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Um carro, poeira e muita pressa de chegar

Ir visitar meus avós ganhou outros sons, cores e cheiros quando eu passei a ir no carro do meu pai. Logo no ano seguinte ao que cheguei ao Ceará, meu pai comprou um carro. Era um Corcel II bege. Lembro que teve uma batida logo na primeira viagem. Uma Kombi entrou na porta do meu pai. Para nossa sorte, nada demais aconteceu, acho que só uns arranhões nele.

Era madrugada, não existia ainda aquela exigência de cinto de segurança. Poderíamos estar todos mortos, até porque muito provavelmente meu irmão, que tinha dois anos naquele tempo, devia estar no colo da minha mãe no banco da frente. Será que eu dormia deitada no banco de trás? Não lembro.

A lembrança mais forte desse tempo era a gente sozinho na estrada escura e minha mãe procurando um brinco de ouro, presente do pai dela, já falecido. Foi perdido para sempre. Ainda bem que a perda foi apenas essa. E a porta do motorista também.

Nos anos 1990 e até meados de 2000, o caminho era a BR- 222. A saída era sempre de madrugada, entre 4h e 4h30, em comboio com os carros dos meus tios Antônio e Lino. O dia amanhecia em Itapipoca. Por volta das 7h, estávamos em Cruz e vinha a parte mais difícil da viagem. Com a estrada de piçarra, era um sacolejo medonho que às vezes durava umas duas horas. Um mundo de cajueiros e povoados. Entre eles, Cajueirinho, Paraguai dos Crentes, Riacho da Prata. A ansiedade era muita. E o calor também. Não tinha ar condicionado e precisávamos fechar as janelas um pouco por causa da poeira vermelha, senão era arriscado adoecer.

Eu sempre confundia as águas da Lagoa da Jijoca com os riachos e açudes nesse pedaço. No distrito de Prata, tinha uma passagem molhada, que no inverno ficava bem perigosa. Mas, eu imaginava que já era a Lagoa. Assim como o açude do Cajueirinho. Uma vez, até descemos para tomar um banho porque o calor estava muito forte. Mas era muito diferente da Lagoa. O açude tinha pedras vermelhas no fundo. Doía nos pés. A Lagoa era areia de praia.

Ao chegar em Jijoca, a Lagoa vinha receber a gente, a estrada passava ao lado dela. Ainda hoje é assim. Se fosse bom inverno, as águas iam até a estrada. Se não, a gente via o fundo coberto de pastagens, com as cercas atravessando e ela, azul, lá mais para longe, com muitas carnaubeiras nas suas margens.

Até chegar na casa dos meus avós, ainda eram uns quinze minutos, o boqueirão entre a Lagoa e o Córrego do Urubu avisando que estava bem pertinho. Os nossos cajueiros e pronto, era só abrir a porta de duas partes e pedir a benção. Enfim, tínhamos chegado. Agora, era só tomar aquele café com tapioca, vestir a roupa de banho e correr para a Lagoa.

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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