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Criatividade geek pode virar processo: o alerta que fãs e empreendedores ignoram até dar problema

Existe uma ilusão confortável circulando pelo universo nerd: a de que amar uma franquia dá automaticamente passe livre para usar personagens, símbolos e referências como quiser. Não dá. E quanto antes a galera criativa entender isso, menos gente vai descobrir do pior jeito que entusiasmo não substitui autorização legal. A cultura geek sempre viveu de paixão, colaboração e homenagens, mas quando essa paixão atravessa a linha e começa a gerar dinheiro, ela entra em um território onde quem manda não é o fandom, é a lei.

Muita gente acredita que só gigantes da indústria precisam se preocupar com direitos autorais e marcas registradas. Só que o sistema jurídico não mede infração pelo tamanho do negócio, mede pelo uso. Se você desenha fanart e posta nas redes, geralmente ninguém liga. Se você veste cosplay num evento, segue o jogo. Agora, colocou preço na arte, abriu lojinha online, começou a vender produto com personagem famoso estampado? Aí muda tudo. Nesse momento, você deixa de ser fã e passa a ser explorador comercial de uma propriedade intelectual que não é sua, e isso pode render notificação extrajudicial, retirada de produtos, bloqueio de loja e até ação indenizatória.

O ponto mais curioso é que a maioria das pessoas não age de má-fé; age por desconhecimento mesmo. A internet criou uma cultura de compartilhamento tão intensa que muita gente esquece que aquilo que circula livremente ainda tem dono. Personagem, logotipo, nome de série, uniforme de herói, design de criatura, tudo isso é protegido. Não importa se você redesenhou, estilizou ou “deu seu toque”. Se a referência continua reconhecível, o direito continua existindo.

E a situação fica ainda mais complexa quando esse cenário migra para ambientes digitais e imersivos. Em mundos virtuais, jogos online e plataformas interativas, as fronteiras ficam borradas e as leis correm atrás da tecnologia tentando acompanhar a velocidade das criações. O resultado é um terreno meio nebuloso onde muita gente pisa achando que é chão firme, quando na verdade é areia movediça jurídica.

Como colunista que acompanha tanto o mercado criativo quanto as tretas legais que surgem dele, digo sem rodeios: dá pra viver de cultura geek, sim, mas não dá pra viver dela de qualquer jeito. Quem quer transformar fandom em negócio precisa tratar propriedade intelectual como trata fornecedor, contrato ou pagamento: com seriedade. Licença existe, autorização existe, parceria oficial existe. O que não existe é “ninguém vai notar”.

No fim das contas, a regra é simples e vale como mantra profissional: curtir é livre, lucrar exige permissão. Quem entende isso cedo continua criando em paz. Quem ignora aprende depois, geralmente com um e-mail jurídico nada amigável na caixa de entrada.

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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