SALETE EM SOCIEDADE

Uma história de transformação

O Instituto Saber Viver nasceu da vontade de transformar dor em cuidado e acolhimento. Fundada por Marcos Alves, que superou a dependência química e já vive em sobriedade há mais de 19 anos, o objetivo foi criar um espaço ético e humano para ajudar outras pessoas.

Hoje, Jayane Paiva, terapeuta especialista em Dependência Química, é a proprietária e presidente do Instituto, que atende homens em situação de vulnerabilidade, oferecendo terapia, rotina estruturada, atividades e apoio espiritual.

O trabalho também inclui as famílias, porque a recuperação não acontece sozinha. A dependência química é uma doença crônica, mas com tratamento e suporte ela pode ser controlada. Por isso, o Instituto foca na capacitação profissional e na reinserção social, devolvendo autonomia, dignidade e um novo sentido de vida. Nesta entrevista, vamos conhecer de perto essa jornada de reconstrução e esperança. Vem com a gente!

Como surgiu o desejo de criar o Instituto Saber Viver?

O Instituto Saber Viver nasceu da necessidade de transformar experiências de dor em um projeto estruturado de cuidado, acolhimento e reabilitação. Ao longo da vivência com famílias impactadas pela dependência química, tornou-se evidente a carência de espaços que oferecessem não apenas suporte, mas um modelo terapêutico consistente, ético e humanizado.

A iniciativa teve origem com o fundador, Marcos Alves, que, após vivenciar diretamente os impactos da dependência química em sua própria história, construiu um percurso sólido de recuperação, somando hoje mais de 19 anos de sobriedade. Sua trajetória sustenta a proposta do Instituto, baseada na possibilidade real de transformação e reinserção social.

Com o tempo, esse propósito também se tornou parte da minha missão profissional. Ao atuar diretamente no acompanhamento terapêutico e familiar, compreendi que o processo de reabilitação vai além do indivíduo, exigindo intervenções que alcancem também o sistema familiar e social.

Como é a sua rotina no Instituto Saber Viver? Qual é o perfil dos atendidos e quais serviços são oferecidos?

Minha rotina envolve a gestão administrativa e operacional dos atendimentos, supervisão de equipe, condução de intervenções terapêuticas e suporte às famílias.

Atendemos, predominantemente, homens em situação de vulnerabilidade biopsicossocial, com diagnóstico de transtornos relacionados ao uso de substâncias. Nosso modelo de cuidado é estruturado e multidimensional, contemplando acolhimento institucional, acompanhamento terapêutico individual e em grupo, intervenções psicoeducativas, atividades ocupacionais e laborais, suporte espiritual como recurso complementar e estratégias de reabilitação psicossocial.

Algo em você mudou ao iniciar nessa área? O quê?

Houve uma ampliação significativa da minha compreensão sobre o comportamento humano. Desenvolvi maior sensibilidade pelo próximo, escuta qualificada e entendimento dos fatores multifatoriais que permeiam a dependência química.

Essa trajetória também fortaleceu minha resiliência emocional e minha capacidade de atuar em contextos complexos, sempre com foco na dignidade e singularidade de cada indivíduo.

A dependência química está relacionada a quais fatores? Como ocorre o tratamento? E a prevenção?

A dependência química é classificada como um transtorno mental e comportamental, conforme a Organização Mundial da Saúde e descrita em manuais diagnósticos como o DSM-5. Trata-se de uma condição crônica, incurável, porém tratável, com padrão de recaídas e necessidade de acompanhamento contínuo.

Sua etiologia é multifatorial, envolvendo fatores neurobiológicos (alterações no sistema de recompensa cerebral), fatores genéticos, aspectos psicológicos (traumas e transtornos associados), dinâmica familiar e influências sociais e ambientais.

O tratamento exige uma abordagem multidisciplinar, incluindo psicoterapia baseada em evidências, estruturação de rotina, manejo comportamental, intervenções familiares, suporte psiquiátrico, quando necessário, e reabilitação psicossocial.

A prevenção está diretamente ligada à promoção de saúde mental, fortalecimento de vínculos familiares, educação socioemocional e identificação precoce de fatores de risco.

Como os internos podem ser reincluídos na sociedade através do Instituto?

A reinserção social é conduzida por meio de um modelo estruturado de reabilitação psicossocial, que integra aspectos emocionais, comportamentais e funcionais do indivíduo.

Dentro da nossa metodologia, a capacitação profissional é um dos pilares centrais. Entendemos que a recuperação não se sustenta apenas na abstinência, mas na construção de autonomia, identidade e propósito de vida.

Por isso, desenvolvemos capacitação técnica e desenvolvimento de habilidades laborais, atividades ocupacionais com função terapêutica e produtiva, estímulo à disciplina, responsabilidade e compromisso, preparação para inserção e permanência no mercado de trabalho.

Também trabalhamos competências socioemocionais fundamentais, como comunicação, organização, gestão do tempo e resolução de conflitos.

A inserção no mercado de trabalho é um importante fator de proteção na manutenção da sobriedade, pois promove independência financeira, senso de pertencimento e reconstrução da identidade social.

Nosso objetivo é que cada acolhido esteja preparado para viver em sociedade com autonomia, dignidade e estabilidade.

Como vocês apoiam as famílias de quem é atendido?

A família é compreendida como parte essencial do processo terapêutico. Por isso, oferecemos acompanhamento contínuo, com orientação, intervenções psicoeducativas e suporte emocional.

Esse trabalho busca reestruturar vínculos, melhorar a comunicação e reduzir padrões disfuncionais, fortalecendo o ambiente familiar como suporte à recuperação.

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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