SALETE EM SOCIEDADE

A estética do after dominou a passarela da Diesel e provou que estilo bagunçado é tendência quente

Se existe um momento universalmente caótico, e curiosamente estiloso, é aquele pós-noite intensa, quando a pessoa acorda sem saber direito onde está, veste o que encontra pela frente e sai correndo para encarar o dia. Foi exatamente esse clima que o diretor criativo Glenn Martens transformou em conceito de moda, criando uma coleção que celebra o charme do visual improvisado e reposiciona o “look do dia seguinte” como símbolo máximo de atitude.

Antes do desfile, Martens explicou que queria capturar aquela energia confiante de quem teve uma noite memorável e simplesmente assume a própria presença na rua, mesmo sem ter se olhado no espelho. A ideia não era parecer arrumado, era parecer incrível justamente porque não tentou. Essa filosofia guiou toda a coleção, que abriu com peças básicas repaginadas como se tivessem passado por uma tempestade fashion: regatas brancas, camisas meio abotoadas, twinsets de tricô e saias clássicas surgiram torcidas, puxadas e deslocadas no corpo, criando silhuetas com movimento e personalidade.

O denim, marca registrada da casa, apareceu em versões rígidas e texturizadas, como se tivesse sido respingado por coquetéis da noite anterior. Tricôs florais bordados, mantas reaproveitadas aplicadas em jeans e camadas inesperadas davam a impressão de que cada look tinha sido montado às pressas, mas com um senso estético surpreendentemente calculado. Essa mistura entre espontaneidade e construção lembra o espírito experimental que Martens explorou na Y/Project, onde ele já brincava com proporções e estruturas não convencionais.

Vestidos pareciam ter sido ajustados no escuro, camisetas de namorado se fundiam com camisas xadrez formando peças híbridas, e saias de seda surgiam “presas” como se tivessem enroscado em algo no caminho. O styling reforçava a narrativa de quem saiu de casa às pressas depois de uma noite intensa, só que transformando esse momento em estética desejável. Casacos de pele sintética patchwork, shorts-minissaia transpassados e pantaboots entraram nessa mistura de glamour e caos calculado.

Quase no final, o desfile ganhou uma explosão cromática que o próprio Martens descreveu como um “vômito de cor”: roupas tingidas com tons vibrantes e respingos gráficos lembravam pinturas infantis energéticas, quase como se tivessem sido coloridas com a mesma ousadia visual associada ao grupo The Wiggles. O efeito era propositalmente exagerado e divertido, reforçando a ideia de que a moda não precisa ser séria para ser impactante.

O cenário também contou história. A passarela foi tomada por uma instalação caótica com milhares de objetos retirados do arquivo da marca, itens de festas, cenografias antigas e adereços excêntricos espalhados como se fossem vestígios de uma madrugada lendária. Entre eles havia de tudo: animais cenográficos, restos de festa e até uma cama com uma fantasia aparentemente adormecida que “acordou” no final, arrancando risadas e aplausos.

No fim, o desfile deixou claro que a Diesel não quer apenas vender roupas, mas uma atitude: a de quem vive intensamente, se veste sem regras e transforma o improviso em assinatura de estilo. Porque, segundo a nova narrativa proposta por Martens, o verdadeiro luxo não é parecer perfeito, é parecer incrível mesmo quando tudo está fora do lugar.

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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