Entre memórias, saudades e reflexões sobre o tempo, Capibaribe Neto entrega um texto profundamente humano, onde a alma passeia entre o humor, a fé, os afetos e os temores de um mundo em desalinho. Um mergulho sensível nas inquietações da maturidade, sem perder a ternura de quem ainda olha para o céu em busca das estrelas da infância.
Estranho falar assim, né? Pois é…! Aqui mesmo, neste espaço querido, de tanta festa bonita, tanto glamour, tanto brinde, aqui é ali, uma pausa para registrar a cobrança imposta pelo passar da régua no encerramento da conta de cada um. Cada um de nós tem o compromisso, sem data maraca, para ir postar-se genuflexo, diante do Criador e responder às suas divinas interpelações.
Sem drama, sem mi-mi, carece dizer que estou, pelo andar da carruagem, a deixar à vista o CPF, os boletos pagos, as vontades derradeiras o o testamento sem graça e sem somas, além das vontades explícitas: já deixei claro e com bastante ênfase, o nome dos que estão proibidos de serem informados da minha transferência para seja onde for; as fronteiras do infinito não impõem lugares especiais a partir do desconhecido, porque existe bastante espaço espalhado pelas dimensões incomensuráveis do universo. É logo ali, onde começa a eternidade. Talvez não mereça as paisagens do céu para vadiar, mas não me acho devedor de pecados e faltas graves que me largue como vizinho de figuras como a corja de bandidos e vendilhões de templos que exploram a boa fé do ingênuos.
Alguns amigos de verdade, companheiros de fé e boas risadas em volta de garrafas generosas de vinhos de boa safra pegaram-me de surpresa e se adiantaram nessa viagem. Não vejo a minha hora. Sinto falta da minha, mãe, do meu pai, de parentes queridos. Sinto especiais saudades dos amores passageiros e quero aproveitar o resto de tempo da companhia dos filhos dos quais me orgulho e que haverão de me perpetuar através do sobrenome. Obrigado, mulher de nome doce, pela altivez, paciência e grandeza de se antecipar ao Criador e estender sobre meus pecados a beleza do seu perdão. Sinto saudades de cada vez que fui bom.
Não, não, não é drama, não é mi, mi,mi, mas o Apocalipse está sendo anunciado pelas caras feias dos ministros que se arvoram de deuses… Ai, que saudades de mim quando era menino e contava estrelas…
Antes que me esqueça, não estou morrendo. Estou é temeroso do som das trombetas dos senhores de todas essas guerras e da Caixa de Pandora do Varcaro!







































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































