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VINICIUS, PLENO DE POESIA E DE PAIXÃO

No Espaço do Leitor de hoje, recebemos o sensível e envolvente texto de Rejane Costa Barros, que revisita a vida, a obra e a alma de Vinicius de Moraes. Um passeio pela poesia, pela música e pela boemia de um dos maiores nomes da cultura brasileira, celebrado com paixão, memória e profundo lirismo.

​​​​A poesia é o caminho da esperança, a lavoura da beleza e a conquista sustentável da grandeza humana. É nervo exposto, energia essencial, sistema visceral da vida. Ela sempre arrepia, convidativa e mansa, excita e faz vibrar, arrebata e contagia. Assim, nos encantamos com a poesia e com os poetas. Um em especial, nascido no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1913, foi poeta, dramaturgo, diplomata, jornalista, compositor e cantor, interpretando belas canções e construindo parcerias magníficas. O poeta de quem falo é Marcus Vinicius de Moraes. Sua poesia é essencialmente lírica e por todo esse lirismo Tom Jobim atribui-lhe o epíteto de “poetinha”. O poeta era apreciador de um bom uísque e fumava muito, completando assim, a sua boemia eternamente extravagante. As mulheres se rendiam aos seus encantos e ele tornou-se um grande conquistador, casando-se nove vezes.


​Vinicius era essencialmente poeta, mas sua obra ganhou sons e cores passeando pela literatura, teatro, cinema e muito particularmente, pela música. Os principais parceiros de sua história musical foram: Tom Jobim, Toquinho, Baden Powel, João Gilberto, Chico Buarque, Francis Hime e Carlos Lyra. Nos anos de 1950, Vinicius exercendo funções diplomáticas, atuou em Paris e Roma e frequentava muito a casa do pai de Chico, o escritor Sérgio Buarque de Holanda. Mas com a chegada do ano de 1968 foi afastado da carreira diplomática e aposentou-se compulsoriamente pelo Ato Institucional Nº 5, AI-5. O motivo alegado para seu afastamento foi seu comportamento boêmio que acabava impedindo de cumprir as suas funções. No ano de 1998 foi anistiado post mortem.


​Começou a ter prestígio quando sua peça teatral Orfeu da Conceição teve reconhecimento de público e de crítica, no ano de 1956. Em sua fase considerada mística, recebeu no ano de 1935 o Prêmio Felipe D’Oliveira pelo Livro Forma e Exegese. Na década de 1940 suas obras literárias foram marcadas por versos de linguagem simples e não menos encantadores, pois mantinha um estilo sensual e excitante e em muitos deles, era forte o apelo social.


Tom e Vinicius firmaram uma grande parceria musical, talvez, a maior e mais fecunda de toda a história musical de nosso país. A Bossa Nova, o grande movimento musical do país, teve marcante atuação de Vinicius e seus parceiros. A canção Chega de Saudade foi fundamental e imprescindível na Bossa Nova e este movimento contou com a participação de um jovem violonista, que com seu jeito todo particular de tocar, marcaria definitivamente a Bossa Nova e a tornaria famosa a partir dali para o mundo inteiro. O jovem era João Gilberto.


​Vinicius de Moraes é um poeta imenso e até hoje, seus versos são lidos e admirados pelos sensíveis que gostam de seu estilo.
​O Canecão foi palco maior da apresentação em 1970 de Vinicius, Tom Jobim, Toquinho e Miúcha. O show relembrou a trajetória do poeta, ficando quase um ano em cartaz, pois o sucesso obtido foi imenso. Na cidade de Mar del Plata, o poeta apresentou-se com Toquinho e Maria Creuza, na Boate La Fusa e o concerto rendeu um LP.
​Vinicius de Moraes atravessará todas as gerações e felizes somos nós, que tivemos o privilégio de assisti-lo e de ouvi-lo.


​Ainda bem que temos os CD’s, livros, fotos e a Internet que o imortalizará para que todas as futuras gerações saibam quem ele foi e o que representou para as letras, música, arte, jornalismo.
​No dia 08 de julho de 1980, ele junto com Toquinho acertando detalhes sobre um álbum que montavam, a Arca de Noé, reclamou de cansaço e alegou que um banho faria muito bem. Na manhã do dia 09, Vinicius foi acordado por dona Rosinha, a empregada. Ele estava com dificuldade para respirar. Ela, apavorada, bateu à porta do quarto de Toquinho. Em seguida, bateu à porta do quarto do casal e chamou Gilda Matoso, última mulher do poeta. Várias tentativas para reanimá-lo são efetuadas por Toquinho. Gilda chama uma ambulância que quando chega, não tem mais nenhuma serventia. O poeta estava morto.
​Vinicius, viveu, amou, bebeu, cantou, escreveu, encantou. Viveu sempre fugindo da morte, não queria partir tão cedo. Deixou um legado enorme e lindo! Foi único. Foi, é, e será para sempre, VINICIUS DE MORAES.

​​​​​​​​​​ Rejane Costa Barros

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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