A Chanel redefiniu os padrões de beleza ao apresentar sua coleção de alta-costura primavera-verão 2026 em Paris colocando a maturidade no centro da passarela. Em um movimento que rompe com a obsessão histórica pela juventude, a maison francesa escolheu destacar modelos com mais de 40 anos, exibindo cabelos grisalhos, fios brancos aparentes, pele real e expressões que carregam história. O recado foi direto: o tempo deixou de ser algo a esconder e passou a ser um ativo de luxo.
Logo na abertura do desfile, realizado no Grand Palais, a Chanel deixou clara sua intenção estética. Uma modelo com os primeiros fios brancos à mostra surgiu sem artifícios, reforçando uma beleza que não tenta apagar o passar dos anos, mas sim valorizá-lo. A maquiagem acompanhou essa narrativa com uma abordagem minimalista, quase invisível, que respeita a textura da pele e permite que linhas de expressão, marcas naturais e traços individuais se tornem parte da composição visual.
A escolha por modelos maduras não foi apenas simbólica, mas estrutural. A passarela reuniu mulheres de diferentes idades, com destaque para aquelas acima dos 40, reforçando uma ideia de beleza plural, sofisticada e profundamente contemporânea. Em vez de rostos padronizados, a Chanel apostou em presenças marcantes, olhares seguros e uma elegância que nasce da experiência. A maturidade, nesse contexto, surge como sinônimo de confiança, autenticidade e refinamento.






Os cabelos, usados soltos, com textura natural ou levemente polidos, reforçaram essa estética de aceitação e liberdade. Tons grisalhos, brancos e mesclados apareceram sem correções, assumidos como parte da identidade visual da coleção. A beleza proposta não busca rejuvenescimento artificial, mas sim equilíbrio, leveza e verdade — um contraste claro com padrões estéticos excessivamente filtrados que dominam redes sociais e campanhas publicitárias.
Ao trazer modelos 40+ para o centro do espetáculo, a Chanel amplia o conceito de luxo na beleza contemporânea. Luxo, aqui, não está ligado à negação do tempo, mas à coragem de se mostrar como se é. A pele bem cuidada, mas não disfarçada; o cabelo assumido; a maquiagem contida e consciente revelam um novo olhar sobre o envelhecer, transformando a maturidade em narrativa aspiracional.

Com essa escolha, a Chanel sinaliza uma mudança profunda no discurso da indústria da moda e da beleza. O futuro não pertence apenas à juventude eterna, mas às mulheres que carregam histórias, vivências e presença. No desfile primavera-verão 2026, Paris assistiu à consolidação de uma nova estética: aquela em que a maturidade deixa de ser exceção e passa a ser o novo luxo.







































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































