Essa semana que passou fiz minha primeira viagem como repórter no novo trabalho. Apesar de ser para perto, tenho o hábito de estar sempre atenta aos meandros do caminho. Isso me ajuda a evitar os enjôos, ao mesmo tempo que me distrai enquanto o tempo passa.
A estrada percorrida não era novidade e o nosso destino final era uma cidade pequena, no pé do maciço de Baturité. Devo ter passado por esse caminho mais de uma dezena de vezes, tanto a lazer como a trabalho, porque no emprego anterior visitei algumas vezes um antigo leprosário em Redenção.
Dessa vez, como estava sentada no banco de trás, percebi uma fazenda com um letreiro poético que atentei na primeira vez que fiz esse percurso, do lado direito de quem volta para Fortaleza.
O nome da fazenda, que depois descobri ser uma chácara, era Sublime Quietude. O dono seria um poeta? Ou um escritor? Porque para dar um nome desses, a pessoa precisa ter a poesia nas veias…
Da estrada, só se consegue avistar o letreiro, que nem é tão grande. Nada de casa com alpendre, que combinaria muito bem com essa quietude, especialmente se tivesse umas redes bordadas com umas varandas de crochê no mesmo tom da rede. (Lá vou eu com minha imaginação…)
Além do letreiro, só dá para ver um grande matagal e do outro lado da rodovia uma imensidão verde, que é a serra da cidade de Pacatuba, eu acho.
Olhando no Google, a Sublime Quietude se situa no município de Guaiúba. Fiquei com vontade de conhecer os donos, tomar um café e perguntar da inspiração para um nome tão bonito. Ainda mais do que o “Não me deixes”, da fazenda de Quixadá da Rachel de Queiroz.
Deu até vontade de comprar um terreno lá perto do meu pai e colocar um nome bem poético para o meu rancho onde vou escrever depois da aposentadoria, com uns gatos, umas floreiras e uma cadeira de balanço olhando para o rio que corre nos fundos daquele lugar.
Acabei de lembrar que lá agora tem até asfalto. Não daria para ser quietude como dessa chácara em Guaiúba. Sem contar que o progresso por lá anda tão ligeiro que daqui a pouco pouco é capaz de aterrarem o rio.
É, daqui para a minha aposentadoria falta muito chão ainda. Acho que vou ter que escolher outro canto para comprar meu terreno e construir minha sublime quietude da velhice.
E será mesmo que me aposento, sendo jornalista? É pergunta demais para uma crônica só, mas continuo com vontade de conhecer o dono dessa chácara. Quem sabe?








































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































