Em um país onde tudo volta, calça larga, câmera digital, boy band e até gente que jurava nunca mais voltar para o ex, a TV Cultura resolveu entrar oficialmente na onda da nostalgia. A emissora anunciou o retorno do clássico “Bem Brasil”, programa musical que marcou gerações e ficou quase duas décadas fora do ar. E para completar o pacote saudosista, trouxe de volta justamente o homem que virou sinônimo da atração: Wandi Doratiotto.
A notícia pegou muita gente no modo “como assim já passaram 18 anos?”. O programa, que esteve na grade entre 1991 e 2008, era uma espécie de parque de diversões da música brasileira antes mesmo de existir algoritmo tentando adivinhar o que você gosta de ouvir. Passaram pelo palco nomes que iam de Tim Maia a Chico Science, de Dominguinhos a Pitty, criando uma mistura musical que parecia playlist montada por um brasileiro em crise de identidade sonora, e funcionava perfeitamente.
A nova fase estreia no dia 7 de junho e já chega com peso de evento. A reestreia terá participação de Carlinhos Brown, numa escolha que combina bastante com o espírito do programa: música popular, diversidade cultural e aquela energia de domingo que faz até quem estava só passando pela sala parar para assistir.
O retorno de Wandi também tem gosto de reencontro histórico. Para muita gente, ele não era apenas o apresentador, mas praticamente o anfitrião oficial da música brasileira na televisão. Com seu jeito irreverente, comentários bem-humorados e aquela famosa chamada de palco que virou marca registrada, o artista ajudou a transformar o “Bem Brasil” em uma das produções mais queridas da TV pública.
Curiosamente, o anúncio acontece justamente em um momento em que Wandi segue bastante ativo na cena cultural. Além de shows e apresentações recentes, o músico acaba de lançar o álbum “Um Passeio Paulista”, trabalho dedicado à cidade de São Paulo e às memórias afetivas que ajudaram a construir sua trajetória artística. Ou seja: enquanto muita gente pensa em aposentadoria, Wandi aparentemente decidiu responder com agenda cheia.
No fim das contas, a volta do “Bem Brasil” parece apostar em algo que continua funcionando muito bem no imaginário brasileiro: boa música, encontros inesperados e aquele sentimento confortável de reencontrar um programa que parecia guardado numa fita VHS da memória coletiva. E sejamos honestos: entre tantas telas disputando atenção, às vezes tudo o que o público quer é sentar no sofá e ouvir alguém anunciar um artista com entusiasmo genuíno novamente.








































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































