“No próximo dia 21 seu controle parental será removido”. Recebi a mensagem essa semana do aplicativo do banco. Essa mensagem tão curta trouxe um baque profundo e reflexões que certamente não vão findar tão cedo.
Passaram 18 anos desde que me tornei mãe e o tempo não é linear. Em algumas temporadas desse seriado que é a nossa vida, o tempo se alongou. Em outras, se tornou mais curto. Talvez os períodos mais intensos, como os seis primeiros meses, tenham sido os mais longos e lindos. Lembro que eu sonhava em dormir uma noite completa porque meu bebê trocava o dia pela noite. Quando consegui, já foi no atropelo do leite secando porque tinha voltado a trabalhar do modo antigo, os três períodos. Depois, tantos pequenos momentos que foram nos atravessando e tornando a vida mais colorida em algumas épocas e mais sombria, em outras.
Dali até ler a primeira palavra – Sorriso – foi tudo tão bonito. Eu era a pessoa que meu filho mais admirava no mundo. Uma profusão de cartinhas de amor, desenhos fofos que eu colava na minha mesa de trabalho. Músicas cantadas em dueto, passeios culturais, viagens. Éramos uma dupla com muita sintonia. O amor perfeito estava ali, imaginava.
Não demorou muito para que ocorressem os primeiros descompassos. Num acesso de raiva, a almofadinha do dia das mães foi toda riscada. Eu te odeio, mamãe. Nem sei qual foi o motivo da nossa primeira briga.
Na adolescência, tantas transições. De corpo, de ideias, de personalidade, de escola. Ainda estamos nessa travessia complexa. Não é porque se completa 18 anos que o trabalho de mãe acaba. Talvez aí é que venha a fase mais desafiadora. Na verdade, não sei. A maternidade parece um jogo de vídeo game. Você fica o tempo todo tentando não morrer nos obstáculos para passar de fase.
Agora, é continuar acompanhando, mas sabendo que a responsabilidade é dele. Já avisei em tom de brincadeira que ele pode ser preso. A gente ri, mas é verdade. Daqui por diante, a dominação deve ser mais suave, mas como não se preocupar com um mundo tão complicado? Tem os feminicídios, a transfobia, as complicações do mundo profissional, as decepções amorosas…Tudo isso ele vai ter que escolher o caminho. Posso orientar, mas ele quem decide. Parece quando começou a andar. E, na verdade, é isso mesmo – um caminho novo para perninhas ainda trôpegas, que resvalam e dão topadas. O bom é que o abraço da mãe continua aqui, à disposição. Sigamos na nova etapa dessa missão.







































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































