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OUTROS TANTOS NATAIS

Uma releitura poética e contundente do Natal, em que Ricardo Guilherme nos convida a enxergar o “Cristinho” que habita as ruas, vielas e realidades esquecidas. Um texto que ilumina, provoca e nos chama à verdadeira reflexão natalina.

As árvores de luz anunciam a chegada do Menino-Deus comemorado em dezembro. É um menino-deusinho, divininho, mas também humaninho um jesusinho sem santa ceia, sem-teto e sem-terra.

A proximidade do Natal deve nos fazer lembrar que no labirinto dos casebres suburbanos uma nossa senhora grávida aborta e uma outra, quando consegue parir, perde a criança que morre nos primeiros dias de nascida ou já nasce morta. Nosso Cristinho popular, Jesus da Silva, nem chega a completar os trinta e três anos, pois morre bem antes, nordestinado a morrer ante Deus e o Diabo que convivem como irmãos na terra sol.


Há entre nós um Cristo favelado, flagelado, que tem na cabeça enterrada uma coroa de espinhos de cacto ou de arame farpado. Há entre nós um Crstinho analfabeto entre os doutores da Aldeota, nos cruzamentos dos sinais em uma esquina qualquer da rua da amargura.


No borrão of América, iluminado ao sol do Terceiro Mundo, Marias e Josés continuam no Natal tentando a esmo instaurar uma terra prometida nos ermos de uma terra há mais de quinhentos anos descomprometida com manjedouras e natais.

(Ricardo Guilherme)

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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