Depois de décadas sem avistar um vagalume sequer, eles vieram à minha casa, junto com a caravana de insetos dos mais variados tipos, que sempre estão vindo me visitar no apartamento.
Por aqui, as presenças mais constantes são as muriçocas, porque esse é o ambiente delas. Moro ao lado de um rio. Entretanto, quase todo dia tem alguma mariposa ou borboleta adormecida nas paredes, seja dentro do apartamento ou na escada. Já consegui identificar uns seis tipos diferentes.
O curioso é que morei alguns anos no quarto e último andar do meu condomínio. Não entendo porque eles preferiam meu apartamento. Seria porque eu não os matava? Haveria algum sinal sobre isso no meu tapete bordado de flores? Gostava de ficar imaginando motivos.
Nunca ouvi relatos dos vizinhos sobre insetos coloridos em suas casas. Mas esse seria um assunto bem peculiar para conversar. As pessoas costumam comentar sobre barulho, incômodos, crianças. Quem vai falar de mariposas e borboletas? Só eu mesmo e, geralmente, causo risos e olhares de curiosidade, quando adentro o assunto.
Outros que já deram o ar da graça por aqui foram os louva-a-deus, gafanhotos, esperanças, bichos-paus, libélulas e até outros insetos que eu não gosto nem um pouco, como as baratas, aranhas marrons, escorpiões e até cupins, que destruíram parte do meu armário da cozinha menos de dois meses depois da compra. Sorte que conseguimos matar essa praga. Mas o buraco ficou. Mesmo assim, nada de vagalume.
Até que em um dia de chuva, apareceu um besouro esquisito que ficava fazendo um barulho quando se tacava nas paredes. Sim, ele se jogava sem pena. A gente só escutava o barulho.
No dia seguinte, não sei se cansado ou doente, ele ficou mais quieto e consegui ver sua cara simpática. Quando ele resolveu ficar com as patinhas pra cima, veio a surpresa. Ele acendia!
No dia seguinte, apareceram mais dois. Todos morreram, infelizmente. Quando coloquei sua foto no Google Lens, disse que era uma espécie barulhenta que se jogava em lugares com luz artificial. Todo esse esforço para quê? Encontrar um amor!
Depois disso, toda vez que olho na janela de noite, fico como que hipnotizada observando o poste. Eles sempre estão lá nesse período mais úmido e, na chuva, as luzes ficam mais fortes. O cenário perfeito para o encontro romântico dos vagalumes.
O inverno no Ceará é como a primavera em outras localidades, faz o amor florescer em toda a natureza. E contagia também esses bichinhos minúsculos. Até eles sabem que o amor é melhor com uma chuva pra regar.







































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































