Na quinta-feira que marcou o início da London Fashion Week Outono/Inverno 2026, quem chamou a atenção não foram apenas as roupas nas passarelas, mas um convidado bem fora do script fashion: King Charles III, sentado em destaque na primeira fila do desfile de Tolu Coker, sensação criativa britânico-nigeriana que abriu a temporada no icônico espaço NewGen em 180 Strand, em Londres.
A aparição do monarca foi tão inesperada quanto significativa. Charles chegou ao evento poucos dias depois de notícias chocantes sobre seu irmão, Andrew Mountbatten-Windsor, ser preso sob suspeita de má conduta em cargo público, um episódio que dominou as manchetes antes mesmo da moda subir à passarela. Porém, longe de recuar, o rei manteve sua agenda e marcou presença no coração da cena criativa londrina, como uma espécie de sinal de continuidade diante de turbulências familiares e institucionais.

Mas o que torna esse momento ainda mais memorável é o contexto: Tolu Coker é uma das vozes mais originais da moda contemporânea, conhecida por misturar tradição artesanal com uma estética que celebra identidade e narrativa social. Sua coleção, rica em referências às experiências de comunidade e mobilidade social, ganhou ainda mais peso com a presença de Charles observando cada detalhe da primeira fila. Para ela, que contou com apoio do Prince’s Trust no início de sua carreira, a visita do rei não foi apenas uma pose elegante, mas um verdadeiro ponto de virada, um reconhecimento de sua trajetória e do valor cultural que a moda pode ter além do glamour.
Na prática, a presença do monarca reforça duas coisas ao mesmo tempo: que a London Fashion Week continua sendo um palco essencial para talentos emergentes e que a moda britânica, mais do que comerciais e tendências, carrega um diálogo profundo com identidade, tradição e futuro. A imagem de Charles ao lado da designer Stella McCartney e da chefe do British Fashion Council, Laura Weir, resume bem esse momento, uma mistura de história, cultura e legitimidade que só uma presença real poderia trazer às luzes da passarela.
No fim das contas, a London Fashion Week 2026 não começou apenas com roupas e cortes impressionantes, mas com um lembrete inusitado: a moda ainda é um lugar onde tradições inesperadas encontram o presente, onde um rei pode sentar-se ao lado de jovens talentos e onde conversas sobre identidade, arte e estilo continuam a influenciar cultura muito além das fronteiras de Londres.








































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































