É janeiro do novo ano. Acabou o recesso e chega finalmente a primeira semana produtiva. Será mesmo? O ditado que o ano só começa depois do Carnaval ainda é levado à ferro e fogo por muita gente. Não estou no meio dessa galera. Para mim, o ano começou sim e com direito a cumprir um dos desejos do novo ano.
Um banho de mar, na paisagem da capa do meu único livro, foi a primeira resolução cumprida. A maré ainda estava baixa e fiquei de molho umas duas horas em uma piscina no meio das pedras do mar de Iracema. Tenho que concordar com o Milton Dias, cronista do jornal O Povo que eu admiro. Não tem mar como esse. Mas tem que saber as manhas, porque depende muito do horário. Essas pedras rendem uma topada certeira se a maré estiver cheia. Ou coisa pior.
Conforme a praia foi lotando, a piscina também ficou disputada e segui para um mergulho. Eu andava sedenta pela água salgada há alguns meses. O último banho de mar tinha sido em outubro. Até tentei dar um mergulho nos últimos dias de 2025, mas não consegui devido à correria das confraternizações.
Sinto o mar como um sugador de energias ruins. Noto o peso com que ele puxa a tristeza e a angústia. Sempre saio mais leve. E gosto de ouvir o som das ondas de olhos fechados. Nessa hora, agradeço a oportunidade de estar ali, peço a Deus que abençoe quem estiver comigo e a cada um que amo. Também me agrada abrir a boca pra sentir o sal no vento. É um ritual que aprendi a repetir.
Como o hábito de tomar banho de mar com mais frequência ainda é novidade, é muito raro eu ir na praia e não tomar um caldo. Nesse primeiro banho de mar de 2026, entrou água no nariz e areia até no ouvido. Me senti dentro de um liquidificador, mesmo no raso. Janeiro é tempo de ressaca e ali tem até surfista aproveitando as ondas. Então, eu é que precisava estar atenta. O mar não estava para brincadeira. Ainda mais para mim, que não sei nadar.
Mesmo toda cheia de areia e com o nariz ardendo por dentro por conta da água salgada, procuro alívio com uma água de coco e sigo para tomar uma chuveirada em frente à Ponte dos Ingleses.
Quem diria que depois de tanto tempo reclamando que não tinha mais Ponte, eu teria como passeio quase mensal amanhecer o dia imersa nesse mar com essa paisagem tão querida e marcante? Às vezes, a gente faz pedidos e se surpreende com os resultados muito melhores do que imaginávamos. Os tais presentes que Deus envia, costurando muitas conexões de poder. Nesse caso, a vontade política de restauro e conservação, que uniu Estado e Prefeitura em torno desse símbolo da cidade.
Como sempre sigo querendo mais, agora passei a perseguir a vontade de ver a Ponte Metálica, a mais velha, das Longarinas do Ednardo, passando por um restauro. Já consigo fechar os olhos e ver as duas Pontes tinindo de belas e prontas para as fotos, saltos e celebrações. Será que estou sonhando demais? O tempo vai dizer!





































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































