Era mais um sábado comum. Meu dia de folga. Acordei no horário costumeiro e logo me senti tocada pelo clima e o céu nublado. A melancolia transbordava pelo cinza do céu. Olhei na despensa de casa e percebi que o pó de café havia acabado. Com preguiça de pedir, esperar e também de ir no supermercado, desci as escadas para tomar café no trailer de sempre.
No entanto, em vez de conversar amenidades, preferi pegar meu pão de queijo e o café e seguir para o banquinho de praça que existe em frente ao meu condomínio, voltado para o rio que passa ao lado. Enquanto caminhava os poucos passos até lá, comecei a refletir sobre as mudanças desde que cheguei nesta rua aonde estou e quantas versões minhas sentaram ali nos últimos anos.
Era ali que eu descansava no meio da tarde. Chamava meu filho pequeno, comprava duas caixinhas de achocolatado e íamos os dois olhar as vacas que atravessavam o rio devagar. Os pássaros, as plantas… Contemplar para acalmar a mente acelerada por tantos medos que me atormentavam naquele tempo.
Nesse sábado que preferi tomar meu café olhando o rio, agora sem vacas, me dei conta do tanto de coisas boas que me aconteceram nos últimos anos. Do crescimento dos filhos, ambos maiores que eu. Percebi que tudo passa, embora alguns bons hábitos possam continuar, como olhar a natureza para acalmar a mente. De tanta gratidão, percebi Deus pertinho e notei que as lágrimas escorriam.
Naquele momento também notei que venho de uma linhagem de pessoas que tem no correr do rio essa fonte de calma e reflexão. O Córrego do Urubu era a fronteira das terras do meu avô e ali ele se banhou nu até o último dia de vida. Existia uma cacimba no seu terreno com um tanque para esse fim, mas ele mantinha esse hábito de ir tomar banho no rio. Será se refletia durante o banho, conversava sozinho sobre seus problemas? Nunca vou saber. Não éramos íntimos e ele faleceu há mais de 20 anos.
O Córrego da Forquilha também passa nos fundos da casa do meu pai e sei que ele já pensou muito na vida olhando aquele rio. Eu também faço questão de ter esses momentos quando o visito.
As águas de um rio nunca são as mesmas. E tudo passa. A gente vê a correnteza, o caminho das águas. O reflexo do céu, os pássaros.
As vezes, tudo é mesmo uma questão de olhar de outro modo. O braço do rio Maranguapinho que deixa a minha paisagem mais bonita, que traz pássaros e outros bichos, também traz muriçocas em algumas épocas do ano. A paisagem poderia ser muito melhor aproveitada. Falta urbanização, cuidado.
Mas, se você parar para prestar atenção, pode ver beleza. A questão é que parar não faz mais parte das nossas rotinas. Talvez seja isso que nos falte, nem que seja por cinco minutos, para controlar o pensamento. Precisamos todos.






































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































