“Se eu não fosse escritor, acho que seria um jardineiro. No paraíso, Deus não construiu altares e catedrais. Plantou um jardim. Deus é um jardineiro. Por isso, plantar jardins é a mais alta forma de espiritualidade.”
(Rubem Alves)
Tenho refletido muito sobre flores, jardins, poesia e a simplicidade da vida porque estou envolvida em um novo projeto de escrita. Algo que pretende contagiar a rotina corrida dos dias com respiros de acalanto. Flores cearenses, respingos de chuva, sorrisos de crianças e adolescentes… Algo para trazer leveza em meio ao caos. Cura para a alma cansada. Uma parceria que em breve estará no mundo e que poderá dar frutos ainda mais concretos. É para logo.
O perfume, a delicadeza e também os espinhos afiados dos roseirais inspiraram Belchior na canção Doce Mistério da Vida. Passadas mais de três décadas dessa composição, também esta e outras canções irão trazer crônicas à existência. Porque apenas viver não basta, é preciso escrever sobre e não estarei sozinha nessa missão.
Sem ser como poesia ou metáfora, meus jardins sempre foram na janela de casa. Antes que eu começasse a comprar minhas plantinhas, andava atenta às flores das ruas. Foi assim que notei a petúnia mexicana, de quem aprendi o nome apenas recentemente. Quando eu tinha 15 anos e carregava no peito toda a dor de uma adolescente sensível, a cada florada dos pés de “qualquer coisa” na fresta da calçada, acreditava que era Deus me dando um presente. Guardava as flores roxas na minha bíblia, que tinha cheiro de mato e muitas marcações de caneta em gel. Um consolo inesperado que eu interpretava desse jeito. Mais tarde, passei a ver nos jasmins amarelos esse presente especial. Ainda enxergo assim.
O Deus que é jardineiro de jardins magníficos é mestre em revelar detalhes que só eu e Ele conhecemos. Em todo bom caminho que trilho, encontro jasmineiros. Tem um no condomínio vizinho ao meu, onde faço a unha; outro, bem perto da escola do meu filho e no Centro de Eventos, onde participei de duas bienais do livro.
Hoje, minhas janelas da sala e do quarto já guardam um pouco de verde e outras cores. Foi ousadia que vem dando certo porque a falta de sol matou várias espécies por aqui. Nem cacto vingava. Em outro endereço, quando minha janela era ensolarada, cultivei mini rosas de vários tons, além de manjericão para temperar minhas massas em jantares caseiros.
Como tenho grande prazer em observar as flores e aprender suas lições, começar um novo projeto literário que une crônicas, jardins e as pequenas delicadezas da vida só pode ser uma grande alegria, que virá em dose dupla nas autorias e acrescida de outros jardineiros. Vamos colorir as redes sociais de literatura, amor, jardins e sonho!









































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































