Um poema que reacende a força de Preta Tia Simoa, símbolo da resistência negra no Ceará.
Célia Maria Leite transforma sua história em luz, coragem e poesia. ✨
Tia Simoa era nome e chama,
força viva de um povo
que nunca perdeu a alma.
Negra liberta,
ergueu a cultura africana
como quem dança
com os ancestrais na lembrança.
Não esqueceu os cativos;
fez do peito livre
um grito pelos silenciados.
Nas águas de alencarina,
quando a maré parecia quieta,
levantou-se contra os navios
que levavam vidas à dor.
Ao lado de José Luís Napoleão,
guiou jangadeiros na rebeldia
do janeiro quente da abolição.
Três dias de coragem,
27, 30 e 31,
e a maré não levou mais ninguém:
trouxe libertação.
A luz acesa por ela
chamou outras mulheres de fé,
guerreiras que fizeram do verbo
um ato: libertar.
E brilhou tão forte
que o Brasil não pôde negar:
em 1884, o Ceará
virou Terra da Luz.
Não pela força do chicote,
mas pela força de um povo
que escolheu outra história.
(Célia Maria Leite)
































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































