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Lupo inaugura loja construída com tijolos 100% de resíduos têxteis e transforma descarte industrial em inovação sustentável

Em um país que descarta cerca de 4 milhões de toneladas de resíduos têxteis por ano apenas nas residências, segundo a consultoria S2F Partners, a discussão sobre economia circular deixou de ser tendência para se tornar urgência. O volume não contabiliza as sobras geradas diretamente pela indústria, um problema visível em polos como o Brás, em São Paulo, onde sacolas repletas de retalhos fazem parte da paisagem urbana. É nesse cenário que a Lupo dá um passo inédito no varejo nacional ao inaugurar uma loja construída integralmente com tijolos feitos a partir de resíduos têxteis da própria produção, convertendo um passivo ambiental em ativo estratégico.

A nova unidade, localizada em Roseira, no Vale do Paraíba, em São Paulo, é a primeira loja da marca erguida com esse tipo de solução construtiva. Os tijolos são produzidos a partir de sobras de fios de poliamida do processo fabril da Lupo, material que durante anos enfrentou dificuldades de destinação adequada após recicladores tradicionais passarem a rejeitá-lo por contaminação. A resposta veio por meio da inovação tecnológica e da parceria com a Wolf, empresa de Araraquara especializada em soluções termoplásticas, que desenvolveu um processo capaz de triturar, aquecer e transformar o resíduo em grãos termoplásticos, posteriormente moldados em blocos estruturais de alto desempenho.

Cada tijolo pesa aproximadamente um quilo e é montado por sistema de encaixe, dispensando o uso de argamassa, cimento, cola ou água. A construção ocorre sobre um radier simples, com ancoragem por chumbadores e barras roscadas, garantindo estabilidade mesmo em condições climáticas extremas. Em testes técnicos, os blocos suportaram até 18 toneladas de compressão, desempenho superior ao de blocos tradicionais de concreto, além de apresentarem vantagens térmicas, acústicas e propriedades retardantes à chama.

Para a Lupo, a loja simboliza mais do que um novo ponto de venda. Representa a materialização de um compromisso com responsabilidade ambiental e inovação aplicada. Ao transformar resíduos industriais em matéria-prima para construção, a marca fecha o ciclo de sua cadeia produtiva e reduz significativamente o impacto ambiental de suas operações, criando um modelo que alia sustentabilidade, eficiência e viabilidade econômica.

Com cerca de 40 metros quadrados e layout alinhado ao padrão visual da marca, a loja foi construída em tempo reduzido. Após a concretagem do radier, as paredes foram erguidas em apenas três dias. Internamente, os blocos receberam pintura direta, sem a necessidade de gesso ou revestimentos adicionais, o que contribuiu para diminuir o uso de outros materiais e reforçar o conceito de construção limpa.

Instalada no mini mall do Posto Arco-Íris, espaço conhecido por reunir operações sustentáveis em formato container, a unidade funciona como projeto piloto. O modelo modular e escalável abre possibilidades de expansão para postos de gasolina, centros comerciais, supermercados e lojas de rua. Além da agilidade na obra, o sistema construtivo pode reduzir entre 30% e 50% o tempo de execução em comparação com edificações convencionais, tornando-se atraente também do ponto de vista operacional.

A iniciativa prevê ainda a mensuração de indicadores ambientais, como redução de resíduos, economia de água e diminuição da pegada de carbono, métricas que serão avaliadas nos primeiros meses de funcionamento. A loja contará também com um espaço dedicado à conscientização ambiental, incentivando os consumidores a deixarem as embalagens de suas compras no local, que serão encaminhadas a cooperativas e organizações sociais de Roseira, Guaratinguetá e Aparecida.

Com quase mil lojas espalhadas pelo Brasil e presença em mais de 20 países, a Lupo reforça seu papel como agente de transformação em um setor historicamente marcado por baixas taxas de circularidade. A iniciativa dialoga com movimentos mais amplos da indústria, como a cooperação entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção para mapear fluxos e destinação de resíduos, fortalecendo políticas públicas e programas de rastreabilidade. Ao apostar em soluções concretas e replicáveis, a Lupo aponta um novo caminho para o varejo e para a moda, mostrando que inovação sustentável pode, sim, nascer do próprio descarte.

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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