Fadiga intensa e sensação de mal-estar geral. Pode não ser só cansaço, mas um infarto, se você for mulher. De acordo com o cardiologista Carlos Japhet, presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), os sinais mais frequentes de infarto nas mulheres não é a dor intensa no peito, mas, além da fadiga intensa, também falta de ar súbita, náuseas, dor nas costas, pescoço ou mandíbula.
“A dor no peito, quando existe, geralmente é descrita como desconforto ou pressão leve, não aquela dor lancinante típica dos homens”, orienta.
Esse padrão é considerado “atípico” apenas porque os protocolos médicos históricos foram baseados em estudos predominantemente masculinos. Hoje, diretrizes internacionais reconhecem que o quadro feminino deve ser tratado com padrão próprio.
Segundo ele, as diferenças não são apenas históricas. “As artérias coronárias das mulheres são mais finas e tortuosas. Muitas vezes, não há obstrução em uma artéria principal, mas sim nas menores, é o que chamamos de doença microvascular”, explica Ricardo Cals, cardiologista do Hospital Santa Lúcia Norte, em Brasília.
Hormônios como o estrogênio influenciam a resposta inflamatória e oferecem algum efeito protetor pré-menopausa, mas fatores como obesidade, tabagismo, síndrome metabólica e estresse crônico vêm antecipando eventos cardíacos em mulheres cada vez mais jovens.
Outro quadro também contribui para o atraso no diagnóstico: mulheres costumam minimizar sintomas, priorizar a família ou temer parecer exageradas. Profissionais de saúde, por sua vez, podem demorar a suspeitar de infarto, especialmente em pacientes jovens e sem dor torácica típica, atrasando exames fundamentais como eletrocardiograma, dosagem de troponina e angioplastia.
Estresse crônico, dupla jornada, sedentarismo e problemas de saúde como hipertensão, diabetes e obesidade aumentam a vulnerabilidade cardiovascular. Além disso, depressão e ansiedade estão diretamente associadas a maior risco de infarto por mecanismos que envolvem inflamação sistêmica, alteração autonômica e hábitos de vida menos saudáveis.







































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































