A Chanel levou uma das apresentações mais criativas do Watches & Wonders 2026 ao transformar relógios em peças de alta joalheria carregadas de referências à cultura pop, videogames retrô e ao universo visual de Gabrielle Chanel. Em vez de apostar apenas em mecanismos complexos, a maison francesa apresentou uma coleção onde estética, narrativa e artesanato aparecem como protagonistas absolutos. O resultado foi uma linha que mistura diamantes, ouro, cerâmica, bordados couture e elementos gráficos inspirados nos jogos clássicos dos anos 1990.



O grande destaque da temporada foi a coleção Coco Game, desenvolvida sob direção criativa de Arnaud Chastaingt. A Chanel transformou sua fundadora em personagem central de relógios e joias que remetem a cartas de baralho, peças de xadrez e gráficos pixelados. Entre as criações mais impressionantes está um tabuleiro de xadrez único produzido em cerâmica, ouro e diamantes, avaliado em cerca de US$ 4 milhões. As rainhas do jogo escondem pequenos relógios transformáveis que podem ser usados como pingentes, enquanto as peças reproduzem Gabrielle Chanel vestida com o clássico tailleur de tweed cravejado de diamantes.



Outro modelo que chamou atenção foi o Gabrielle Long Necklace, um colar-relógio de alta joalheria limitado a apenas cinco exemplares. A peça apresenta uma miniatura escultórica de Coco Chanel usando tailleur em diamantes, suspensa por uma longa corrente adornada com diamantes e ônix. O relógio permanece oculto atrás da figura da estilista, reforçando a ideia de que, para a Chanel, o tempo deixa de ser elemento central e passa a fazer parte de uma narrativa visual sofisticada. Segundo a marca, a figura recebe mais de 700 diamantes aplicados manualmente.



A icônica linha J12 também ganhou novas interpretações. A Chanel apresentou versões em cerâmica preta fosca e branca brilhante com detalhes inspirados em videogames antigos. No modelo J12 Coco Game, uma pequena figura pixelada de Gabrielle Chanel aparece girando pelo mostrador no ponteiro dos segundos, detalhe que levou cerca de dez meses de desenvolvimento técnico para alcançar o equilíbrio necessário da peça em carbono ultraleve. Os relógios ainda recebem índices de diamantes, bezel com efeito baguette e movimento automático Caliber 12.1 com certificação COSC e autonomia de aproximadamente 70 horas.



A Chanel também apresentou releituras sofisticadas da linha Première, incluindo o Première Galon, relógio que mistura ouro branco, laca preta e diamantes em uma pulseira trançada inspirada nos acabamentos das peças de alta-costura da maison. Já o Noeud de Camélia Embroidered Cuff transforma o relógio em uma pulseira bordada pela histórica Maison Lesage, ateliê especializado em bordados couture que pertence ao Métiers d’Art da Chanel. Com camélia cravejada de diamantes escondendo um pequeno mostrador de 10 mm, a peça reforça a principal mensagem da coleção 2026: na Chanel, relógios não servem apenas para medir o tempo, mas para transformar moda, joalheria e arte em um único objeto de desejo.











































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































