A imprensa cearense perdeu nesta semana um de seus nomes mais emblemáticos. O jornalista Lúcio Brasileiro faleceu no dia 23 de abril de 2026, encerrando uma trajetória que atravessou décadas e redefiniu o papel da crônica social no Brasil. Mais do que noticiar, ele construiu um estilo próprio de narrar a cidade, direto, cotidiano e profundamente conectado às pessoas.
Figura central no jornalismo local, Lúcio estava em plena atividade até seus últimos dias, mantendo uma rotina rara na imprensa contemporânea: a publicação diária de sua coluna. Esse compromisso contínuo o levou a um reconhecimento incomum, sendo registrado como o jornalista com mais tempo de atuação ininterrupta em uma coluna diária, um feito que ultrapassa números e se inscreve como parte da memória cultural do Ceará.
Ao longo de sua carreira, transitou por diferentes plataformas, do impresso ao rádio e à televisão, mas foi na escrita que consolidou sua identidade. Sua coluna funcionava como um retrato social em movimento, reunindo acontecimentos, personagens e bastidores com um olhar que misturava observação aguçada e proximidade afetiva. Em vez de distanciamento, havia presença: Lúcio escrevia como quem participa da própria história que conta.



Paralelamente ao jornalismo, também construiu uma produção literária, com livros que ampliavam esse mesmo olhar sobre a vida cotidiana, sempre marcado por uma linguagem acessível e por uma curiosidade constante sobre as relações humanas. Sua escrita, tanto na imprensa quanto na literatura, ajudou a consolidar uma forma de registro que valoriza o detalhe, o encontro e o tempo presente.
Sua morte encerra um ciclo importante, mas também evidencia o impacto de um modelo de jornalismo cada vez mais raro: aquele que se constrói na permanência. Em um cenário marcado pela velocidade e pela fragmentação da informação, Lúcio Brasileiro deixa como legado a ideia de continuidade, de olhar atento e diário sobre a cidade e suas transformações.
Muito além de um colunista, ele foi um cronista do cotidiano, alguém que transformou pequenos acontecimentos em narrativa e fez da rotina um documento cultural. Com sua partida, Fortaleza perde uma voz histórica, e a imprensa, um de seus observadores mais constantes.








































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































