, como a grande rede de restaurantes Coco Bambu Frutos do Mar. Como você escolheu esse caminho profissional? Há quanto tempo atua na arquitetura em Fortaleza? 

Não foi bem uma escolha, eu já nasci com essa vocação. Eu senti bem cedo esse gosto pelas artes plásticas, pelo desenho, pela pintura, de trabalhos manuais. Fiz marcenaria infantil, por exemplo. Eu era muito curioso com construção de casas desde muito novo. Quando eu procurei um curso pra fazer na universidade, decidi por artes plásticas. Mas, na época, não tinha em Fortaleza. Eu teria que sair do Estado, porém meus pais não tinham recursos pra me bancar fora, então o que eu vi mais parecido  com a arte foi a arquitetura, que também se encaixava. Então foi meio que natural. Eu me encaixei e fui gostando muito do curso. Eu me formei em 1987,  são 33 anos dedicados à arquitetura. Já no segundo semestre, eu fui fazer um trabalho da faculdade no escritório da arquiteta Velbaneza Luna e ela me perguntou se eu queria estagiar. A partir daí, não parei mais, embora, em paralelo, eu estivesse levando as artes plásticas também.

 

2-Como você aprimora seus conhecimentos na sua área de atuação? 

Na minha área de atuação, existem dois caminhos: o primeiro, o do conhecimento, através da leitura, da participação de congressos e cursos. Também visitar acervos e feiras é muito importante, porque você se atualiza constantemente. Um segundo aspecto, que eu acho primordial, é a vivência de obra e conhecer como os projetos que você desenha serão executados, aprimorando o seu próprio conhecimento através da experiência dos próprios profissionais, porque o sentido de equipe é muito grande na arquitetura. Eu trabalho com o engenheiro, o marceneiro, o eletricista, o cara que faz a ferragem das estruturas... É uma cadeia gigante e todas essas pessoas têm as suas experiências para passar. Eu acho que visualizar as obras, ver o seu próprio trabalho sendo executado é primordial para que você avance no conhecimento técnico.

 

3-Você chegou a pensar em trabalhar em outra profissão? Qual? 

Logo que eu me formei, fui trabalhar em uma agência de publicidade. Quando me formei, fiquei desempregado e busquei outras coisas. Como eu gostava de desenho, fiz um curso de desenho publicitário  e fui professor nesse curso, porque os dois melhores alunos se tornavam professores. Fiquei só um semestre, na realidade, e, depois, um amigo me chamou pra trabalhar em uma agência, a Close Publicidade, e foi uma experiência muito legal, porque eu fazia as ilustrações de loteamentos e lançamentos imobiliários. A partir dali, eu fiz contatos e consegui pegar alguns projetos. E já pensei em trabalhar em outra área sim, eu trabalharia com cenografia de teatro, com as artes plásticas, que nunca me deixaram. Enfim, acho que eu tenho essa versatilidade.

 

4-Como você avalia o mercado nessa retomada da economia? Você acredita  que as pessoas passaram a ter outro olhar para suas casas depois do período de confinamento? Como isso está refletindo nos projetos de arquitetura e design de interiores? 

Há algum tempo, a gente já estava em uma situação muito ruim na nossa economia. E a percepção que eu tinha era de que estava havendo uma retomada sutil, pequena, ainda embrionária. E veio a pandemia, parou tudo. Mas, me surpreendeu a retomada nesse aspecto, com um volume muito maior de trabalho, não só no meu escritório. Converso com os meus colegas e todas as pessoas sentem isso.

É muito positivo, porque a cadeia que eu trabalho, a de construção, tem um poder de conduzir muitas pessoas ao trabalho.

Desde o extrativismo, até a finalização do tecido e do objeto de decoração. É uma cadeia gigantesca e ter esse movimento intenso representa muito pra economia do País. Nós estamos tendo uma solicitação bastante forte na arquitetura. Eu acho que as pessoas ficarem quatro, cinco meses confinadas em suas casas gerou uma mudança de comportamento, uma visão diferenciada do espaço de morar, assim como gerou uma atitude diferente frente ao trabalho.

Algumas pessoas já incorporaram nas suas vidas o home office porque perceberam que tem uma parte do trabalho que pode ser desenvolvida na sua casa, no seu conforto, desde que tenha o espaço devido para esse trabalho, sem interferência, com um local certo. Outra mudança é que as pessoas que não tinham contato com a natureza e essa área exterior sentiram muita falta de ter isso em uma casa.

Por isso, hoje, a gente tem uma busca muito grande por projetos de casas, com jardim e área externa. Quem morava em lugares com casas, residências, ficou bem mais feliz. Os que tiveram que ficar em seus espaços pequenos acabaram mais angustiados e tiveram que rever conceitos, com reformas. Tem muita mudança aí, principalmente na atitude das pessoas.

 

5-Você  tem passado períodos fora do Brasil. Como o mercado no exterior é diferente do nosso? O que podemos aprender com eles? 

Na realidade, eu tinha um sonho de morar fora já há algum tempo. Esse sonho foi se transformando num planejamento e hoje já tenho meu visto permanente em Portugal. Tenho um apartamento  e isso foi se concretizando aos poucos. Obviamente, tenho um foco muito grande em Fortaleza. Meu segundo ponto de trabalho, que é em São Paulo, já temos dez anos de atuação e  isso tem uma certa constância também. Eu não gosto de focar num lugar só. Não é esse o meu projeto de vida:  ter uma vida mais tranquila, obviamente trabalhar com alguma coisa, mas não tenho intenção de  montar escritório, sair correndo atrás de projeto . Naturalmente, ela vai acontecer.

A arquitetura parte de relações e eu me relaciono muito bem. Nesse período de transição, quando eu estava montando a minha casa lá, fiquei confinado quatro meses, não posso dizer muito do meu desenvolvimento profissional nesse momento lá, mas posso dizer que o mercado é diferente mesmo, a dinâmica é diferente. O Brasil é um País novo, tem muita coisa a ser construída, muita gente contrata arquiteto.

Nesse aspecto, a nossa economia, no setor da arquitetura e da construção é muito mais vibrante. Lá, você não tem muita demanda por arquitetura de interiores, por exemplo. É um mercado muito disputado, existe pouca construção comparada a um país gigante como o Brasil. A Europa é um continente meio que estabelecido. Portugal tem passado realmente  por uma transformação nos últimos dez anos, mas ainda vamos ver  o que vai acontecer. Eu tive planos de uma vida inteira no Brasil e no exterior eu quero que as coisas aconteçam de uma forma mais tranquila. Tem lições a aprender sim. E não é nem sobre o fato de eu estar morando agora em Portugal.

Eu acho que é eles tem outra responsabilidade com relação ao tempo das pessoas. Europeu sabe respeitar os valores que a gente estabelece, o profissional. Uma coisa  que eu acho muito interessante do mercado no exterior é que você compra um imóvel e já recebe com cozinha, com todos os armários de banheiro e de quarto. A gente, no Brasil, ainda projeta. O caminho é esse: de facilitar a vida das pessoas.

6. Você continua se dividindo entre Brasil e Portugal? Como tem sido essa experiência?

Em junho, vou estar de volta ao Brasil por dois meses, tocando a finalização de alguns trabalhos. Continuo por aqui em Lisboa, acompanhando os trabalhos que acontecem em Fortaleza. No momento, estamos fazendo a reforma de uma pousada em Monte Verde, no interior de Minas, quase na fronteira com São Paulo. Além disso, estamos com um projeto em um condomínio em São Paulo, na Vila Mariana e reformas em dois apartamentos em São Paulo. Já em Lisboa, estamos com vários projetos, focados principalmente em estrangeiros. Tem sido uma rotina bastante intensa e morando por aqui, tenho oportunidade de estar também fazendo viagens que amo, como a que fiz recentemente para Paris. Essa experiência  Portugal me fez sair da minha zona de conforto, porque, obviamente, com minha experiência de vida e de arquitetura, eu dominava muito bem o mercado de Fortaleza. Uma das diferenças é trabalhar usando o inglês como língua praticamente principal e trabalhar com o público local também tem suas particularidades. Por isso, eu precisava conhecer bem o mercado, em Lisboa e como funcionava todo o processo, os principais parceiros, lojas de fornecedores, assim se tornou mais fácil.

 

7. O Vasto é um tipo de restaurante bem diferente do que o cearense está acostumado? Nos conte um pouco sobre ele.

O Vasto é uma sequência de vários restaurantes que nós fizemos para o Coco Bambu ao longo de cinco anos que trabalhamos juntos. Nós temos várias unidades do Coco Bambu, temos a experiência do Vasto que nasceu há três anos, através de uma viagem que o Marcelo Moreira, nosso parceiro no escritório, fez para Nova York, com uma pesquisa muito aprimorada, um novo cardápio, uma nova forma de receber as pessoas para uma experiência. O Vasto não é só um restaurante, mas uma experiência, mais despojada, mais de acordo com o jeito americano de receber, onde o balcão tem uma forte presença e o cardápio é focado principalmente nos bons cortes de carne especiais.

 

8-Quais os seus hobbys? 

Eu sou casado com um chef de cozinha, então um dos meus hobbys preferidos é mesmo o da gastronomia, além da arte, que é uma incorporação de uma vida inteira e eu também adoro visitar museus. Quando estou em São Paulo, faço uma lista de todas as exposições interessantes que estão acontecendo. Gosto de teatro, gosto de música  e a gastronomia  faz parte das referências do bel prazer que vão transformando a vida para melhor. Para ser uma melhor pessoa, um bom profissional.

 

9-Qual o lugar mais lindo que já conheceu? Qual o lugar para onde sempre volta para aproveitar as férias? 

Eu conheci lugares tão bonitos! Ao longo dos últimos vinte anos, tenho feito tantas viagens maravilhosas. Eu gosto de viagens por região. Andaluzia é uma viagem linda. A viagem à Croácia é espetacular. Eu passei, nos meus 50 anos, um mês na Itália viajando pela Toscana. Talvez, uma das coisas mais deslumbrantes foi uma semana que eu passei na Costa Amalfitana. Lá, todo dia, o café da manhã era servido na varanda do meu quarto e eu olhava pra aquela vista e era de arrepiar, era muito lindo.

O Brasil também tem coisas espetaculares, tem uma natureza vibrante, linda. Nossas praias do Nordeste são maravilhosas, mas tenho experiências lindas na França também que eu vou com muita freqüência. É complicado dizer qual é o mais bonito, acho que cada um tem sua beleza especial. Se eu fosse dizer o lugar que eu vou com freqüência nas férias, sem dúvida é a França. É o país que eu vou conhecendo por regiões.

Gosto muito da cultura francesa, gosto de história, gosto da arte, gosto da arquitetura, gosto da gastronomia, gosto da língua, gosto até do mau humor dos franceses... 

 

10-O que você mais valoriza na vida? 

O que mais eu valorizo na vida? Eu vou dizer uma coisa que é muito importante: o trabalho. O trabalho me gerou coisas espetaculares na vida. Foi através do trabalho que eu pude crescer, conhecer esses lugares lindos.  Boa parte dos amigos que eu tenho hoje, conheci através do trabalho. As pessoas que me cercam hoje ou eu conheci na faculdade, ou porque trabalhei junto ou porque foram clientes. Eu acho que o trabalho tem um valor impressionante e transformador na vida das pessoas e em segundo lugar, eu acho que é a amizade. Eu acho que você ter alguém, até o seu próprio amor da vida, ser seu amigo eu acho que é extremamente importante. Ter amigos é fundamental nessa complementação que é estar bem, no mundo.

 

11-Tem algum santo de devoção? Qual sua relação com a religiosidade? 

Santo de devoção, eu não tenho, mas tenho santo de admiração, que é São Francisco de Assis. Estive em Assis e até me arrepio aqui contando, porque é muito bonito, muito emocionante saber que um ser humano como aquele, que realmente era um santo e realmente exercia os princípios da igreja de uma forma bacana, acreditava em um ser humano melhor. Despojou-se de tudo que tinha para olhar para o outro! É muito emocionante a história de São Francisco de Assis e visitar a cripta onde ele está enterrado. Eu acredito em Deus, sou religioso, acredito que você não deve fazer para o outro o que você não quer pra si e respeito todas as religiões, desde que elas sejam para o bem e que tenha como princípio ter um coração bom frente ao outro.

 

12-Nos conte um sonho não realizado. 

Eu posso dizer que eu cumpri quase todos os meus sonhos da vida. Eu não tenho sonhos ambiciosos, tenho sonhos de conquista. Não sonhos de valores financeiros, mas de conquistas. Conquistei todas as possibilidades que eu tenho, sou uma pessoa, graças a Deus, muito abençoada  e talvez o meu objetivo seja fazer alguns projetos interessantes, especiais, muito bem selecionados na Europa. Conseguir avançar na carreira. Uma carreira a nível nacional já é maravilhoso, que eu pude ter, tenho esse privilégio e poder alcançar esse trabalho também, no exterior é uma possibilidade muito bacana e vou tentar conseguir isso.

Tenho mais um: gostaria de voltar à minha carreira artística, fazer umas exposições fora, no exterior, devagarzinho, sem a ansiedade de ter que fazer dar certo, mas pelo prazer mesmo.

Lar.png

Uma romancista que ama

a história de Fortaleza
Por Kelly Garcia

Nascida em uma família cearense em 1989, Ary Amorim, ainda criança, construiu uma relação estreita com o livro, a leitura e a escrita e transformou-os mais tarde em objetos de estudo na graduação em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e no mestrado em História pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Suas pesquisas, sempre ambientadas na capital cearense, fortaleceram os laços com a sua terra e fizeram nascer o desejo de unir a sua paixão por romances com o seu campo afetivo: Fortaleza. Em 2021, lançou seu primeiro livro: A Viúva Cabral, através de financiamento coletivo. Confira em nossa entrevista os bastidores da construção de um livro e os caminhos da história e da literatura nesse processo.

1. Como você se interessou pela escrita? Já escrevia na adolescência?

Eu sempre gostei de escrever. Eu costumo dizer que, de certa forma, quando eu era adolescente a minha relação com a escrita era até mais forte do que com a leitura. Eu era a meninas dos diários e das cartas. Sempre tinha um caderninho com poesias e frases soltas. A escrita sempre foi uma terapia para mim. Escrever as minhas próprias histórias, narrativas mais longas, é algo mais recente.

 

2. Além de escritora, você também é bibliotecária e mestre em História. De que forma esses saberes contribuíram para sua formação como escritora?

A Biblioteconomia me manteve perto do universo do livro. Todos os projetos com os quais eu era envolvida na faculdade tinha o livro e a leitura como centro. O escritor, que é primeiro um leitor, precisa estar conectado com o universo literário. A História me proporcionou um estudo mais aprofundado da História do Livro, da Leitura e do Leitor, dos caminhos pelos quais o livro passou e passa, da cultura e dos processos históricos que sustentam as práticas leitoras até hoje. A Biblioteconomia também contribuiu nessa questão, mas foi no mestrado em História que eu aprofundei os meus estudos. 

 

3. Você escreveu seu livro de estreia através de financiamento coletivo, com a ajuda do curso 321 Escreva, da professora Vanessa Passos. Como foi o processo de escrita e publicação? Você teve medo de não conseguir concluir sua história? Como fez para se organizar e colocar as ideias no papel?

Eu sempre escrevi e nutria um desejo de escrever um romance, mas eu não sabia como fazer. Eu já tinha uma história, alguns rascunhos, mas descobri que era necessário mais do que isso para conseguir contá-la. Então quando eu iniciei o curso eu e a Vanessa nos sentamos para fazer o planejamento de escrita e de publicação. Só então as coisas começaram a andar. Eu tinha uma meta de escrita de três a quatro capítulos por semana. Com pouco tempo, trabalhando fora mais de 40 horas semanais, com uma bebê de dois anos, eu decidi que escreveria capítulos curtos para conseguir dar conta. Eu escrevia antes de começar a trabalhar, na hora do almoço e as vezes em casa. E em outros momentos, quando eu não conseguia escrever, eu fazia pesquisas para compor a história. Isso me ajudava a me manter conectada com a escrita do livro. Eu não tive medo de não concluir a história, meu medo era que ela ficasse ruim. Em três meses eu consegui a minha primeira versão. Eu lembro que chorei quando terminei o último capítulo, estava emocionada de ter levado os meus personagens até ali. É uma grande conquista. Então iniciamos os processos de leitura crítica e outros detalhes da publicação. 

 

4. O seu primeiro livro foi uma publicação independente. De qual etapa você gostou mais?

Na minha opinião, o processo de publicação independente como um todo é bem estressante, mas eu acho que a etapa que eu mais gostei foi ver tanta gente acreditando no meu sonho. Acho que isso é sempre surpreendente.

 

5. No seu livro de estreia, A viúva Cabral,  a cidade de Assunção, onde se passa a história, é inspirada na Fortaleza da Belle Epoque. Como você é mestre em História, chegou a se inspirar em alguns bastidores reais para compor o romance, aqueles que a gente tem acesso ao se aprofundar na pesquisa histórica?

Sim. Muitas cenas do meu livro foram frutos das minhas pesquisas no mestrado. A minha dissertação foi sobre os sebistas, livreiros de livros usados, da cidade de Fortaleza. Nas minhas entrevistas eu trabalhava bastante o contexto histórico da atuação deles e entre uma conversa e outra eles sempre narravam acontecimentos para além da venda dos livros. Por exemplo, certa vez, um deles me contou que alguns molecotes ficavam na Praça do Ferreira esperando as liceístas passarem para o vento levantar a saia delas. Eu cito algo muito semelhante a isso no livro. Embora o período histórico a que ele se referia fosse outro, eu usei na minha narrativa. Em A viúva Cabral, o personagem primário é um livreiro, eu me inspirei nas práticas dos livreiros com quem eu conversava tardes e mais tardes, por horas. Os nomes das ruas, dos equipamentos e movimentos culturais, alguns sujeitos históricos, como os padeiros Antônio Sales e Adolfo Caminha, que menciono no livro são verdadeiros, tudo emerge da História de Fortaleza.

 

6. Quais são suas principais influências na escrita?

Jane Austen e as irmãs Brontë.

 

7. Você se surpreendeu com a recepção dos leitores ao livro? Como tem sido essa troca com o leitor?

Surpreendi-me. No fundo, a gente tem medo de não alcançar os leitores. Tem sido uma experiência surreal porque depois que o livro vai para o mundo a gente perde um pouco o controle dele e é interessante ouvir o que o outro tem a dizer sobre o que você escreveu.

 

8. Você está escrevendo outro livro? Nos conte mais sobre isso.

Sim. Dessa vez, eu trago a temática do Destino e estou me aventurando no conhecimento da comunidade cigana, etnia do meu personagem primário. 

 

9. Além dos romances, você tem escrito sobre a maternidade nas redes sociais e, recentemente, iniciou o podcast Pitangas de Mãe, com as escritoras Cibele Laurentino e Juliana Marques. Como tem sido esse novo projeto? Como encara a maternidade?

O Pitangas de Mãe, na verdade, é um projeto antigo que reacendeu em mim agora em formato de podcast. Quando a minha filha nasceu eu criei um blog com esse nome e passei a escrever sobre a minha nova experiência e o meu maternar. Por falta de tempo eu acabei deixando o projeto de lado. A Cibele e a Juliana aceitaram o desafio e nos unimos para escrever e conversar sobre o tema. A maternidade para mim é uma experiência agridoce, me atravessa de uma maneira muito inquietante porque me pergunto como algo pode ser tão incrível e tão difícil ao mesmo tempo.

 

10. Nos indique um filme, um livro e uma série.

Um filme: Ele está de volta 
Um livro: O leitor – de Bernhard Schlink
Uma série: Downton Abbey

Lar.png

Ousadia para inovar na moda e

nos caminhos profissionais
Por Kelly Garcia

Nascida no sertão central, na cidade cearense de Quixadá, filha de um farmacêutico e uma professora, Naura Cox sempre teve uma paixão especial pelas artes. Ela começou com a música, bem jovem ainda, no piano. Depois se arriscou no acordeon, incentivada pelo pai, que também tocava violão. Aos 15 anos, mudou para Fortaleza, onde concluiu o curso científico e seguiu para a faculdade de Administração de Empresas, na UECE. Ao findar o curso,  foi contratada pela UFC e dirigiu o departamento de Material do Hospital das Clínicas da Universidade. Ainda cursou a pós-graduação em Administração Hospitalar e, a seguir, foi para Alemanha e estagiou no hospital da Universidade. Ao voltar em 1980, descobriu a paixão pela moda e largou o emprego federal para montar uma pequena confecção em casa, quando começa um novo capítulo da sua história, também marcado pelo sucesso, com várias exposições internacionais, prêmios e seguindo depois pelo caminho dos vestidos de noivas por várias décadas. Só finalizou esse ciclo, há cinco anos, quando se casou com o inglês Philip Cox e passou a morar na Inglaterra. Confira essa trajetória de sucesso, que se confunde com a história da moda recente cearense, no nosso perfil semanal.

1. Sua trajetória como estilista foi um passo de ousadia. Afinal, você já era concursada federal e resolveu apostar nessa área. Conte como se deu esse processo de mudança de profissão.

Eu sempre adorei criar meus próprios modelos e, naquela época, era comum termos costureira uma vez por semana e eu aproveitava para fazer os meus vestidos. Muitas pessoas me perguntavam porque eu não fazia pra vender. Desafio aceito, comecei em um pequeno quarto da minha casa, mas continuando o meu trabalho na Universidade Federal do Ceará. As encomendas foram aumentando e, em poucos meses, eu estava instalada em um espaço maior e registrei o ofício. Meu primeiro desafio foi expor na feira IGEDO em Düsseldorf, na Alemanha. Neste momento, vi que não daria mais para conciliar o trabalho na UFC e a minha pequena confecção. Larguei tudo para me dedicar a moda!

 

2. Antes de começar a trabalhar, você aprendeu a tocar alguns instrumentos e até um outro idioma. Como foi isso? Você sempre gostou do novo?

O amor pelos instrumentos musicais herdei do meu pai, que era excelente no violão e também compositor (ele era farmacêutico). Como eu preferia o teclado, comecei a estudar piano com uma freira alemã, que morreu um ano depois. Por não ter mais quem me ensinasse, ganhei do meu pai um acordeon. Bem jovem, já tocava em apresentações do colégio.
Depois de passar 40 anos sem tocar, estou recomeçando e muito feliz por resgatar esta paixão.
Quanto ao amor pelo estudo de línguas estrangeiras, comecei por alemão que fiz na Cultura Germânica da UFC e, logo depois, tive oportunidade de morar em Münster, na Alemanha. Depois do alemão, comecei na Aliança Francesa o meu curso de francês, pois precisava muito quando ia para Paris, a seguir estudei italiano (inacabado), Mandarim (somente comecei) e finalmente, depois de casada com um inglês, apesar de já falar inglês, resolvi melhorar, fazendo um curso de inglês britânico por três anos.

 

3. Ao iniciar sua trajetória como estilista, quais foram as principais dificuldades? Como era fazer pesquisa fora do país em um tempo sem internet?

Imagina em 1980 as dificuldades que passei para entrar na linha industrial. Não entendia nada de costura e modelagem, ficava na mão de incompetentes, pois não tinha como pagar boas modelistas! Então, resolvemos juntar um grupo de pessoas que, como eu, tinham um bom design para ajuda mútua e inclusive, participar da Fenit, em São Paulo, cujo custo era assustador para nós. Como éramos oito, com tudo dividido, ficou fácil. Do grupo original, faziam parte Frau Moden, Melindre, Gláucia Mota, Cabeto, Sambinela, Rejane Holanda, Marly Batista, Yamor da Ethel e Nina Flor. Colocamos o nome de "Grupo Ousadia",  pois éramos realmente ousados por querer mostrar ao sul que o Ceará não somente fazia roupas, mas também fazia Moda. O nosso sucesso na primeira exposição na Fenit foi tanto, que fomos entrevistados pela Cristina Franco, a poderosa da área de Moda da TV Globo! As pesquisas internacionais de moda começaram quando a Glaucia Mota tornou-se Presidente do Sindicato de Confecções Femininas da FIEC e eu assumi a vice Presidência. Vimos que as confecções do Ceará precisavam parar de copiar as do Sul. Com o apoio do Dr. Luís Esteves, presidente da FIEC na época, eu e a Glaucia fomos pesquisar em Paris, Londres e Milão e passávamos através de palestra para as confecções ligadas ao Sindicato. A partir daí, íamos todos os anos para as melhores feiras europeias.

 

4. Como decidiu ser estilista de noivas? Como era o trabalho?

Sempre tive paixão pela alta costura e o mercado de noivas me fascinava! Em 1990, quando o presidente Collor assumiu, ele abriu as portas para o mercado externo e uma boa parte das confecções passaram maus momentos, pois não tinham como competir com os preços baixos dos países asiáticos. Foi a hora de sair da linha industrial e tentar a alta costura. Pensava que seria fácil, pois tinha um nome já conhecido na moda, mas não foi. Tive praticamente que recomeçar, investir em pessoas mais especializadas, trabalhar um melhor acabamento. Enfim, anos de aprimoramento. Através do Sindicato, conheci a diretora do Studio Berçot de Paris e passei dois meses no Instituto, acompanhando as aulas de modelagem.
Consegui sucesso e credibilidade no mercado de noivas do Ceará e do Nordeste. Mas, não parei por aí e mesmo sendo formada em Administração de Empresas, resolvi fazer o Curso de Designer de Moda no Marista, me formando também em Estilismo. Quando minha filha Fernanda Franco terminou seu curso de Moda, ela já trabalhava comigo então a mandei fazer um dos mais renomados cursos de moulagem (modelagem para a alta costura) do mundo, a "Esmod de Paris".

5. Depois que você se casou e foi morar na Inglaterra, chegou a trabalhar como estilista? Quais eram as principais diferenças e semelhanças em termos de público, logística e fornecedores? Do que sentiu mais falta quando estava fora?

Quando casei com o Philip, encerrei um ciclo maravilhoso da minha vida profissional. É muito difícil você recomeçar em outro País, já com mais de 60 anos e sem ter noção do mercado, costureiras...
Além do mais, achei que podia me dedicar a estudar história da Moda e Indumentária, assessorar pessoas que quisessem comprar vestidos de noivas ou festa, mostrar um lado diferente de Londres, enfim fazer o que nunca tive tempo por trabalhar demais. Mesmo assim, fui contactada por Flavinha Benevides, que morava em Londres e queria que eu criasse o seu vestido de noiva. Foi uma parceria perfeita: uma linda brasileira casando em um castelo no sul da França! Depois, criei um vestido de noiva para minha querida amiga Maria Ester Evans Moyle, que casou em sua casa de praia no Pacheco. Criação do modelo pelo FaceTime e minha costureira confeccionou e acompanhei do processo pelo FaceTime.
Posso dizer que encerrei minha vida profissional com chave de ouro.

 

6. Quais os momentos mais marcantes da profissão?

Quando recebi o prêmio de melhor estilista de Fortaleza, junto com o talentoso Lino Villaventura.

 

7. O mercado de roupas para noivas era muito concorrido em Fortaleza? Quais mudanças você notou nos últimos anos?

Ao me ausentar de Fortaleza há 5 anos, fica difícil de avaliar o mercado de noivas em Fortaleza. Mas, acho que o que está imperando no Brasil é a preferência da noiva querer escolher uma linha "Ready to Wear", o pronto para vestir. Muitas vão a Londres procurando um lindo vestido que já esteja pronto. Muitas não gostam de arriscar.

 

8. Sabemos que você ama viajar e está sempre em busca de criativos e culturais roteiros. Nos fale mais sobre como você pretende abordar isso em sua nova coluna no nosso portal.

O povo brasileiro adora desbravar nova cultura,  viver novas experiências e conhecer lugares diferentes. 
Aqui neste espaço traremos assuntos como dicas para você viajar com charme e economia sem deixar de lado a cultura local e as melhores sugestões de tendência de moda nacional e internacional.

A moda e os acontecimentos de arte em Londres, Paris e Milão serão temas constantes na nossa coluna. Falaremos também sobre as marcas cearenses que estão fazendo sucesso no Brasíl.

 

9. Quais são as suas expectativas para essa nova estação da moda? Estamos percebendo a alegria presente nos tons.

Depois de um tempo tão cinza  como dessa pandemia , colorir os looks são quase uma exigência para a moda primavera-verão 2022. As tendências tiveram uma influência dos anos 70/80.

 

10. Quais os seus hobbys?

Estudar línguas, viajar, adoro cinema, ler...

 

11. Para onde gosta mais de viajar? Qual o lugar mais lindo que já visitou?

Amo a Europa e agora que moro lá aproveito todas as oportunidades para viajar!
Já conheci tantos lugares lindos que fica difícil de dizer qual o mais bonito, mas acho a Costa Amalfitana, na Itália, a mais bela!

Lar.png

Criatividade e ancestralidade

nas artes plásticas
Por Kelly Garcia

Nossa entrevistada da semana é a artista plástica, curadora, arquiteta e professora Andrea Dall'Olio. Apaixonada pelas artes plásticas desde a infância, sempre tem o desejo espalhar arte! Tem, em sua produção, o resultado de uma pesquisa sobre a busca de camadas e texturas, através de elementos que não são utilizados comumente como materiais artísticos, sobretudo de origem têxtil, experimentando novos suportes.

Esse caminho a levou ao aprofundamento dessa linhagem artística, passando a substituir as tintas pelas linhas num bordado livre e, em seguida, compondo seu próprio suporte, o que atingiu na tapeçaria. Nessa transformação, chegou à tecelagem manual como numa conexão com a sua ancestralidade árabe e a atualizando dentro da origem cearense, onde a manualidade com as linhas é muito arraigada. Confira um pouco sobre suas inspirações e do seu processo criativo no nosso perfil.

1. Como os seus caminhos se cruzaram com os das artes? Você já notava essa aptidão na infância e adolescência? 

Eu sempre soube que estaria no lugar do criativo. A arte faz parte de toda a minha história, desde a formação. Na verdade, eu sempre vivi e respirei arte, ela é parte da minha essência.  E, em algum momento, ela teve oportunidade de começar em mim. Tenho uma forte lembrança das páginas repletas de desenhos dos meus cadernos e livros de escola. Sempre desenhei e os meus melhores brinquedos eram os blocos de madeira do brincando de engenheiro e as canetinhas  hidrográficas. A arte está dentro do meu contexto desde a infância, quando eu comecei a frequentar escolinhas de arte, depois a participar de cursos de arte e aos 18 anos, quando me tornei artesã, titulação concedida pela CEART. Desde então, a arte vem em paralelo, quase abafada pelo cotidiano, mas sempre permeando minha atenção pessoal em viagens ou leituras. Em rabiscos ou aquisição de materiais artísticos para coletânea pessoal. Um interesse pessoal que nunca deixou de existir. 

 

2. E a Arquitetura, veio antes ou depois da Arte? Ou foi ao mesmo tempo? 

O meu primeiro contato com o fazer artístico foi aos 5 anos de idade, na Escolinha Paraíso Infantil, onde tive Educação Artística. Aos 13 anos, fiz cursos de pintura e desenho em quadrinhos e, nesse momento, comecei a sonhar em ser artista.   
Como não tinha o curso de graduação em Belas Artes no Ceará, escolhi a arquitetura pela aproximação com a formação artística e me apaixonei pela área e hoje ela é a base para que eu possa colocar em prática todos os meus sonhos e a realização do sonho do outro. Seja nas artes visuais ou na arquitetura, o ensejo do processo criativo e a possibilidade de provocar encantamento com este resultado, em forma de obra de arte ou projeto de arquitetura, é o que me move! 


3. Como é o seu fazer artístico? Quais os materiais que você prefere? 

Durante o fazer artístico, busco a forma, o volume e sua desconstrução, revelando uma mensagem silenciosa e incauta através do abstracionismo, que desvela uma linguagem insinuante e refinada sobre as relações interpessoais, com a natureza, os objetos e a própria arte. Quando finalizo uma obra, vejo minha palavra escoando pelas linhas num mural móvel de grito afetivo. 

 

 4. Você gosta de experimentar novas técnicas? Como é isso?
Tenho, em minha produção, o resultado de uma pesquisa sobre a busca de camadas e texturas, através de elementos que não são utilizados comumente como materiais artísticos, sobretudo de origem têxtil, experimentando novos suportes. Esse caminho me levou ao aprofundamento dessa linhagem artística, passando a substituir as tintas pelas linhas num bordado livre e, em seguida, compondo meu próprio suporte, o que atingi na tapeçaria. Nessa transformação, chego à tecelagem manual como numa conexão com a minha ancestralidade árabe e me atualizando dentro da origem cearense, onde a manualidade com as linhas é muito arraigada. 

 

5. E a tecelagem manual, como apareceu no seu fazer artístico? 

Busquei pelas linhas para tornar mais lento o meu processo construtivo e na busca de alcançar novas linguagens para expressar a minha arte. Iniciei com um curso de bordado para crianças, queria aprender da forma mais pura que eu poderia. O encontro com as linhas, as agulhas e os tecidos foi arrebatador, não consegui mais me separar deles. Em 2017, fiz as minhas primeiras obras de bordado, quando iniciei com as séries Sudários e Vínculos. E desde então, continuo no têxtil, com o bordado livre sobre tecido e telas. Em meados de 2019, tive outra guinada na minha produção ao aprender a tecer manualmente com o querido mestre Alexandre Heberte, num curso de 12h de tecelagem manual em tear de pente liço. A tecelagem foi paixão à primeira batida do pente e não poderia mais me separar do tear. Resultado: o meu primeiro tear foi adquirido no próprio curso. Em setembro de 2019, expus no Museu da Indústria uma mostra com as minhas primeiras obras tecidas. 

6. Quais os seus projetos profissionais para esse ano? Tem alguma nova exposição à vista? 

Os meus projetos profissionais estão dentro do campo da arte, seja como artista ou como curadora. Estou, atualmente, em cartaz com a exposição Individual Entre Nós, que conta com o texto curatorial de Elsa Paranaguá Elvas, na Galeria Mariana Furlani  e a Exposição Éramos 5... mais um do Coletivo In-Grafika juntamente com os artistas Gerson Ipirajá, Sandra Montenegro, Silvano Tomaz, Zakira Nobre e Zé Tarcísio com texto crítico de Roberto Galvão na Farben Design Haus. Sou a curadora da exposição individual do artista Demeilson Ferreira, com previsão de abertura no dia 18 de abril.  No dia 30 de abril foi a abertura da Exposição Revelação do Coletivo 4x4, no qual sou uma das artistas juntamente com Jacinta Cavalcante, J. Siebra e Demeilson Ferreira, com curadoria de Veridiana Brasileiro e produção de Edlania Castro na B. Galeria da Fast Frame. No final de junho, será a abertura de uma exposição individual minha com curadoria de Nathalie Nicolas e participação dos artistas Túlio Paracampos, Jacinta Cavalcante, Ingrid Barreira, Lia Sanders, Veridiana Brasileiro e J. Siebra na Casa José de Alencar. Está previsto para o dia 6 de agosto a exposição de lançamento do livro catálogo dos Novos Olhares Para Monalisa da coleção da Veridiana Brasileiro, onde será apresentado um recorte da produção artística cearense e eu assino a curadoria. Em setembro teremos uma exposição individual do artista plástico e médico cirurgião plástico Isaac Furtado na B. Galeria da Fast Frame. Sou curadora da exposição comemorativa dos 50 anos de arte da artista plástica Sandra Montenegro que será realizada em dezembro no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, MAUC/CE. 

 

7. Quais os seus hobbies? 

Eu amo cozinhar e pedalar 

 

8. Nos indique uma série, um filme e um livro. 

Série - Vitória: A Vida de uma Rainha 

Filme - Ladrão de Sonhos, de Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro 

Livro - O  Diário de Frida Kahlo: Um autorretrato íntimo

Lar.png

Um visionário das

leis e dos eventos
Por Kelly Garcia

1_0p2a0122_1_2661482-11228815.jpg

Advogado Jardson Cruz, ao assumir a presidência do Náutico, levou sua experiência e organização como empresário do Direito para um dos clubes mais tradicionais de Fortaleza, o que transformou a entidade em um polo dinâmico de eventos importantes, como o tradicional Carnaval da Saudade, que este ano contará com várias novidades. Conheça um pouco mais sobre ele em nossa entrevista exclusiva:

1. Como decidiu pelo Direito? Chegou a exercer outras profissões?

Sempre pensei em exercer a carreira de advogado. Apesar de possuir três graduações (Direito, Engenharia Civil e Administração de Empresas) foi na advocacia onde estou há 24 anos que me realizei profissionalmente, não obstante as outras duas formações serem de grande importância, por exemplo, a engenharia civil é relevante para o cargo que ocupo agora como Conselheiro Diretor da Arce.

 

2. O que você mais gosta na carreira de advogado? Quais são os principais desafios?

Na carreira de advogado o que sempre gostei foi de poder buscar a justiça defendendo, muitas vezes, novas teses e demonstrando junto ao julgador que o nosso cliente é possuidor de um bom direito.

 

3. Qual foi o momento de mais emoção na sua trajetória profissional? Quais os seus sonhos ainda a realizar profissionalmente?

Quando do início da minha carreira, em 1996, consegui através de uma medida judicial que o filho da Sra. Lourdes (diarista do nosso escritório) ocupasse uma das vagas do concurso público federal a qual se submeteu, sendo hoje oficial da Aeronáutica. O brilho de alegria nos olhos daquela mãe realmente foi o meu melhor honorário. Penso nesse momento em continuar realizando um trabalho profícuo como Conselheiro Diretor da Arce sempre buscando o equilíbrio entre os três atores da regulação: Poder concedente, concessionária e o usuário. Como futuro, pretendo realizar um mestrado na área de regulação. 


4. Você tem algum hobby? Qual?

Tenho como principais hobbies: viagens, leituras e praias.


5. Qual lugar mais o impressionou? Quais as suas praias preferidas? 

No Brasil, os cânions do Rio São Francisco pela grandiosidade da natureza e no exterior, o Santuário de Fátima (Portugal) pela energia transbordante da fé. Minhas praias preferidas são a do Forte (Bahia) e Jericoacoara (Ceará)

6. Como se sentiu quando assumiu a presidência de um dos clubes mais tradicionais do Estado, o Náutico? Quais foram os seus principais desafios? Foi associado na juventude? Chegou a praticar algum esporte por lá?

Quando assumi a Presidência do Clube Náutico, senti o peso da enorme responsabilidade em dirigir um Clube tradicionalíssimo com imensos problemas, desde a ausência de recursos até a ausência de um setor de RH. O principal desafio, ainda estou na primeira gestão, foi de tentar equilibrar financeiramente o Clube, implantando uma gestão totalmente profissional. Hoje não devemos a nenhum fornecedor e a nenhum empregado, mantendo rigorosamente em dia todas as obrigações sociais pertinentes aos funcionários. Sou sócio do clube desde 1985 e pratiquei um pouco natação.

 

7. Estamos bem próximos à realização de mais uma edição do Carnaval da Saudade, desta vez fora de época, por causa da pandemia. O que o folião poderá encontrar de novidade? Quais são as suas expectativas?

Depois de uma interrupção por causa da pandemia, o Carnaval da Saudade vem com uma edição especial, será a LIV Edição. O Carnaval da Saudade é a mais longeva festa de Carnaval de clube. Neste ano prestaremos uma homenagem a Moraes Moreira e o tema será "Eu sou o carnaval" que é uma música de sucesso do cantor. A orquestra que comandará a festa será o Brasa Seis e teremos também uma surpresa ao longo da apresentação. As mesas já estão sendo vendidas e a festa será no dia 11 de junho e fará parte das comemorações do aniversário do Clube Náutico (93 anos) que aniversariá dia 09 de junho.

 

8. Sobre as leituras, qual livro você está lendo no momento? E qual foi o último que terminou?

No momento estou lendo a trilogia Nos Tempos dos Coronéis do jornalista Ciro Saraiva e o último livro que li foi Para Pensar do amigo Élcio Batista.

94f36122-bbd9-416c-ac9a-8f97235b968a.jpg
Lar.png

Talento para encantar

em eventos inesquecíveis
Por Kelly Garcia

O cantor Philipe Dantas percebeu a vocação para a música ainda na infância, quando fazia participações nos shows de sua mãe, Andrelina Dantas, cantora de serestas em Fortaleza.  Ele cresceu, se profissionalizou, concluiu licenciatura em canto na Universidade Estadual do Ceará e hoje encanta com sua voz marcante nos muitos eventos que participa, como as missas e casamentos. Conheça melhor o cantor que tem se revelado uma das vozes mais requisitadas nos eventos de Fortaleza.

1. Quando e como percebeu que tinha talento como cantor? Esperava se tornar cantor profissional? Na sua família, tem outras pessoas envolvidas com música?

Foi com 4 anos de idade. Minha mãe, Andrelina Dantas, trabalha hoje na Assembleia Legislativa e tinha na música seu segundo trabalho, mas hoje é um hobby. Ela cantava em serestas e tertúlias e eu sempre assistia. Então, foi minha influência.

 

2. Chegou a pensar em seguir outra área? Tem outra formação além da música? 

Sou licenciado na Uece em canto. Mas antes trabalhava como corretor de seguros de automóveis.

 

3. Como faz para manter a voz em dias? Tem alguma receita especial?

Faço exercícios vocais. E também o aquecimento vocal antes das apresentações. Isso tem funcionado.

 

4. Falando em influências musicais, quais são as suas nacionais e internacionais?

No Brasil, Djavan e a forma de interpretar de Roberto Carlos e Ivete Sangalo. Acho muito bacana a voz dela e a interpretação das canções. Mas, a minha maior influência mesmo é do Andréa Bocelli.

 

6. Quando você não está trabalhando, o que costuma ouvir?

Gosto muito de escutar o romântico internacional, mas ultimamente tenho ouvido música pop também. Brasileiros, amo Roupa Nova. E dos clássicos, claro, Andréa Bocelli, Josh Groban e Michael Bublé.

7. Como faz para alimentar a espiritualidade? É atuante em algum grupo religioso?

Procuro sempre praticar o bem. Sou católico e canto na Igreja Católica, que foi onde comecei a cantar há mais de 18 anos.

 

8. Quais as delícias e desafios da sua profissão? Já passou por alguma situação inusitada?

Delicia é cantar com a alma, sentir cada verso e estrofe. Desafio são os não que recebemos, mas que com o tempo tive a oportunidade de converter para o sim. No começo da carreira, cantei em cima de um trio elétrico e o motorista dirigia tão rápido que tive que cantar e me proteger dos fios elétricos da cidade, ao mesmo tempo.

 

9.Qual o principal aprendizado que esse período de distanciamento social e pausa nos eventos te trouxe?

Acredito que esse período de pausa tenha servido para ressignificar nossas atitudes, resignificar nossa vida e, principalmente, refletir mais. O mundo precisa de paz e nós também, cada vez mais. As coisas ficam difíceis, a gente tem que ir se reinventando e esse período de pausa foi pra gente se reinventar e melhorar como profissional.

 

10.Qual a sua maior emoção na sua carreira musical?

Foi dividir o palco com o padre Fábio de Melo e também cantar com o Toquinho, abrir o seu show. E ainda cantar e ser elogiado pelo padre Reginaldo Manzotti. 

 

11.E sobre a agenda de shows?

A agenda de shows tá realmente recheada, estamos com projetos grandes, inclusive o show no Teatro Riomar, no dia 15/06 com orquestra grande regida por um maestro maravilhoso e estou com uma expectativa muito grande.

Lar.png

Para fazer uma

transição consciente
Por Kelly Garcia

Naíce Dematte era delegada de polícia da Policia Civil do Distrito Federal. Mas, ao se aposentar, fez transição de carreira ao deixar o Direito e investir foco e energia em estudos no campo do Desenvolvimento Humano. Para isso, fez formação em Master Coaching Integral Sistêmico, Análise de Perfil Comportamental e especialização em Coaching de Carreira pela Febracis. Ainda aprofundou conhecimentos em Inteligência Emocional e Programação Neurolinguística. Atualmente, atua como palestrante, treinadora e Master Coach de Carreira, com orientação profissional e vocacional para adultos e adolescentes do ensino médio. Além disso, é professora/tutora de disciplinas nas pós-graduações EAD em Coaching Jurídico e Coaching Educacional, da Faculdade Unyleya. Em 2021, lançou seu primeiro livro, intitulado “Transição Consciente: como aplicar sua energia produtiva e seus talentos pessoais para recriar a caminhada profissional”. Em janeiro de 2022, passou a integrar a bancada do programa de rádio Almanaque da Sucesso News, Brasília 100,5 FM, onde aborda temas relacionados a produtividade, carreira e profissões. Confira na nossa entrevista um pouco mais sobre sua trajetória e o que é necessário para mudar de profissão de forma a ser bem sucedido.

1. Como surgiu o start para mudar de caminho profissional? Mesmo na época em que era delegada, já planejava a transição de carreira?

Quando eu atuava como delegada, era especialista em direito penal, claro, mas também em direito administrativo disciplinar. A via normal dos delegados quando aposentam é advogar. Eu tinha a intenção inicial de seguir o mesmo caminho. Mas, quando veio a aposentadoria eu fui percebendo que o Direito não era mais para mim. As minhas dores iniciais na aposentadoria eu coloquei no prólogo do meu livro Transição Consciente. 

 

2. Como decidiu fazer a formação em Coaching e Master Coaching? O que mais gosta na área? E na orientação de adolescentes? 

Eu sempre fui uma consumidora de obras do Desenvolvimento Pessoal. Adoro aprender formas de viver melhor. Conheci as lições do pai da Inteligência Emocional, Daniel Goleman, em 1996, quando estava grávida do meu primeiro filho, com o livro Inteligência Emocional e a Arte de Educar Nossos Filhos, por John Gottman. Nunca mais parei de ler livros de Desenvolvimento Pessoal. Decidi fazer a formação em Coaching e Master Coaching Integral Sistêmico pela Febracis, para exercer o ofício de desenvolver pessoas, pois são dois pilares importantes para mim – disseminar conhecimento e me relacionar com pessoas. Claro que percebi minhas preferências e talentos no autoconhecimento, que é uma das bases do coaching.  A orientação profissional e vocacional para adolescentes é uma especialização dentro do coaching, denominada Coaching de Carreira. A decisão de fazer esta outra formação veio pela minha paixão por adolescentes (tenho 3) e pela percepção de que os alunos de ensino médio não conhecem o mercado de trabalho, a rotina das profissões e, nem mesmo, seus talentos. Eu os ajudo a encontrar o curso superior que abrace seus interesses e potencialidades.  

 

3. Quais os prejuízos de uma escolha equivocada de um curso superior? Você acha muito precoce a idade da escolha? 

Vários são os prejuízos, emocionais e financeiros, da escolha de um curso que está em desacordo com o perfil comportamental e os interesses do adolescente: a vergonha de abandonar o curso; a vergonha de falar para os pais que escolheu errado; os anos perdidos aprendendo disciplinas que não vão contribuir com a vida profissional; o desânimo de não saber para onde ir e nem porque ir; a perda do valor investido em matrícula e mensalidades, em materiais da faculdade que será abandonada.  Eu acho precoce a escolha aos 17 anos. Mas é preciso jogar o jogo do ensino brasileiro como ele se apresenta. Eu realmente vejo muitos casos bem-sucedidos e de escolhas acertadas, assim como vejo jovens mudando de curso 1 ou 2 vezes até iniciar um curso superior que lhe faça sentindo. 

 

4.Que elementos devem ser levados em conta para fazer uma transição consciente de profissão? É necessário fazer um plano de metas? 

O primeiro passo para fazer uma transição consciente é despertar para a mudança. Muitas pessoas passam a vida profissional inteira reclamando do chefe, do trabalho, do salário, dos colegas, da empresa, sem ter a coragem para mudar. A transição consciente só acontece com a decisão de mudar. O segundo passo é o autoconhecimento, o que gosta, o que não gosta, o que é necessário em uma rotina que faz sentido. As pessoas que desejam transitar de carreira muitas vezes foram levadas pelas circunstâncias à profissão atual, ou por um convite de um amigo, ou por indicação de outro, foram ficando acomodados, mesmo que insatisfeitos. No entanto, ao decidir mudar o rumo profissional é preciso olhar para si para descobrir talentos, aptidões, interesses e propósito no ofício. No meu livro, eu apresento os 5 passos do Método Recriar Consciente, que desenvolvi a partir dos meus aprendizados de Desenvolvimento Pessoal, da minha própria trajetória e das histórias de muitas outras pessoas inspiradoras.   O planejamento é fundamental tanto para entrar em uma carreira, quanto para fazer uma transição. 

 

5. Como surgiu a ideia de escrever um livro sobre o assunto? Como você organizou a obra?

Eu sou leitora desde a adolescência. Acredito que todo leitor tenha o desejo, mesmo que não revelado, de se tornar um escritor.   Eu só não tinha o tema. No final de 2020, veio a inspiração e o tema para o livro. Em janeiro, comecei a escrever o sumário. O prólogo, com a narrativa do dia da publicação da minha aposentadoria, veio na ponta dos meus dedos de supetão. Fui, ao longo de cinco meses, escrevendo e reescrevendo um capítulo por vez. O livro foi construído em 9 capítulos, onde inseri temas como neurociência, programação neurolinguística, psicologia positiva, dados e pesquisas científicas, entrevistas e relatos. 

 

6. Você também tem um clube do livro em que são estudados temas voltados ao Desenvolvimento Pessoal.  Como surgiu a ideia e como é feita a curadoria das obras? 

Como estudiosa de obras do Desenvolvimento Pessoal há muito tempo, treinadora e palestrante, percebi que muitas pessoas têm o desejo de ler, além dos romances, mas não sabem por onde começar. Assim, com o desejo de compartilhar leituras de maneira organizada, em 2019, convidei uma amiga, também master coach, para criar o Clube do Livro Desperte sua Mente.  Vivi May e eu já conhecemos muitas obras e autores de destaque, temos uma biblioteca imensa. Assim, escolhemos as obras que serão lidas durante o ano, um livro por mês, fazemos pesquisas de best seller e lemos em conjunto só sucessos do desenvolvimento pessoal. Eu crio um cronograma de leitura com um bloco de páginas para cada dia. Além de criar o hábito da leitura, o leitor chega ao final do mês com mais um livro lido. 

7. Já tem algum novo projeto em vista? 

Estou com um poderoso projeto em andamento. Um movimento de engajamento de empreendedoras, intitulado Destrave das Empreendedoras, em Brasília-DF. Teremos um evento de imersão com palestras, prospecção de negócios e networking de qualidade. 

 

8. Você faz atendimento remoto também? Como pode ser feito esse agendamento? 

Os agendamentos são sempre realizados comigo, via whatsapp ou email: naicedematte@gmail.com. Eu faço atendimentos presenciais na sede Brasília da Febracis e online. Mesmo na pandemia não parei, suspendi os atendimentos presenciais e investi no online. Deu muito certo. 

 

9. Quais os seus hobbies?

 Sou uma mulher de trabalho e lazer. Tenho três hobbies principais: 1. Faço tapetes artesanais desde os 25 anos – casa caiada, cruz duplo e arraiolo são meus preferidos. Cada canto da minha casa tem um lindo tapete feito à mão.  2. Leituras e mais leituras – estou sempre com 3 livros em andamento, um romance e outros de desenvolvimento pessoal. 3. Sair para tomar café com as amigas. 

 

10. Como alimenta a espiritualidade? 

Eu sou adepta do ritual da gratidão. Todos os dias já acordo elencando motivos de gratidão, daquilo que tenho e até mesmo do que virá.  Estou sempre em oração, conectada com Deus e o Divino. 

 

11. O que está lendo no momento? 

Estou nas últimas páginas de “Torto Arado”, do genial Itamar Vieira Júnior e já com o “A Guerra não tem Rosto de Mulher”, da russa Svetlana Aleksiévitch no criado mudo me olhando. 

 

12. Nos cite uma lição da pandemia.

Não deixe que os pensamentos destrutivos e pessimistas façam ninho na sua mente. Respire, troque o negativo pelo positivo, tenha fé na vida, faça o seu melhor mesmo no caos, porque a verdade maior é que tudo passa. 

 

13. Nos indique uma série, um filme e um livro.

Uma série: A Vida e a História de Madam C.J. Walker, porque eu adoro histórias reais de mulheres reais.
Um filme: Yesterday, porque sou fã de carteirinha dos beatles. 

Um livro: A cidade do sol, de Khaled Hosseini, porque esta obra sobre o destino, as dores e os sentimentos de duas irmãs afegãs eu nunca esqueci.

Lar.png

Um líder nato na política e nas

instituições pelas quais caminha
Por Kelly Garcia

Lucio29.JPG

Lúcio Gonçalo de Alcântara, atual presidente da Academia Cearense de Letras, é o entrevistado deste domingo. Como político, transitou muito bem em todos os cargos que ocupou, tanto no Poder Executivo, como prefeito, governador e vice-governador, como no Legislativo, como deputado federal e senador da República. Filho de Waldemar Alcântara e de Maria Dolores Alcântara, exerceu seu primeiro cargo político aos 27 anos, como Secretário de Saúde do Estado do Ceará. Além de suas ações como político, o ex-governador do Ceará tem uma vasta produção intelectual, já tendo publicado mais de 40 obras. No seu currículo, que registra mais de 20 condecorações por parte de entidades nacionais e internacionais.

Escritor, médico e ex-governador do Ceará, Lúcio Alcântara ingressou na Academia Cearense de Letras em de 1978, ocupando a vaga deixada por Otacílio de Azevedo, cadeira 26, cujo patrono é Manuel Soares da Silva Bezerra. Confira uma conversa sobre política, literatura e planos de gestão para esse ano de 2022.

7e50d6af-084e-4a1b-b30a-bfdfa31825ad.jpg

1. Sua história na política vem de longe, talvez já na infância  e adolescência, observando os passos do pai, Waldemar de Alcântara, que foi governador. Acertei o palpite?

Certamente. Meu pai nunca exerceu uma ação direta para que ingressasse na política. Tudo se deu naturalmente. A partir de quando ficava por trás das janelas, espiando as reuniões do PSD no pátio interno de nossa casa. Depois, criança, ainda fazia discursos em comícios e reuniões partidárias em Fortaleza, São Gonçalo e acompanhava meu pai em viagens políticas ao interior. Lembro, particularmente, de um comício em Quixadá pró-Juscelino quando recebi do Dorian Sampaio as primeiras lições de oratória. Quando fui convidado para ser secretário de saúde por César Cals estava de partida para a Inglaterra, Liverpool, para fazer uma pós-graduação em Medicina. A partir daí, comecei uma longa trajetória na vida pública.

 

2. Você atuou nos poderes Executivo, como prefeito e governador e vice-governador e no Legislativo, como deputado federal e senador da República. Como avalia sua trajetória política? Concorreria a algum cargo público novamente? Como vislumbra o cenário político que se anuncia para outubro?

Não concorro mais a nenhum cargo. Considero minha militância político-partidária encerrada. Ajudo a alguns amigos e aos que me procuram busca de alguma orientação que a experiência me capacite a oferecer. Meu compromisso é com o amigo Roberto Pessoa e o Capitão Wagner, que entrou na política pelas minhas mãos e que é um dos pouquíssimos exemplos de renovação na política do Ceará.

 

3. Depois de ter se afastado da carreira pública, você se dedicou bastante à Literatura, com a produção de livros seus e também coleções da Fundação Waldemar de Alcântara. Durante o tempo de político, você também produzia literatura? Ou foi um tempo de outras produções?

Uma coisa que sempre me chamou atenção foi como certas pessoas conseguiram ser políticos ativos, de muito prestígio, como Afonso Arinos, e serem grandes escritores. Isso porque a política é uma atividade muito absorvente, que exige de quem a exerce atuação em tempo integral. Pelo menos, assim a imagino e assim a pratiquei. Como deputado e, sobretudo no Senado, coloquei a Cultura como um dos eixos de minha atuação parlamentar. Também no Executivo, quando prefeito e governador. Escrevi coisas esparsas, discursos, homenagens, artigos de jornal. Reunidos, compuseram três de meus primeiros livros. Colaborei com artistas, escritores e historiadores. Tive o privilégio ser o primeiro presidente do Conselho Editorial do Senado, função que exerci durante todo meu mandato, de grande importância para a divulgação da história e cultura brasileira. A Fundação Waldemar Alcântara é minha grande paixão, a qual, não obstante, as enormes dificuldades de financiamento, tem prestado relevante serviço à inteligência e cultura cearenses.

 

4. Como surgiu o seu projeto mais recente, que culminou no livro sobre o poeta José Albano, lançado em 2021?

José Albano foi sempre uma de minhas preferências literárias,pelo valor e originalidade sua obra, a vida tormentosa e minha relação desde criança com a família Albano em São Gerardo. Sempre pensara em publicar a tradução em versos de seu poemas ingleses, que o poeta só traduzira em prosa. Aconteceu de encontrar no Senado, o senador Bello Parga, grande conhecedor e tradutor da poesia inglesa. Consegui convencê-lo a fazer a tradução dos quatro poemas, os quais integram a obra que você se referiu.

 

5. Você assumiu a presidência da Academia Cearense de Letras com o Ceará abalado pelas muitas mortes, no momento mais critico da pandemia, o que fez boa parte da programação da entidade acontecer de forma online. Como foi esse período de reclusão? A Academia saiu fortalecida com esse momento necessário de distanciamento? Como foi essa adaptação?

Após dois mandatos na presidência do Instituto do Ceará, Histórico, Geográfico e Antropológico não pensava em exercer qualquer outro cargo, na vida pública ou civil, quando fui convocado por meus pares para assumir a presidência da Academia Cearense de Letras, então, a braços com grandes dificuldades. Não houve como esquivar-me do apelo. As dificuldades impostas pela pandemia estão sendo vencidas com o apoio de todos e a realização de eventos virtuais, que contornam as restrições sanitárias. A ACL sai da crise fortalecida e rejuvenescida, após toda turbulência enfrentada. A ajuda de alguns mecenas, do Governo do Estado e a participação dos acadêmicos deu novo ímpeto à academia.

6. Quais são os seus projetos para as ações da Academia neste ano de 2022? E para a Fundação?

Levar a academia ao interior, abri-la mais à sociedade, publicar algumas obras, inclusive inéditas, conhecer melhor a cadeia do livro no Ceará, formar pessoal envolvido com a produção do livro e comemorar efemérides importantes, desde o bicentenário da Independência.

 

7. Você sempre foi um incentivador dos novos talentos na literatura e na pesquisa acadêmica. Como vê esse florescimento de novos autores, com as possibilidades da auto publicação na Amazon e em sites de financiamento coletivo?

Entusiasma-me ver a proliferação de novos talentos e novas editoras, que se sucedem numa impressionante sucessão de livros de grande qualidade editorial e de conteúdo. Criativos e tenazes, os autores cearenses contornam as dificuldades de publicação, valendo-se dos novos instrumentos surgidos no mundo do livro. Em parceria com o SEBRAE, em breve publicaremos um livro sobre a cadeia do livro entre nós, contendo diagnóstico e propostas para seu fortalecimento.

 

8. Tanto o senhor como a sua esposa, dona Beatriz, são escritores e membros da Academia e outras instituições literárias. Como fazem para incentivar um ao outro na escrita e na inspiração?

Mantemos um diálogo permanente sobre Literatura e Cultura de um modo geral. Brinco ao dizer que somos casados à antiga, com completa comunhão de bens e separação de livros. Ocupamos dependências diferentes para nossas bibliotecas e locais de trabalho, respeitamos nossas divergências intelectuais e preferências artísticas e literárias. Fomos o primeiro casal acadêmico no Ceará e tornamos a arte, a literatura e a pesquisa o centro de nossas vidas.

 

9. Qual o livro que está lendo no momento?

Leio atualmente dois livros : “Os Catorze Camelos”- A história da primeira expedição científica brasileira", de Delmo Moreira e “Diário”- memórias da vida literária, de Edmond Jules de Goncourt

 

10. Como faz para se manter saudável? É adepto da prática de algum esporte? 

Caminho diariamente por 40 minutos na Avenida Beira Mar. Fiz ciclismo durante muitos anos até sofrer grave acidente, o que levou a família a me proibir a prática deste esporte.

Lar.png

Inspiração que nasce

das miudezas do cotidiano
Por Kelly Garcia

Nascido em Quixeramobim, o nosso entrevistado desse domingo, o escritor Bruno Paulino, é graduado em Letras/Português pela Universidade Estadual do Ceará. Autor dos livros de crônicas Lá nas Marinheiras (2012) e A Menina da Chuva (2016), é também professor  de Língua Portuguesa da  Rede Pública de Ensino. O autor é uma das referências quando se fala em Literatura do Sertão Central do Ceará. O livro A Menina da Chuva, em segunda edição, foi adotado em vários colégios da Rede Particular de Ensino no Sertão Central. Organizou as antologias Cordéis de Histórias, do projeto Edições em coautoria da ACE – Associação Cearense de Escritores e Cinco Inscrições  da Mortalidade, da Luazul Edições. Pertence a Academia Quixadaense de Letras, entre outras agremiações literárias. Também é autor do livro de contos  Pequenos Assombros e tem textos presentes em várias antologias, como a recente Eu Conto com Nossa Senhora. Em 2019, foi um dos escritores convidados pela Universidade de Évora, de Portugal como participante  do 1° Encontro Internacional de Estudos  Literários – novos olhares  entre o Ceará e o Alentejo. Confira uma conversa leve sobre inspiração, crônicas e escrita.

1. Você tinha o desejo de escrever desde quando? Escrevia já na infância? 

Na infância, eu fui um grande leitor. Tenho um irmão mais velho que teve paralisia infantil. Como ele não podia brincar na rua normalmente com as outras crianças, meu pai, num tempo de muita dificuldade de acesso aos bens culturais aqui em Quixeramobim, conseguia pra ele jornais e gibis. Então, quando eu nasci, na minha casa, já circulavam livros, jornais, enciclopédias – eu amava enciclopédias – e revistas em quadrinhos. Na adolescência, como é comum, rabiscava versos dolentes, sofríveis de tão ruins, acho que o ser leitor em mim veio antes do escritor. Orgulho-me de ser um bom leitor – tenho essa perdoável vaidade –, e, acho, sem falsa modéstia, que ainda estou me descobrindo como escritor. Esse é o tipo de descoberta que deve durar a vida toda. Costumo brincar, ainda hoje, quando me chamam de escritor, que sinto uma imensa dor nas costas, não acostumado com o título. 

 

2. O que o motivou a colocar suas histórias no mundo? Chegou a passar muito tempo com escritos na gaveta?

É tudo culpa do professor Rodrigo Marques, do curso de Letras da FECLESC. Ele me estimulou no período em que fui seu aluno a escrever crônicas para os jornaizinhos alternativos e zines que circulavam na faculdade. Os meus colegas começaram a elogiar o que eu publicava e daí não parei mais de escrever e publicar, iludido com esses comentários. Eu levei um tempo para descobrir que a lixeira, a gaveta e a tecla “delete” do notebook são os melhores amigos que um escritor pode ter.

 

3. Seu primeiro livro de crônicas, Lá nas Marinheiras, de 2012, teve a repercussão que você esperava? Teve alguma dificuldade para divulgar? Como fez para superar a timidez do início?

Eu não esperava repercussão alguma, mas, com a ousadia utópica dos jovens, enviei para alguns escritores mais maduros que eu admirava e que saudaram o livro, tais como a querida Angela Gutiérrez e o Nilto Maciel. Eu era um menino escrevendo crônicas e publicando um livro, isso deve ter pesado na avaliação deles. O Jorge Amado disse, certa vez, que um livro escrito por jovens pode ter todos os defeitos, mas tem, com certeza, uma grande virtude: a ousadia da juventude. Eu acho que não superei a timidez do inicio e continuo, como naquela época, péssimo em divulgar as coisas que escrevo. 

 

4. Além de crônicas, você também escreve contos e poesia. Em qual gênero se sente mais confortável para criar?

Eu sou um cronista por natureza, escrevo muito de supetão, como alguns instrumentistas tocam música de ouvido, assim como disse o Rubem Braga. O bom cronista não é aquele que, por exemplo, escreve sobre um elefante parando um trânsito numa manhã de segunda-feira. Isso, todo mundo vai ver. Com certeza, será manchete de jornais e da TV. O bom cronista é aquele que vai fabular ao encontrar uma moedinha na rua, no meio do tumulto causado pelo tal elefante; e, como um Proust, devanear o tempo e fisgar o leitor. O cronista é um poeta das miudezas do cotidiano. Um cara bom de conversar "miolo de pote". 

 

5. Quais são os autores que mais te inspiram?     

O Manuel Bandeira. Eu ainda vou construir um altar para o Manuel Bandeira na minha biblioteca. 

 

6. Quixeramobim é sua terra natal. Tem algo na cidade que te deixe motivado a escrever? Alguma paisagem? Prédio histórico? Personagem?

Eu sou um escritor telúrico. Quixeramobim é minha Itabira, minha Macondo e minha Pasárgada. Tudo em Quixeramobim me inspira, até o medonho provincianismo e o tédio da cidade. 

 

7. Por que o fascínio pelos Sertões de Euclides da Cunha? 

Eu costumo contar que li Os Sertões e nunca mais tive juízo, tinha quinze anos. O fascínio veio pelo fato do livro ser uma referência quando se trata de Antônio Conselheiro e do tema Canudos – hoje uma anacrônica visão de Euclides sobre o personagem e o acontecimento histórico. Mas me apaixonei completamente pelo estilo do narrador, sua grandiloquência, a capacidade argumentativa, o consórcio entre ciência e arte, o engenho com as palavras, o ritmo vibrante, a paixão do narrador, o escrutínio do historiador.  Os Sertões é na significação integral da palavra: um clássico. Ou seja, nunca termina de dizer o que tem para dizer. Daqui a 100 anos, o livro ainda terá algo novo a nos dizer.

8. O que está lendo no momento? Para qual livro sempre retorna?

Eu sempre retorno para Os Sertões. No momento, estou lendo a biografia da Clarice Lispector, escrita pelo Benjamin Moser. Um livraço. Clarice Lispector é uma escritora apaixonante, eu gosto sempre de saber mais dos mistérios de Clarice Lispector. 

 

10. Que recado daria para o escritor iniciante Bruno Paulino, de 2012?

Leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais, leia mais... 

 

11. Quais os seus hobbies, quando não está escrevendo ou lecionando?

Tomar cerveja com meus amigos no bar. Eu sou machadiano nesse sentido, não confio num homem sem vícios. 

 

12. Como alimenta a espiritualidade? Tem algum santo de devoção? 

Eu sou apaixonado por Santa Teresinha do Menino Jesus, já li sua autobiografia História de Uma Alma, pelo menos umas 30 vezes. Brinco dizendo que ela é minha melhor amiga. E, pelos meus cálculos imprecisos, eu tenho mais ou menos umas 10 promessas em aberto com São Francisco de Assis. Creio que só pode ter linha direta com Deus um sujeito que conversa com os passarinhos. 


13. Tem algum projeto literário já em andamento? Pode contar pra gente? Está preparando algo específico para a Bienal?

Eu estou lançando nos próximos dias o livro de poesias Salmos para Orquestrar Silêncios, o último de uma trilogia que intitulei de Celebração do Divino Mistério, numa proposta estética de dialogar a poesia com a religiosidade, na busca pelo absoluto no cotidiano.

Lar.png

O pioneirismo e o dinamismo de uma

vida dedicada à escrita e à docência
Por Kelly Garcia

191011_ANGELA-GUTIERREZ_TM09142.jpg

Professora, escritora, pesquisadora e integrante de várias entidades culturais, Angela Gutiérrez foi a primeira mulher a presidir a Academia Cearense de Letras. Também foi agraciada com o título de Professora Emérita, a mais importante comenda institucional da Universidade Federal do Ceará (UFC). Como docente e gestora, foi Diretora-fundadora do Instituto de Cultura e Arte (ICA), sendo responsável, com apoio do então reitor René Barreira e do Diretor do Museu de Arte da UFC, Prof. Pedro Eymar, pela reabertura das salas de exposição de Raimundo Cela e de Antônio Bandeira, que estiveram fechadas por mais de 20 anos, e pela criação do espaço dedicado a Descartes Gadelha no MAUC, além do empenho na restauração e revitalização da Casa de José de Alencar e dos demais equipamentos e atividades culturais da UFC. 

A professora é doutora e pós-doutora em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. Como professora, foi Coordenadora-fundadora do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará. Integra  o Instituto do Ceará (Histórico, Grográfico e Antropológico), a Associação Brasileira de Bibliófilos e a Sociedade Amigas do Livro-SAL. Entre os prêmios e comendas que vem recebendo, estão a Medalha da Abolição, mais alta comenda do Estado do Ceará e o Troféu Sereia de Ouro, concedido pelo Sistema Verdes Mares, entre outros importantes reconhecimentos. 

 

Como escritora, Angela publicou diversas obras, entre as quais “Vargas Llosa e o romance possível da América Latina”; “O mundo de Flora”, romance que recebeu o Prêmio Estado do Ceará de Literatura e foi indicado para o vestibular da UFC em 2007 e 2008; “Os sinos de Encarnação”, que recebeu o Prêmio Osmundo Pontes, “Luzes de Paris e Fogo de Canudos”, entre outros. Confira uma conversa com Angela Gutiérrez sobre sua escrita e inspiração e as histórias de Fortaleza e de sua família.

1.Como a escrita se tornou um caminho para você? Você sempre gostou de contar histórias? 

Eu tinha dez anos e estudava no Colégio da Imaculada Conceição, quando recebi um questionário distribuído com as alunas. À pergunta “O que você quer ser no futuro?”, não sofri dúvida, escrevi com a franqueza e audácia da infância, tempo mágico em que querer é poder: “Quero ser escritora de livros maravilhosos!”.  Encontra-se, pois, na menina Angela, chamada de Jan, Janzinha, leitora insaciável de livros escolhidos por seu pai e guia na biblioteca da vida, Luciano Cavalcante Mota e apaixonada ouvinte das histórias de fadas, da família, de personagens da cidade de Fortaleza, contadas graciosamente pela mãe, Angela Laís Pompeu Rossas Mota, e pelo avô médico, Dr. César Rossas, que acrescentava histórias de médicos no Rio, onde se formou. À minha moda, recontava para amigas as histórias de fada, reis e rainhas, que ouvira ou lera, inventando o que havia esquecido e aumentando-as quando notava o interesse do pequeno auditório! 
 
2.Eu li em suas entrevistas mais antigas que o seu primeiro livro, O Mundo de Flora, foi escrito de um fôlego só. Como você criou coragem para colocar ele no mundo? Foi uma surpresa o grande sucesso dele com os leitores mais jovens? 

Quando alguém hoje me pergunta se O mundo de Flora foi escrito de um fôlego, devo esclarecer o que já contei em outras ocasiões. Na primeira noite em que tive a ideia, mais que isso, o impulso inescapável de escrever uma narrativa ficcional, que resultou em meu primeiro romance, escrevi o começo, trechos do meio e até o possível fim. Criei e dei nome às personagens centrais, construí espaços, trama e a narrativa já me veio em estrutura constituída por pequenos segmentos, uns em primeira pessoa, na voz ou na escrita de Flora, outros na terceira pessoa, em uma voz narrativa que via Florzinha de fora e por dentro.

 

Alguns segmentos eram formados por histórias contadas pelo avô e pela mãe de Flora e por textos variados, como certidão de nascimento, telegramas, trechos de poemas, canções, cantigas de roda e de folguedos populares, orações, cartas, diário, diálogos ‘puros’ e outros diferentes modos de linguagem, inclusive enigmas desenhados. Tudo escrito à mão em um caderno. Em noites seguintes, inventei mais episódios. Posteriormente, o trabalho maior foi de “carpintaria” (no sentido que lhe dá  Autran Dourado, em Poética do Romance, Matéria de Carpintaria), ou seja, introduzir episódios, mudar outros de lugar, verificar o seguimento das ações, enfim, construir a obra e aí entrou o papel da estudiosa de literatura. Não foi imediatamente que divulguei os manuscritos. Tinha dúvidas se o texto valia a pena. Leitora de Machado, Borges, Guimarães Rosa, Flaubert, Cervantes, Dante, Leopardi, Dostoiévski e tantos mais, meus parâmetros eram inatingíveis para mim mesma como escritora. Foi quando meu sobrinho Augusto flagrou-me lendo os originais de O mundo de Flora e não me deu paz até que eu submetesse cópias do texto aos grandes escritores e mestres da literatura no Ceará, professores da Universidade Federal do Ceará, Moreira Campos, Artur Eduardo Benevides, Sânzio de Azevedo, Horácio Dídimo, o que fiz, entregando os manuscritos datilografados a todos eles em um mesmo dia. A receptividade foi tão encorajadora que me deu ânimo de deixar o livro nascer. 

 

Dessa surpresa, surgiram boas notícias, como o Prêmio de Literatura Estado do Ceará, a publicação do livro pela respeitada Coleção Alagadiço Novo, da UFC, coordenada pelo sempre reitor Martins Filho, a simpática aceitação de leitores especificamente ligados ou não à literatura, e, anos depois, a escolha, pela Comissão de Vestibular da UFC, para o romance constar da lista de obras indicadas para o vestibular da Universidade, e aqui ressalto a grande alegria de ver e ouvir os alunos de pré-vestibular lendo e comentando O mundo de Flora, em edição da Coleção Literatura no Vestibular, com entusiasmo, um livro que, em 1990, quando foi publicada sua primeira edição, chamara atenção por fugir dos padrões narrativos de romances brasileiros da época. Creio que muitos professores de diferentes colégios, ao trabalharem com o livro de forma lúdica e criativa, contribuíram para atrair os alunos para meu romance (cito Élder Vidal e Nadya Gurgel, hoje cursando Pós-Graduação em Letras na UFC, com tese e dissertação que estudam, respectivamente, a autora e o livro).

 

De tal forma que chegou a ser o preferido entre os livros dos vestibulares de 2007 e 2008, quando havia outros livros extraordinariamente bons, que considero melhores que o meu, nas listas desses dois anos. Uma experiência extraordinária para mim foi ser recebida em muitos colégios, com carinho, entusiasmo, aplausos, como também, no mesmo período, o sucesso da versão teatral do romance, adaptada e encenada pelo diretor Jadeílson Feitosa, no Teatro Nadir Pápi Saboia, do Colégio Christus, com entrada gratuita para vestibulandos de qualquer colégio. A temporada da peça O mundo de Flora lotou o teatro em todas as sessões apresentadas. Outra boa surpresa!  

 

3.Em qual gênero literário você se sente mais criativa?  

Quando estudava no Ensino Médio, gostei muito do projeto de um professor de Literatura que nos propôs a escrita de um texto por semana, em qualquer gênero literário, para a composição de uma obra de dez pequenos capítulos. Escolhi trabalhar com crônicas de memórias, com o título: “Da vida, dez retalhos”. Assim, a primeira vez que escrevi com mínima intenção literária foi em prosa narrativa, o que constituiu um embrião de minha ficção. Minha primeira publicação, a convite do colega Pedro Lyra, foi na revista Caboré, que circulava entre os alunos de Letras da UFC. Como severa crítica de meus próprios escritos, fiquei tão encabulada, quando a revista saiu, que nunca fui buscar os exemplares a que tinha direito.

 

Participei com um miniconto e um poema, ambos aparecem n’O mundo de Flora, como de autoria da protagonista Flora, quando estudante, que os critica duramente, mais tarde. Embora leitora e apreciadora de poesia, tendo um livro, Canção da Menina, de poemas, acredito que me tenho firmado mais na ficção, seja em romance (O mundo de Flora, Luzes de Paris e o fogo de Canudos), conto (Os sinos de Encarnação), conto dramático (O silêncio da penteadeira), historietas (Avis rara). Creio que, mesmo quando não pretendo escrever ficção, ao iniciar, por exemplo, uma conferência, um discurso, um artigo, um ensaio, acabo construindo-os com técnica narrativa ficcional, como aconteceu com minha tese de doutorado, Vargas Llosa e o romance possível da América Latina, defendida na UFMG e publicada pela Editora da UFC em parceria com a Sette Letras, do Rio. 

 

4.Além de escritora, você também é professora, pesquisadora, mãe, esposa, avó, filha... Como faz para conciliar tudo? Se considera uma pessoa organizada?
Na verdade, sempre tentei conciliar todas minhas atividades, mas nem sempre consegui que tudo acontecesse como numa valsa vienense bem ensaiada. Muitas vezes, comprometo-me com muitas responsabilidades ao mesmo tempo porque tenho dificuldade em furtar-me a solicitações de colaboração, mesmo que isso redunde em acúmulo de trabalho. Na verdade, dediquei-me muito mais à Universidade, seja no ensino, na gestão, na extensão, ou na pesquisa, do que à carreira literária. Talvez devesse ter dedicado igual tempo às duas vertentes de meu amor à literatura. Alguns escritores, como Vargas Llosa, consideram que o ofício de escrever é excludente. Nós, mulheres, costumamos ser malabaristas, tentando equilibrar inúmeras funções ao mesmo tempo. Assim, sentimo-nos em dívida, às vezes, com a família, às vezes com o trabalho, às vezes conosco mesmas. Sempre fui consciente dos Direitos da Mulher e de suas dificuldades em nossa sociedade e, sempre coloquei o tema para discussão e reflexão de diferentes modos. Novas gerações femininas fazem isso coletivamente, em busca do reconhecimento dos direitos para todas as mulheres, de todas as cores e condições sociais. Estou com minhas irmãs mulheres que aspiram por justiça social, vida digna, respeito, oportunidades iguais entre gêneros e classes sociais. É estranho, muito mais, é escandaloso que, no terceiro milênio, tudo isso ainda não seja plenamente uma realidade!  
 
5.Tem alguma novidade para os leitores, como alguma reedição ou livro novo?

Embora o tempo de pandemia, com recolhimento em quarentena de dois anos, tenha sido profícuo para muitos escritores e escritoras, infelizmente, com problemas de saúde na família e mudança de moradia, de casa para apartamento, não pude quase dedicar-me à escrita. Antes da pandemia, já tinha projetos a realizar, como publicação de textos já escritos (coletâneas de crônicas, de estudos e conferências sobre Antônio Conselheiro, de conferências sobre José de Alencar e sua Casa, de falas na Academia); assim como projetos a terminar,  minha parte na obra Viagem ao mundo de Flora, que vem sendo organizada pelas amigas escritoras, Professoras Doutoras Cleudene Aragão, Eleuda de Carvalho, Maria Inês Cardoso, Vania Vasconcelos e Vera Moraes, além de  pesquisas e textos ficcionais iniciados. Enfim, são tantos planos que, mesmo se eu tivesse hoje vinte anos de idade, não teria tempo para realizar todos. 
 
6.Quais as principais lições que aprendeu como presidente da Academia Cearense de Letras? 

Tenho grande amor pela Academia e iniciei minha gestão como presidente com entusiasmo, objetivos e projetos delineados e não desanimei até completar o último dia na presidência. No entanto, muitas dificuldades apareceram nel mezzo del camin, como a pedra de Drummond, no caso, a pandemia de Covid-19, que se alastrou pelo mundo, enlutando, de forma dramática, nosso País e a mim mesma, com o falecimento de meu irmão César Rossas Mota. Diante de tragédia sanitária de tal dimensão, que há mais de um século o mundo não sofria, evidentemente todos os setores de atividades em Fortaleza foram atingidos.  Na área de Cultura do Ceará, dentro de sérios critérios de defesa sanitária, as instituições foram fechadas e atividades presencias proibidas.

 

Diante da situação, todo esforço de apoio público e privado, como aporte de doações e verbas para projetos, concentrou-se prioritariamente no atendimento a saúde e necessidades básicas da população. Porém, na ACL, com a colaboração de colegas e funcionários, especialmente da Diretora Administrativa Adjunta, Cáudia Queiroz, e da Bibliotecária Madalena Figueiredo, tomamos providências para criação de grupos no WhatsApp e de vários modos de comunicação on-line, com inscrição em redes sociais, e a preparação cuidadosa de novo site, com o prestimoso auxílio da Acadêmica Grecianny Cordeiro  e inaugurado na gestão do Acadêmico Lúcio Alcântara Assim, toda a programação cultural e literária foi reorganizada para realizar-se virtualmente, com apoio das Diretoras Beatriz Alcântara e Lourdinha Leite Barbosa, enquanto dávamos andamento, entre outros,  a projetos de publicação de duas volumosas coletâneas de  Falas Acadêmicas e da Revista da Academia Cearense de Letras, a projeto de proteção contra incêndio para nossa sede, o Palácio da Luz, que é patrimônio tombado em nível Estadual, a consertos imprescindíveis na estação elétrica e na coberta do prédio, o que foi realizado após a autorização governamental de obras de construção e reforma. A lição aprendida? A necessidade de criatividade e de ânimo forte para superar as dificuldades que a realidade apresenta, o que, aliás, mesmo em situação de “normalidade”, a maior parte das instituições culturais do país já vem aprendendo, há muito tempo. 
 


7. O que a Angela de hoje diria para a Angela estreante na literatura? 

Angela, assuma-se, desde já, como escritora por profissão! Ou seja: trabalhe em sua própria literatura todo dia, seja escrevendo ou pesquisando; não tenha pudor de procurar agentes literários e editoras de divulgação e distribuição nacional; inscreva-se em concursos literários; participe de feiras e bienais literárias fora de seu ninho em Fortaleza, enfim, não deixe que outras vertentes importantíssimas de sua vida sejam desculpa para não se lançar profissionalmente como escritora! 
 
8. Nos seus livros, as imagens reais de cenários importantes para a sua família são muito presentes, como o casarão e os políticos do O Mundo de Flora. Esses lugares, objetos e lembranças sempre te estimularam a escrever? 

Embora tenha vivido apenas nos primeiros anos da infância, até os quatro ou cinco anos, na casa de meus bisavós, tenho guardadas na memória as lembranças de tudo que vi e ouvi nessa casa, imagens impregnadas, quase gravadas a fogo, na minha imaginação até hoje e que estão não só em meu primeiro romance como dispersos em outros livros. O mesmo acontece com outros cenários de minha infância. Creio que minha memória de criança, seja visual, de cenários, pessoas e objetos, seja auditiva, de falas, músicas, barulhos, seja de leituras da época, tem sido fonte para grande parte de minha escrita, claro que, muito modificada pela imaginação, por leituras e vivências posteriores. 

9.Além da história cearense no fim do século XIX, início do século XX, são temas recorrentes na sua obra literária a Guerra de Canudos. Como surgiu o interesse neste objeto de pesquisa? E sobre Mario Vargas Llosa? 

Desde que fui pela primeira vez ao Peru, pouco tempo depois de casada, para conhecer a família e a terra de berço de meu marido, encantei-me pelo país e, como sou fascinada por livrarias e bibliotecas, encontrei vários livros de Vargas Llosa, que só conhecia de nome e de quem passei a ler toda a obra. Já lia, entre os ficcionistas hispano-americanos, Borges, Alejo Carpentier, Ciro Alegría, Arguedas e ampliei o leque de leituras de escritores do continente, pois em espanhol, já era aficionada de Don Quijote de la Mancha, como milhões de leitores no mundo. Paralelamente desde a adolescência, conhecia Os Sertões de Euclides da Cunha, livro que meu pai admirava profundamente e com ele tirava dúvidas sobre algumas passagens da obra. Quando me candidatei ao doutorado em Letras na Universidade Federal de Minas Gerais, meu projeto de tese versava sobre Vargas Llosa e incluía seu romance sobre Canudos e suas relações com a obra maior de Euclides.

 

Antes de terminar a tese, participei de Simpósio sobre Canudos, com o tema: “Vargas Llosa:, outro olhar sobre Canudos” e a partir de então dediquei-me ao tema da literatura sobre Canudos e participei de muito simpósios, seminários, na UFC e em outras universidades, no Brasil e no exterior. Aproximei-me, especialmente, de alguns estudiosos de Canudos no Ceará e do grupo de pesquisadores da Bahia, estes, orientados pelos conhecimentos do extraordinário Prof. José Calasans, da UFBA. Conheci o local das lutas terríveis da Campanha de Canudos, em companhia de meu marido Oswaldo Gutiérrez, de forma muito privilegiada, guiados que fomos pelo Prof. Renato Ferraz, um dos maiores conhecedores da História de Canudos, passara dois dois meses visitando o sertão do Conselheiro com o escritor peruano, quando Vargas Llosa escrevia La guerra del fin del mundo.  Pisar no chão onde se deu a tragédia de Canudos me deslumbrou mais ainda com o tema, especialmente com a figura do beato cearense que fundou Belo Monte.

 

Assim, meu pós-doutorado na UFMG, intitulou-se “Antônio Conselheiro: as múltiplas faces do beato de Belo Monte”. Recebi, com muita honra, o Troféu Antônio Conselheiro, da Câmara Municipal de Quixeramobim, cidade onde nasceu e viveu Antônio Vicente Mendes Maciel, que seria posteriormente conhecido como Antônio Conselheiro. Quando escrevia meu segundo romance, que retomava uma personagem d’ O mundo de Flora, e pensava intitulá-lo Branca, gentil coração, meu lado de pesquisadora de Canudos imiscuiu-se em minha ficção, o romance tomou diferentes rumos e o título mudou para Luzes de Paris e o fogo de Canudos. 
 
10. Qual seu escritor favorito? Qual o livro que mais te marcou? E qual livro que está lendo no momento? 

Meu escritor favorito, entre tantos fascinantes escritores de nossa literatura e da literatura universal é, como responderiam muitos outros brasileiros e brasileiras, Machado de Assis. A leitura de sua obra durante minha adolescência foi um alumbramento quase ofuscante. Não só pela linguagem do autor que, sutilmente, põe em dúvida o que diz, exigindo participação intelectual e emotiva de quem o lê, como pelo estranho universo humano que expõe, em que o bem e o mal se entrelaçam.  Poderia citar como o livro que mais me marcou, continuando o que dizia sobre Machado, o romance Dom Casmurro, mas gostaria de citar a importância de outro livro que muito me marcou, com imensa ressonância literária;: Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Aqui não me refiro a muitos escritores estrangeiros que me marcaram, como Dante Alighieri, Shakespeare, Bocaccio, Flaubert, Victor Hugo... uma plêiade de grandes escritores.
 
11. Como você avalia o mercado literário cearense? E a nova onda de cursos de escrita criativa? 
Infelizmente, se já tínhamos no Ceará, como em quase todo o País, poucas livrarias, com as necessárias restrições de isolamento social devidas à pandemia, muitas outras fecharam as portas, e seria ótimo se pudessem retornar, quem sabe, no próximo ano. As grandes editoras do país vinham sofrendo com problemas financeiros, aguçados com a crise econômica dos últimos anos e os problemas financeiros de umas e das outras se multiplicaram. Mas, observo também que pequenas editoras e, mesmo, gráficas surgiram e vêm publicando, dentro de suas possibilidades e, principalmente, dando a conhecer novos autores e autoras.  
 
12. Quais são seus hobbies? 

Para dizer a verdade, não tenho propriamente hobbies. Qualquer tempo livre (ou não!), gosto de ficar com meu marido e nossa família: filhos, noras, filha, genro, netos e netas. Adoro conversar e isso tornou-se mais difícil durante a pandemia. Conversar por WhatsApp com a família, com amigas e amigos, é bom, mas não é igual à conversa presencial. Meu pai, que era cinéfilo, costumava dizer que ver cinema pela televisão não permitia a mesma sensação de assistir ao cinema na tela grande, no escuro, sem barulho que desvie a atenção. O mesmo acontece com a conversa, mesmo com imagem: É algo bom, mas não substitui a conversa real. Faz-me lembrar a fabulosa obra de Ray Bradbury, geralmente incluída no gênero de ficção científica, em que uma mulher solitária conversa com as paredes, digamos, televisivas, como vemos hoje nos telejornais. 

13. Você gosta de viajar? Qual o lugar mais lindo que já visitou? 

A viagem, quando acompanhada por pessoas que amamos, torna-se uma experiência duplamente rica porque se acrescenta ao ver, descobrir, conhecer, reconhecer paisagens, ruas, rios, castelos, comidas, montanhas, livros, obras de arte... o ato de dividir tudo isso com quem amamos e guardar na caixinha de joias das lembranças.  Desde criancinha, sonhava em conhecer o Rio de Janeiro e Paris, de que tanto a gente grande falava e, depois das leituras de mosqueteiros e tantos outros heróis da literatura francesa do século XIX e de escritores românticos franceses e brasileiros, esse sonho criou raízes e conhecer as duas cidades, a primeira na adolescência e a segunda, já casada, com meu marido foi um sonho realizado. Gosto de muitas cidades que já visitei, mas Rio e Paris têm a magia de continuar encantando-me. O que gosto mesmo é de reconhecê-las. 
 
14. O que mudou na sua vida após a chegada dos netos? 

Victor Hugo escreveu um livro sobre seus netos, L’art d’être grand-père, que li com sensação de doçura. Talvez eu precisasse de oito livros para dizer o que meus oito netos significam em minha vida. Todos têm o que se pode chamar de ar de família, mas cada neto ou neta é tão único, tão única, em meu coração, que acho difícil falar em Rafael, Oswaldo Augusto, Lina, Isabela, Taís, Alícia, Eduardo César e Luísa no plural.  A cada nascimento, senti-me mãe outra vez, mas, para cada neto ou neta guardo um lugar especial em meu coração. Eles e elas me enriquecem com seus diferentes modos de ser, com seus diversos pendores para desenho, tênis, literatura, pintura, escrita, artesanato, Um me ensina algumas dicas no computador, uma canta lindamente, outra sabe fazer tudo na cozinha e talvez venha a ser chef e quer ensinar-me a fazer bolo, para que ninguém diga que nunca fiz sequer um na minha vida. Aprendo muito com cada um e cada uma. E eu, a quem alguns chamam de mestra, devo dizer como Riobaldo: “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”. 
 
15. Indique uma série, um filme e um livro.
Se queremos sair da realidade tão angustiante dos últimos anos, ou mesmo se estamos felizes, como não lembrar o filme, clássico americano, Cantando na Chuva? Embora muito bom, não é o melhor filme a que assisti na vida, nesse caso, indicaria, talvez, um de Chaplin ou Fellini, ou Bergman, ou Jean Cocteau...para lembrar os clássicos estrangeiros, mas é encantador! A melhor série que vi na televisão brasileira baseou-se na peça teatral Auto da Compadecida, do genial e maravilhoso Ariano Suassuna. Bom para assistir pela primeira vez e ótimo para assistir outra vez! 
Sempre leio vários livros ao mesmo tempo. No momento, estou lendo um livro que me foi enviado, há poucos dias, em meu aniversário, por amigas do coração que conhecem minha paixão pelo Rio. Estou lendo, com prazer, a obra Metrópole à Beira-Mar - O Rio Moderno dos anos 20, de Ruy Castro. Não é um ensaio literário, mas apresenta, com graça, muitos escritores dos tempos de formação do Modernismo no Rio.


Como leio vários livros ao mesmo tempo, estou convivendo, com algum vagar e muito apreço e gosto,  com alguns livros de colegas do Instituto do Ceará, publicados nos últimos meses, como A Pedra de Sísifo,  do intelectual e ex-Reitor da UFC, Prof. Paulo Elpídio, monumental reunião de textos,  a que o autor chama de “exercícios de ceticismo praticante”,  dados a conhecer anteriormente na internet; o livro Estado, Constituição e Instituições públicas, inteligente e sábia compilação de textos também publicados na Internet, do colega Prof. Filomeno Gomes, Doutor e Pós-doutor em Direito; a obra utilíssima para historiadores como fonte de pesquisa, Cronografia do Ceará, Social, Política e Legislativa, organizada pelo também colega Osmar Diógenes,  com participação de pesquisadores do Memorial da Assembleia Legislativa do Ceará, que o colega coordena.


No campo da ficção, acabo de ler A lição de Charcot, de Antonio Quinet (pela Zahar Editora), que transforma em peça dramática, as experiências e aulas de Charcot sobre Histeria. Como já li sobre Charcot, que foi médico de minha bisavó, e é citado em meu romance Luzes de Paris e o fogo de Canudos, gostei de reencontrá-lo nessa peça. Li também agora o primeiro e belo romance do professor e escritor Álder Teixeira, grande conhecedor de Estética, Cinema e Literatura, que, de modo intrigante ou modesto, intitula-o Quase romance (Sarau das Letras Editora). Recomendo-o, com prazer. 

Lar.png

Entre a hagiologia,

a escrita e a docência
Por Kelly Garcia

Pós Doutor em Direito Civil, autor de 17 livros e presidente da Academia Brasileira de Hagiologia, José Luís Lira tem múltiplas paixões. A principal delas é o estudo da vida dos santos, que tem motivado muitas pesquisas, destacadas em todo o mundo, como a reconstrução facial de São Vicente de Paulo, que será mostrada no próximo dia 13, no Crato. Além disso, Lira nutre um grande amor pela docência e pelo estudo da História, tendo fundado recentemente o Instituto Histórico e Geográfico de Sobral. Confira mais sobre ele em nossa entrevista.

ebf416e0-d85a-4d9b-89bc-7d135312fe9d.jpg

1. Sabemos que recentemente você assumiu o posto de presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Sobral, entidade que teve em você um dos principais idealizadores. Quais são os projetos para este ano de 2022?

A ideia de fundar o Instituto Histórico de Sobral é bem antiga. Desde 2010, acalentei este sonho. À época, inclusive o Pe. Sadoc de Araújo estava muito bem e eu pensava nele para presidente de honra. Depois foram surgindo outros compromissos e o projeto foi ficando mais sólido, mais maduro. Se tivesse criado naquela época, por exemplo, não sei se teria tido o mesmo sabor, digamos assim. Lamento que o Pe. Sadoc não esteja mais lúcido, mas, ele ficou em grandeza maior do que eu pensava em 2010. Se tornou o patrono do Instituto. Posição que o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro conservou para Dom Pedro II. Este ano, faremos a instalação solene. Já registramos o Instituto em Cartório e fizemos o CNPJ. Também queremos lançar uma revista – ao modo de livro –, tanto digital quanto física. Outras atividades desenvolveremos também.

 

2. Além de historiador, você é hagiologista, um estudioso da vida dos santos da Igreja Católica. Como se deu essa curiosidade? Qual o seu santo de devoção e quais os principais aprendizados com esses grandes exemplos de fé?

Eu pensava em ser padre e cheguei a frequentar um grupo vocacional. Minha formação foi influenciada por um grande sacerdote, meu pároco em Guaraciaba do Norte, Mons. Antonino Soares. Fiz, então, um pré-seminário. A minha querida Matusahila dizia, parafraseando Leonardo Mota, que eu havia desistido do sacerdócio, mas, que o sacerdócio não havia saído de mim. Então, desde muito cedo gostei de santos, dos santos católicos ao ponto que moto-próprio fui me especializando na vida dos santos. O momento mais marcante foi quando revelamos ao mundo, em parceria com o grande designer 3D Cícero Moraes, a face de Santa Maria Madalena que foi notícia em todo o mundo. No momento, estamos trabalhando São Vicente de Paulo que terá sua face revelada na Diocese de Crato, em 13 de fevereiro próximo. Eu admiro muito São Francisco de Assis, Santo Antônio, São José, Santa Rita, Santa Dulce, Santa Paulina e tantos outros que ficaria difícil dizer de qual sou mais devoto. Nossa Senhora, por exemplo, é padroeira da minha cidade natal e de Sobral, então tenho uma relação de filho, muito próxima com ela. Também a participação na Nobre e Pontifícia Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, na qual sou Cavaleiro e Secretário Geral da Lugar-Tenência do Rio de Janeiro, contribuem para essa aproximação com o sagrado. Os santos nos ensinam a sermos melhores, a confiar em Deus e saber que Ele olha por nós. Isso é muito importante em qualquer época e principalmente, nos tempos de hoje.

3. Como escritor, você já lançou muitos livros, entre eles a coletânea de cartas do grande jurista Clóvis Beviláqua. Como é o seu processo de escrita? Como decide o tema do próximo livro? Tem algum em processo de conclusão?

Minha escrita busca responder a algumas perguntas. Você falou no Clóvis Bevilaqua e eu tinha certa tristeza por uma possível participação dele na questão Olga Prestes, que por meio das pesquisas cheguei à conclusão de que ele não tinha nada a ver com o fato. Rachel de Queiroz, por exemplo, foi minha primeira e grande inspiração. Tornei-me amigo dela, afilhado de formatura e biógrafo. Sua biografia foi um grande desafio, mas, um desafio prazeroso. É claro que toda escrita tem regra. Semanalmente, escrevo um artigo para a imprensa e o tema é sempre o mais corrente. Quando estou escrevendo um livro – agora mesmo estou escrevendo um –, procuro primeiro montar um sumário (que no campo científico corresponderia a um pré-projeto de pesquisa), aí vou desenvolvendo. Os títulos mudam. Raramente o primeiro título é o que fica. O tema do próximo livro é sempre algo que me desperte o interesse. A partir daí vou reunindo elementos que me possibilitem compor o trabalho.

 

4. No Direito, quais são as suas áreas preferidas? E qual a maior delícia de ser docente? 

No Direito, o que muito gosto mesmo é das disciplinas filosóficas e o Direito Constitucional. Fiz especialização, mestrado e doutorado na área de constitucional. No pós-doutorado, é que variei e fiz sobre Direito Civil, mas, ainda assim consegui colocar elementos de constitucional no meu trabalho de conclusão, sem esquecer-me da Filosofia Jurídica, da poesia, da arte do Direito. Ser docente é o que me realiza profissionalmente. Já cheguei a ficar doente e no dia da aula eu estava bem pelo prazer de estar com o alunado, mais aprendendo do que ensinando. Uma coisa maravilhosa na arte de ensinar é encontrar alunos(as) notáveis. Vez por outra, temos uns que nos fazem confirmar que valeu a pena todo o esforço.

5. Quais os seus hobbies?

Leitura, cinema, brincar com meus sobrinhos, conversar com meus pais e com as pessoas com mais idade do que eu e, principalmente, lecionar – nunca achei que lecionar fosse uma obrigação, mas, encaro como um momento prazeroso.

6. Você gosta de viajar? Qual o lugar mais lindo que já esteve?

Gosto sim de viajar. Roma é eterna e o Vaticano é um dos mais belos locais que acho. Mas, um lugar inesquecível é Jerusalém. Não há palavras para defini-la. Como diz o salmista é “minha eterna namorada”. Mas, também tem lugares simples que nos encantam também como florestas, cachoeiras e até o sítio Monte Alegre, de meus pais, lá em Guaraciaba do Norte, que tanto gosto.

 

6. Quais são os seus escritores preferidos? O que está lendo no momento?

São muitos e a principal é Rachel de Queiroz. Em dezembro último, estive no Rio e recebi de presente do neto dela, Daniel de Queiroz Salek, duas edições novas dos romances “As três Marias” e “Dora Doralina”. Resolvi relê-los e estranhamente tenho a mesma sensação de quando os li pela primeira vez. Sou, também, apaixonado pelos romances de Antonio Olinto e Nélida Piñon, do Mia Couto também. Na poesia, gosto muito de Artur Eduardo Benevides, Jorge Luis Borges, Manuel Bandeira, Beatriz Alcântara, entre outros. Há também os clássicos Shakespeare, Cervantes, entre outros. Temos, também, grandes autores no Ceará, nas mais diversas áreas e gosto de lê-los, comentar-lhes na coluna semanal que escrevo no "Correio da Semana". No momento estou iniciando a leitura de “Estado, Constituição e Instituições Políticas”, do meu ex-professor Filomeno Moraes. Muito interessante não só para nós do Direito, mas, para o cidadão que precisa estar sempre consciente dos seus direitos, pois, os deveres nos são apresentados sempre.

 

7. Um aprendizado importante do período de distanciamento social.

Eu penso que muitas pessoas se julgam (julgavam) verdadeiramente imortais, importantes etc. Essa pandemia nos acendeu um alerta, nos mostrou nossa fragilidade. O distanciamento social foi uma grande necessidade e até penso que está sendo. Mas, ele nos ensinou a valorizar pequenas coisas, como ir a um cinema, tomar um sorvete ou conversar com amigos. Isso fez e faz muita falta. Acredito que ao final de tudo isso sairemos melhores do que fomos, do que somos.

Lar.png

Um entusiasta da

área financeira
Por Kelly Garcia

Engenheiro civil e de segurança do trabalho por formação, Geldo Machado  optou pela área financeira onde por longos anos atuou na Instituição bancária Bancesa, de propriedade de sua família. Atualmente, é empresário respeitado do setor de Fomento Comercial, tendo fundado várias empresas da área financeira, e onde segue atuando fortemente. Nos últimos 4 anos permanece como Presidente da Instituição SINFAC CE PI MA RN, representante do setor de Fomento no Nordeste. Adepto de atividades físicas, Geldo possui uma rotina movimentada. Casado com Beatriz Esteves, pai de Isabela e Mirela Machado e  avô dedicado de Mateus, Beatrice, Anita e Laura, há mais de 10 anos frequenta e faz parte do Conselho deliberativo do Ideal Clube. Conheça mais sobre ele no nosso perfil.

1.Você é um dos grandes empresários da área financeira, inclusive se mantém à frente da Sinfac que agrega o Ceará e mais três Estados do Nordeste. Por que optou por essa área, tendo formação em Engenharia?

Logo após a minha formação em engenharia, abri minha própria construtora, porém continuei a trabalhar na área de engenharia do Banco Bancesa, onde, em seguida, fui convidado a fazer parte da diretoria comercial da instituição. E percebi que minha vocação seria a área financeira.

 

2. Sua família foi uma das grandes empreendedoras na área bancária, com a fundação do Bancesa, com atuação nos anos 1970, 1980 e 1990. Qual o principal aprendizado dessa época e desse negócio?

Sim, minha família foi bastante atuante na área bancária com a Fundação do Bancesa, como também nas áreas comercial e industrial, tendo forte atuação em quase todo o País. Como diretor estatutário do Bancesa e residindo em São Paulo, o maior centro financeiro do país, tive inúmeros aprendizados que hoje influenciam na minha visão como empresário e líder classista.

 

3. Como o segmento de fomento foi atingido com a pandemia? Quais foram as estratégias para superar esse momento de crise?

Com a pandemia e, naturalmente, a paralisação quase que total das indústrias e comércio, tivemos uma redução expressiva em nossas operações, demandas de solicitações de prorrogações e aumento considerável nos índices de inadimplência. Como presidente à frente do sindicato representante dessas empresas, trabalhamos no apoio e orientação aos empresários do setor, na revisão de taxas cobradas, prazos maiores e acordos com os clientes. Sempre atento às mudanças e movimentações da economia. 

 

4. Com uma rotina tão corrida, como você alia exercícios para manter uma vida saudável? 

 Início o dia com uma caminhada ou exercícios na academia do condomínio onde resido, o que me deixa disposto para enfrentar as atividades do dia a dia, conciliando com uma alimentação saudável e uma regular rotina de sono.

 

5. O que faz nas horas vagas?

Frequento o Ideal Clube e, regulamente, vou à praia, adoro conhecer bons restaurantes. Sempre que possível, gosto de viajar e reunir a família e amigos.

 

6. O que mudou na sua vida depois do nascimento dos netos?

 Sinto-me agraciado por este presente dado a mim e minha esposa por nossas queridas filhas, e sempre que possível estou presente na vida deles, em momentos de diversão e em rotinas escolares. E com o desejo de repassar a eles ensinamentos de vida e valores, para que se tornem homens e mulheres de bem.

7. A pandemia veio para trazer alguns aprendizados difíceis.  Qual a principal lição que ela te ensinou?

A pandemia trouxe em todos os seus aspectos grandes aprendizados, pudemos enxergar o real valor da vida, o valor das coisas mais simples, dos pequenos momentos, a importância de cada seguimento em nossa sociedade e o papel mais que fundamental da ciência.
Sempre com fé e independente da crença de cada um a esperança na superação desse momento tão difícil ao mundo.

 

8. Você é bem atuante na diretoria do Ideal Clube. Quais são os seus projetos para o clube nesse ano de 2022?

Fiz do Ideal Clube minha segunda casa, onde frequento há quase 40 anos assiduamente, e sinto-me privilegiado em fazer parte do Conselho, muito bem presidido pelo competente amigo Alcimor Rocha, tendo na presidência executiva o experiente amigo Amarilio Cavalcante. Para o ano de 2022, temos o objetivo de dinamizar ainda mais o clube, com grandes inovações que beneficiem a todos os associados.

 

9. Nos indique um filme, uma série e um livro.

Filme: O Caso Collini 
Série: The Crown
Tendo em vista meu interesse no setor, minhas leituras seguem artigos, livros e notícias de área econômica. No momento, concluo o livro " ESC - Empresa simples de Crédito" de Antonio Carlos Donini.

f8eacb7f-185d-46ad-88d3-18e9fb3d32f8.jpg
Lar.png

Vale a pena ver de novo

O desafio de empreender na escrita
Por Kelly Garcia

Nossa entrevistada da semana é a escritora, professora, pesquisadora e editora Angélica Sampaio. Graduada em Letras e especialista em Literatura pela Universidade Estadual do Ceará, também é mestranda no Mestrado Interdisciplinar em História e Letras pela UECE/FECLESC. Participa ativamente de várias academias e associações literárias, como a Associação de Escritores e Jornalistas do Ceará (AJEB). É membro efetiva das arcádias: Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, Academia Quixadaense de Letras, Academia Fortalezense de Letras, Academia Internacional Brasileira de Letras. Integra o Grupo de Pesquisas em Linguística Aplicada PRAETECE (Práticas de Edição de Textos do Estado do Ceará). São suas obras publicadas: Êxtase (poesia 1998); Iraguacy, Índia do Sertão (romance 2001); Os olhos não veem, o coração sente (romance 2011); Amigos de Verdade (conto infantil 2012); Olhos para Mariella (romance 2014); O Cajueiro (conto infantil 2016), Poema-Luz (poesia 2018), Um amor, um café, uma crônica, por favor (crônicas 2020) e Contos Escolhidos (2020 - coautora). Vem conhecer com a gente os bastidores da escrita.

1. Como a escrita se tornou um caminho para você? Você sempre gostou de criar histórias?  

A escrita faz parte da minha vida desde a minha infância, quando, a partir dos 10 anos, já escrevia contos usando animais para representar situações, entre elas, o nascimento da minha primeira sobrinha. E também por influência da escritora quixadaense Rachel de Queiroz, que sempre foi um ícone para mim, pois minha avó materna adotiva - Maria Angélica de Queiroz (prima de Rachel) gostava de contar histórias sobre ela. Aquilo foi povoando o meu imaginário literário a ponto de já dizer, desde pequena, que seria escritora.  

 

2. E como surgiu a ideia de empreender com a Editora Sol Literário?  

Surgiu em 2012, a partir do momento que percebi que meus livros eram amplamente adotados em escolas no Ceará, no interior do Estado e até em outros Estados do País. Isso foi primordial para que o meu fazer literário fosse visto de fato por mim como um negócio - e que a melhor pessoa para administrá-lo seria eu. A partir daí, todas as edições dos meus livros passaram a ser feitas por mim, como: revisão, escolha da capa, layout, escolha das cores, tipo de papel, entre outros detalhes. Para isso, eu passei a observar o mercado editorial com outro olhar, não apenas como autora, mas como editora, como mulher empreendedora. O nome foi uma referência a dar luz a uma ideia, um produto cultural na Terra do Sol - Fortaleza. Em 2018, recebi proposta para editorar livros de outros autores e aceitei. Mas como a proposta da editora era mais voltada para a minha produção literária, faço sempre questão de avaliar o material que edito. A proposta é priorizar a qualidade e não a quantidade de livros editados por mim.  


3. Em qual gênero literário você se sente mais criativa? Poesia? Conto? Crônica? Romance?  

Eu iniciei com o gênero literário poesia. Quando conheci Rachel de Queiroz em 1998, ano que publiquei meu primeiro livro “Êxtase”, ela lançou o desafio de eu produzir uma romance. Então, escrevi “Iraguacy, Índia do sertão”, que foi lançado em 2001. E permaneci nesse gênero por longos anos. Depois, publiquei em 2012 e 2016, dois contos infantis “Amigos de Verdade” e “O Cajueiro”, respectivamente. Em 2020, publiquei dois livros em gêneros novos: crônica e contos. E surgiram “Um amor, um café, uma crônica, por favor!” e “Contos Escolhidos” (em coautoria com a escritora Grecianny Cordeiro). Portanto, eu consigo voltejar por todos os gêneros sem dificuldades. E prefiro assim, pois percebo que a evolução do escritor está em permear outros modos de escrita e aperfeiçoar os que já domina. Para isso, estudo, me aperfeiçoo, faço pesquisas para construir meus personagens e obras.  

 

4. Além de escritora e editora, você também é professora. Como faz para conciliar tudo? Tem uma rotina de escrita?
E ainda ingressei no Mestrado Interdisciplinar em História e Letras (UECE). Consigo sim administrar tudo, mas é necessária muita disciplina, compromisso e determinação. Quanto à escrita, prefiro primeiro sentir a inspiração e, apenas depois, vou escrevendo. Não costumo delimitar horários, mas momentos que priorizo para a escrita. Tem dado muito certo!  

 

5. Qual o diferencial hoje do seu curso Mais Português? São quantas aulas? Já beneficiou quantos alunos?

Atualmente, o curso Mais Português atende alunos que desejam alto desempenho escolar ou pessoal. Os cursos de Português, Redação e Interpretação Textual ocorrem uma vez por semana  tanto na modalidade presencial ou on-line. Já passaram por nós inúmeros alunos das mais diversas escolas. 
Também realizamos aulas de Análise Literária de obras dos mais variados gêneros e autores, especialmente para o público juvenil. O objetivo é fomentar o gosto pela literatura e o hábito da leitura. Iniciamos nossas atividades em 2019 e, apesar de ser um novo curso na cidade, alcançamos bons resultados. Em seguida, veio a pandemia e uma nova forma de ensinar, por meio das tecnologias digitais, precisou ser posta em prática por nós. Mesmo com todos os desafios, permanecemos atendendo nossos alunos com profissionalismo e dedicação. Ensinar também é um ato de aprendizado, portanto, para ensinarmos durante a pandemia (e no dia a dia) foi e é um ato de aprender também para oferecermos sempre o melhor.

6. E sobre o terceiro livro da série sobre Mariella, como estão os trabalhos? Sabemos que tem sido um sucesso de vendas entre os adolescentes.

Sobre o volume 3 da Trilogia Sonhos de Mariella, não posso antecipar muito porque colocaria o sigilo e o caráter de ineditismo da obra em questão. Meus queridos leitores e apreciadores terão que aguardar um pouquinho mais. Mas posso antecipar que o contexto será bem contemporâneo, como também foram Os olhos não veem, o coração sente 5ª edição (vol. 1) e Olhos para Mariella 4ª edição  (vol. 2). Ambos acabaram de ter atualizações e adequadas ao contexto do público, pois é necessário sempre melhorar o que já está bom para garantir que as obras não fiquem desatualizadas. Não se trata apenas de uma capa nova ou nova cor, mas a melhoria em todos os aspectos literários para que chegue ao leitor sempre o melhor. Quanto a esses livros são dois queridinhos adotados em várias escolas da capital ao interior do Ceará. E, é claro, eles já alçaram novos horizontes e são adotados em São Paulo. É a literatura do Nordeste conquistando o Sudeste do país. Isso me deixa muito realizada, com a sensação de reconhecimento não apenas no meu Estado, mas também em outros. Minhas outras obras também são adotadas em outros Estados. Mas esses dois têm tido uma excelente repercussão. Creio que as temáticas da minha literatura infantojuvenil em que adolescentes são protagonistas faz com que eles se sintam representados e dentro do enredo. Além disso, problemas típicos dessa fase são inseridos de modo bem realista, mas ao mesmo tempo, com sensibilidade e afeto.

 

7. Qual o seu escritor preferido? Qual livro mais te marcou? 

Tenho vários escritores preferidos desde a minha infância até hoje, entre eles: Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Graciliano Ramos, José de Alencar, Fernando Pessoa, Mia Couto, Marta Medeiros, Carpinejar, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Edgar Alan Poe, Victor Hugo, Florbela Espanca, Franz Kafka, entre outros. (Rsrsrs) Vou parar por aqui... O livro que mais me marcou foi aos 10 anos: “O Pequeno Príncipe” de Antonie Exupèry. 

 

6. Como você avalia o mercado literário cearense?  

Atualmente, bem diversificado ao tocante do número de editoras independentes, assim como a minha e que, geralmente, são criadas por autores e pela necessidade de cuidar de sua produção literária pessoal e depois se expandem para cuidar da produção de outros autores. Vejo, apesar da pandemia, que muitos autores novos surgiram e passaram a buscar pequenas ou grandes editoras para publicar seus materiais. Apesar da crise da ameaça da taxação do imposto sobre o livro, muitos têm buscado lutar para que isso não se oficialize, o que acarretaria uma crise no mercado editorial, exponencialmente, para os pequenos editores e autores independentes. Sinto falta de mais livrarias em nossa cidade, assim como no país como num todo. Quem dera tivéssemos mais livrarias em cada esquina do que farmácias.  

 

7. Quais os seus hobbies?  

Viajar, caminhar ao ar livre, contemplar o pôr do sol, caminhar pela praia, fazer meus quitutes (adoro fazer bolos caseiros, antepastos...).  

 

8. Você gosta de viajar? Qual o lugar mais lindo que já visitou?  

Amo viajar (ô saudade). E percorro longas distâncias dirigindo. Mas também gosto de pegar avião. São tantos lugares lindos que já fui e ainda irei que nem sei qual me marcou mais. Porque a pessoa que chega a um lugar não é a mesma que volta. Creio que a Chapada Diamantina me marcou muito.

Lar.png

Vale a pena ver de novo

Literatura para realizar sonhos
Por Kelly Garcia

Nossa entrevistada da semana é a escritora Vanessa Passos. Professora de escrita criativa, doutora em Literatura e produtora cultural, teve textos vencedores em diversos concursos literários e participação em várias antologias. É autora dos livros Manual de estilo e criação literária com a artesã Lygia Bojunga (2018), Fábrica de histórias (2019), A mulher mais amada do mundo (2020). Em agosto de 2021, lançou seu primeiro romance, A filha primitiva, finalista do Prêmio Kindle de Literatura. É também idealizadora do Programa Formação de Escritores e fundadora do canal do YouTube Pintura das Palavras, criou o curso 321escreva (curso online de escrita), que terá nova turma em fevereiro, dá consultoria literária. O Pintura das Palavras hoje já alcança mais de 13 mil pessoas nas redes sociais, entre aspirantes a escritores. Confira um pouco de sua trajetória no nosso perfil semanal.

Você é uma autora que tem se destacado bastante na cena literária, principalmente pelos seus textos premiados e o seu curso de escrita criativa, o 321 Escreva, com vários livros publicados, entre os seus alunos. Como você decidiu empreender na escrita?  

Decidi isso há mais de 10 anos, em 2010, pouco tempo depois que entrei no Curso de Letras. Eu participei de uma disciplina chamada Laboratório de Criação Literária. Naquele momento, eu descobri que poderia unir duas paixões: o ensino e a escrita. A partir daí, comecei a me preparar para este objetivo que eu sabia que seria a longo prazo. Fiz diversos cursos, oficinas e formações, além do mestrado em Literatura. Então, em 2018, quando ingressei no Doutorado em Literatura, decidi que era o momento de colocar o meu projeto em ação e o método que desenvolvi. Assim, comecei com as oficinas e cursos de escrita criativa presenciais, que passaram a ser online, com o objetivo alcançar e ajudar o maior número de pessoas a terminar, publicar e vender seu livro. Tenho alunos de todos os lugares do Brasil e também de fora do País.  

 

Além de estar na sétima turma desse curso, iniciativa sua, você ainda encontra tempo para escrever seus próprios livros. Nos fale um pouco sobre as suas publicações recentes, o livro de contos " A mulher mais amada do mundo" e o romance " A filha primitiva", disponível na Amazon e finalista do Prêmio Kindle de Literatura.

São livros que conversam entre si. Ambos têm personagens femininas como personagens centrais. A essência das histórias é trabalhar a complexidade dessas mulheres - suas existências, passados, feridas, dores e segredos que guardam. O que eu comecei com "A mulher mais amada do mundo", se consolida no romance "A filha primitiva", obra que não só tem emocionado os leitores, como também a crítica literária, tendo o feedback de grandes escritoras e escritores da literatura contemporânea: Carola Saavedra, Paulo Scott, Sérgio Tavares, Andrea Del Fuego e Giovana Madalosso.  

 

Antes de ser escritora e professora de escrita criativa, você foi professora concursada da rede pública de ensino, e concluiu o seu doutorado em Literatura. No que isso contribuiu para a sua trajetória literária? Você pensou muito antes de deixar um emprego público para investir na escrita e no empreendedorismo?  

Tudo o que vivi até aqui me ensinou muito. A experiência como professora concursada da rede pública me ajudou a lidar com as situações mais adversas possíveis, além de sempre me exigir uma busca constante por soluções de dificuldades ligadas ao aprendizado. Foi uma experiência de estar no campo de batalha, de sair constantemente da zona de conforto e de me exigir ação. Já o Doutorado contribuiu de forma significativa com o conhecimento teórico e a pesquisa sobre processos de criação literária. Li e escrevi muito durante toda minha trajetória acadêmica. Acredito que teoria sem prática não funciona e vice-versa. Portanto, as duas experiências foram essenciais para minha jornada com o ensino de escrita criativa.  

 

Como você faz para dar conta de tantas atividades? Se considera uma pessoa organizada?  

Definir minhas prioridades. Estou longe de dar conta de tudo. Mas sei o que essencial,  o que não abro mão. Sendo assim, prezo pela organização e disciplina. Digo não para aquilo que não é prioridade, delego tarefas, mantenho um planner e calendário com compromissos semanais que organizo e revejo com frequência. Além disso, faço um acompanhamento de perto dessas atividades. Como tenho muitos compromissos, me organizo para, a cada três meses, tirar um momento de descanso e férias com a família para recarregar as baterias.  

 

De onde você tira inspiração para a sua escrita?  

De tudo. Costumo dizer que o cotidiano é um solo fértil para a ficção. Eu me inspiro numa imagem, pintura, conversa, memórias, no que leio e, sobretudo, nas pessoas. Afinal, escrever Literatura é também escrever sobre a condição humana.  

 

Você tem alguma rotina de escrita? Um horário específico?  

Não tenho um horário definido, porque depende da rotina e compromissos semanais. No entanto, me considero uma pessoa diurna, por isso prefiro escrever pela manhã. Gosto de acordar cedo, às 3 ou 4 horas da manhã (enquanto todos estão dormindo) para escrever e revisar meus textos.  
 
Quais são as suas principais influências como escritora?  

Certamente, minha maior influência tem sido escritoras contemporâneas. Por essa razão, criei o Clube de Leitura Autoras Vivas para compartilhar essa experiência de leitura e discussão com outras pessoas. Tenho um espaço na estante para essas leituras que recorro constantemente, sempre lendo e relendo. Não canso de mencionar os nomes: Carola Saavedra, Giovana Madalosso, Natalia Timerman e Andrea Del Fuego. São muitas: há ainda Renata Belmonte, Monique Malcher, Sheyla Smanioto. Leiam!  


Você é criadora de um clube de leitura que só visita obras de autoras vivas. Como surgiu essa ideia?  

Surgiu do meu lema: "não precisamos morrer para sermos lidas". A literatura contemporânea produzida por mulheres é muito rica e potente, merece ser lida por todos. Como produtora cultural, quis contribuir para que esta literatura cada vez mais ganhe espaço no mercado editorial.  

 

Alguém já chegou a te desestimular na escrita? Dizer que não tinha talento?  

Sim. Já ouvi que ninguém lê, que não vale a pena escrever no Brasil, que não dá dinheiro e diversas outras coisas. Além disso, já fui criticada pelo mesmo motivo pelo qual sou elogiada pelos leitores e pela crítica hoje - pela minha escrita crua, uma linguagem forte, sem rodeios e que nocauteia quem lê.  

 

O que o novo curso 321 escreva vai oferecer para os alunos?  Hoje, são quantos alunos sendo acompanhados?

O curso 321 Escreva ele está sempre se atualizando na busca de acompanhar melhor alunos e alunas nessa jornada da escrita à publicação, ajudando a finalmente terminar e publicar o seu livro.  Nesse novo formato, o curso já tem se ampliado muito porque nós temos plantão de dúvidas semanal ao vivo, toda segunda e temos um aulão mensal no último sábado do mês. O objetivo agora é semestralmente ter uma imersão com todos os alunos que já publicaram seus livros, pra dar um acompanhamento desse pós, de fato, dessa trajetória e carreira literária. Uma outra coisa é que o curso são seis cursos em um, mas durante essa trajetória de acompanhamento, eu decidi que havia necessidade de um sétimo curso. Esse sétimo curso vai falar de financiamento coletivo e crowfunding, com ter 40 aulas. Ainda estão sendo gravadas, mas serão disponibilizadas pouco a pouco, já nessa nova turma do curso 321 escreva. Quanto ao acompanhamento, de publicação, não sei te dizer o número ao certo, mas foram dezenas de livros, de diversas maneiras, seja por editora, por publicação independente na Amazon, por financiamento coletivo. Atualmente, o curso, eu já acompanhei muitos alunos, porque minha trajetória começou ainda no presencial, então já tinha essa experiência e depois migrei para o online. O 321 escreva tem em torno de 200 alunos.

Lar.png

Vale a pena ver de novo

Um visionário com tino para os negócios

Por Kelly Garcia

d8f97948-3c78-4a8a-9a5d-a02a0df34881.jpg

Nesse domingo de janeiro, revisitamos uma de nossas entrevistas mais vistas. Com o grande empresário Deusmar Queirós, fundador das Farmácias Pague Menos. Nascido em 1947, na cidade de Amontada, interior cearense, deu seus primeiros passos de empreendedor logo aos oito anos de idade, ajudando o pai na Mercearia Santo Antônio. Formado em Economia, pela Universidade Federal do Ceará, com especialização em Mercado de Capitais pela Graduate School of Business Administration – New York – USA e Terceirização e Modernização de Negócios pela University of Central Flórida – USA, Deusmar iniciou a carreira de professor na Universidade de Fortaleza (Unifor), nas cadeiras de Mercado de Capitais, Microeconomia e Macroeconomia, até chegar à coordenação do curso de Economia. Em maio de 1981, com espírito empreendedor aguçado, inaugurou a primeira loja Pague Menos, em Fortaleza. Conquistou o Nordeste, avançou pelo Sul, Sudeste e Centro-Oeste e hoje conta com mais de 20 mil colaboradores e mais de 1.100 pontos de venda. É a única varejista a estar presente em todos os Estados e no Distrito Federal. Conheça um pouco dessa trajetória de sucesso na nossa entrevista.

Você é filho de "bodegueiro" e desde a infância teve contato com o comércio, inclusive no atendimento ao cliente, desde muito novo. Como percebeu que queria trabalhar com isso?

Sinto uma enorme gratidão a duas pessoas que foram a base de tudo que sou hoje, os meus pais. Minha mãe, Madalena, foi importante na minha formação como pessoa, seja na parte religiosa, no respeito aos semelhantes ou no desejo de vencer na vida. E ao meu pai, Antônio Lisboa de Queirós, grande baluarte, empreendedor, formador e  exemplo de trabalho, com quem aprendi a arte de comercializar desde cedo, pois nasci numa mercearia ou bodega, como a chamavam naquela época. Digo que já nasci comerciante. Eu queria trabalhar em uma empresa grande, mas não para fazer carreira como empregado. Meu objetivo era ganhar experiência e um dia ser dono do meu próprio negócio.

 

Sua família é de São Bento de Amontada, mas se mudou pra Fortaleza em meados dos anos 1950. Que lembranças você guarda da cidade? Sempre voltava lá nas férias?

A minha infância foi numa casa de comércio no pequeno município de São Bento de Amontada, no interior do Ceará. Era uma escola, ou melhor, uma universidade da vida, meu pai tinha uma mercearia e lá se comercializava de tudo. Preocupados, já naquela época, com a educação dos filhos, meus pais, em 1955, vieram morar em Fortaleza e continuando com as atividades de comércio, instalam a Mercearia Santo Antônio, no populoso bairro de Antônio Bezerra e lá continuei com meu aprendizado de comerciante e empreendedor, estudando e trabalhando.

 

Na Mercearia Santo Antônio, no Antônio Bezerra, vocês vendiam de tudo ou só alimentos? A família toda se envolvia no negócio? Como era a dinâmica da pequena empresa?

Na mercearia se comercializava de tudo: cabresto, cangalha, peixeira, urupema, pilão, candeeiro, cabaço e armador. Enxadeco, amolador, alpercata, chicote, landuá, arataca, bisaco e alguidar. Pé de cabra, chocalho, dobradiça, meia dúzia de frasco de confeito, querosene, cartelas de Gillete, brilhantina e canivete. Sabonete, batom, balança Filizola com seus dois pratos e pesos reluzentes para pesar feijão, milho, arroz, açúcar, farinha, farinha d´água e goma. Uma vitrine de pão doce, broa, bolacha de pacote, manteiga de latão, carne de charque, tinha cachaça e conhaque São João da Barra, rapadura, quebra queixo e mariola. Uma rodilha de fumo dando um bote e até parafuso de cabo de serrote.

 

Antes de fundar a maior rede de farmácias do Brasil, você trabalhou com investimentos na bolsa, inclusive fazendo capacitações fora do país e atuando na Universidade. O que você mais gosta no mercado financeiro? É verdade que é muito empolgante?

Me dediquei integralmente ao Mercado de Capitais, e, após montar o Departamento de Operações da Bolsa de Valores Regional, criei a minha primeira empresa, em 1977, a Pax Corretora de Valores. Quatro anos depois, no final da década de 70, havia conquistado um patrimônio de um milhão de dólares. Houve um nicho de mercado em que acreditamos e devotamos muito suor e esforço para alcançar a dianteira nesse Mercado. Eram os Leilões da carteira de títulos do FINOR, administrada pelo Banco do Nordeste. Fizemo-nos presentes em todos os 100(cem) primeiros leilões, o que nos deu a liderança.Em 1981, com o sangue de comerciante correndo em minhas veias, fundei a Pague Menos. Não abandonei a Pax Corretora, passei então a ter duas paixões e teve início o grande sonho da minha vida empresarial. 


O que deu o start para que você resolvesse empreender no ramo das farmácias? Qual era o seu modelo de negócio?

Enquanto trabalhava no mercado financeiro, passei duas temporadas fazendo cursos nos Estados Unidos, onde conheci as drugstores americanas. Fiquei encantado com a diversidade de produtos, elas vendiam de tudo até salgadinho, era bem diferente das farmácias do Brasil, que só vendiam remédios e poucos artigos de perfumaria. A grande diversificação das drugstores permitia vender remédio a um preço baixo, porque o lucro menor dos medicamentos era compensado com margens melhores nos demais produtos. Achei o sistema muito interessante e comecei a pensar em como adaptá-lo ao Brasil. Ter uma farmácia me pareceu ótimo. Todo mundo precisa de remédio, além disso, eu simpatizava com a ideia de lidar com comércio, porque era um tipo de negócio mais parecido com a mercearia que eu tinha quando criança. 

Como é a sua rotina de trabalho hoje? Acorda muito cedo pra ir pra empresa? Faz exercícios? Cuida da alimentação?

Acordo sempre antes das 7h, às vezes caminho na praia, mas não mantenho uma prática habitual de exercícios. Cada ano me sinto com mais disposição e saúde. Todos os dias, quando saio para o trabalho, despeço-me da minha esposa dizendo: “tô indo pra festa” e quero continuar indo para essa festa todos os dias.

 

Hoje, todos os seus filhos trabalham com você na Pague Menos. Como você fez para identificar os talentos de cada um e encaminhar para o setor mais adequado dentro da empresa? 

A transição do comando da Pague Menos para a segunda geração foi bastante sólida e eficaz. Preparei meus quatro filhos desde crianças, metade das férias eles passavam dentro da Pague Menos. Hoje, Mário é o CEO; Patriciana é a presidente do Conselho de Administração; Carlos Queirós, CEO da Biomátika, e junto com Rosilandia são membros do Conselho de Administração. O maior legado que eu quero deixar pra eles é o meu trabalho, encaro os desafios com a mente positiva. Trabalho duro. Faço com prazer. Respeito o tempo da minha família. Sempre tive como companhias a perseverança, a ousadia e a coragem de buscar novos ensinamentos, novos horizontes, além de uma fé inabalável em Deus e Sua proteção. Para mim, o melhor ano está sempre por vir.

 

Como faz para se manter sempre atualizado nos negócios? 

Leio jornais e participo de várias entidades de classe como Abrafarma, onde sou vice-presidente do Conselho, do IDV, IBEF, CDL, etc.

Recentemente, vocês abriram a Pague Menos para a Bolsa de Valores. Por que decidiram dar esse grande passo?

Após quase 40 anos de inaugurar a primeira Pague Menos, realizei um grande sonho, o lançamento das ações da Pague Menos na Bolsa de Valores, B3, no dia 02 de setembro de 2020. Esse sonho é fruto da realização de dois outros que já foram alcançados: o primeiro, construir uma grande empresa e o segundo, que ela fosse rentável. Me falta a realização do sonho maior, mas este não depende mais de mim e é atemporal, que é a perpetuação da Pague Menos, hoje entregue à segunda geração.

 

Quais os seus hobbys?

Investir e acompanhar o movimento nas bolsas de valores.

Nos indique uma série, um filme e um livro.

Série: Yellowstone (Paramount). Filme: Encontro Marcado (1998) Livro- Comece pelo porquê (Simon Sinek)

 

Você tem algum santo de devoção? Como cultiva a espiritualidade?

São Francisco, meu padrinho. Rezo um terço todos os dias.

Lar.png

Vale a pena ver de novo

Uma brincadeira de menino que se transformou em profissão.

Por Kelly Garcia

Nosso entrevistado desse domingo, Vando Figueirêdo, é um dos artistas plásticos mais requisitados de Fortaleza. Integrando exposições em várias partes do  Brasil e no exterior.  Desenhista, pintor, gravador e escultor. Iniciou sua trajetória de sucesso em 1988, no 8° Salão da Unifor Plástica, em Fortaleza, por conselho de sua mãe, que conhecia bem os talentos do filho. Foram doze anos se dividindo entre a carreira de empresário e a arte, até que no ano 2000, passou a viver somente da pintura. 

Diplomado em desenho e pintura, através de curso ministrado por Raul de La Nuez, mestre licenciado pelo Instituto Superior de Arte de Havana-Cuba. No exterior, Vando já expôs no Chile, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Italia, Dinamarca e Polônia. Em 2010, participou do 18º Internacional Workshop – Forenigen Kulturremisem, em Brande – Dinamarca. Em 2013, 2014, 2015, 2017, e 2019, esteve no Workshop Visual and Artísts Meeting in Marianowo - Polônia. Em 2018, participa do 2° SIAC – Simpósio de Arte Contemporânea de Guarda, em Portugal. Conta com obras em acervos de museus e em coleções públicas e privadas no Brasil e exterior. Conheça mais sobre esse artista através da nossa entrevista.

Você é extremamente conhecido por suas obras, seja no Ceará, no Brasil ou mesmo fora do país. Como o universo das artes chegou até você?

A arte aconteceu comigo ainda durante a minha infância e essa atividade me proporcionava um grande prazer. Para mim, era um entretenimento maravilhoso. Dessa forma, paralelamente às minhas outras atividades profissionais, segui despretensiosamente fazendo arte, até que, por conselho da minha mãe resolvi apresentar alguns trabalhos no 8° Salão da Unifor Plástica, que aconteceu no ano de 1988. Para minha surpresa, minhas obras foram aceitas e começa, oficialmente, a minha carreira.

 

Você já trabalhou em outras áreas? Quais?

Antes de viver da arte, cedo comecei a trabalhar na empresa do meu pai. Casei jovem, cursei Administração de Empresas na UECE, fui estagiário da Caixa Econômica. Também trabalhei na área financeira na Poupança Créditos, na empresa Fininvest e no Grupo Ultralimpo. Em 1989, inicio como empresário na Hiper Segurança. Com essa empresa e outras, permaneci na atividade de prestação de serviços, até que a arte engole o empresário e em 2000, encerro as atividades e passo a dedicar-me e a viver exclusivamente da minha arte.

 

Como você escolhe os temas para seus quadros? Como é o seu processo criativo?

Gosto de trabalhar livremente, com exceção quando é encomenda. Nesses períodos, normalmente fico ligado aos desejos do cliente para melhor atendê-lo. Quanto aos temas, os mesmos surgem através da leitura é do fatos que acontecem  no nosso dia a dia. Não costumo me deter por muito tempo numa temática, com exceção das pinturas rupestres, pois é um dos motivos mais recorrentes na minha produção. Para o artista, os motivos estão à sua volta. Pode ser um objeto qualquer, uma rosa, uma figura humana, animal ou mineral. Se ele ver qualquer um desses com paixão, será uma grande fonte para desenvolver uma obra ou iniciar uma temática. Meu processo criativo inicia-se dentro de uma disciplina de diariamente ir para o atelier. Caso não tenha nada em mente, começo riscar ou pintar aleatoriamente, como se estivesse fazendo um aquecimento mental. Desse exercício, começam a surgir as ideias. Ou seja, acontece mais da transpiração do que esperar a inspiração chegar.     

 

Quais as principais peculiaridades do mercado de obras de arte? Como é a sua atuação?

O mercado de obras de arte tem um público restrito e é considerado, por muitas pessoas, como um bem supérfluo, infelizmente. Inicialmente, procurei colocar meu trabalho no mercado, através de respeitáveis galerias, participando de salões e feiras de arte nacionais e internacionais. Desse modo, consegui construir um bom currículo no decorrer da minha trajetória artística e com isso, respaldo minha obra com credibilidade, perante os galeristas e público consumidor.

Sua arte cosmopolita te levou a conhecer artistas e expor em muitos países. O público desses lugares é muito diferente do público brasileiro? Você acha que deveria haver um trabalho mais forte de formação de público para a arte em nosso país?

O público de arte é universal. Lá fora, os artistas também sofrem para colocar seus trabalhos no mercado. Viver de arte não é fácil em nenhum lugar do planeta. Mas claro que o público que consome arte lá fora é bem superior, em número, ao brasileiro. Entretanto, hoje, o nosso público é bem maior e melhor do que quando eu iniciei minha carreira, no fim dos anos 1980. Atualmente, o brasileiro de classe média viaja mais e, assim, passou a gostar mais de arte. É como no caso do vinho, que apesar de ser uma bebida relativamente cara, é bastante consumida por nós. Quanto ao trabalho de formação de público apreciador de arte, vejo que, nos últimos tempos, isso vem sendo feito pelas escolas infantis da rede pública e privada, pois é comum vermos grupos de pequenos alunos visitando exposições. Lembro de duas exposições que realizei em Fortaleza, uma no Espaço Cultural dos Correios e outra no Sesc Iracema. Dentro do meu projeto, proporcionei visitas de centenas de alunos a essas exposições e ainda recebi algumas homenagens dos alunos da educação infantil do Colégio Antares Iracema e Papicu, que fizeram uma interpretação da minha arte e também uma peça infantil, contando um pouco da minha história. Foi um momento de muita emoção! Assim, vejo que, aos poucos, Fortaleza está construindo seu público consumidor de arte, hoje representado pela nova geração.


O público de Fortaleza sabe valorizar a arte? Por que?

O público de Fortaleza valoriza, sim, a arte. É uma pena que isso fica restrito à uma pequena parcela da população. A outra parte deixa de consumir por questões financeiras ou mesmo por falta de vivência.

 

Quais os seus hobbys?

Meu maior hobby era pintar e desenhar, hoje, transformado em profissão. Hobbies atuais: curtir a família e, quando possível, viajar e bater papo com os amigos, degustando uns tintos.

 

Quais os lugares mais lindos e marcantes que conheceu no mundo?

Esse mundo de meu Deus é todo lindo! O Brasil é belíssimo e precisamos olhar para ele com mais carinho. Chile, charmoso. Portugal é belo! Tenho uma paixão de pais irmão. França, um sonho realizado. Inglaterra, bela. Espanha intensa, quero voltar mais vezes. Itália, totalmente bela. Dinamarca, outra Europa. Alemanha, (Berlim, cidade intensa e arte forte). USA, (Nova Iorque), capital do mundo . Polônia, belíssima e com um povo super amigável. Em Marianowo, pequeno lugarejo polonês em que já estive várias vezes, tenho recordações de bons momentos e de muita paz.

 

Nos indique um livro, uma série e um filme imperdíveis.

Um livro: Ensaio sobre a cegueira, do Saramago, que li recentemente para fazer uma obra para uma grande exposição na Italia, promovida pelo Festival Sete Sóis, Sete Luas, em homenagem ao escritor português. O livro lembra muito isso que estamos vivenciando. Intitulei a obra assim: O pior cego é o que não quer ver. A modelo foi a minha sogra, que faleceu em 2020, vítima do Covid-19. Um filme: O poderoso chefão, com Marlon Brando. Uma série: La Casa de Papel.

 

Qual a sua relação com a espiritualidade?

Sou cristão, de base católica. Acredito muito e sou temente a Deus.

Lar.png

Vale a pena ver de novo

Uma entusiasta da harmonia e do belo na decoração de interiores

Por Kelly Garcia

Arquiteta de formação, designer de Interiores e empresária de sucesso à frente da loja de decoração Estofaria  Ambientação e Design, Cláudia Alexandre está sempre em movimento. Seja nos projetos profissionais, na família, nas atividades da igreja ou nos hobbys, a nossa entrevistada ama criar.

1. Como surgiu a ideia de empreender com mobiliário? Vocês têm quanto tempo de mercado? Como era o setor na  época? 

Queria muito trabalhar na minha profissão, fiz Design de Interiores e depois entrei como graduada em Arquitetura. Sentia  a necessidade de montar uma empresa que desse continuidade aos meus projetos de interiores e dos demais profissionais, como também que executasse com responsabilidade, excelência no acabamento e cumprimento dos prazos. Foi assim que há 14 anos fundei a Estofaria Ambientação e Design. Foi um sucesso quase imediato, já que o mercado era bastante deficitário nessa época.

 

2. Quando vocês começaram a atuar com design de estampas e reforma de móveis antigos? Quais são as suas inspirações? 

Dia a dia, fomos nos especializando de acordo com a demanda do mercado em reforma e fabricação sob medida de estofados, cortinas e colchas de cama. Atendemos a todos os estilos, desde os clássicos até os contemporâneos. Lógico que um ou outro nos desafiam mais. De acordo com a complexidade, às vezes acabam se tornando nossos "xodós", pois conseguimos através de um trabalho preciso e bem feito, resgatar toda uma história de família e a satisfação é bem maior. A ideia de lançarmos no mercado o serviço com estampas exclusivas deu-se a partir da parceria  @estofaria com o @bossaabessa , "ateliê de estampas" comandado pelas arquitetas Nathália Alexandre Ponte e Ticiane Lopes. A necessidade de criar e ousar faz parte da minha personalidade e aliado ao bom gosto dessa dupla incrível, decidi dar o start nesse segmento.

 

3. Quais são as inovações da Estofaria em comparação as outras lojas no mesmo segmento? Quais os planos para o futuro na empresa?

Um grande diferencial foi investir há oito anos em uma sede própria com infraestrutura confortável para nossos clientes, como também numa oficina com maquinário especializado e uma diversidade de tecidos e materiais em nosso estoque. Um outro detalhe importante é que eu, como Designer de Interiores disponibilizo aos clientes da Estofaria Ambientação e Design uma assessoria técnica, deixando-os bem mais seguros e satisfeitos.

4. Nos conte um sonho ainda não realizado profissionalmente e na vida pessoal?

Me considero uma pessoa totalmente realizada e feliz, quem me conhece sabe. Tenho Deus como fonte inspiradora na minha vida, sou esposa, mãe e recentemente vovó, tenho uma família grande e unida, cercada de muitos amigos e como profissional, adoro o que faço!

 

5. Qual seu hobby? 

Sempre gostei de trabalhos manuais. Não consigo ficar parada. Entre as minhas habilidades, posso destacar o desenho e a pintura, como também os bordados com pedrarias. Atualmente, estou começando aprender a tocar teclado. Tudo vale para aliviar o estresse, inclusive uma boa academia de ginástica. 

Lar.png