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Do luxo aos supercomputadores: a China aposta em diamantes para impulsionar a inteligência artificial

Tradicionalmente associados à alta joalheria, os diamantes cultivados em laboratório estão conquistando espaço em um mercado bem diferente: o de semicondutores, servidores de inteligência artificial e sistemas de refrigeração. A indústria chinesa, uma das principais produtoras mundiais dessas pedras, busca novas oportunidades de crescimento diante da queda dos preços no setor de joias e da demanda por materiais de alto desempenho.

O interesse está nas propriedades físicas do diamante, especialmente na capacidade de conduzir calor. Em equipamentos de inteligência artificial, nos quais os processadores geram temperaturas elevadas, controlar o aquecimento é um dos grandes desafios. Por isso, pesquisadores e fabricantes investigam o uso do material em soluções capazes de melhorar a refrigeração e o desempenho dos componentes eletrônicos.

A China responde por cerca de metade da produção mundial de diamantes sintéticos, enquanto a província de Henan concentra aproximadamente 80% da fabricação chinesa. Com a pressão sobre os preços das gemas, empresas estão redirecionando investimentos para aplicações industriais, em busca de mercados com maior valor agregado.

Um exemplo é o empresário Feng Canjun, cuja fábrica produz cerca de dois milhões de quilates por ano. Atualmente, aproximadamente 70% da produção é destinada à joalheria, mas a meta é elevar a participação dos materiais funcionais para mais de 50% até 2030, reduzindo a parcela destinada às gemas a 30% ou menos.

Os avanços já aparecem em pesquisas de refrigeração de componentes eletrônicos. Em abril de 2026, pesquisadores chineses apresentaram módulos que combinam diamante e cobre e registraram melhora de 80% na transferência de calor, além de um aumento de 10% no desempenho dos chips avaliados. Apesar dos resultados promissores, a adoção em larga escala ainda depende de avanços técnicos, pureza dos materiais e validação industrial.

Empresas como Huawei e TSMC também foram apontadas pela imprensa chinesa como interessadas em estudar aplicações do material para resfriamento de chips. A Lenovo lançou no mercado chinês um notebook com sistema de refrigeração à base de diamante e cobre, enquanto o presidente-executivo da Intel, Lip-Bu Tan, revelou ter investido pessoalmente na Diamond Foundry, empresa que desenvolve lâminas de diamante cultivado para aplicações em semicondutores.

O movimento também tem apelo financeiro. Estimativas apresentadas por produtores chineses indicam que as margens brutas dos materiais industriais podem chegar a cerca de 50%, ante 30% a 40% nas gemas para joalheria. A possibilidade de ampliar a rentabilidade ajuda a explicar por que fabricantes estão revendo suas estratégias e buscando clientes em setores que exigem precisão e alto desempenho.

A expansão, porém, envolve riscos. A tecnologia ainda precisa superar barreiras técnicas e comerciais antes de alcançar uma utilização mais ampla, e o aumento da capacidade produtiva pode superar a demanda esperada.

Para o mercado de luxo, essa mudança amplia o significado dos diamantes cultivados em laboratório. Além de compor anéis, colares e outras peças de joalheria, eles podem se tornar matéria-prima estratégica para equipamentos que sustentam a inteligência artificial. Na aposta chinesa, o futuro dessas pedras não depende apenas do brilho nas vitrines, mas também do desempenho dentro das máquinas.

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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