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Minha Fortaleza tricentenária

*crônica de Marilena Campos

Nasci em Fortaleza, cidade que está completando 300 anos, hoje, 13 de abril de 2026.

Sempre foi linda, bastante arborizada e ensolarada, o mar um atrativo à parte. “Verdes mares bravios da minha terra natal”, assim escreveu José de Alencar em seu romance Iracema. Sim, verdes e bravios, mas na maré baixa, uma delícia de banho e o pôr do sol na praia um colírio para os olhos. Falar em Fortaleza é lembrar da sua história, de seus encantos e recantos.

É lembrar dos homens com seus ternos de linho branco indo para o trabalho e voltando para almoçar com a família. Guardo grandes lembranças da rua Manuelito Moreira onde passei minha infância e adolescência. Quando perguntavam, onde fica essa rua?!? Respondia rapidamente, por trás das Caixas d’água. As imponentes!! E elas continuam lá, dominando o ambiente.

Pela manhã ao caminhar para a Faculdade de Direito, sempre observava a grandiosidade das três, ao mesmo tempo que tentava desviar-me dos Ford Prefect, os chamados “carros de praça” que faziam ponto na lateral, olhando para a Assistência Municipal. Bons tempos, impossível esquecê-los!!!! E como não lembrar da sirene que tocava na CIMAIPINTO quase ao lado da nossa casa? Acho que quem morava nas redondezas se guiava por aquele som, às sete, às nove, às onze, às treze, às quinze e finalmente às dezessete horas quando encerrava o expediente. Acontecia de tudo naquela esquina, animação total, o dia inteiro carro entrando, carro saindo, carro abastecendo, padeiro cedinho na bicicleta com um cesto enorme entregando o pão, o verdureiro montado no cavalo oferecendo verduras e o homem do picolé com uma caixa de madeira na cabeça cheinha de deliciosos picolés. Na segunda chupada virava gêlo, mas eram gostosos.

Meu pai comentava que meu avô Júlio Pinto e seu cunhado Metom de Alencar haviam trazido para Fortaleza o primeiro automóvel, um Rambler. Rindo contava, “importaram o carro mas não sabiam dirigir, tiveram que arranjar um jumento (animal de tração) para puxá-lo da Praia do Peixe, hoje Praia de Iracema, até a empresa dele, o Cassino Cearense, no centro da cidade”.

Ah, e os clubes!! Fortaleza terra dos clubes sociais. Frequentávamos o Ideal, Maguary, Líbano, Náutico e o Iate. Como o Maguary era o mais próximo tínhamos aulas de tênis lá, o esporte nobre, como diria minha mãe. Mas nas férias o eleito era o Ideal com suas imperdíveis tertúlias e o Náutico com suas vesperais.

Fortaleza mudou, virou metrópole, turistas em cada canto da cidade, carros blindados e importados às pencas, shoppings disputando espaço, lojas de grifes imperando, academias de ginástica sofisticadas, farmácias em toda esquina, a Beira Mar virou uma festa de dia e de noite.

E as crianças, onde estão? Com o celular na mão, jogando, enquanto nós, as crianças de antigamente nos divertíamos pulando macaca na calçada riscada com carvão. Fortaleza de boas lembranças e suas histórias…

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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