Muito além dos títulos e protocolos, a princesa Diana construiu um legado que atravessou décadas e redefiniu a relação entre moda, imagem pública e poder feminino. Eterna “princesa do povo”, Lady Di transformou roupas em discursos silenciosos, usando cada look como uma extensão de sua personalidade, emoções e posicionamento diante do mundo. Em uma era pré-redes sociais, tudo o que Diana vestia se tornava imediatamente desejado, copiado e debatido, provando que estilo sempre foi uma das formas mais eficazes de comunicação.
Desde o início, Diana mostrou que não seria apenas mais um rosto da realeza. Seu vestido de noiva, desenhado por David e Elizabeth Emanuel, entrou para a história como um dos mais emblemáticos de todos os tempos. O modelo volumoso em tafetá de seda e renda antiga, com cauda de mais de sete metros, véu monumental e milhares de pérolas bordadas, consolidou o imaginário do casamento de conto de fadas e influenciou gerações de noivas. Décadas depois, o estilo “bolo de noiva” voltou com força, ressurgindo em cerimônias contemporâneas e reafirmando a força simbólica daquela escolha.


Ao longo dos anos, Diana refinou sua imagem e passou a brincar com estampas e silhuetas que equilibravam tradição e modernidade. Florais delicados, poás elegantes e chapéus marcantes tornaram-se sua assinatura em eventos diurnos, como no icônico visual usado no Epsom Derby, em 1986. Sempre impecável, ela demonstrava que era possível respeitar o protocolo sem abrir mão de personalidade, algo que até hoje inspira nomes como Kate Middleton, que frequentemente homenageia a sogra em escolhas de estilo, e Meghan Markle, que também faz referências sutis à princesa.
Entre seus momentos mais memoráveis está o famoso “vestido Travolta”. O longo de veludo azul meia-noite, criado por Victor Edelstein, ganhou status lendário quando Diana dançou com John Travolta em um jantar de gala na Casa Branca, em 1985. A imagem rodou o mundo e consolidou a princesa como ícone fashion global. Anos depois, a peça foi leiloada por uma cifra milionária, prova de que o valor simbólico de seus looks só cresce com o tempo.

Mas talvez o momento mais emblemático de sua relação com a moda como ferramenta de expressão tenha sido em 1994, quando Diana surgiu com o célebre “vestido da vingança”. O modelo preto de chiffon, com ombros à mostra e comprimento ousado, foi usado na mesma noite em que o então príncipe Charles admitia publicamente a traição. O look foi interpretado como um grito de liberdade, independência e força feminina, tornando-se referência eterna para mulheres que usam a moda como afirmação de autoestima e poder pessoal.



Diana também foi precursora de tendências que hoje dominam o street style. Muito antes de ternos femininos ganharem destaque nas passarelas, ela já combinava paletó, camisa e gravata com jeans, chocando a realeza e antecipando discussões sobre gênero e estilo. Seu guarda-roupa casual, com moletons, leggings, tênis e jaquetas oversized, também se tornou inspiração direta para o visual de modelos e influenciadoras contemporâneas, como Hailey Bieber e Kendall Jenner.
Após a separação, sua relação com a moda se tornou ainda mais livre e simbólica. No MET Gala de 1996, Diana apareceu com um slip dress de seda azul meia-noite assinado por John Galliano para a Dior, acompanhado da bolsa Lady Dior, batizada em sua homenagem. O look representava leveza, elegância e uma nova fase de sua vida, longe das amarras rígidas da monarquia.
Nos últimos anos de vida, a princesa consolidou um estilo atemporal, baseado em peças clássicas como jeans, camisas brancas, alfaiataria bem cortada e vestidos fluidos. Em Cannes, em 1997, ela encerrou sua trajetória fashion com um dos visuais mais poéticos de sua história: um vestido azul claro etéreo, inspirado em Grace Kelly, assinado por Catherine Walker. Foi a prova final de que Diana não apenas seguiu tendências, mas criou um imaginário próprio, que continua influenciando a moda, a cultura pop e o modo como mulheres usam a roupa para contar suas histórias.
Lady Di mostrou que estilo não é apenas sobre estética, mas sobre identidade, coragem e emoção. E é justamente por isso que, décadas depois, seus looks ainda provocam, inspiram e fazem a realeza, e o mundo, permanecer de cabelo em pé.








































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































