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Os caminhos da pesquisa e da tradução de Clarice Lispector para o inglês

Nossa entrevistada da semana é a pesquisadora e professora do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) em Acaraú, Antônia Sales. A cearense lançou em dezembro o livro “Clarice Lispector em língua inglesa – Uma história contada pela tradução”, pela Editora UFC.

A obra, fruto de sua pesquisa de doutorado, defendida na Universidade Federal de Santa Catarina e com um semestre feito no Canadá, trata sobre como a autora foi divulgada no exterior e como Clarice se tornou um fenômeno de vendas em língua inglesa.

Confira no nosso perfil um pouco dessa pesquisa e do caminho que sua autora encontrou para realizar seus objetivos.

Entre você iniciar seus estudos no Ensino Fundamental e Médio e concluir o doutorado lançando um livro sobre as traduções de Clarice Lispector para a língua inglesa foi um longo percurso. Conta pra gente um pouquinho sobre como foi a sua trajetória como estudante nas graduações, o ingresso na academia e passar em um concurso público como professora do IFCE.

Sou fruto da escola pública. Sempre estudei em escola pública. A universidade também foi sempre pública para mim. Então, é uma longa trajetória envolta em percalços de dificuldade. O meu interesse pela língua inglesa vem de criança. Mas só pude estudar de verdade, quando tive o primeiro emprego de carteira assinada, como recepcionista. Só assim, pude pagar um curso de línguas.

Como você se encantou por Clarice Lispector? Como foi o contato inicial?

A Clarice surge para mim na faculdade, em disciplinas voltadas para a língua portuguesa. No início, não entendi a profundidade das obras dela. Mas me encontrei nos contos e crônicas.

Qual o texto dela que você elegeu como preferido?

O meu preferido é o conto “Felicidade Clandestina”, do livro de mesmo nome.

Clarice Lispector é reconhecida por muitos como uma escritora altamente sensível, que lança luz sobre muitas questões femininas. Para outros, é uma autora com obras de difícil compreensão. Como professora e admiradora da escritora dela, que conselho você daria para quem quer começar a se aventurar a ler os livros de Clarice?

Iniciar pelos contos e crônicas é o melhor, já que os romances são muito profundos.

Por que a escolha por Clarice e sua tradução para a língua inglesa no doutorado? Quais foram os melhores momentos na pesquisa? Você chegou a viajar para o exterior? Como foi esse percurso?

A pesquisa que originou o livro foi feita no doutorado em Estudos da Tradução na Universidade Federal de Santa Catarina. Um semestre do doutorado foi feito no Canadá, graças a uma bolsa de pesquisa do governo brasileiro (CAPES/Print) onde pude acessar alguns registros iniciais das publicações de Clarice em língua inglesa. Também visitei um instituto de pesquisa na Inglaterra, com recursos próprios para conhecer os arquivos da primeira editora inglesa que a publicou, a Carcanet Press. Então foi um longo percurso que durou 5 anos. O melhor momento foram nos arquivos de revistas antigas que tive acesso, onde os primeiros contos de Clarice saíram.

Quando não está trabalhando, quais atividades te dão prazer?

No meu tempo livre gosto de ouvir música, ler e assistir séries.

Nos indique um livro, um filme e uma série.

Livro: Pacto da Branquitude (Cida Bento)Filme: Missão Impossível; Série: Law&Order

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