Eu já estava há meses namorando a possibilidade de adquirir os livros de Lygia Fagundes Telles. Ainda não tinha lido nada da autora e, depois de meses pesquisando, esbarrei em Ciranda de Pedra numa pequena livraria, em Ouro Preto (MG), durante uma viagem em família. Era maio de 2025.
Depois de caminhar muito pelas ladeiras da cidade, como toda boa turista faz, parei naquele pequeno estabelecimento e conversei com o dono do local, que fez várias recomendações de leitura. Mas aquele livro estava adormecido no meu carrinho on-line havia meses, aguardando apenas um simples clique, uma decisão. Ali, ao alcance das mãos, o preço não era nada convidativo, mas eu estava de férias e achei por bem associar o nosso encontro (meu e da Lygia) a uma coisa boa. Trouxe a obra para Fortaleza.
Mergulhei na obra e fiquei encantada com uma escrita que nos faz imergir também nas personagens femininas, tão reais, que me fizeram acreditar na existência delas para além da ficção.
Aqui, uma breve sinopse:“Quando um casal de classe média se separa, a caçula, Virgínia, é a única das três filhas que vai morar com a mãe. É do ponto de vista dessa menina deslocada e solitária que se narram os dramas ocultos sob a superfície polida da família. Loucura, traição e morte são as forças que animam esse singular romance de formação, que já na época de seu lançamento, em 1954, chamou a atenção para o talento e a originalidade da autora.”
Desde então, li outros três livros da Lygia: As meninas, Antes do baile verde e Seminário dos ratos. É sempre um deleite.
Agora, para escrever este texto, fiz uma breve pesquisa e descobri que ela viveu 103 anos, e não 98, como noticiou a imprensa em 2022, ano de sua partida. Segundo o genealogista Daniel Taddone, documentos comprovam que a escritora nasceu em 19 de abril de 1918 e nos deixou 16 dias antes de completar 104 anos.
À época, a assessoria de imprensa da Academia Brasileira de Letras (ABL) afirmou que Lygia preferia manter a discrição em relação à idade.
Com 98 ou 103, ela nos deixou uma obra vasta. Por vezes, me questiono: como demorei tanto para ler Lygia? E, ao mesmo tempo, fico feliz em saber que ainda tenho tanto por descobrir.
Coisas que só a literatura nos causa.
Liberem os livros de vossos carrinhos e vivam os encontros.
Um viva à Lygia também!
Juliana Marques




































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































