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Paul McCartney lança faixa silenciosa e transforma protesto contra IA em alerta global

Paul McCartney voltou aos holofotes, mas desta vez não por um novo sucesso ou por uma turnê triunfal. O ex-Beatle decidiu se juntar a mais de mil artistas e bandas britânicas no álbum Is This What We Want?, um projeto inédito que reúne faixas silenciosas como forma de protesto contra o uso indiscriminado de obras musicais por empresas de inteligência artificial sem o devido pagamento de direitos autorais. A iniciativa, que já viralizou entre músicos e ativistas, transforma o silêncio em símbolo de resistência e pressiona o governo do Reino Unido a rever sua postura diante do avanço acelerado da IA na indústria criativa.

Idealizado pelo músico e ativista Ed Newton-Rex, o álbum chega em vinil como um manifesto elegante, radical e profundamente atual. Ao anunciar o lançamento, Newton-Rex destacou o caráter urgente da ação e celebrou o apoio de McCartney, que forneceu uma faixa bônus, também silenciosa, reforçando a mensagem de que a música não pode ser tratada como um recurso gratuito para treinar algoritmos. Para ele, a lista de mais de mil faixas silenciosas envia um recado direto: o governo britânico não deve legalizar o uso de obras musicais sem autorização para beneficiar empresas de tecnologia.

A adesão de nomes como Kate Bush, Cat Stevens, Jamiroquai, Tori Amos e Annie Lennox confirma que o desconforto com a atual dinâmica do mercado é generalizado. O temor é que, sem limites claros, a IA generativa acabe se alimentando de catálogos inteiros, apagando fronteiras entre criação humana e produção algorítmica, e colocando em risco a remuneração e a sobrevivência de artistas de todos os portes. O debate, embora recente, já se fragmenta em propostas distintas: há defensores de que o uso de dados só ocorra mediante autorização prévia; outros sugerem modelos de remuneração coletiva; muitos pedem o famoso “opt-out”, que permitiria ao detentor dos direitos vetar o uso de sua obra pelos sistemas de IA. Em contrapartida, há quem argumente que o treinamento de modelos não fere direitos autorais ou poderia ser enquadrado como fair use, prática que permite exceções em situações específicas.

Enquanto isso, governos e organismos internacionais correm contra o tempo para estabelecer regras que conciliem proteção intelectual e inovação tecnológica. A União Europeia saiu na frente com o “AI Act”, publicado em julho do ano passado, após uma longa tramitação iniciada em 2021. Embora o texto não avance profundamente na questão da remuneração, ele inaugura uma diretriz de transparência, exigindo que provedores de IA de uso geral revelem um resumo detalhado do conteúdo utilizado no treinamento dos modelos, um primeiro passo para responsabilizar empresas e dar mais clareza ao processo.

O protesto silencioso de Paul McCartney e de tantos outros artistas ecoa justamente nesse ponto: a criatividade humana tem valor, história e identidade, e não deve ser reduzida a combustível para máquinas sem que seus autores sejam ouvidos ou compensados. Transformar o silêncio em manifesto pode parecer paradoxal, mas, neste caso, é um grito poderoso para lembrar que, antes dos algoritmos, existe gente criando, vivendo e inspirando o mundo com música de verdade.

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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