O cinema brasileiro volta a ocupar um espaço de destaque no cenário internacional com a entrada do documentário Yanuni na shortlist do Oscar 2026. A produção, que figura entre os pré-candidatos divulgados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, concorre em dez categorias, incluindo Melhor Documentário, e reforça o protagonismo do Brasil em narrativas urgentes sobre meio ambiente, direitos humanos e povos originários. Após a histórica vitória brasileira em 2025 com Ainda Estou Aqui, a presença de Yanuni renova a expectativa de mais uma estatueta e consolida o país como referência no cinema de impacto social.
Coproduzido no Brasil e idealizado em parceria com lideranças indígenas, Yanuni acompanha a trajetória de Juma Xipaia, cacica da aldeia Kaarimã, na Terra Indígena Xipaya, em Altamira, no Pará. Produzido por Leonardo DiCaprio e pela própria Juma, o filme mergulha na realidade de uma jovem liderança que enfrenta o avanço da mineração, do garimpo ilegal e de grandes projetos de infraestrutura sobre territórios tradicionais da Amazônia. Mais do que um registro político, o documentário constrói um retrato íntimo de resistência, coragem e sobrevivência, marcado por uma história extrema: Juma sobreviveu a seis tentativas de assassinato por defender seu povo e a floresta.
A força narrativa do filme nasce da trajetória real de sua protagonista. Em 2016, aos 24 anos, Juma Xipaia tornou-se a primeira mulher a assumir o cargo de cacique do povo Xipaya na região do Médio Xingu. Desde então, sua atuação esteve diretamente ligada à defesa dos territórios indígenas contra ameaças como a hidrelétrica de Belo Monte, a mineração industrial e o avanço do garimpo ilegal. Em Yanuni, essa luta ganha escala global ao ser contada a partir do olhar de quem vive o conflito diariamente, pagando um alto custo pessoal pela resistência.
Em depoimentos emocionantes, Juma revela que aceitou participar do documentário em um dos momentos mais delicados de sua vida, após sucessivos episódios de violência e tentativas de silenciamento. O filme surge, então, como um espaço de amplificação não apenas de sua voz, mas da luta coletiva de povos indígenas que arriscam a própria vida para proteger a floresta amazônica. Essa dimensão humana é reforçada pela presença de seu marido, Hugo Loss, agente ambiental do Ibama, que também atua na linha de frente contra crimes ambientais, enfrentando ameaças constantes, pressões políticas e a escassez de recursos para fiscalização.
Dirigido por Richard Ladkani, conhecido por produções premiadas no cinema ambiental, e com produção executiva de Eric Terena, Yanuni se destaca também pela construção estética e sonora. A trilha conta com a participação de artistas indígenas como Katu Mirim e Djuena Tikuna, ampliando a autenticidade cultural do filme e fortalecendo sua identidade como uma obra feita com e a partir dos povos originários, e não apenas sobre eles.

Desde sua estreia, o documentário vem acumulando reconhecimento em alguns dos mais importantes festivais internacionais dedicados ao cinema ambiental e de direitos humanos. Foi exibido como filme de encerramento no Tribeca Festival, em Nova York, venceu o Grand Teton e foi eleito Melhor Documentário de Longa-Metragem no Jackson Wild Media Awards, considerado o Oscar do cinema de natureza. Em Los Angeles, recebeu o prêmio de Melhor Documentário no Red Nation International Film Festival, o maior festival de cinema indígena do mundo. No Brasil, conquistou o Prêmio do Público de Documentário Internacional na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, confirmando sua forte conexão com diferentes públicos.
Agora, com a entrada na shortlist do Oscar 2026, Yanuni amplia ainda mais seu alcance e impacto. A lista final de indicados será anunciada no dia 22 de janeiro, enquanto a cerimônia de premiação está marcada para 15 de março. Além do documentário, outros títulos brasileiros avançaram na disputa, reforçando um momento excepcional do audiovisual nacional.
Mais do que uma possível indicação ao Oscar, Yanuni se afirma como um manifesto cinematográfico sobre justiça climática, sabedoria ancestral e resistência indígena. Ao acompanhar Juma Xipaia em sua transição de uma aldeia remota para espaços de poder institucional, incluindo sua atuação no primeiro Ministério dos Povos Indígenas do Brasil, o filme expõe os dilemas, riscos e sacrifícios que acompanham a luta pela preservação da vida e do planeta. Íntimo e ao mesmo tempo épico, Yanuni transforma uma história local em um chamado global, lembrando que a defesa da Amazônia é, acima de tudo, uma defesa do futuro comum da humanidade.






































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































