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A família exótica que morava na minha cozinha

Sapos não me metem medo. Muito menos, as rãs. No máximo, rendem um susto se pularem em cima de mim e eu estiver distraída. E isso vem desde a infância.

Minha indiferença com os anfíbios foi inclusive provada por um amigo dos tempos de criança que, querendo me assustar, trouxe um sapo cururu para perto de mim. Eu não apenas não fiquei assustada, como disse que poderia beijá-lo se ele quisesse, o que fiz para surpreender o menino.

Alguns anos depois, isso virou chacota porque me disseram que o sapo tinha se transformado em um namorado da adolescência e que ele não tinha bem a aparência de um príncipe.

Corta a cena para vinte anos depois. Eu, já senhora de minha própria casa e mãe de família, notei que havia uma pequena rã que passeava na minha sala de jantar e gostava de passar para a pia da cozinha.

O horário preferido para esses passeios se davam no início da tarde quando, em meus tempos de dona de casa, eu gostava de assistir ao Vale a Pena Ver de Novo. Foi assim que eu notei a sua presença miúda e saltitante.

Ao vê-la, não fiz nada, apenas observei e contei para meu filho mais velho, quando chegou da escola. No fim de semana, percebemos que não era apenas uma rã, mas duas e que, de fato, elas gostavam desses pulos pelos cômodos da casa, talvez para apanhar comida fresquinha, já que era o tempo das moscas do inverno chuvoso.

Um belo dia, fazendo café, uma das rãs, num acesso de loucura ou por erro de cálculo, pula da pia da cozinha na chaleira. Talvez quisesse ir para o tanque e não conseguiu. Ela logo dá um outro pulo certeiro para a pia da cozinha de volta, mas notei a sua patinha deformada. Imaginei que não fosse escapar por conta desse terrível acidente. No entanto, dali a alguns dias, percebemos que a rã, mesmo com a patinha queimada, continuava seus passeios, embora mais lentos, ao lado da outra rã.

A confirmação de que se tratava de um casal se deu algum tempo depois, quando vimos uma rãzinha menor na pia da cozinha. E aí apelidamos a família da forma mais simples, dizendo que era a senhora rã, o senhor rã – o da patinha queimada – e a senhorita rã, que imaginávamos, eu e meu filho, que era a rãzinha menor.

Essas pequenas companhias estavam sempre presentes no nosso cotidiano, mas tivemos que nos mudar para outro apartamento e até hoje não sei o que aconteceu com essa família de anfíbios.

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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