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O alecrim entrou na roda: o que esse chá realmente pode fazer pelo organismo

O alecrim é daqueles ingredientes que parecem ter cadeira cativa na cozinha brasileira. Cheiro marcante, sabor característico e presença garantida em receitas de todo tipo. Mas a planta também ganhou fama quando o assunto é saúde, especialmente na forma de chá. A bebida costuma ser associada à digestão, ao relaxamento e até ao emagrecimento. Só que, antes de transformar a xícara em promessa milagrosa, vale separar o que a ciência já encontrou do que ainda está no campo das possibilidades.

Usado há séculos na medicina tradicional, o alecrim possui compostos bioativos, entre eles flavonoides, ácidos fenólicos e terpenos fenólicos. Essas substâncias apresentam propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias estudadas pela ciência. As folhas concentram boa parte dos polifenóis da planta, compostos relacionados à proteção contra o estresse oxidativo, processo que pode provocar danos às células.

Um dos efeitos mais conhecidos está justamente na digestão. Pesquisas experimentais observaram alterações na produção de enzimas envolvidas nesse processo, enquanto a Farmacopeia Brasileira reconhece o alecrim como auxiliar no alívio de sintomas de má digestão e de alguns desconfortos gastrointestinais leves. Isso, porém, não significa que o chá seja capaz de resolver qualquer problema digestivo ou substituir uma avaliação médica quando os sintomas persistem.

E aquela história de que chá de alecrim emagrece? É aí que a conversa precisa ficar um pouco mais cuidadosa. Estudos realizados em animais encontraram resultados interessantes envolvendo o ácido carnósico, uma substância presente na planta, e alterações na microbiota intestinal e no metabolismo. Houve redução de peso nos animais estudados, mas isso ainda não permite afirmar que o mesmo efeito aconteça em pessoas. Chá nenhum, sozinho, faz o trabalho de uma alimentação adequada e de hábitos saudáveis.

O cérebro também entrou no radar dos pesquisadores. Estudos preliminares investigam possíveis relações entre compostos do alecrim, memória, ansiedade e resposta ao estresse. Uma pesquisa com universitários encontrou associação entre o consumo da planta e melhora no desempenho da memória, além de redução de sintomas de ansiedade e depressão. Ainda assim, as evidências são consideradas insuficientes para afirmar que o chá tenha efeito comprovado sobre essas condições.

Outro campo que desperta interesse é a proteção do fígado. Experimentos realizados com ratos apontaram possíveis efeitos hepatoprotetores de extratos das folhas de alecrim, com redução de alterações e danos celulares. Também existem pesquisas experimentais sobre possíveis efeitos relacionados à dor e à pele. São resultados que ajudam a direcionar novos estudos, mas não significam que o alecrim possa substituir tratamentos médicos.

Na hora de preparar a bebida, a orientação descrita pelo VivaBem é fazer uma infusão com cerca de uma colher de sopa de folhas e ramos para uma xícara de água quente, deixando descansar entre cinco e dez minutos. A recomendação também é evitar acrescentar açúcar ou adoçantes.

E o fato de ser uma planta conhecida não significa que o chá esteja liberado para todo mundo. Gestantes e lactantes devem ter cautela, principalmente pela falta de estudos suficientes sobre segurança. O uso também merece atenção entre crianças e pessoas com determinadas condições de saúde ou que utilizam medicamentos, já que o alecrim pode apresentar interações.

No fim das contas, o alecrim pode, sim, fazer parte de uma alimentação variada e trazer compostos interessantes para o organismo. Mas é melhor deixar a fama de “chá milagroso” de lado. A ciência já encontrou pistas sobre seus possíveis efeitos, principalmente relacionados à ação antioxidante e à digestão, mas ainda existem muitas perguntas sem resposta. Uma boa xícara pode fazer parte da rotina; transformar o alecrim em tratamento para tudo é outra história.

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