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Entre o celular e o cuidado: por que especialistas querem mudar a forma como crianças usam as redes

A discussão sobre crianças e adolescentes nas redes sociais ganhou mais um capítulo na Europa, e, desta vez, a proposta não é simplesmente apertar o botão de “proibir”. Mais de 130 especialistas, pesquisadores, organizações de defesa dos direitos das crianças e entidades ligadas à saúde mental pediram à União Europeia que adote regras mais rígidas para proteger os mais jovens, mas defendem restrições proporcionais em vez de uma proibição completa das plataformas. A ideia é simples: se as redes fazem parte da vida cotidiana, o caminho mais eficiente pode ser torná-las mais seguras para quem ainda está em fase de desenvolvimento.

A discussão acontece às vésperas de um anúncio esperado da Comissão Europeia sobre novas medidas de proteção infantil na internet. A presidente da instituição, Ursula von der Leyen, deve apresentar propostas no dia 16 de setembro, e uma das possibilidades em debate é estabelecer uma idade mínima para o acesso às redes sociais. Em julho, ela já havia defendido um acesso “progressivo e gradual” dos menores às plataformas digitais, sinalizando que a preocupação não está apenas em impedir o uso, mas em criar condições mais adequadas para cada faixa etária.

Para os especialistas que assinaram a carta enviada à Comissão Europeia, uma proibição geral pode acabar deixando de lado justamente quem deveria assumir uma parcela maior da responsabilidade: as próprias empresas de tecnologia. Segundo o grupo, simplesmente afastar crianças e adolescentes das plataformas pode transferir para famílias e para os próprios jovens a tarefa de lidar com os riscos digitais, enquanto as redes continuariam sem obrigações suficientemente fortes para oferecer ambientes seguros. A proposta defendida é apostar em limites de idade proporcionais, acompanhados de mecanismos de segurança e proteção desenvolvidos pelas próprias plataformas.

E não é difícil entender por que a preocupação aumentou. O ambiente digital pode influenciar sono, concentração, relações sociais e bem-estar, principalmente quando o uso se torna excessivo ou acontece sem limites claros. Um estudo britânico divulgado em julho, por exemplo, acompanhou 309 famílias e encontrou relatos de melhora no sono, no humor, na concentração, nos estudos e na convivência familiar entre adolescentes submetidos a diferentes formas de restrição. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostrou que limitar demais também pode gerar sensação de isolamento, especialmente quando as redes são utilizadas pelos jovens como principal forma de conversar com os amigos.

É justamente aí que a discussão fica mais interessante: talvez o problema não seja apenas estar ou não estar nas redes, mas como, quanto e em quais condições esse acesso acontece. Uma criança não tem a mesma maturidade digital de um adolescente mais velho, assim como um aplicativo que oferece comunicação entre amigos não necessariamente apresenta os mesmos riscos de uma plataforma baseada em recomendações incessantes de conteúdo. Para os especialistas, regras mais ajustadas à idade podem criar uma espécie de “freio” sem transformar a internet em um território proibido.

A proposta também coloca as empresas de tecnologia no centro da conversa. Em vez de deixar toda a responsabilidade nas mãos dos pais, a ideia é exigir que as próprias plataformas desenvolvam mecanismos capazes de proteger crianças e adolescentes de conteúdos inadequados e de experiências digitais potencialmente prejudiciais. Afinal, quando o ambiente online é pensado para prender a atenção do usuário pelo maior tempo possível, esperar que uma criança ou adolescente tenha sozinho todas as ferramentas para controlar esse comportamento pode ser uma expectativa pouco realista.

No fim das contas, a discussão europeia vai muito além de permitir ou não que menores tenham uma conta em determinada rede. Ela coloca em pauta uma questão de saúde e desenvolvimento que já faz parte da rotina de milhões de famílias: como garantir que a tecnologia seja uma ferramenta útil, e não uma fonte constante de pressão, excesso e exposição? Para os especialistas, a resposta pode estar menos em simplesmente fechar a porta e mais em obrigar quem construiu esse ambiente digital a torná-lo mais seguro para quem ainda está aprendendo a navegar por ele.

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Por minha vasta convivência profissional durante anos com a sociedade de Fortaleza, aprendi a captar notícias em suas mais preciosas e seguras fontes. Por perceber que no contato com esses registros sociais estava a fonte de minha vocação, resolvi criar meu próprio espaço na mídia virtual, reunindo uma equipe capaz e competente.

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