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Antes do “sim”, existe uma conversa que pode evitar muita dor de cabeça

Falar sobre dinheiro antes do casamento pode não parecer o assunto mais romântico do mundo, mas talvez seja uma das conversas mais importantes para quem está planejando dividir a vida com outra pessoa. O acordo pré-nupcial, que durante muito tempo pareceu coisa de celebridade ou de quem já tinha um grande patrimônio, vem ganhando espaço justamente porque os relacionamentos também mudaram. Hoje, falar sobre finanças, patrimônio e responsabilidades deixou de ser tabu e passou a fazer parte de um planejamento mais consciente da vida a dois.

No Brasil, quando o casal não escolhe outro regime de bens, vale automaticamente a comunhão parcial. Na prática, isso significa que os bens adquiridos durante o casamento, dentro das regras previstas pela legislação, podem ser partilhados em caso de separação. Quem quiser estabelecer outra dinâmica precisa formalizar a escolha antes do casamento. É aí que entra o pacto antenupcial, documento que permite ao casal definir as regras patrimoniais que pretende seguir.

E o assunto está longe de ser raro. Segundo dados do Colégio Notarial do Brasil citados pela publicação, o número de pactos antenupciais registrados no país cresceu 82% entre 2020 e 2025, chegando a 70.289 acordos em 2025. O movimento mostra uma mudança de comportamento: cada vez mais pessoas estão percebendo que conversar sobre patrimônio não significa falta de confiança, mas pode representar uma forma de organizar expectativas e diminuir conflitos futuros.

Para a advogada de família e sucessões Patrícia Kaddissi, essa transformação também acompanha uma nova maneira de enxergar o casamento. As gerações mais jovens estão entrando na vida adulta profissionalmente mais cedo, construindo patrimônio e pensando de forma diferente sobre independência financeira. Com isso, a ideia de que tudo precisa necessariamente ser compartilhado também passou a ser questionada.

Mas não existe um regime de bens que seja perfeito para todo mundo. A escolha depende da realidade de cada casal, da trajetória profissional, dos filhos, do patrimônio já construído e até dos planos para o futuro. Para quem reduz ou interrompe a carreira para cuidar da casa e dos filhos, por exemplo, a comunhão parcial pode oferecer uma proteção importante, já que reconhece financeiramente parte do patrimônio construído durante a união. Já pessoas que possuem patrimônio próprio, estão em posições de liderança ou estão entrando em um segundo casamento podem considerar outras alternativas, como a separação total de bens.

Também existe uma questão que costuma ficar escondida debaixo do tapete: as dívidas. Dependendo do regime escolhido e das circunstâncias, as responsabilidades financeiras de um dos parceiros podem ter consequências para o outro. Por isso, conhecer a situação financeira de cada um antes de casar pode ser tão importante quanto conversar sobre filhos, moradia ou planos profissionais.

No fim das contas, o pacto antenupcial não precisa ser encarado como um documento que prevê o fim do casamento. Ele pode funcionar justamente como uma ferramenta de diálogo. Colocar as cartas na mesa, falar sobre dinheiro, patrimônio, responsabilidades e expectativas pode deixar a relação mais transparente e evitar que assuntos financeiros se transformem em grandes fontes de desgaste emocional no futuro.

Porque casamento também é parceria na vida real, e vida real inclui boletos, patrimônio, decisões difíceis e planejamento. O romantismo pode continuar intacto, mas saber conversar sobre dinheiro antes do “sim” pode ser uma das formas mais práticas de cuidar da relação depois dele.

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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