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Morre Vera Valdez, pioneira da moda brasileira e musa eterna de Coco Chanel, aos 89 anos

Vera Valdez, nome artístico de Vera Barreto Leite, morreu no dia 14 de janeiro, aos 89 anos, deixando um legado raro que atravessa a história da moda internacional e das artes cênicas brasileiras. A morte foi confirmada pelo Teatro Oficina, companhia da qual a atriz e modelo era musa e presença marcante. Considerada a primeira top model brasileira a conquistar projeção global, Vera construiu uma trajetória singular ao se tornar figura central em algumas das mais emblemáticas casas de alta-costura do século XX, ao mesmo tempo em que consolidava uma carreira sólida no teatro e no cinema.

Filha de diplomatas, Vera teve contato com a cultura europeia desde cedo e iniciou sua vida nas passarelas ainda adolescente. Em 1952, estreou em Paris desfilando para Elsa Schiaparelli, um feito extraordinário para uma brasileira naquele período. Dois anos depois, passou a trabalhar com Christian Dior e, sobretudo, com Gabrielle Chanel, tornando-se uma das modelos favoritas de Mademoiselle. A relação entre as duas extrapolava o profissional: Chanel criava roupas diretamente no corpo de Vera, confiando à brasileira um lugar de intimidade raro dentro da maison. Era comum que a estilista a chamasse de “meu pequeno pássaro das ilhas”, apelido que simbolizava a afeição construída ao longo de anos.

Vera desfilou para a Chanel até o último desfile antes da morte de Coco, em 1971, e esteve presente em momentos históricos da marca, incluindo a fase de retomada da alta-costura após a Segunda Guerra Mundial. Entre 1959 e 1963, ocupou o posto de manequim-vedete, estrelando praticamente todos os desfiles e participando de apresentações lendárias, como o desfile fechado para Greta Garbo, lembrado por ela como uma experiência inesquecível. Ao longo da vida, fazia questão de destacar um feito simbólico: ter desfilado nas últimas coleções tanto de Schiaparelli quanto de Chanel, duas rivais que definiram a moda francesa.

Entre idas e vindas à Europa, Vera também construiu uma trajetória relevante no Brasil. Trabalhou como manequim na tradicional Casa Canadá, colaborou com Dener Pamplona de Abreu na alta-costura nacional e aprofundou sua relação com o teatro. Nos palcos, destacou-se em montagens do Teatro Oficina, como Bacantes e O Rei da Vela, além de integrar o elenco de produções marcantes ao lado de José Celso Martinez Corrêa. No cinema, participou de filmes importantes como As Cariocas (1966) e O Homem Nu (1968), somando ao todo 17 produções ao longo da carreira artística.

Nos últimos anos, Vera Valdez voltou a chamar atenção do mundo da moda ao estrelar um ensaio para a Vogue em 2014, ao lado da atriz Laura Neiva, reafirmando sua relevância estética e simbólica mesmo décadas após o auge nas passarelas. Sua história atravessa gerações e conecta o Brasil ao coração da alta-costura parisiense, ao mesmo tempo em que dialoga com a vanguarda do teatro nacional.

Com sua morte, encerra-se um capítulo raro da cultura brasileira, protagonizado por uma mulher que foi, ao mesmo tempo, musa da moda, atriz de palco e testemunha viva de alguns dos momentos mais importantes do século XX. Vera Valdez deixa uma herança de elegância, coragem e originalidade que seguirá inspirando a moda e as artes por muitos anos.

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