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Lino Villaventura transforma fractais em alta-costura dramática no inverno 2027

Enquanto boa parte da moda atual mergulha no minimalismo silencioso, Lino Villaventura continua seguindo na direção oposta, e talvez seja exatamente isso que faz dele um dos criadores mais autorais da moda brasileira. Para o inverno 2027, o estilista apresentou “Fractal: Gênese Infinita”, coleção que mistura arte, geometria, caos e emoção em roupas que parecem ganhar vida própria na passarela.

A nova coleção surgiu quase como um manifesto visual. Em vez de apostar em tendências óbvias ou referências literais, Lino mergulhou na ideia dos fractais, aquelas formas que se repetem infinitamente na natureza, como folhas, cristais, raízes e ondas. O resultado apareceu em vestidos esculturais, tecidos plissados, nervuras milimétricas e camadas que criavam movimento a cada passo das modelos. Tudo carregado daquele DNA maximalista que virou assinatura do estilista ao longo de quase cinco décadas de carreira.

As roupas pareciam flutuar entre moda e instalação artística. Em alguns momentos, os tecidos lembravam pétalas secas; em outros, esculturas futuristas. Sedas metálicas, jacquards texturizados e materiais engomados criaram superfícies quase rígidas, com aparência de papel amassado artesanalmente. A coleção inteira transmitia a sensação de algo orgânico e tecnológico ao mesmo tempo, como se a natureza tivesse sido reinterpretada através da alta-costura.

Outro detalhe que chamou atenção foi a liberdade criativa do desfile. Lino decidiu abandonar o formato tradicional das grandes semanas de moda para apresentar a coleção em um evento mais intimista em São Paulo. Segundo o próprio estilista, a ideia era voltar às origens e recuperar a espontaneidade dos antigos desfiles privados, sem pressão de tendências ou regras comerciais. Essa atmosfera mais artística acabou deixando as peças ainda mais intensas e pessoais.

Na passarela, a alfaiataria masculina também ganhou mais espaço. Calças amplas, túnicas plissadas, jaquetas texturizadas e camisas desconstruídas apareceram lado a lado com vestidos transparentes, sobreposições dramáticas e recortes assimétricos. A cartela de cores oscilava entre tons escuros quase soturnos e explosões ácidas de brilho metálico, reforçando a ideia de um universo em constante transformação.

Mais do que simplesmente apresentar roupas, Lino Villaventura mostrou que ainda existe espaço para uma moda brasileira emocional, artesanal e absolutamente teatral. Em tempos dominados por coleções rápidas e estética calculada para redes sociais, o estilista segue criando peças que exigem observação, presença e tempo, quase como obras que precisam ser sentidas antes de serem entendidas.

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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