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Zuhair Murad transforma Verona em cenário de noivas couture na coleção bridal primavera 2027

Entre arquitetura, romance e espetáculo, o estilista Zuhair Murad constrói para a primavera 2027 uma coleção bridal que opera no limite entre moda e narrativa histórica. Inspirada na atmosfera de Verona, cidade eternizada pelo mito de Romeo and Juliet —, a nova linha transforma o imaginário do amor clássico em linguagem de alta-costura, com vestidos que evocam tanto cenários renascentistas quanto uma feminilidade contemporânea.

O ponto de partida não é apenas romântico, mas também estrutural. As peças são construídas como extensões da própria cidade: volumes amplos em mikado criam silhuetas monumentais, enquanto o duchesse satin surge em linhas mais limpas, refletindo a simetria e o rigor das fachadas italianas. Essa dualidade, entre excesso e contenção, organiza a coleção e revela um olhar quase arquitetônico sobre o vestido de noiva.

Ao mesmo tempo, a superfície ganha protagonismo. Bordados densos percorrem os tecidos como narrativas visuais, misturando florais, arabescos e elementos barrocos que remetem aos interiores dos palácios de Verona. Cristais e pérolas aparecem como pontos de luz calculados, enquanto rendas delicadas desenham transparências que acompanham o corpo com precisão, criando uma estética que oscila entre leveza e dramaticidade.

Há também um jogo constante entre opacidade e revelação. A coleção explora transparências sutis, sobreposições e estruturas que sugerem movimento, como se cada vestido fosse pensado para acompanhar uma narrativa em cena, uma noiva que não apenas veste, mas encena. Nesse contexto, o vestido deixa de ser apenas traje e passa a funcionar como extensão de um personagem, reforçando a ideia da noiva como figura central de um enredo atemporal.

Conhecido por seu maximalismo calculado, Murad mantém aqui sua assinatura, mas com um refinamento que aproxima a alta-costura de uma estética mais fluida e sensorial. A coleção não abandona o excesso, ele apenas é reorganizado em camadas mais equilibradas, onde cada elemento tem função narrativa e visual.

No cenário atual da moda bridal, cada vez mais aberto à individualidade e à construção de identidade, a proposta reafirma o vestido de noiva como peça de expressão cultural. Ao traduzir Verona em texturas, volumes e brilhos, Zuhair Murad não entrega apenas vestidos, mas um imaginário completo, onde história, fantasia e desejo coexistem em uma mesma silhueta.

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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