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Tuberculose peritoneal: a doença silenciosa que tirou a vida do jornalista Erlan Bastos e comoveu o país

A morte do jornalista Erlan Bastos, aos 32 anos, trouxe à tona uma condição de saúde pouco conhecida do grande público: a tuberculose peritoneal. Rara e de diagnóstico complexo, a doença foi responsável pelo agravamento do quadro clínico que levou o comunicador a falecer no dia 17 de janeiro de 2026, em Teresina, no Piauí, após semanas de internação e tratamento intensivo.

Diferentemente da forma mais comum da tuberculose, que atinge os pulmões, a tuberculose peritoneal compromete o peritônio, membrana que reveste os órgãos da cavidade abdominal. Essa variação faz parte do grupo das tuberculoses extrapulmonares e costuma evoluir de maneira silenciosa, com sintomas inespecíficos que podem atrasar o diagnóstico. Dor abdominal persistente, fraqueza, febre baixa, suor excessivo, perda de peso e acúmulo de líquido no abdômen são alguns dos sinais que frequentemente se confundem com outras doenças inflamatórias ou até com tumores.

Foi justamente essa dificuldade em identificar a enfermidade que marcou o início da batalha de Erlan Bastos. Conhecido pelo trabalho no jornalismo de entretenimento e pela apresentação do programa “Bora Amapá”, ele chegou a relatar publicamente episódios de dor intensa e mal-estar, inclusive durante uma transmissão ao vivo. O jornalista foi inicialmente internado em Macapá e, diante da gravidade do quadro, transferido para um hospital especializado no Piauí, onde permaneceu até sua morte.

A tuberculose peritoneal é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, a mesma responsável pela tuberculose pulmonar. Quando atinge o peritônio, provoca uma inflamação crônica que exige investigação detalhada por meio de exames de imagem, análise do líquido abdominal e, em alguns casos, biópsia. O tratamento segue o protocolo tradicional da tuberculose, com uso prolongado de antibióticos específicos e acompanhamento médico rigoroso, já que a resposta pode ser lenta e as complicações, graves quando o diagnóstico é tardio.

Além da comoção causada pela perda precoce, a morte de Erlan Bastos também gerou uma onda de homenagens emocionadas. Nas redes sociais, o marido do jornalista, Neto Maciel, publicou um desabafo tocante ao se despedir do companheiro com quem dividiu quase 15 anos de vida. Em palavras carregadas de dor e amor, ele afirmou que nenhuma mensagem seria capaz de traduzir o vazio deixado pela ausência e destacou a força com que Erlan enfrentou os momentos mais difíceis da doença.

Neto descreveu os dias após a perda como “sem cor” e lembrou dos planos interrompidos de forma abrupta, reforçando a promessa feita ao marido de que tudo ficaria bem. A declaração emocionou amigos, colegas de profissão e seguidores, que passaram a compartilhar mensagens de apoio e reconhecimento à trajetória pessoal e profissional de Erlan Bastos.

Durante o velório e o sepultamento, familiares, amigos e admiradores se reuniram para prestar as últimas homenagens e celebrar o legado deixado pelo jornalista, lembrado pela dedicação ao trabalho, pelo carisma e pela forma intensa com que viveu e se entregou à profissão. O caso reacende o alerta para a importância do diagnóstico precoce da tuberculose em todas as suas formas e evidencia que, mesmo rara, a tuberculose peritoneal é uma doença grave, que pode ser fatal quando não identificada e tratada a tempo.

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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