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Lúcio Brasileiro- Um tributo

Assinado pelo cardiologista e escritor José Maria Bonfim, o texto “Lúcio Brasileiro – Um tributo” é uma homenagem sensível e carregada de memória afetiva à trajetória de Lúcio Brasileiro.

Com delicadeza e profundidade, o autor revisita encontros, gestos de generosidade e a presença marcante de Lúcio na vida social e humana de Fortaleza, destacando seu espírito solidário, sua intuição aguçada e sua alegria de viver. Mais que um relato, o tributo é um testemunho de gratidão e admiração por um homem que fez da compaixão e da leveza suas maiores marcas.

Fortaleza se desfalca de um dos seus melhores quadros. Morei muitos anos na casa do Dr Trajado de Almeida e de Dona Alice Frota, na Avenida Dom Luiz na Aldeota. Ao lado do casarão dos Trajanos, havia uma vila de casas, hoje ocupadas por um Shopping. A família de Lúcio morava numa destas risonhas casas. E o via de quando em vez. Ajudava-me identificá-lo o Jornal o Povo. Aliás um jornal que faz parte de nossa história. Praticamente aprendi a ler neste jornal, que ainda vive.

Depois muito depois, trabalhava eu com o saudoso Regis Juca, fiquei mais próximo do nosso saudoso Paco. Depois fui fazer parte da equipe de voluntários que José de Arimatéia Santos, organizou para cuidar dos pobres de Guanacés. Onde trabalhei por 21 anos. Ari faleceu em 2009, e continuamos por mais 10 anos. Num destes sábados, Ari, trouxe para visitar o seu belíssimo trabalho, Lúcio e seu irmão Neno, morto precocemente. Desde este tempo, então, cai nas graças do Francisco Quesado. Todo ano ele mandava uns biscoitos para o Natal das crianças sofridas da Vila, terra querida do belo e grandioso Ari. Um dos dínamos do grupo Edson Queiroz.

Até ano passado Lúcio ainda mandou suas prendas para os aflitos pobres esquecidos da Paróquia da IMACULADA CONCEIÇÃO. Dois caminhos fortes, nos convidavam pela mesma estrada: a Gratidão e a compaixão. A gratidão é bíblica. É o tapiz que nos alumia os nossos passos. Lúcio guardava um mínimo que a ele, alguém o premiasse. Uma das esferas do conhecimento é a intuição. E ele juntava a sua privilegiada intuição, com a sua prodigiosa memória. Quando alcunhou o Ideal Clube, de Clube das Monsenhores, era devida a sua aguçada intuição. Estava em Porto Alegre, RS, num congresso de Cardiologia. Do Hotel para o centro de convenções, no carro Uber, recebo um telefonema de Lúcio.

Fazendo uma entrevista sobre o livro que eu havia publicado: Os Trajanos. Foi quando o lembrei, que por algum tempo fui seu vizinho. Lúcio viveu plenamente como um sonhador imbatível. Era carregado de esperança. De leveza e alegria. Abominava o puxar pra baixo. Detestava a mentira. Era amigo leal. Da Aurora saudosa, pra ele sempre formosa, nunca deu-lhes as costas. Nunca esqueceu o Navio do seu Chão. Tinha na face a paixão pela vida. Amava a vida. E a amava abundantemente.

Escreveu livros que disseca sem censura o perfil da sociedade onde transitava como uma brisa suave. Amava o Trem. Aurora era uma das últimas estações, antes do trem tomar o rumo da Paraíba. Quem ama o trem, ama a partilha. Ama a cordialidade. Ama a oração pelo passageiro mais sofrido. Mais puído. Mais moído. Tive esta oportunidade de ser amigo, de um interiorano como eu. De ser sensível ao clamor dos tantos machucados por tantos infortúnios no mundo. Agradeço a Deus pela vida de uma pessoa tão especial para muitos de nós. Deus é bom. (José Maria Bonfim)

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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