Durante quatro dias, aproveitei o máximo que pude a proximidade da beira do mar em Beberibe. O convite de maresia e espuma era feito desde o amanhecer. Como não precisava resistir, perto das 7h já estava molhada de água e sal e com o pé na areia. Não é todo dia que o mar está a poucos passos e alguns degraus de distância.
Enquanto esperava o ônibus na rodoviária para o meu destino, uma abelha africana insistente ficou rondando meu cabelo, zanzando ao meu redor. Percebi quando pousou no meu pé na parte que a sandália não cobria. Dei um pulo e me assustei um pouco porque conheço a dor da ferroada. Pisei em uma sem querer, na cozinha de casa há alguns anos. Tudo o que eu não precisava era de uma ferroada de abelha antes de viajar.
Depois de alguns “chega para lá” no inseto, que insistia em pousar em mim, o ônibus finalmente seguiu para o destino. Mas, mesmo assim, fiquei atenta para o caso de encontrar outras. Em casa, descobri que era por conta da minha blusa preta. Abelhas se sentem atraídas por tons escuros e estampas floridas. A culpa nem era dela.
Nessas longas caminhadas de quatro quilômetros de manhã e de tarde, os olhos permaneciam atentos a vários tipos de colorido na areia da praia. Eram muitas as conchas de vários formatos e tons terrosos. Levei algumas para casa. Também encontrei pelo menos três caravelas lilases e pude desviar de levar uma queimadura. Esse desconforto não pretendo conhecer.
Pois bem. Em uma das manhãs, no meio das conchas, quem esperava ser coberta pelas ondas, talvez para o último suspiro nesta terra, era exatamente uma abelha africana. Achei aquela situação tão estranha. No Google, achei a informação de que, muito provavelmente, a abelha queria matar a sede na água do mar e passou mal. Foi iludida pela grande oferta de água e estava desorientada na faixa de areia. Ou talvez tenha ido descansar na areia úmida. De fato, era muito boa a sensação de deitar na beira da praia. Segui meu caminho com cuidado para não pisar nela sem querer e levar uma ferroada.
Meu feriado acabou e a reflexão permaneceu comigo por todos esses dias. Realmente, uma morte perto do mar chega a ser poética. Não é à toa que o tema virou música famosa na boca de tantos cantores. Que saudade do mar e das fontes do Morro Branco! Acho que nunca mais vou esquecer daquele lugar.








































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































