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Galeries Lafayette entra em negociações exclusivas para venda do icônico edifício do BHV em Paris

O grupo Galeries Lafayette anunciou uma nova e decisiva etapa nas negociações para a venda do histórico edifício do Bazar de l’Hôtel de Ville, o BHV, um dos endereços mais emblemáticos do comércio parisiense. Em comunicado divulgado no dia 20 de dezembro, o conglomerado francês informou ter iniciado negociações exclusivas com um grupo anglo-saxão, reconhecido pela expertise na gestão de ativos imobiliários, colocando um possível desfecho para a operação já a partir de janeiro de 2026.

Localizado em frente ao Hôtel de Ville, no número 52 da Rue de Rivoli, o BHV ocupa cerca de 45 mil metros quadrados e integra a paisagem comercial de Paris desde 1886. A decisão do Galeries Lafayette tende a encerrar uma longa saga em torno do futuro do imóvel e, ao mesmo tempo, impacta diretamente os planos da Prefeitura de Paris. A prefeita havia manifestado interesse em recuperar o edifício histórico, em parceria com investidores, para desenvolver um projeto de uso misto que combinasse habitação, comércio e restauração, proposta que agora perde força diante do avanço das negociações privadas.

Desde fevereiro de 2023, a gestão da atividade comercial do BHV está sob responsabilidade da Société des Grands Magasins, grupo liderado pelos empresários Frédéric e Marilyn Merlin, que já operavam lojas da Galeries Lafayette nas regiões. Na ocasião, o acordo incluía um projeto de aquisição do BHV Marais e de outros ativos, como a loja do centro comercial Parly 2. Informações divulgadas no início do ano apontavam um valor estimado de 300 milhões de euros para a operação imobiliária envolvendo o edifício principal do BHV.

O processo, no entanto, enfrentou sucessivos adiamentos. O Galeries Lafayette manteve discrição durante meses, mas demonstrou insatisfação com a parceria firmada entre a SGM e a Shein, especialmente pela presença da varejista de moda ultrarrápida em lojas regionais do grupo. Como resultado, as partes acordaram a migração de sete dessas lojas para a bandeira BHV ainda neste outono europeu. Naquele momento, o grupo francês estabeleceu claramente o dia 19 de dezembro como prazo final para o avanço do projeto de aquisição.

Paralelamente, Frédéric Merlin confirmou dificuldades no financiamento após a saída da Banque des Territoires, mas indicou progresso nas negociações, mencionando conversas com fundos anglo-saxões, o que agora ganha novo sentido diante do anúncio oficial do Galeries Lafayette. Embora o nome do potencial comprador não tenha sido divulgado, o comunicado afirma que a cessão do ativo imobiliário ocorrerá nas condições inicialmente acordadas com a SGM, reforçando a continuidade do modelo operacional previsto.

Desde 2023, o grupo já vinha reduzindo sua exposição aos ativos ligados ao BHV, com a venda de propriedades como o edifício de L’Homme, na Rue de la Verrerie. Ainda assim, entre os cerca de 750 funcionários do BHV Marais, a principal apreensão não está relacionada à identidade do futuro proprietário do imóvel, que segundo fontes pode ser norte-americano, mas ao desempenho comercial da loja. Após a saída de diversas marcas nos últimos meses, os resultados teriam se deteriorado, alimentando expectativas por um plano claro de revitalização e um aporte de capital capaz de reposicionar o grande armazém no competitivo cenário do varejo parisiense.

A administração afirma que novas marcas estão a caminho e que questões de pagamento estão sendo resolvidas, enquanto reforça que a SGM continuará responsável pela operação do BHV Marais, independentemente da conclusão da venda do edifício. Em contato com a FashionNetwork, o grupo limitou-se a confirmar satisfação com o avanço das negociações e declarou estar focado na finalização da transação, que pode ser concretizada já em janeiro, marcando um novo capítulo na história de um dos símbolos mais tradicionais do comércio de Paris.

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