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Gloria Steinem: a mulher que transformou o jornalismo em voz para uma geração

Antes de virar um dos rostos mais reconhecidos do feminismo, Gloria Steinem era jornalista. E talvez esteja justamente aí uma das chaves para entender por que seu nome atravessou décadas e acabou se tornando maior do que a própria profissão. Nascida em Toledo, Ohio, em 1934, ela começou a carreira jornalística em Nova York nos anos 1960, em uma época em que as mulheres ainda enfrentavam limitações que hoje parecem absurdas, inclusive para questões básicas da vida financeira. Em vez de aceitar o papel que esperavam dela, Steinem decidiu fazer perguntas, e algumas delas incomodaram bastante.

Uma das reportagens que colocou seu nome no radar foi justamente uma investigação feita de forma disfarçada em um clube da Playboy, em 1963. Steinem trabalhou como coelhinha para observar de perto as condições enfrentadas pelas funcionárias e transformou a experiência em reportagem. O trabalho revelou desigualdades e situações de exploração e acabou se tornando um dos episódios mais conhecidos de sua carreira. A experiência também mostrou algo que acompanharia sua trajetória dali em diante: usar o jornalismo não apenas para contar histórias, mas para revelar aquilo que muita gente preferia não enxergar.

A virada definitiva aconteceu no fim dos anos 1960. Depois de participar de um encontro sobre direitos reprodutivos em 1969, Steinem passou a se envolver cada vez mais diretamente com o movimento feminista. Ela se tornou uma das principais vozes da chamada segunda onda do feminismo nos Estados Unidos, defendendo temas como igualdade entre homens e mulheres, liberdade reprodutiva, participação política e independência econômica. O que poderia ter ficado restrito a círculos ativistas ganhou espaço na imprensa, nos debates públicos e na cultura popular.

Em 1971, Steinem ajudou a fundar o National Women’s Political Caucus, organização voltada à participação das mulheres na política. No ano seguinte, participou da criação da revista Ms., que se tornou uma das publicações feministas mais importantes dos Estados Unidos. A revista não queria apenas falar sobre mulheres; queria colocar mulheres no centro da conversa, discutindo temas que durante muito tempo eram tratados como assuntos privados ou simplesmente ignorados pela grande imprensa.

E Gloria não ficou conhecida apenas pelas ideias. A imagem também virou parte da personagem pública. Os grandes óculos de aviador, os cabelos volumosos e o visual marcante ajudaram a transformar a jornalista em uma figura imediatamente reconhecível. Curiosamente, sua aparência também foi usada para questionar sua credibilidade: em diferentes momentos, críticos tentaram transformar seu estilo em argumento contra suas posições. Ela, no entanto, continuou tratando a própria imagem como parte da liberdade de ser quem era.

Ao longo das décadas, Steinem ampliou sua atuação e passou a defender diferentes pautas relacionadas aos direitos das mulheres e aos direitos civis. Também chamou atenção para a importância da diversidade dentro do próprio movimento feminista e reconheceu o papel fundamental de mulheres negras na construção dessas lutas. Para ela, a transformação social não deveria ser um projeto de poucas figuras famosas, mas uma construção coletiva, feita por diferentes mulheres e gerações.

A escritora também deixou uma produção literária importante. Em livros, artigos e discursos, transformou experiências pessoais e questões políticas em reflexões sobre liberdade, autoestima, desigualdade e mudança social. Em “Minha Vida na Estrada”, por exemplo, retomou episódios de uma vida marcada por viagens, encontros e ativismo. Uma das ideias que atravessavam sua obra era justamente a importância de ouvir: conhecer histórias diferentes seria uma das formas mais poderosas de entender o mundo e transformar relações.

Em 2013, Barack Obama concedeu a Gloria Steinem a Medalha Presidencial da Liberdade, uma das maiores honrarias civis dos Estados Unidos. O reconhecimento oficial apenas colocou um selo institucional em algo que já havia acontecido havia muito tempo: Steinem tinha se tornado uma referência internacional quando o assunto era a luta pela igualdade. Sua trajetória também ganhou versões no cinema e no teatro, mostrando como sua figura ultrapassou o campo político e entrou definitivamente no imaginário cultural.

Gloria Steinem morreu aos 92 anos em sua casa, em Nova York, deixando uma trajetória de mais de seis décadas de jornalismo, escrita e ativismo. Mas talvez o aspecto mais interessante de seu legado esteja justamente no fato de que ela nunca foi apenas uma estátua do feminismo. Foi uma jornalista que fez perguntas difíceis, uma escritora que transformou experiências em reflexão e uma ativista que ajudou a colocar temas antes tratados como tabu no centro da conversa pública.

No fim, sua história mostra que uma personalidade pode nascer muito antes da fama. Gloria Steinem construiu a sua ao insistir que determinadas perguntas precisavam ser feitas, e que determinadas vozes precisavam ser ouvidas. Décadas depois, o eco dessas perguntas continua presente. E talvez seja exatamente isso que transforma uma pessoa em símbolo: não apenas ter vivido o seu tempo, mas ter ajudado a mudá-lo.

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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