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UM “SEGUNDO DE SILÊNCIO”PARA BÁRBARA BORGES por A. Capibaribe Neto

Em novo texto publicado em nosso portal, o escritor Capibaribe Neto traz uma crônica potente e comovente: “Um segundo de silêncio para Bárbara Borges” — um chamado à consciência diante da banalização da violência e da perda de vidas inocentes. Com sua escrita firme e sensível, Capibaribe dá voz à emoção e à revolta diante da tragédia que ceifou o futuro de uma jovem sonhadora, convidando o leitor a um instante de pausa, empatia e reflexão.

Pouco antes de ser morta, dentro de um carro de aplicativo, na Linha Amarela, Rio de Janeiro, durante um confronto entre facções (pobres vitimas da sociedade), a jovem Bárbara Elisa Yabeta Borges, de 28 anos, havia compartilhado nas redes sociais uma mensagem marcante e lapidar sobre o valor das pessoas e da vida: “O que tem preço, a gente recompra. A maioria das coisas que perdemos, a gente recupera, mas pessoas, não…”

Mal podia ela imaginar que momentos depois “honoráveis e respeitados bandidos”, useiros da covardia que intimida, com o cano de uma arma apontada para a cabeça de nós todos, culpados de suas festejadas misérias sociais dizem, sucintamente: “perdeu! perdeu!”. Bárbara nem escutou a ameaça, perdeu a vida numa fração de segundo à caminho de seus sonhos e projetos interrompidos.

Na extremidade de outra frase, essa mais debochada, da lavra de delicado ex-magistrado aposentado, o tal do “perdeu, Mané!”, dita alhures, na Nova Iorque — que agora lhe vetaram. “Manés” são os discordantes do compadrio. É bem verdade que 121 “vítimas da sociedade” tiveram a sua vez de perder também nessa última e badalada batalha campal. Os Manés continuam perdendo, Bárbara, que não ganhou nem um simples segundo de silêncio, perdeu nessa mesma fração de tempo, todos os seus sonhos.

Os 121 “inocentes” ganharam mil homenagens e um contundente e significativo minuto de silêncio do novo ministro “compadre” Boulos, por sua última “heróicas” tentativa de subir o morro.
Que não se misturem nos mesmos lenços dos diferentes carpires as lágrimas choradas por todas as Bárbaras do Brasil, com as lágrimas das mães que perderam seus filhos para a bandidagem e àquelas das frustrações de meio Brasil que perdeu (?) nas últimas urnas. Façamos, nem que seja, um “segundo de silêncio” por Bárbara Elisa Yabeta Borges.

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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