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Louis Vuitton inverno 2026/27: quando natureza, viagem e fantasia se encontram na passarela de Paris

Existe algo de cinematográfico nos desfiles da Louis Vuitton. Não é apenas moda, é sempre uma narrativa visual que mistura história, cenário e imaginação. Para a temporada feminina de inverno 2026/27, a maison francesa transformou a passarela em um verdadeiro exercício de fantasia contemporânea, conduzido pela mente inquieta de Nicolas Ghesquière, diretor artístico da linha feminina desde 2013.

A coleção apresentada durante a Paris Fashion Week parte de um tema que acompanha a marca desde suas origens: a ideia de viagem. Mas aqui a jornada não é apenas geográfica. É quase antropológica. A proposta de Ghesquière foi explorar a forma como culturas diferentes se encontram e se refletem na maneira de vestir, criando um tipo de “folclore universal” que atravessa fronteiras e épocas.

O resultado aparece em uma mistura curiosa de referências que vão da natureza às tradições populares. Na passarela, vestidos de patchwork dividem espaço com capas amplas, chapéus de palha esculturais e peças que lembram roupas de exploradores contemporâneos. Algumas bolsas aparecem carregadas em galhos, um gesto simbólico que reforça o diálogo entre moda e paisagem natural.

A cenografia também ajuda a contar essa história. O cenário recria uma espécie de paisagem montanhosa, evocando a região de Jura, no leste da França, lugar de onde o próprio Louis Vuitton partiu ainda adolescente rumo a Paris, no século XIX. A escolha do ambiente não é apenas estética: ela funciona como um aceno à trajetória do fundador e ao espírito nômade que sempre definiu a identidade da maison.

Entre os looks, o estilista aposta em silhuetas dramáticas e peças que parecem feitas para um guarda-roupa de viagem imaginário. Casacos volumosos, vestidos com textura artesanal e jaquetas que recebem estampas inspiradas nas obras do artista ucraniano Nazar Strelyaev-Nazarko criam uma coleção que mistura arte contemporânea com referências culturais de diferentes regiões do mundo.

Os acessórios, sempre protagonistas nas coleções da marca, seguem essa mesma narrativa de movimento. Bolsas estruturadas e modelos inspirados no universo das malas de viagem reforçam o vínculo histórico da grife com o design de bagagens, um território que a marca domina desde o século XIX.

Como acontece em quase todos os desfiles da Louis Vuitton, a primeira fila reuniu nomes de peso do cinema e da cultura pop, reforçando a conexão cada vez mais estreita entre moda e entretenimento global. Estrelas como Zendaya e Ana de Armas estavam entre os convidados que acompanharam de perto a apresentação.

No fim das contas, a coleção inverno 2026/27 parece propor algo além de tendências. Ela sugere uma visão de mundo onde a moda funciona como linguagem cultural, uma forma de conectar histórias, territórios e identidades diferentes dentro do mesmo guarda-roupa.

E se existe uma conclusão possível depois desse desfile, talvez seja esta: na Louis Vuitton, vestir-se ainda é uma forma de viajar. Mesmo que a viagem aconteça apenas na imaginação.

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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